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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos Homossexuais Portugueses

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

O valor do vínculo entre pessoas do mesmo sexo. A opinião do cardeal Martini.

Cardeal Martini et al

No livro Credere e Conoscere  [Crer e conhecer] (Ed. Einaudi), no qual Martini dialoga com o cirurgião católico Ignazio Marino, afirma que há casos em que "a boa fé, as experiências vividas, os hábitos adquiridos, o inconsciente e, provavelmente, também uma certa inclinação natural podem levar a escolher para si um tipo de vida com um parceiro do mesmo sexo". 

 

Eis parte do diálogo, entre ambos, contido no livro.

 

Ignazio Marino –  A propósito das mudanças sociais e culturais com as quais nos enfrentamos nesta nossa época, também se apresenta naturalmente, nesse ponto, a questão da homossexualidade. Parece-me que a hipótese da possibilidade de uma separação completa entre sexualidade e procriação leva a nos interrogarmos também sobre esse ponto.

 

Carlo Maria Martini –  Levando em conta tudo isso, gostaria também de expressar a minha avaliação sobre o tema da homossexualidade. É difícil falar dele com poucas palavras, porque hoje ele assumiu, principalmente em alguns países ocidentais, um relevo público e assumiu como suas aquelas suscetibilidades que são próprias dos grupos minoritários, ou que assim se acreditam, e que aspiram a um reconhecimento social. Daí podem ser entendidas (não necessariamente aprovadas) certas insistências que, em um primeiro momento, poderiam parecer exageradas – penso, por exemplo, em manifestações como a Marcha Gay  –, que eu só consigo justificar pelo facto de que, neste particular momento histórico, existe, para esse grupo as pessoas, a necessidade de autoafirmação, de mostrar a todos a própria existência, mesmo às custas de aparecer excessivamente provocadores.

 

Pessoalmente, considero que Deus nos criou homem e mulher, e que, por isso, a doutrina moral tradicional conserva boas razões sobre esse ponto. Naturalmente, estou pronto para admitir que, em alguns casos, a boa fé, as experiências vividas, os hábitos adquiridos, o inconsciente e, provavelmente, também uma certa inclinação natural podem levar a escolher para si um tipo de vida com um parceiro do mesmo sexo.

 

No mundo atual, tal comportamento não pode ser, por isso, nem demonizado nem ostracizado. Estou pronto até para admitir o valor de uma amizade duradoura e fiel entre duas pessoas do mesmo sexo. A amizade sempre foi tida em grande honra no mundo antigo, talvez mais do que hoje, embora ela fosse amplamente entendida no âmbito daquela superação da esfera puramente física da qual eu falei antes, para ser uma união de mentes e de corações. Se ela for entendida como doação sexual, então não pode, a meu ver, ser elevada a modelo de vida, como pode ser uma família bem sucedida. Esta última tem uma grande e incontestável utilidade social. Outros modelos de vida não podem sê-lo da mesma forma e, principalmente, não devem ser exibidos de modo a ofender as convicções de muitos.

 

Ignazio Marino –  Não se pode ignorar, contudo, que as uniões de fato, incluindo aquelas entre pessoas do mesmo sexo, são uma realidade do nosso tempo, embora em muitos países não sejam reconhecidas. Consequentemente, a casais unidos por um sentimento de amor são negados alguns direitos fundamentais, por exemplo a possibilidade de uma assistência ao próprio companheiro ou companheira internado no hospital, a partilha de contratos de seguro, até a exclusão da herança dos bens adquiridos juntos ou compartilhados durante a vida e assim por diante. 

Eu não entendo por que o Estado encontra dificuldades para reconhecer tais uniões, mesmo respeitando o papel fundamental da família tradicional para a organização da sociedade, e por outro lado custo a compreender por que a maiores resistências vêm da Igreja Católica, que, ao menos na Itália, se mostra muito pouco tolerante com relação à ideia de ampliar os direitos a todas as uniões. Por que tanta contrariedade, a julgar pelo pensamento que é comumente difundido e divulgado?

 

Carlo Maria Martini –  Eu acredito que a família deve ser defendida, porque é realmente o que sustenta a sociedade de modo estável e permanente, e pelo papel fundamental que ela exerce na educação dos filhos. Mas não é ruim, em vez de relações homossexuais ocasionais, que duas pessoas tenham uma certa estabilidade, e, portanto, nesse sentido, o Estado também poderia favorecê-las. Não compartilho as posições de quem, na Igreja, critica as uniões civis. 

 

Eu apoio o matrimónio tradicional com todos os seus valores e estou convencido de que não deve ser posto em discussão. Se, depois, algumas pessoas do sexo diferente ou mesmo do mesmo sexo aspiram a firmar um pacto para dar uma certa estabilidade ao seu casal, por que queremos absolutamente que assim não seja? Eu penso que o casal homossexual, enquanto tal, jamais poderá ser equiparado totalmente ao matrimônio e, por outro lado, não acredito que o casal heterossexual e o matrimônio devem ser defendidos ou reafirmados com meios extraordinários, porque se baseiam em valores tão fortes que não me parece ser necessário uma intervenção de proteção.

 

Também por isso, se o Estado concede qualquer benefício aos homossexuais, eu não criticaria muito. A Igreja Católica, por sua vez, promove as uniões que sejam favoráveis à continuação da espécie humana e à sua estabilidade, mas não é justo expressar qualquer discriminação para outros tipos de uniões.

 

Ignazio Marino –  Com certa frequência, ouvimos declarações públicas, incluindo de homens e mulheres que ocupam cargos institucionais, que defendem como a homossexualidade está, de algum modo, correlacionada com a pedofilia. No dia 13 de abril de 2010, em uma entrevista a uma rádio chilena, o cardeal Bertone, secretário de Estado do Vaticano, afirmou: "Inúmeros psiquiatras e psicólogos demonstraram que não existe relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros – e isso também me foi confirmado recentemente – demonstraram que existe uma ligação entre homossexualidade e pedofilia". É preciso lembrar que o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, explicou depois que o secretário de Estado do Vaticano se referia "à problemática dos abusos dentro da Igreja e não na população mundial".

 

São afirmações que desorientam. Ainda em 1973, a American Psychiatric Association indicou que a homossexualidade não é uma patologia psiquiátrica, mas sim uma orientação normal da sexualidade humana, alternativa à prevalecente heterossexualidade. É também bem conhecido que a Organização Mundial de Saúde reafirmou claramente o mesmo princípio no dia 17 de maio de 1990. Portanto, a ciência já deixou claro que a homossexualidade não é uma doença, não é um comportamento anômalo, e os homossexuais devem ser respeitados, têm os mesmos direitos que os heterossexuais e não devem ser discriminados. 

 

Ao contrário, a pedofilia é uma patologia psiquiátrica, e os pedófilos representam um gravíssimo perigo social. Infelizmente, nos últimos anos, surgiram muitos dados que ilustram como um crime tão horrível e repugnante como a pedofilia encontrou espaço dentro da Igreja.

 

Carlo Maria Martini –  Vou limitar-me a lembrar que, nesse caso, há um engano e uma violência que são usados contra quem é incapaz de se defender, mesmo que pareça consensual. Além disso, faz-se um dano incalculável, cujas consequências poderão durar toda a vida. Por isso, a opinião pública, geralmente tão permissiva, acompanhou com horror esses acontecimentos. Em alguns, havia depois o agravante de um pacto ao menos implícito, em que se expressava a confiança dos pais e que era violado por aqueles que deveriam educar as crianças.

 

Foi com muita dor que vimos que até mesmo alguns sacerdotes e religiosos estavam envolvidos nesses episódios. Mas aprendemos com a experiência que é preciso ser inflexível na identificação oportuna daqueles que têm a inclinação para tal patologia tão perigosa e rigoroso ao excluí-los logo da vida sacerdotal e da consagração religiosa. Tais pessoas deveriam ser submetidas a tratamentos psicológicos.

 

 

Recolha e adaptação: JLP

Artigo original: aqui.

Um Texto Gay

Eu gosto de gays. Quando ando pelas ruas, costumo olhar nos olhos deles. Tenho uma sensibilidade especial para reconhecê-los no meio da multidão e não estou a referir-me a trejeitos ou algo assim. É um feeling, não preconceito.

 

Os gays são pessoas muito especiais; carregam um brilho e uma expressão que varia entre o medo e o pedantismo. Contudo, algo nos seus olhos, invariavelmente implora por amor. Não sei como pode ser, mas eu sempre sou atraída por esse fascinante olhar que pede algo que parece impossível de ser dado a alguém...

 

São criaturas arredias, a princípio, arrogantes, quando percebem o interesse de alguém. Isso é claro, quando o gay é um ser que já se ‘assumiu’, embora não necessariamente tenha se aceitado. Considero essa reação absolutamente compreensível, para quem vive na fronteira máxima dos sentimentos, sempre em busca do reconhecimento, da própria valorização ou, pelo menos do respeito dos que o cercam, encontrando frequentemente frieza e maldade na maioria das pessoas, principalmente entre amigos e familiares. Quem os poderia censurar? Quem os poderia apontar? Quantos não o fazem?

 

Quando não se assume, o gay costuma se esconder atrás de uma postura afetada de auto adoração que o transforma em um ser digno de pena. Na verdade, um senso de proteção instintivo é o responsável por este pedido de socorro. Sempre que posso, tento conscientizar um amigo dessa situação difícil, mostrando-lhe que a vida será bem mais fácil e segura se ele se encontrar e se impor enquanto indivíduo livre e merecedor de respeito, além de muito amor. Pelo menos ele saberá quem são seus verdadeiros amigos. Já será um bom começo!

 

Em grande parte, devo aos gays minha consciência do quanto somos medíocres tentando ser o que não somos, tentando mentir e enganar nosso reflexo no espelho, dizendo a nós mesmos que somos equilibrados, que somos “normais”. Gente normal ama, sente desejo, sonha, espera, conquista, quer ser amado, desejado, quer viver ao lado de um ser que o complete.

 

Os gays são normais. Eles sentem tudo isso, exatamente assim. De entre os casais que conheço os mais harmoniosos, os mais felizes, tranquilos, amigos e companheiros, são casais gays. Em poucos casais vi tanto amor, tanta dedicação, tanta admiração pelo outro, tanta aceitação. Então, me orgulho de dizer, isso aprendi com os gays: a ser honesta com os meus próprios sentimentos, a ser consciente das minhas misérias íntimas e me aceitar, me amando, ainda assim. Depois, e só depois, é que vieram os livros, a filosofia e algumas poucas respostas.

 

Na obra “O Banquete”, de Platão, Aristófanes trata do tema do amor homossexual enfocando o mito de Andrógino e conta a história dos seres de terceiro gênero, apartados por Zeus um do outro, como castigo pela sua arrogância, sempre a se buscarem com avidez e ansiedade, como solução para sua angústia e por necessidade de complemento. Desta forma, os que possuíam forma feminina procuravam mulheres e os de forma masculina, se afinizavam na busca do amor de outros homens, não por despudor, mas por demonstrar coragem em satisfazer suas necessidades. Não somente a atração sexual os aproximava, mas o desejo sincero de amizade estima e respeito os ligava. Tanto que a nenhum outro amavam, e sinceramente desejariam viver e morrer como um só.

 

Noutro trecho, narra Platão o amor do jovem Alcibíades por Sócrates, bem como as artimanhas do rapaz para que o filósofo lhe partilhasse o amor e o leito. Sócrates o acolheu com amor, abraçando-o sem lhe partilhar o corpo. Entendendo, porém, que o amor de Alcibíades merecia respeito, Sócrates o acolheu nos braços, como pai ou como irmão, de modo que no dia seguinte continuavam a ser como antes: mestre e discípulo.

 

Nos dois trechos, percebe-se a sensibilidade do autor, demonstrando a compreensão do filósofo grego para um tema tão palpitante quanto delicado: de início, demonstrando a propensão natural da busca do Andrógino pela sua “metade”, como necessidade máxima de busca da própria felicidade e realização pessoal; em seguida, a adequada reação de um ser que não deseje unir-se a outrem para um relacionamento afetivo, tratando, porém, de não ferir a sensibilidade do que busca inutilmente ser correspondido no amor.

 

Não é a orientação sexual dos gays que deve ser o ponto chave das discussões em fóruns, livros de autoajuda, debates em escolas ou ainda nos dogmas desta ou daquela religião. É antes, a capacidade de amar que existe em cada ente que deve ser vista e protegida, como forma de construção ou resgate da estima e da sobrevivência emocional dos envolvidos nesse processo de aceitação do gay em relação a si mesmo e aos que o cercam.

 

Eis o que resta a compreender: é preciso saber amar, buscando em si mesmo a essência do amor, para se entregar ao ser amado sem temor quando encontrá-lo. É preciso saber amar, para desvincular a necessidade de afeto da carência sexual, aprendendo caminhos de compreensão que não firam e não afugentem indivíduos dignos de serem amados.

 

No mais, o pejorativo “gay” não diminui a essência do homossexual, quando este encontrou no amor dos seus familiares, amigos, companheiro ou companheira seu referencial de felicidade. Nem a frieza, nem a negação ou a repulsa de quem quer que seja ferirá o indivíduo que se sabe aceito e amado pelos seus.

 

Recolha e adaptação: JLP

Artigo original aqui.

O Ano da Fé

O Vaticano divulgou recentemente (17 de outubro passado) a Carta Apostólica "Porta fidei" ("A porta da fé"), com a qual o Papa Bento XVI proclama o Ano da Fé. Trata-se do período de 11 de outubro de 2012 (50.º aniversário de abertura do Concílio do Vaticano II) a 24 de novembro de 2013, Solenidade de Cristo Rei do Universo. "Será um momento de graça e de empenho para uma sempre mais plena conversão a Deus, para reforçar a nossa fé n'Ele e para anunciá-Lo com alegria ao homem do nosso tempo", explicou o Papa durante a Missa de encerramento do Encontro Novos Evangelizadores para a Nova Evangelização, a que presidiu na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

 

Leia a Carta do Papa aqui.

 

Para o contexto deste blog, achei muito interessante o seguinte trecho do texto de Bento XVI (o negrito é do autor):

 

O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1 Cor 13, 13). Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: “Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé”» (Tg 2, 14-18).

 

A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra de realizar o seu caminho. De facto, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2 Pd 3, 13; cf. Ap 21, 1). ["Porta fidei", n. 14]

 

Agora (e sempre) a questão é de os católicos e demais homens e mulheres de boa vontade seguirem o ensinamento do Papa…

 

 

Adaptação: JLP

Artigo original aqui.

Orgulho Gay (Um contributo dos Jesuítas espanhóis)

Jesuitas

Há quem o aplauda e quem o deteste. Há quem considere que um desfile como aquele que costuma percorrer as ruas de algumas capitais, é uma peixeirada que pouco ajuda a legitimar os homossexuais. Há quem, por seu lado, defenda que é uma forma de gritar com rebeldia e abertamente contra a repressão que tiveram que sofrer durante muito tempo e que, ainda hoje, faz com que muitos homens e mulheres vivam a sua orientação às escondidas com medo da rejeição. (Sim, hoje também).

 

O que parece claro é que, à margem de desfiles ou "dias de..." o que subjaz é a intenção de reivindicar uma causa. Neste caso, a integração e igualdade dos homossexuais. É importante separar forma e fundos. A forma dessa reivindicação - o desfile, o seu bom ou mau gosto e se é eficaz ou contraproducente - é opinável. O fundo, o respeito a cada pessoa na sua diferença e na sua situação, deveria ser indiscutível.

 

Nos meios eclesiais necessitamos, para já, dizer uma palavra diferente. Sair das intermináveis discussões que giram em torno de um termo, mas que acabam evitando ir à verdadeira questão: Há pessoas homossexuais. Não o escolheram. Nem tão pouco pretenderam viver na vergonha por isso. E sentem que a doutrina católica é insuficiente ao não lhes apresentar outra opção do que o celibato que, se não se vive como vocação, nega algo do fundamental das pessoas. Não se sentem melhores nem piores. De facto, não são acima de tudo "homossexuais". São o Xavier, a Ana, o Henrique, a Helena, o António... Uns são promíscuos, outros não. Uns são frívolos, outros não. Uns são crentes, outros não. (Tal como os heterossexuais). Só que eles, entre outras coisas, vivem atraídos por pessoas do mesmo sexo. Há muitas pessoas e grupos na Igreja que foram capazes de dar esse passo em direção ao acolhimento, ao respeito, à compreensão e à igualdade. Porém, torna-se necessário, de verdade, que a Igreja dê mais um passo no sentido de abraçar, também desde o magistério, cada história, cada realidade, cada pessoa, na sua unicidade. Com o amor incondicional de quem a todos ama sem distinção.

 

Tradução: JLP

Data do artigo: 2JUL2012

Artigo original aqui.

 

Pelo sonho é que vamos...

Encontro

Depois deste interregno de quase 10 meses, ocorre-me aqui partilhar convosco algumas notas sobre esta comunidade de fiéis, homens e mulheres, que têm em comum o facto de serem CATÓLICOS e que devido à sua orientação homossexual têm encontrado aqui o seu ponto de acolhimento.

 

Dentro em breve iremos retomar precisamente esse sentir e ser comunidade através dos nossos encontros (remodelados), pois uma comunidade que não se reune, não é uma comunidade e aquilo que queremos é que nos tornemos numa comunidade de fé e de profissão dessa mesma fé.

 

Continuarei a dar o meu melhor, com a ajuda de vós todos, no serviço à comunidade, que é um compromisso de amor. Serei, como vós, alguém que procura entre outros que procuram e como um pecador entre pecadores.

 

Depois desta caminhada de mais de quatro anos, quere-se agora uma comunidade comprometida, pois Igreja é precisamente isso: uma comunidade de amor que se compromete.

 

Ao longo de mais de três anos, tivemos mais de 30 encontros da comunidade, realizámos outras atividades e fomos convidados para outras. Muitas foram as dezenas de irmãos que passaram por essas atividades, em particular pelos encontros mensais. De todos eles só tenho a dizer bem. E que valor! Primeiro não foram chamados; foi por sua livre vontade que apareceram (e aparecerão, certamente!). Segundo, vêm os mesmos, muitas vezes. Terceiro, a alegria da partilha e a simplicidade dos corações.

 

Termino, partilhando convosco «O Sonho» de Sebastião da Gama:

 

Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma dêmos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos.

 

Caros amigos, continuem! Venham ver! Venham partilhar conosco!

''Repensemos a posição sobre... gays'', defende cardeal alemão

Cardeal Woelki

Com os seus 55 anos, ele é o mais jovem do Colégio Cardinalício e, depois das últimas declarações, também é um dos mais abertos. Em entrevista à revista alemã Die Zeit, Dom Rainer Maria Woelki, arcebispo de Berlim, exortou a Igreja a repensar a doutrina sobre… os homossexuais.

 

Falando… em relação à homossexualidade, lembrou que o Catecismo da Igreja Católica estabelece a necessidade de evitar toda a marca de discriminação injusta contra gays e lésbicas. E acrescentou: "Se eu levo a sério o Catecismo, não posso ver as relações homossexuais exclusivamente como negação da lei natural. Eu também procuro entender que há pessoas que assumem uma duradoura responsabilidade recíproca, prometem-se fidelidade e querem cuidar uma da outra". Assim, o apelo final: "Devemos encontrar uma forma de permitir que as pessoas vivam sem ir contra os ensinamentos da Igreja".

 

Sucedendo em julho de 2010 ao falecido cardeal Georg Sterzinski, Woelki logo se afastou das simpatias da comunidade LGBT berlinense, definindo a homossexualidade como "uma violação da ordem da criação". Muitos pensaram que o diálogo entre o mundo gay e a Igreja alemã havia chegado a um beco sem saída. Ao contrário, poucos dias depois da sua primeira exposição sobre o assunto, o arcebispo convocou uma conferência de imprensa muito concorrida, durante a qual voltou atrás, dizendo-se pronto também para debater com os ativistas homossexuais.

 

E o diálogo aconteceu. No Katholikentag (16 a 20 de maio de 2012), a grande manifestação dos católicos alemães, com mais de 80 mil presenças, Woelki, desde fevereiro elevado à dignidade cardinalícia, disse: "Quando duas pessoas homossexuais assumem a responsabilidade recíproca, se tiverem uma relação fiel e de longo prazo, é preciso considerar essa relação do mesmo modo que um vínculo heterossexual". Muitos dos presentes não acreditaram em seus próprios ouvidos. Há alguns dias, o arcebispo voltou sobre a questão na entrevista à Die Zeit.

 

Basicamente, essa é a primeira vez que um cardeal eleitor no próximo conclave se expressa em termos tão claros sobre um assunto tão delicado como a homossexualidade. Mudanças de percurso já haviam sido invocadas pelo cardeal Carlo Maria Martini – que tem mais de 80 anos e, portanto, não envolvido no pós-Ratzinger –, pelo arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, pelo bispo de Ragusa, Paolo Urso, mas nunca pelas primeiras fileiras do Colégio Cardinalício.

 

Recolha e adaptação: JLP

Artigo original: aqui.