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RUMOS NOVOS - Católicos Homossexuais

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Um outro “Orgulho” é possível!

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Desde 1 de maio de 2008 que temos trabalhado no sentido de que as denominadas manifestações de “Orgulho LGBT” possam ser momentos de verdadeira afirmação, que possam contribuir não somente para a urgente integração social (e também religiosa!) de todos e todas nós, mas igualmente como sinal positivo para tantos e tantas que ainda se debatem diariamente com a assunção da sua sexualidade e com a conciliação entre esta e a sua fé.

 

É por isso, que registamos com imenso agrado que comecem a surgir outras manifestações, que mostrem outras formas de celebrar a nossa experiência peculiar, no seio da sociedade em que vivemos, tal como experiências peculiares têm muitos e muitas outros.

 

Assim, a Câmara Municipal de Arona (Tenerife, Canárias, Espanha) decidiu patrocinar um evento que vá mais além dos que os carros alegóricos e as lantejoulas e realizou entre 5 e 11 de junho passado a primeira edição do ARN Culture & Business Pride, uma espécie de torre de Babel de profissionais (mais ou menos proeminentes) do coletivo: cientistas, artistas, desenhadores, jornalistas, atores, empresários, empreendedores, opinion makers, etc.

 

Sob o lema “Uma Outra Forma de Amar”, “Uma Outra Forma de Pride”, foram sete dias de intelectualidade “homo”, pretendeu-se realizar uma manifestação de Orgulho diferente do das outras cidades um pouco por todo o mundo.

 

Davide Pérez, responsável pela organização do evento define-o assim: “Não queremos competir com o Orgulho Gay de Madrid. A imagem dos carros alegóricos está muito bem, eu próprio já participei em muitos, mas julgamos necessário criar um evento mais cultural, que destacasse outros méritos do coletivo e que estão muito para além da festa”.

 

Do evento fez ainda parte a distribuição de prémios relacionados com a visibilidade, a inovação ou a cultura LGBT.

 

Para completar esta primeira edição do ARN Culture & Businees Pride, os organizadores colocaram sobre a mesa alguns assuntos que aquecem a atualidade do coletivo que ainda hoje, em alguns países, vive sob o estigma de governos e sociedades homofóbicos.

 

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Neste 17 de maio, OREMOS JUNTOS por um mundo sem homofobia

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Continuemos a ser obreiros/as da cultura do encontro!



Caros amigos e amigas, irmãos e irmãs em Jesus Cristo,

 

Circunstâncias várias, entre elas o atraso na preparação de uma celebração condigna, levam-nos (como infelizmente já aconteceu em 2016) a alterar a forma como iremos assinalar o próximo dia 17 de maio, Dia Internacional Por Um Mundo Sem Homofobia.

 

Iremos lembrar os irmãos e irmãs vítimas da violência, da exclusão e do preconceito. É justo fazê-lo, porque nenhum ser humano deve ser humilhado. Nenhum ser humano deve sentir-se diferente ou inferior aos outros.

 

O próprio Papa Francisco, respondendo aos jornalistas no regresso da Jornada Mundial da Juventude no Brasil, disse: “Se uma pessoa é gay e busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?”.

 

São palavras muito bonitas e profundas, que no Rumos Novos podemos confirmar pela experiência de partilha e oração que temos presente nos nossos vários momentos em conjunto. São testemunhos ‘muito humanos’ e com grande sensibilidade, de tantos e tantas que procuram verdadeiramente Deus.

 

Por isso, o Santo Padre convidou-nos a não julgar. Quem somos nós para subir num pedestal e apontar o dedo? Quem somos nós para condenar e atirar pedras? Quem somos nós para sentir desprezo? Quem somos nós para excluir e rejeitar?

 

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No entanto, também neste importante dia, todos e todas nós, católicos e católicas homossexuais, não nos podemos esquecer dos irmãos e irmãs que têm outra visão sobre algumas questões da nossa vivência. Com eles e elas sejamos igualmente tolerantes e saibamos escutar, como gostamos que nos escutem a nós. Não criemos um “complexo de homofobia”, mas uma “cultura do entendimento”, pois para muitos desses irmãos e irmãs é possível, de facto, respeitar plenamente os católicos e as católicas homossexuais, como qualquer outra pessoa no mundo, sem, no entanto, compartilhar algumas das nossas aspirações. É já um caminho…

 

Na noite de 17 de maio, vamos unir-nos espiritualmente na oração, com todo o nosso coração, aos nossos irmãos e irmãs homossexuais que ainda vivem no armário; que são perseguidos, ultrajados e abusados; que são presos e torturados em função da sua orientação sexual; que são mortos em função dessa mesma orientação. A todos e todas vamos apertá-los num grande abraço espiritual e dizer-lhes que somos todos filhos de Deus.

 

De igual modo, busquemos, com todos e todas os irmãos e irmãs, sem exceção, as coisas que nos unem e rezemos juntos ao Senhor, em nome desses valores que estão escritos no coração de cada ser humano.

 

Por isso, apelamos a todos e todas que pelas 22h00, do próximo dia 17 de maio, onde quer que nos encontremos, que acendamos uma vela e oremos, pedindo ao Senhor por todos aqueles e aquelas que diariamente sentem na pele o que é ser diferente.
 
 
Para quem quiser, partilhamos aqui um esquema para orarmos, em conjunto, espiritualmente neste dia, ainda que afastados uns dos outros.
 
 
Gostaríamos de vos pedir que partilhassem connosco as velas e os espaços de oração que criarem neste dia 17 de maio.

 
Poderão fazê-lo diretamente na nossa página no facebook, ou enviando-as por e-mail.

 

NOTA À IMPRENSA: Em Fátima, Francisco irá rezar por todos «SEM EXCLUIR NINGUÉM»

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É com o coração cheio de júbilo que as católicas e os católicos homossexuais portugueses acolhem o Papa Francisco. Júbilo também revestido de esperança de que esta visita de Sua Santidade possa ser um momento único de um Papa que se encontra com o seu povo «sem excluir ninguém» como tão bem sublinhou na sua mensagem antes de iniciar esta visita, e que continue a apostar numa conversão dos corações.

 

Mais uma vez, queremos saudar a abertura de Francisco à realidade das católicas e dos católicos homossexuais demonstrada em vários momentos do seu pontificado, numa transformação de corações que permita uma igreja mais inclusiva e mais próxima de Cristo, que não existe para ser servida, antes para servir, mas que tantas razões tem, infelizmente, dado para as e os católicos homossexuais se irem embora.

 

Rumos Novos – Católicas e Católicos Homossexuais continuará a prosseguir um trabalho que conduza a uma melhor compreensão não somente das pessoas de orientação homossexual, mas igualmente das suas relações afetivas, na esperança de uma construção de pontes firmes, numa cultura do encontro, com os irmãos da hierarquia e na certeza de que só a paz e o entendimento possibilita essa construção, para que se pare de carregar «às costas dos fiéis pesos que não podem levar» e nos possamos tornar completamente comprometidos connosco, católicos e católicas homossexuais que pretendemos viver uma vida católica e que amamos a igreja católica.

 

Com o Papa queremos, pois, construir pontes contra a intolerância e uma igreja que fale com as pessoas católicas homossexuais e que não se limite a falar para elas. Uma igreja que seja espaço de acolhimento, paz, misericórdia e tolerância para que possamos ter uma outra igreja: uma igreja que saiba ir às periferias e escutá-las e mais próxima de Cristo, numa clara conversão de atitudes tanto para a igreja institucional como para nós todos seus membros.

O Bispo John Stowe presente num encontro de católicos LGBT nos Estados Unidos

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No encontro Stowe afirmou sentir-se pequenino perante aqueles e aquelas que continuaram «uma vida de fé numa igreja que nem sempre os/as acolheu ou valorizou» ou ao seu esforço. Enquanto pastor, é preciso escutar as suas vozes e levar a sério a sua experiência, afirmou, tendo acrescentado que quer a presença quer a persistência dos católicos LGBT o inspiraram.

 

Eles têm mostrado «uma expressão valiosa de misericórdia» ao interpelarem a igreja «a ser mais inclusiva e mais próxima de Cristo, apesar de se lhes darem muitas razões para irem embora», afirmou.

 

O Bispo John Stowe tem esperança e reza «por uma cultura do encontro» que permita assegurar «que possamos tornar-nos copletamente comprometidos com aqueles e aquelas que pretendem viver uma vida católica e que amam a igreja católica... Por que razão quereríamos voltar-lhes as costas?», perguntou.

 

Stowe recuou ao encontro de S. Francisco com o pedinte há 800 anos. No início, o leproso com as suas chagas abertas repeliu-o, mas depois S. Francisco foi capaz de beijar o leproso. «Ele foi transformado por este encontro», disse o bispo.

 

«O nosso modo habitual de pensar é aquele de que justiça e misericórdia são incompatíveis.» disse Stowe. Porém, o Papa Francisco pediu aos católicos para encontrarem novos caminhos para trabalharem em conjunto, para abrirem novas possibilidades e tentarem não fazer juízos uns dos outros, acrescentou. «Todos nós ainda necessitamos de misericórdia. Trata-se da necessidade de conversão de atitudes tanto para a igreja institucional como para os seus membros», disse Stowe.

 

Sobre os funcionários da igreja e outros leigos comprometidos que tem sido afastados devido à sua orientação sexual, Stowe afirmou: «Temos de preservar a nossa tradição e a nossa integridade enquanto igreja. Arriscamo-nos a entrar em contradição sempre que pretendemos que os funcionários da igreja [e outros leigos comprometidos] vivam de acordo com os ensinamentos da igreja e quando nós, enquanto instituição, não vivemos de acordo com o nosso ensinamento, que sempre se opôs a qualquer tipo de discriminação.»

 

Stowe pensa que a igreja pode encontrar um caminho que permita «defender a nossa liberdade religiosa sem violar os direitos humanos de ninguém.» «Temos de ser consistentes, mesmo que isso algumas vezes possa ser difícil.»

 

O desafio é «articular os princípios do Evangelho de forma consistente e implementá-los com compaixão», disse. Algo que a doutrina social da igreja sempre defendeu foi a dignidade de cada ser humano. «Pregamos que o desabrochar do ser humano é um objetivo primordial,» afirmou, «mais importante do que a proteção das nossas instituições.»

 

Stowe afirmou ainda que nas suas muitas visitas a encontros de Crisma, os adolescentes da sua diocese perguntam: «Por que motivo os católicos e as católicas homossexuais não podem ser eles mesmos? Bispo Stowe,por que razão eles não podem amar quem querem?»

 

Ele disse que admira a forma como cada jovem sabe que a igeja acredita no valor intrínseco de cada pessoa. Porém, também sabem que as pessoas LGBT nem sempre são bem acolhidas ou tratadas com justiça na igreja, disse.

 

Ele tenta familiarizá-los com a doutrina da igreja sobre a dignidade de cada ser humano, citando palavras do documento do Concílio do Vaticano II, Gaudium et Spes (a Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Moderno) e outros exemplos. Ele refere como a discriminação conduz à desumanização, frequentemente exteriorizada em bullying, abuso, alguma vezes violência e mesmo morte.

 

«Temos de escutar os nossos jovens e prestar atenção a coisas como estas,» insistiu o bispo.

 

Refletindo sobre Mateus 12, 1-14, o bispo disse aos presentes que nesta leitura da moralidade cristã, ele encontra o valor infinito da pessoa humana para ser «a pedra angular e a fundação que permita determinar a moralidade de um determinado ato ou questão. A moalidade cristã está mais preocupada com o bem-estar da pessoa do que com regras, normas ou ordens. Jesus parece ensinar isto em inúmeras ocasiões», afirmou Stowe.

Atentado: Xavier, o polícia morto em Paris tinha 37 anos e deixa um companheiro!

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Xavier Jugelé, o polícia assassinado ontem à noite em Paris tinha 37 anos. Era casado, sem filhos, de acordo com o ministério do Interior francês. Era membro da 32.ª companhia de direção da ordem pública e da circulação (DOPC) do serviço central de polícia de Paris.

 

Guardião da paz desde há 6 anos. Partiu para a Grécia para fazer a segurança dos migrantes aquando do afluxo migratório de 2015 e do ano passado. Xavier Jugelé, que deixa um companheiro, era membro da associação Flag !, que federa os polícias homossexuais.

 

Encontrava-se no interior da carrinha do DOPC, em conjunto com dois colegas, para efetuar a segurança do Campos Elísios, quando tombou sob as balas da Kalachnikov de um terrorista de 39 anos. O autoproclamado Estado Islâmico reivindicou este ato sangrento.Karim Cheurfi que residia em Chelles, em Seine-et-Marne já tinha sido condenado a 15 anos de cadeia por ter atirado sobre um polícia nacional e sobre o seu próprio irmão.

 

Na próxima quarta-feira, polícias oriundos de toda a França, irão juntar-se na capital francesa.

 

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Artigo original: aqui.

 

Tchechenos Homossexuais Relatam Detenções, Espancamentos, Extorsão

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Autoridades locais na Tchetchénia estão alegadamente em busca de sangue quando se trata da homossexualidade. Grupos do Direitos Humanos e um grande jornal russo afirmam que, nos últimos meses, homossexuais chechenos têm sido presos, espancados, chantageados e mesmo mortos devido à sua orientação sexual.

 

O serviço de notícias russo RFE/RL falou com três homossexuais tchechenos que relataram na primeira pessoa as suas fugas do abuso que enfrentaram na república do sul da Rússia, onde a homossexualidade é estigmatizada e onde as denominadas mortes por honra postas em prática por membros da famíla não são coisa rara.

 

Em cada um dos casos, os nomes dos homens foram alterados como forma de proteger as suas identidades.

 

Said

A história de Said é uma história de chantagem e extorsão. Um grupo de “amigos” preparou-lhe uma armadilha em Outubro de 2016. Said tinha conhecido estes “amigos” há cerca de um ano e meio. Conviviam regularmente em casa dele até que um dia começou a chantagem: estes “amigos” exigiram-lhe 2,5 milhões de rublos (cerca de 45.000 euros) para que não divulgarem as gravações áudio e vídeo que tinham feito de forma oculta e que evidenciavam que Said é gay.


Said recusou-se a ser chantageado, vendeu o seu carro e fugiu. Primeiro para a cidade de Krasnodar e de lá para Moscovo. À família e amigos disse que tinha emigrado para a Europa.


Em Janeiro teve de voltar a Grozny, na Tchetchénia, por causa de problemas familiares. Nesse curto espaço de tempo que esteve na cidade foi visto por um agente da polícia conhecido dos chantagistas. Said conseguiu abandonar a cidade, mas pouco depois recebeu um telefonema da mãe a dizer-lhe que tinha a polícia em casa a perguntar por ele. OS homens arrancaram-lhe o telefone das mãos da mão da mãe de Said e perguntaram-lhe onde é que ele estava a viver. Said respondeu que estava em Krasnodar. A polícia disse que iria enviar um carro para ele regressar a Grozny. Said sabia exactamente por que razão eles estavam à sua procura e, por isso, recusou-se a voltar. Foi então que a polícia prendeu o seu irmão e disse que não iria libertá-lo até que ele voltasse a Grozny.


Said recebeu telefonemas de vários familiares, incluindo da sua irmã, que tentou convencê-lo a voltar. "A minha mãe não sabia nada sobre o que tinha acontecido. No começo eu não pude dizer, mas no fim eu acabei por dizer que era gay. Ao telefone a minha mãe disse-me que “isso não é um problema, só tens de vir para cá. Nós sabemos que não fizeste nada de mal, só tens de dizer que é tudo uma mentira e eles vão acabar por pedir desculpas a todos os membros da família. Said percebeu que a única coisa que a sua família queria era que ele voltasse, quer para obter informações ou então para matá-lo. Um familiar de Said, que é polícia, ligou-lhe e Said disse-lhe que era gay. A resposta foi: "Eu sei. Não podemos fazer outra coisa que não seja matar-te. "Said disse que voltaria e assim a sua família poderia levar a cabo um "crime de honra" para limpar o nome da família. Said pediu ao familiar que o matasse sem se aproximar dele. Mas ele sabia que este parente não o iria fazer, porque queria ter acesso à lista de contactos para encontrar outros homens gays.


Said nunca voltou a casa e hoje vive num país europeu. Não tem qualquer contacto com a sua família. A única coisa que sabe através de um conhecido em Grozny é que o seu irmão foi efectivamente preso e que a polícia, oficiais e membros do Ministério do Interior passam várias vezes pela sua casa para pressionar os seus familiares para que estes o convençam a voltar.


Said está há bastante tempo sem ter informações sobre a sua família e não pode telefonar-lhes porque teme que as chamadas estejam sob escuta. Desde que soube dos desenvolvimentos do que está acontecer na Tchetchénia através do jornal Novaya Gazeta e através dos grupos de defesa dos Direitos Humanos Said percebeu que os perfis dos seus amigos nas redes sociais desapareceram. “Acredito que alguns se estejam a esconder, mas a maioria terá sido vítima desta campanha anti-gay. Um dos meus amigos foi detido em Dezembro. Só o libertaram quando revelou o nome de todos os seus amigos. A última vez que falei com ele há um par de semanas, ele estava a chorar e disse-me que estavam à procura dele. Agora não sei onde é que ele está".Outro conhecido de Said foi preso e só voltou para a sua família apenas na condição de que o matassem. “Foi o tio dele que o matou. Isso sei de certeza, Tinha 20 ou 21 anos. "

Malik

O Said conseguiu escapar sem ser torturado. Infelizmente, Malik não teve a mesma sorte. Após ter enviado mensagens a um homossexual seu conhecido, acabou detido e passou 10 dias numa prisão secreta. “Vivíamos num grande quartel onde estavam 15 homossexuais e 20 toxicodependentes. No entanto, quando chegámos, a consideração pelos toxicodependentes aumentou significativamente, ao ponto dos mesmos terem sido autorizados a atormentar-nos.”


Diariamente Malik e os outros reclusos homossexuais eram espancados e humilhados. Foi-lhes atribuído a cada um nomes de mulher, eram forçados a dançar em frente uns dos outros e depois eram levados individualmente para outro edifício onde eram torturados. Malik contou que foi pontapeado e espancado com varas, para além de ter sido torturado com choques elétricos, através de grampos de aperto, que eram colocados nos dedos das mãos e dos pés.


Pediram-lhe também os contactos de outros homossexuais que poderia conhecer, mas ele teve tempo de apagar todas as informações que tinha no seu telefone e não deu qualquer informação, apesar das constantes ameaças de morte que lhe eram dirigidas. “Eu sabia que poderia não sair vivo, mas preferia morrer do que arruinar a vida de outra pessoa”.


Ele e todos os outros homossexuais dormiam num piso que se encontrava completamente vazio, ao contrário dos toxicodependentes, que dormiam em camas e podiam ir aos sanitários três vezes por dia. Uma de manha, outra à tarde e outra à noite. “Apesar de ser usual durante a noite abrirem as janelas, os toxicodependentes estavam agasalhados, ao contrário de nós, que não tínhamos nada para nos cobrir, pois até os nossos casacos nos tiraram”, relembra Malik.


Foi-lhe oferecida a possibilidade de comprar a sua liberdade pela quantia de 1 milhão de rublos (aproximadamente 16700 euros), mas Malik não tinha esse dinheiro. Para além disso, Malik acredita que o principal objectivo dos seus raptores não era apenas a extorsão. “Foi uma acção preventiva para parar a homossexualidade. Ouvi-os discutir entre si como é que eles deviam de lutar contra pessoas como nós. Até nos disseram para não o voltarmos a fazer”.


Dez dias depois todos os homossexuais foram colocados em fila e humilhados, um por um, na frente das respectivas famílias. Depois foram entregues às mesmas.


Malik foi levado para casa e escondeu-se no quarto. O pai de Malik foi ter com ele com um tubo de metal na mão. “Eu disse-lhe para esperar, tirei a minha camisa e mostrei-lhe que já estava coberto com hematomas e que não precisava de me bater mais. Ele saiu e não voltou a falar comigo novamente.”


Malik esperou que os seus ferimentos se curassem a depois fugiu de Grozny. Ele diz que não sabe o que aconteceu com os outros. Todos eles apagaram as suas contas da VKontakte (VK), uma rede social russa bastante popular. Depois viu na VK que estavam a dar as condolências aos familiares de um dos homossexuais que tinha estado preso com ele. Malik acredita que esta pessoa ter sido morta pela sua própria família de forma a limpar a honra.

Khasan

Khasan, 23 anos, saiu de casa como sempre fazia, levando às costas a sua pequena mochila. Mas em vez de ir para o trabalho, foi para o aeroporto e partiu, deixando Grozny – e a Tchetchénia – para sempre.


Olhando em retrospectiva para a sua situação, diz ter lido sobre as capturas em massa de homossexuais que, segundo algumas notícias, ocorreram no início de Março, mas não levou muito a sério. Khasan diz que pensava estarem a referir-se ao passado e a casos isolados. “Até que, no fim de Março, uma mulher ligou, a chorar, a soluçar, dizendo que o seu filho (amigo de Khasan) tinha desaparecido”, ele diz que “(Ela) perguntou se ele não estava em minha casa. Ele não estava. Ele tinha 19 anos. Ele é…vocês sabem”. Khasan não acaba a frase pois considera a palavra “gay” tabu.
Outros conhecidos começaram a desaparecer, acrescenta. “Eu não dormi durante muitos dias. Eu ficava à janela, à noite, à espera que eles (a polícia) viessem atrás de mim. Eu não comi nada todo o dia…estive a falar com um amigo no Whatsapp – ele tinha o meu número. Eles podiam aparecer a qualquer momento.”


Khasan já tinha sido capturado uma vez. No passado Outono conheceu um homem no VK (rede social russa equivalente ao Facebook), trocaram mensagens durante um mês e combinaram encontrar-se. Quando finalmente o viu, apercebeu-se que aquele homem não tinha enviado fotos suas. Mas o homem alegou não ter enviado fotos reais por medo.


“Ele disse, ‘Vamos para a minha casa’. Disse que tinha um apartamento em Grozny, mas que não estava vazio e que tinha um outro fora da cidade”.


“Eu disse ‘Ok, vamos lá’. Entrei no carro. Ele conduziu. Nós estávamos a conversar normalmente. Nada sugeria que eu viesse a ser capturado” Khasan recorda que “depois, ele virou para uma floresta e eu vi três pessoas. De imediato percebi que era uma armadilha. Fiquei em choque. Eu disse ‘Por favor, não precisas de fazer isto’ e ele respondeu ‘Vamos falar sobre isso agora’”.


Khasan diz que os três homens que estavam na floresta estavam vestidos com uniformes militares pretos com insígnias e riscas – ele reconheceu-os como oficiais da SOBR (unidade de polícia especial do Ministério interior).
“Eles despiram-me. Um filmou-me com o seu telemóvel. Três deles bateram-me. Pontapearam-me e partiram-me o maxilar. Disseram que eu era gay e que não deve haver defeitos destes na Tchetchénia”.


Levaram o telemóvel de Khasan, que tinha os contactos de amigos e familiares. Eles ameaçaram pôr o vídeo na Internet e pediram 300.000 rublos (aproximadamente 5000 euros) em troca do seu silêncio.


Quando chegou a casa, diz que ninguém viu os ferimentos no seu corpo. Diz ter contado à família que partiu o maxilar numa luta. Khasan teve dois meses para juntar o dinheiro. Ele vendeu o computador e pediu a restante quantia a familiares sob forma de variados pretextos.

 

ARTIGO ORIGINAL PODE SER CONSULTADO AQUI.

O Vaticano dá tratamento de "consorte" ao companheiro do Presidente do Luxemburgo

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O Presidente do Luxemburgo, juntamente como seu companheiro, foram recebidos pelo Arcebispo Gaenswein, prefeito da Casa Pontifícia, antes de iniciarem a reunião de líderes europeus.

 

Por altura do 60.º aniversário do Tratado de Roma (celebrado no passado dia 25 de março), o Papa Francisco realizou, no Vaticano, um encontro com os vinte e sete líderes europeus. Entre os convidados encontrava-se o primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel, que esteve presente acompanhado pelo seu companheiro, Gauthier Destenay.

 

O protocolo da Cidade do Vaticano deu o mesmo tratamento ao casal formado por Bettel e Destenay, que ao casamento de Orbán, formado pelo presidente húngaro e esposa.

 

«Foi um enorme prazer e uma grande honra para mim e para Gauthier sermos recebidos pelo chefe da igreja Católica. XB» https://t.co/v4lF5AppIM 

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Mensagem Quaresmal da Assistência Religiosa Nacional do Rumos Novos

Caríssimos irmãos e irmãs:

 

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O tempo quaresmal, no qual o Outro e a Palavra são Dom, segundo o Papa Francisco, convida-nos a ler e meditar a Parábola do Filho Pródigo (Luc.15;11-32).

 

É uma bela história na qual Jesus nos mostra o tamanho da misericórdia divina diante dos nossos pecados e fraquezas, mostra um Pai muito rico, riquíssimo em perdão, para àqueles/as que o buscam.

 

Olhemos mais de perto os personagens: o filho mais jovem, o Pai e o filho mais velho.

 

O filho mais jovem (o pródigo)

O filho mais novo foi ter com o pai e pediu sua parte da herança. A decisão do filho é a de não se importar mais com a vida do seu pai. Mas o pai, mesmo triste e magoado, deu-lhe a parte da herança que lhe cabia e, sem o impedir, ou questionar, deu-lhe a liberdade de escolha. O jovem deixou a família, partiu e gastou tudo, com orgias e desejos materiais, porém o dinheiro acabou e com ele os amigos do momento.

 

Imaginemos quando ele foi dar comida aos porcos – comida que desejava – mas ninguém lhe dava… tendo chegado ao fundo do poço, abandonado e sem vida reconheceu a escolha errada e com humildade (mesmo que forçada) deixou-se levar até o limite da sobrevivência e pensou em ser simplesmente servo da família (queria ao menos ser como um dos empregados).

 

O pai rico em misericórdia

A parábola retrata o infinito amor compassivo de Deus, que transforma morte em vida. O Pai nunca baixa os braços, nem retira a sua bênção ou deixa de amar o seu filho. Deixou-o livre para escolher o caminho a seguir. Tudo o que o filho mais jovem fez foi perdoado, pois nunca deixou de ser um filho amado, apesar das suas muitas faltas. Enquanto o arrependido caminha receoso e lentamente, o perdão corre ao seu encontro. É o desejo do Pai, ver todos/as regressar a sua casa. O Pai não o julgou; nem perguntou por onde andou ou o que fez, apenas perdoou. Dá-lhe sandálias e o anel símbolos da dignidade reconquistada e do regresso à família. 

 

 

O filho mais jovem

O filho mais velho, o que ficou em casa cumprindo com as obrigações domésticas também precisa de conversão. Ele também, no seu íntimo, se afastou do Pai. Às vezes não queremos partilhar da alegria dos outros, temos o coração ressentido e sem interesse em perdoar. Não percebemos que “tudo que é do Pai é também nosso” e que os que ficaram na casa do Pai são da mesma família dos que retornaram, possuindo o mesmo património.

 

O Pai também deseja o regresso desse filho a quem disse: “estás sempre comigo”. O filho mais velho, mesmo sempre ao lado do Pai, ainda não aprendeu a perdoar como Ele; nem percebeu que “na casa do Pai há muitas moradas”. O seu dilema é aceitar ou rejeitar que o amor do Pai está acima de comparações.

 

Todos/as nós temos uma história de “filho pródigo para contar”... em vários momentos das nossas vidas nos afastámos do Pai. Neste tempo da Quaresma somos convidados a regressar à Casa do Pai e buscar o seu amor e perdão

 

Imaginemos a figura do pai observando o portão da casa, aguardando ansiosamente o regresso do/a filho/a, que corre ao seu encontro e que tem pressa…

 

O Pai que corre na direção de ambos os filhos chama-nos para voltarmos para casa onde todos/as são filhos/as amados/as incondicionalmente. É um Pai que espera o regresso dos/as filhos/as e que Lhe digam que O amam oferecendo um amor sem limites que abrange todo o sentimento de perdão da humanidade e está à disposição dos/as que se voltam para Jesus, “o Caminho, Verdade e Vida".

 

Boa caminhada quaresmal a todos e todas.

Muito convosco, a vossa

TC

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