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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos Homossexuais Portugueses

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Homossexuais querem mudar Igreja e comungar sem reservas

São praticantes e reúnem-se num hotel porque nenhuma paróquia lhes abriu as portas. E só um padre lhes disse sim.

 

O trabalho de casa era ler um texto do Envagelho de São Lucas, capítulo 4, versículos de 14 a 30. Relata o início da vida pública de Jesus, onde fala da sua vida e missão e, diz o texto bíblico, apesar da Boa Nova, nem todos acolhem Jesus do mesmo modo. "O que é que este texto tem que ver connosco, com a nossa vida, homossexuais como somos? Acrescento que, por algumas declarações que ouvimos de irmãos nossos na hierarquia da Igreja, poder-se-á pensar que o Senhor não está sobre nós!"

 

A pergunta é de José Leote, coordenador nacional do Rumos Novos, grupo homossexual católico, e que lança o desafio para o debate do encontro mensal de sábado, no Ibis Saldanha, em Lisboa. Nenhuma paróquia lhes abriu as portas e, no final da sessão, colocam um donativo num envelope para suportar as despesas. Funcionam à semelhança de outros grupos católicos, em que existe uma primeira parte de discussão bíblica, uma segunda de oração e uma terceira de convívio. Têm um padre a presidir, um assistente de que não revelam o nome e que encontraram depois de percorrerem uma lista extensa. Desta vez, o padre está ausente, bem como as duas mulheres do grupo.

 

Estão nove homens na sala, entre os quais três casais, sendo que não ultrapassam os 15 nos dias de maior participação. Isto apesar dos muitos contactos através da Internet, o que os leva a concluir que serão 300 no País. São católicos praticantes, confessam-se, comungam e são padrinhos, tudo o que a hierarquia da Igreja lhes proíbe. Dizem que o fazem conscientemente.

 

A sala tem as mesas dispostas em quadrado, que fecha com um altar. Iniciam a sessão com o lema: "Hoje, cumpriu-se a escritura."

Partem do texto bíblico, mas a discussão logo deriva para os temas quentes da actualidade: os casos de pedofilia na Igreja; a forma como a hierarquia "escondeu o assunto" e as recentes declarações de Tarcisio Bertone, vinculando a homossexualidade à pedofilia", e que, mais tarde, o Vaticano veio dizer que se referia aos padres. "Pior a emenda que o soneto!", ouve-se na sala. E outra voz acrescenta: "Cada vez são mais conservadores. E os mais novos são piores..."

 

O DN reformula a pergunta inicial já no final do encontro. "Sentem que o Senhor está sobre vós?" "Claro!", é a resposta. "O que retiramos é o papel que a palavra de Deus representa na vida de cada um de nós e na forma como vivemos o dia-a-dia", explica António Filipe. "Participamos da eucaristia, somos baptizados e professamos a fé católica", justifica José Leote, 39 anos, professor .

 

Já José Ribeiro, 59 anos, professor de Matemática, com três filhos de um casamento, diz não se sentir "especialmente ligado à Igreja", estando mais interessado na discussão teológica do que na prática, embora vá à missa. "É uma questão de tradição familiar e de percurso de vida."

 

O que têm de comum, bem como a todos os elementos e simpatizantes do Rumos Novos, é a certeza de que não faria sentido mudar de religião. "Acreditamos nos valores católicos, na família, num casal estável, fiel. E acreditamos que é possível mudar a Igreja por dentro", justifica José Leote. Mas não acreditam que a mudança surja com Bento XVI. É sem entusiasmo que vêem a visita ao País.

 

 

(Por: Céu Neves, In: Diário de Notícias)

 

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