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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos Homossexuais Portugueses

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

D. Pedro I, D. Sebastião, Infante D. Henrique e Afonso de Albuquerque eram homossexuais

 

Ricardo Coração de Leão

"Confesso que dormi com um homem." Ricardo Coração de Leão, o rei inglês mais corajoso das Cruzadas, subiu muitas vezes ao púlpito da igreja para confessar os seus pecados. Depois de ter mantido um romance com o rei de França, Filipe II, e de não resistir aos encantos do trovador da corte, Ricardo pediu ajuda à Igreja. As confissões públicas (peccatum illud) eram a resposta no século XII.

"Ricardo Coração de Leão era muito religioso e os clérigos defendiam que a única maneira de se libertar da ''doença'' era o sacramento da confissão. Subia ao púlpito e confessava os pecados: sexo com outros homens", explica ao i o autor do livro "Reis que Amaram como Rainhas", Fernando Bruquetas de Castro. "Transforma-se num ícone gay, quando o filósofo Michel Foucault revelou estas confissões públicas. Ricardo Coração de Leão era um exemplo de coragem e homossexual."

O monarca inglês é uma das 45 personalidades históricas, deuses e santos, que Fernando Bruquetas de Castro, professor na Universidade de Las Palmas de Grã Canária, incluiu no livro (editado agora em português). Durante dois anos e meio, o historiador investigou o tema, consultou documentos originais e falou com outros historiadores. De Júlio César, imperador romano de quem se dizia ser "marido de todas as mulheres e mulher de todos os maridos", ao duque de Windsor, o monarca inglês que em 1936 abdicou do trono para casar com uma mulher divorciada, traça-se um percurso histórico da homossexualidade. Ficaram de fora outros exemplos, como as suspeitas que recaem sobre Alberto do Mónaco.

Na edição portuguesa, Fernando Bruquetas de Castro dá mais destaque às figuras lusas. Entre elas estão o rei D. Pedro, o rei D. Sebastião, o Infante D. Henrique, Afonso de Albuquerque, o conde de Vila Franca, o marquês da Valada e outros aristocratas. O historiador, que esteve em Lisboa a promover o livro, escolheu dois exemplos para nos explicar como fundamentou as suas teorias.

D. Pedro

 

 

Ficou na história como um romântico. O rei D. Pedro I era o Justiceiro, porque vingou a morte de D. Inês de Castro, a mulher que amou e coroou já morta. Segundo o livro de Fernando Bruquetas de Castro, o monarca português que viveu no século XIV era bissexual. "Pedro amava Inês, mas também tinha outro tipo de amores e paixões. Na crónica de Fernão Lopes há uma frase que o explica ''e como o rei muito o amasse, mais do que se deve aqui dizer...'' Um cronista não escreve isto ao acaso quando se refere às intimidades entre um rei e o seu escudeiro."

Mas o historiador espanhol dá mais pormenores sobre este episódio. O escudeiro em questão era Afonso Madeira, mais tarde é mandado castrar pelo rei quando é apanhado com uma mulher. O argumento oficial era que D. Pedro não queria adultérios na sua corte. "Eram claramente ciúmes", diz Bruquetas de Castro.

 



Infante D. Henrique

 

Infante D. Henrique

O herói dos Descobrimentos era homossexual, garante Fernando Bruquetas de Castro. "Foi o que mais me surpreendeu, mas quando comecei a investigar, não há dúvidas", diz ao i. Quando perdeu um companheiro na campanha em Ceuta, em 1414, o Infante D. Henrique, o Navegador, fez um luto de três meses e chorou muito. Tanto que o seu pai, o rei D. João I, chegou a pedir-lhe que se contivesse. Os comportamentos fora do normal levaram até ao irmão, o futuro rei D. Duarte, a dizer-lhe para que "não desse mais prazer aos homens para lá do que se deve fazer de forma virtuosa".

O Infante D. Henrique ficou na história como casto, já que nunca se casou nem lhe foi referida alguma ligação a mulheres. "Três investigadores apontam a sua homossexualidade como algo claríssimo. Em Sagres, Henrique estava sempre rodeado de adolescentes que iam para os Descobrimentos e lhe traziam como prenda escravos negros. Mas o mais estranho é o desaparecimento do seu cronista, seu contemporâneo, que escreveu a sua história. Por que desapareceu? Porque estava lá tudo e não queriam que a Igreja soubesse."

 

 

 

 

 

Fonte: Jornal i onlline

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