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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

ENCONTRO MENSAL NACIONAL A 28 DE FEVEREIRO

 

Data: 28 de Fevereiro de 2009
Local: Lisboa (sala Estefânia, Hotel Íbis Lisboa-Saldanha, Avenida Casal Ribeiro, 23, à Estefânia).
Hora: 18h00
Programa: rumosnovos.no.sapo.pt/actividades/e-ano2009.html
 
 
Tema: O Espírito Santo impulsiona os discípulos para que dêem testemunho de Jesus.
 
NOTA: Mais pormenores rumosnovos.no.sapo.pt/actividades/este-mes.html
 
 
Esclarecimento Adicionais:
CUSTO DE PARTICIPAÇÃO NO ENCONTRO: Não há qualquer custo de participação no Encontro. Contudo, todos os irmãos que puderem ou desejarem, podem contribuir com a sua dádiva, colocada numa pequena caixa vermelha situada à entrada da sala, junto ao telefone. Esta dádiva destina-se a cobrir as despesas com o encontro: impressão de material e aluguer da sala. No entanto, e como já mencionado, a contribuição NÃO É obrigatória.
 
COMO PARTICIPAR NO ENCONTRO: Se possível efectuar uma preparação pessoal prévia, através da leitura do caderno de apoio (se não for possível, também não haverá qualquer problema devido a isso). Entrar no Hotel como qualquer outro cliente e, na recepção, perguntar onde fica a reunião do Rumos Novos. Em alternativa: entrar no Hotel, voltar à direita para o lado da recepção, depois à esquerda e continuar em frente até às escadas. Subir as escadas até ao primeiro andar. Esperar na sala de espera que aí se encontra, ou (em caso de atraso) dirigir-se directamente à sala: a primeira, a contar do lado direito.
 
CUSTO DO JANTAR: A participação no jantar também não é obrigatória, mas aconselhamo-la sempre, pois é um espaço de criação de laços de comunidade e amizade entre todos os irmãos, o que reforça sempre o nosso espírito de caminhada e união. Não há um preço exacto associado ao jantar, pois utilizamos o esquema de dividir o custo total pelo número de presentes. A título meramente indicativo, podemos informar que os preços têm oscilado entre os 15 e os 20€ por pessoa.
 

LOCAL DO JANTAR: O jantar é sempre num restaurante que está antecipadamente reservado (ou melhor uma mesa) e para onde vamos, em comunidade, após terminado o encontro.

 

Posição pública sobre as declarações do cardeal D. José Saraiva Martins a propósito da «anormalidade» da relação homossexual

 

A exemplo do que aconteceu noutros países, quando se anteviu o debate sobre a regulamentação das relações entre pessoas do mesmo sexo sob a forma de casamento, alguma hierarquia católica aposta na confusão de conceitos, hipocrisia nas palavras e dualidade nas posições.
 
Como católicos, entristecem-nos, magoam-nos e causam profundo sofrimento estas palavras, das quais se encontra apartada a mensagem de Cristo, afastado o sentido de comunidade, manchados os ensinamentos elementares de Jesus.
 
A vivência em faustosos gabinetes no Vaticano, mantém alguma hierarquia afastada da realidade e leva-a a pronunciar-se sobre factos que não experienciou, que manifestamente desconhece e corrobora-os com uma mensagem que conscientemente é inexacta, porque a própria realidade humana a não corrobora.
 
Numa altura em que, em Portugal, se debate a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, querer associar a esta questão outras colaterais (adopção e educação de filhos), que não estão em discussão, nem se prevê que o venham a estar nos tempos mais próximos, corresponde a uma tentativa de ofuscar o debate, lançando, nas mentes menos esclarecidas de alguns sectores da população, fantasmas e situações que não fazem parte do universo da discussão. Estas tentativas de manipulação, tão ao gosto de alguns sectores fundamentalistas da hierarquia, já provaram não ter efeitos práticos, excepto os de serem contrárias a quem as dissemina, mas mesmo assim estes parece nada terem aprendido com aquelas.
 
É demagogia pura afirmar que o «casamento entre homossexuais não providencia uma educação normal a crianças a quem falta um pai e uma mãe, … porque uma criança para ser formada normalmente precisa de um pai e de uma mãe…». A falácia resulta do facto de se a formação «normal» de uma criança necessitasse exclusivamente de um pai e de uma mãe não teríamos criminalidade, toxicodependência e tantas outras situações que resultam de comportamentos de seres humanos «formados normalmente» por um pai e uma mãe. Por outro lado, os milhares de crianças adoptadas e educadas por casais homossexuais não parecem revelar problemas diferentes dos seus colegas criados por «um pai e uma mãe», isto é, os filhos de casais homossexuais não se «transformam» em homossexuais, uma vez que o grau de incidência da homossexualidade entre estes não é diferente daquele existente entre os filhos de casais homossexuais.
 
Também os casais de homossexuais são formados por pessoas «diferentes, têm diferentes qualidades, completam-se mutuamente» e por isso escolheram amar-se, respeitar-se e ser família.
 
Ao afirmar que a «homossexualidade não é normal» o cardeal José Saraiva Martins pretende dar voz a uma corrente fundamentalista, que nada tem a ver com a mensagem de Cristo, com as evidências científicas e que, cada vez mais, afasta alguma hierarquia dos fiéis
 
Recordamos que, desde meados do século passado, que as mais importantes e prestigiadas organizações no domínio da saúde (onde se inclui a Organização Mundial de Saúde) e do direito, afirmam que a homossexualidade não pode, nem deve, ser encarada como uma doença, desordem ou outra denominação eufemística similar. Nem tão pouco a denominada terapia reparadora, que abusivamente reclama converter homossexuais, deve ser encarada, pelos danos irreparáveis que causa nos sujeitos que a ela se submetem.
Novamente o cardeal vem tentar escudar a sua posição em argumentos bíblicos, desta feita a criação, por Deus, do homem e da mulher. Ora os homossexuais são precisamente homens e mulheres e não pretendem ser outra coisa. Se com esta afirmação se pretende sugerir o argumento de que o homem somente se completa na mulher, talvez seja altura de nos questionarmos sobre o celibato dos sacerdotes.
 
Apesar de tudo, congratulamo-nos com a afirmação do cardeal José Saraiva Martins de que «quando se fala de direitos civis não tem de se interrogar a Igreja, tem de se interrogar o Estado», considerando que o reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo é um acto jurídico da sociedade civil, esperamos que a hierarquia católica portuguesa siga o conselho deste seu cardeal.
 
Tal como o cardeal e como homossexuais católicos, esperamos que seja possível construir pontes através da colaboração e do diálogo. Estamos conscientes de que o caminho será árduo e difícil, mas devemos persistir no lançamento dessas pontes de diálogo, sem  nunca perder a nossa capacidade de, pela crítica construtiva, apontar pistas, desbravar caminhos e alcançar metas. A exemplo de Jesus Cristo, que os escolhos do caminho sejam o ânimo e a força redobrada para um reforço da nossa fé em Cristo e no perdão aos irmãos, sobretudo àqueles que sabendo o que dizem, parecem não imaginar o sofrimento que causam.

«CASAMENTO HOMOSSEXUAL» PARTICIPAÇÃO DO GRUPO NO PROGRAMA PRÓS E CONTRAS DA RTP1

Um elemento do Rumos Novos - GHC, representou a comunidade, no programa «Prós e Contras» da RTP1, no passado dia 16 de Fevereiro.

 

Aqui deixamos os links, para que possam ver, ou rever, o programa:

 

Posição pública sobre as conclusões do conselho permanente da Confe-rência Episcopal Portuguesa

 

Após a realização da reunião mensal do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, que abordou a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, Rumos Novos – Grupo Homossexual Católico congratula-se com a tónica menos contundente da linguagem utilizada, por comparação com a utilizada em momentos anteriores. Se a forma se moderou, o conteúdo, infelizmente, permanece inalterado ao persistir na afirmação do modelo de família heterossexual, defendido por alguma da hierarquia, como sendo o único universalmente válido.
 
Parece esquecer a CEP que a família evoluiu muito, tendo ido muito mais além do seu conceito de união religiosa entre um homem e uma mulher. É também uma instituição social, seja de famílias nucleares ou não, que serve para ligar os indivíduos com a sociedade, estando, portanto, como esta em constante evolução e adaptação aos tempos.
Os sinais dos tempos, tão caros a todos os fiéis, e que a hierarquia deveria ter em consideração, demonstram-nos a existência de outros tipos de famílias, para além das defendidas por alguma hierarquia, como podem ser as reestruturadas, as monoparentais e as demais uniões entre pessoas do mesmo sexo.
 
Por outro lado, a existência do casamento entre pessoas do mesmo sexo, em nada põe em causa o matrimónio religioso e a família nuclear tradicional, antes complementam e tornam mais abrangente o conceito de casamento e enriquecem e tornam mais justa a sociedade ao ampliar o conceito da sua unidade estrutural, a família, a um mais amplo número de pessoas. Esse é precisamente o objecto primário da nossa vivência em sociedade: que ela possa ser espaço de acolhimento e partilha e não de exclusão e negligência.
 
A posição da CEP face aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, parece querer continuar a confundir casamento e matrimónio. Aquilo por que lutamos é o direito dos casais estáveis de homossexuais, verem reconhecida legalmente a sua situação e esse reconhecimento é obrigação inalienável de todo e qualquer Estado democrático. Não pretendemos alterar o conceito de matrimónio, como sacramento religioso.
 
É da mais profunda falta de sensibilidade e ausência de caridade cristã afirmar-se que o desejo, aliás reconhecido como legítimo, de proporcionar enquadramento legal às relações estáveis entre pessoas do mesmo sexo, é «uma aventura», o mesmo acontecendo com expressões como «[chamem-lhe] associação, fundação, qualquer coisa», que para além da profunda ignorância jurídica, são reveladoras de uma, mais grave ainda, tentativa de desvirtuação das relações entre pessoas do mesmo sexo.
 
As afirmações do porta-voz da CEP de que «as organizações da Igreja se movimentarão… não contra ninguém, mas em favor de uma causa», para além da extrema falta de ponderação que revelam, são igualmente a tentativa dissimulada de continuar uma discriminação enraizada em sectores fundamentalistas da hierarquia, que ainda não se aperceberam da necessidade de actualizar a moral cristã e da necessidade de criar uma nova ética sexual que, dentro da mensagem de Cristo, seja um novo marco de referência para o horizonte cultural do nosso tempo. O próprio Vaticano II reconhece que «as instituições, as leis e as mentalidades herdadas do passado, nem sempre se adaptam bem às circunstâncias actuais (GS 7) e mais ainda que «tendo em conta as investigações filosóficas da idade moderna e os últimos progressos da ciência… devem aprender a comunicar as verdades eternas de um modo apropriado aos seus contemporâneos… Há que ter uma atenção especial na renovação da teologia moral, a qual exige uma exposição científica desta e uma boa base bíblica» (OT, 15-16).
 
Como grupo de fiéis homossexuais católicos, apelamos à CEP, lembrando a mensagem de Cristo, que efectivamente acolha, integralmente, no seu seio os fiéis homossexuais católicos, sem estigmas, sem manietações, sem falsas morais perdidas no pó da História.
Por isso, renovamos o nosso apelo a que a hierarquia católica participe activa e esclarecedoramente no debate que, estamos certos, se irá realizar na sociedade portuguesa, mas que não seja ela que esteja na origem «da divisão dos portugueses» e que «em nome da dignidade e da decência» não crie estigmas (na sociedade e nas comunidades religiosas) a determinado grupo de pessoas, concretamente aos homossexuais, evitando atitudes que são claramente discriminatórias e que nada têm a ver com a mensagem de verdadeiro acolhimento que nos foi legada por Jesus Cristo.
 
Parafraseando o porta-voz da CEP também nós, no Rumos Novos, como comunidade de fiéis homossexuais católicos, acreditamos que «a sociedade não consegue ser ninguém sem as traves mestras que são o casamento e a família» e, por isso mesmo, lutamos na defesa de uma sociedade mais humana, solidária e justa, no reconhecimento da plena igualdade de direitos para todos os seus constituintes, independentemente da sua orientação sexual.
 
O que o Homem é e dever ser, no campo da moralidade, é algo que já está constituído, mas também é algo que se deve elaborar constantemente. A nós não nos assustam as mudanças, nem tão pouco defendemos que todas elas são válidas. Assustam-nos, outrossim, as atitudes de todos aqueles que se consideram detentores da moralidade, como se esta tivesse sido outorgada ao círculo da sua interpretação. Por detrás da atitude de quem não quer mudar, esconde-se bastas vezes a arrogância, escudada na ignorância, quando não de uma manifestação despropositada de poder e medição de forças.
 
Estamos certos que a História, sob a benigna influência do Espírito Santo, se encarregará de mudar estas atitudes e de rectificar os caminhos que nos pretendem afastar do universal e verdadeiramente humano.
 
Assim, como comunidade de fiéis homossexuais católicos, tendo por base a tradição da Igreja e com a vontade de Deus expressa em tantos irmãos e irmãs na fé e acreditando no Deus de Jesus, afirmamos que os casamentos entre pessoas do mesmo sexo são tão cristãos como os heterossexuais.