Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Papa contra igualdade no casamento?

casamento_gay.jpg

Muitos me manifestaram o seu desagrado, perplexidade ou indignação com as palavras do Papa em Manila.

Não é minha intenção defender o Papa. Estes dias todos somos acérrimos defensores da liberdade de expressão... Nem creio que tão pouco ninguém duvidará da minha defesa do casamento igualitário, nem da causa LGTBI.

Creio que há uma premissa principal: unir ideologia colonizadora com casamento igualitário, é no meu entender precipitado: melhor, relativismo, cultura do efémero, e não abertura à vida referem-se à mudança, que se está dando na Ásia, da cultura familiar do Ocidente com as políticas anti-natalidade, o divórcio express, os anticoncecionais, etc. Mas creio que em nenhum momento há de ser um discurso tão eufórico para uns e tão desalentador para outros.

Aí vão as minhas reflexões para quem tenha tempo e vontade de dialogar, porque para Sócrates o diálogo é o único caminho de chegar à verdade...

Aí vai...

Não vou a entrar no que o Papa realmente pensa e não diz e diz e não pensa. Mas sim, quero comentar o que diz e o que não diz.

Creio que é a única, ou talvez das pouquíssimas vezes, que num discurso oficial sobre a família, não se fala de que a única, a de verdade, é a formada por um homem e uma mulher. Compreende-se, mas já não se insiste. É uma ausência, que num discurso de um Papa defendendo a “família tradicional”, é tudo menos curiosa. Estarão começando a entender que há outras famílias?

Mas não me quero deter nas ausências, que as há, mas nos novos acentos, que não necessariamente negam outros, mas recalcam estes, que até agora pareciam ficar na sombra, e quem sabe são a substância do matrimónio “cristão”.

Família, Igreja doméstica onde se reza, se vive a fraternidade e a entrega: “Onde primeiro aprendemos a rezar é na família. Ali conseguimos conhecer Deus, crescer como homens e mulheres de fé, ver-nos como membros da grande família de Deus, a Igreja. Na família aprendemos a amar, a perdoar, a ser generosos e abertos, não fechados e egoístas. Aprendemos a ir mais além das nossas próprias necessidades, para encontrar os outros e partilhar as nossas vidas com eles. Por isso é tão importante rezar em família. Por isso as famílias são tão importantes no plano de Deus sobre a Igreja. Crescer com Jesus e Maria”. O substancial do discurso familiar é se na comunidade familiar se dá o amor cristão em todas as suas vertentes. Por muito canónico que seja um casamento, e por muitos filhos que tenham, e muito fieis que sexualmente sejam, se não se dá em plenitude o amor cristão, pode-se falar de família cristã? A esta abordagem respondo dizendo que se a família cristã é isso, a família LGTB também, portanto onde o amor cristão se viva em plenitude poderemos acrescentar o adjetivo cristão independentemente da orientação sexual dos que formem essa comunidade de vida.

Quero parar agora, ainda que brevemente, no parágrafo que mais encheu de euforia os conservadores: “A família vê-se também ameaçada pela crescente tentativa, por parte de alguns, de redefinir a própria instituição do casamento, guiados pelo relativismo, pela cultura do efémero, pela falta de abertura à vida. O nosso mundo necessita boas e fortes famílias para superar estes perigos. Filipinas necessita de famílias santas e unidas para proteger a beleza e a verdade da família no plano de Deus e para que sejam um apoio e exemplo para outras famílias. Toda a ameaça para a família é uma ameaça para a própria sociedade”. No casamento igualitário não se dá uma redefinição do casamento, mas há uma semelhança tão grande que por analogia se toma emprestado o nome de casamento, mas em nenhum momento se redefine, antes se amplia o significado, se assimilam.

Sim, são problemas essa tendência relativista ao considerar o casamento um simples contrato, o efémero do compromisso e o egoísmo. E também são problemas e muito reais, ainda que até agora muito pouco denunciados pelo magistério: “A situação económica provocou a separação das famílias por causa da migração e a procura de emprego, e os problemas financeiros caiem sobre muitos lares. Se, por um lado, demasiadas pessoas vivem em pobreza extrema, outras, pelo contrário, estão presas pelo materialismo e por um estilo de vida que destrói a vida familiar e as mais elementares exigências da moral cristã”. Aqui também todos nos podemos ver retratados, tanto a família “tradicional” como as famílias LGTB.

Já para terminar, referir-se ao casamento igualitário nas Filipinas onde há apenas um ano se aprovaram os anticoncecionais, e onde não existe o divórcio legal parece improvável. Parece mais referir-se às últimas tentativas de legalizar o divórcio e a redução do número de filhos.

Se a alguém ajuda, tranquiliza ou consola continuar pensando no Papa Francisco como Papa bom, ainda que o ressentimento de alguns e a necessidade de outros de o fazer mau, quer apressar-se a proclamar a sua homofobia. Creio que neste caso, não há matéria para chegar a tanto.

 

Tradução (do espanhol): Aníbal Liberal Neves

Autor: Gonzalo Rodriguez Lorenzo

Texto original: aqui.

Islão e Homossexualidade

Convoco os teólogos muçulmanos a rever as suas atitudes para com a diversidade humana e emendar as leis da Sharia

 

islam-homosexualite.jpg

A Sharia do Islão está baseada no texto corânico e nos ensinamentos e ações do profeta Maomé (que a paz esteja com Ele), recolhidos em livros chamados Hadith. Em ambas as fontes, faz-se referência à história de Sodoma e Gomorra, a qual constitui a base para a lei e a condenação contundente da homossexualidade no Islão. O raciocínio analógico (qiyaas) e o consenso dos peritos académicos (ijma’) baseiam-se nos dois textos prévios e na sua própria interpretação. Pede-se aos académicos muçulmanos contemporâneos que revejam esses textos e o contexto no qual se revelou, e ver como se relaciona com a homossexualidade no contexto actual tanto no Ocidente, como no Oriente, assim como no contexto islâmico contemporâneo. Isto pode-se fazer através do processo de raciocínio independente (Ijtihad) que é um aspeto do pensamento islâmico e da reforma legal que foi proposta e esquecida durante muito tempo.

 

O profeta Maomé (pbuh) nunca se referiu à homossexualidade de forma directa. Nem reclamou o castigo ou a perseguição de pessoas homossexuais devido à sua orientação sexual. O profeta Maomé referiu-se a um grupo de homens afeminados em Medina chamados “Mukhannathun”. Contudo, na medida em que este grupo de Mukhannathun tinha qualidades de homens gays modernos, não se pode afirmar que “o profeta Maomé nunca teve que ver com a homossexualidade de forma directa, nem reclamou a perseguição ou o castigo das pessoas homossexuais devido à sua orientação sexual”.

 

Os Mukhannathun representam claramente os homens gays modernos, já que estiveram envolvidos em práticas nada comuns aos gays contemporâneos. O profeta chegou a proibir a alguns deles trabalhar nos quartos das mulheres dos lares muçulmanos e deportou a um deles para fora de Medina. Tudo isto se fez com base nas suas ações imorais e contra a religião, mas nunca pela sua orientação sexual.

 

Esta atitude para com os Mukhannathun  e outros homens afeminados continuou nos períodos Omeya (661 – 750) e Abasida (758-1258) durante aproximadamente seiscentos anos depois da morte do profeta Maomé. Assim, encontramos uma atitude tolerante para com a homossexualidade nestes períodos. A poesia homossexual, como a escrita pelo homossexual Abu Nawas (813), floresceu durante este período no reino do Califa Harun Al-Rashid.

 

Sem a história de Sodoma e Gomorra, que se crê que se refere à “homossexualidade perversa”, seria difícil para os muçulmanos formular uma opinião sobre a homossexualidade. Se se pode provar, fora de toda a dúvida, que esta história se refere à violação homem-homem ou ao sexo anal sem consentimento, o argumento de que os homossexuais merecem o mesmo castigo que Sodoma e Gomorra cairia pelo seu próprio peso.

 

Na minha investigação dos últimos oito anos reuni os achados arqueológicos de investigadores como Ron Wyatt e as tradições do Antigo e Novo Testamento para ter um quadro da estrutura social, politica e religiosa de Sodoma e Gomorra. Com esta informação esclarece-se a história contada no Corão.

 

É evidente que os habitantes de Sodoma e Gomorra não foram homossexuais tal como entendemos o fenómeno hoje em dia, mas antes, homens aristocratas heterossexuais que tinham a mesma liberdade sexual que os homens heterossexuais no século V em Atenas e no século VII na Arábia.

 

Liberdades que serviam as necessidades egoístas e do poder do patriarcado; liberdades que lhes permitiram ter encontros sexuais com um conjunto amplo de indivíduos, desde animais até ao direito de um homem de violar uma mulher e de ter sexo com uma criança, e ao mesmo tempo ter contraído matrimónio com uma mulher aristocrática, a qual poderia criar filhos legítimos e proteger a linhagem.

 

O sexo anal praticou-se dentro de tais liberdades em Sodoma e Gomorra, com homens que não provinham necessariamente da comunidade, mas eram estrangeiros e hóspedes frente a quem estavam obrigados a mostrar hospitalidade, segundo a lei do profeta Abraham.

 

Inicialmente, este ato foi pensado para os humilhar, para demostrar domínio sobre eles e evitar que regressassem às suas cidades, das quais se pensava que possuíam recursos valiosos que não podiam ser partilhados com forasteiros.

 

Este ato de sexo anal sem consentimento, uma desgraça para um homem heterossexual, foi finalmente presenciado por Deus quando enviou dois anjos seus disfarçados de jovens para visitar Lot como hóspedes. Quando se teve esta notícia na comunidade, correram à casa de Lot para exigir que lhes entregassem esses homens. Foi então quando os anjos revelaram que pela manhã Sodoma e Gomorra seriam destruídas e que Lot se devia preparar com a sua família para o êxodo antes do amanhecer.

 

É claro pela investigação que a natureza da atrocidade sexual cometida não foi a do mútuo consentimento ou a homossexualidade, embora esta pudesse ter sido praticada, mas a do abuso de um poder sexual que se poderia descrever como violação de homem contra homem. A muito repetida história no Corão sobre os anjos, que aparecem como jovens para provar à gente de Lot, indica que a interação sexual não foi por consentimento mútuo, mas por violação.

 

Num Hadith escrito por Abu Hurairah e gravado por Abu Dawood: um dia um Mukannath, muçulmano praticante, mas que obviamente vestia roupas de mulher e levava mãos pintadas, foi levado ante o Profeta e os seus companheiros lhe pediram permissão para o matar, mas este rejeitou dizendo “ é-me proibido matar aqueles que rezam”; em troca, foi exiliado a Al-Naqi, poucas milhas nos arredores de Medina. Ainda depois do seu exílio, o Profeta permitiu-lhe entrar em Medina uma vez por semana para cobrir as suas necessidades pessoais. Este Hadith deveria ser considerado por aqueles que justificam matar homossexuais ou ainda pessoas transgénero.

 

Também vemos que em Sahih Bukhari e em Sahih Muslim, que se consideram as compilações mais autênticas das palavras e atos do profeta, não se condena, em absoluto, este grupo particular de Khannaath. A única referência sobre os encontros sexuais entre pessoas do mesmo sexo é essa sobre a cidade de Lot.

 

Agora sabemos que se referia ao grave pecado de abusar do poder sexual e da violação de homem a homem e não a condenação de uma orientação ou identidade homossexual que tem sido um fenómeno natural desde tempos imemoriais.

 

Em conclusão, convoco os teólogos muçulmanos a rever as suas atitudes para com a diversidade humana e emendar as leis da Sharia para que incluam a proteção e os direitos de este grupo diverso de pessoas.

 

Deus disse no Corão:
Ó humanidade! Criámos-te da união de um homem e uma mulher, e fizemos-te em nações e tribos (Shu-ub significa também partes, seitas ou divisões e Qabeel diferentes tipos o espécies), para que possam conhecer-se um ao outro. Também, o mais nobre de vós ante Deus é o mais profundamente consciente de Deus e quem pratica a autocontenção. Na verdade Deus é omnisciente, omniconsciente.(Corão 49:13)

 

Dizei: “Todos agem de acordo com a sua própria “shakl” (disposição, espécimen ou forma) e Deus sabe quem se guia pelo caminho".  (Corão 17:84)

 

 

Autor: Imã Muhsin Hendricks

Tradução (do espanhol): Aníbal Liberal Neves

Artido (em espanhol): aqui.

Enquanto o bispo de Antuérpia pede à Igreja para reconhecer as uniões homossexuais, o de Alcalá volta à carga contra os direitos LGTB

Declarações de teor muito distinto na Bélgica e em Espanha põem de manifesto as diferentes sensibilidades da hierarquia católica em matéria LGTB. Enquanto o bispo de Antuérpia pede, numa entrevista, que a Igreja reconheça os casais do mesmo sexo, o bispo de Alcalá de Henares volta à carga contra as pessoas LGTB, numa pastoral.

Antuerpia.jpg

 

O bispo de Antuérpia, Johan Bonny, propôs à Igreja católica reconheça os casais do mesmo sexo. Foi numa entrevista publicada no jornal flamengo De Morgen. Em palavras suas: “Devemos procurar no seio da Igreja um reconhecimento formal da relação que também está presente em numerosos casais bissexuais e homossexuais. Da mesma maneira que na sociedade existe uma diversidade de enquadramentos jurídicos para os casais, deveria também haver uma diversidade de formas de reconhecimento no seio da Igreja“. Bonny afirmou também que “a ética cristã defende as relações duradouras nas que a exclusividade, a lealdade e o cuidado são centrais“. O bispo de Antuérpia especificou que se na sua opinião este “reconhecimento formal” deveria ter ou não carácter litúrgico e, nesse caso, de que tipo seria. Parece muito pouco provável, em todo caso, que advogue pelo matrimónio sacramental, mas o avanço que supõem estas palavras é inquestionável.

 

Não é a primeira vez que o bispo de Antuérpia se faz notar pela sua atitude de abertura. Como constatámos nesta página, em setembro passado, e antes do início do Sínodo extraordinário sobre a Família, Bonny pedira uma linguagem mais precisa sobre realidades tidas como “irregulares”, entre elas a homossexualidade. Nesta ocasião deu um passo mais ao reclamar um reconhecimento formal. Além disso, se em setembro passado falou no início do Sínodo, nesta ocasião torna-se plausível pensar que tem em mente a celebração da segunda parte do mesmo. Não em vão, como informámos, já se lançou um novo inquérito de preparação desta segunda parte que aborda de novo a realidade LGTB, ainda que de uma forma tangencial e desde logo com muito menos audácia que Bonny.

 

Além disso dá-se a circunstância de que o Bispo Johan Bonny tem muitas probabilidades de se converter no próximo presidente da Conferência Episcopal da Bélgica. Substituiria precisamente André-Joseph Léonard, um forte conservador e que protagonizou polémicas muito notórias. Destaca-se em especial a sua afirmação de que a sida era uma espécie de “justicia inmanente”, que também aqui constatámos.

 

Enquanto isto, Reig Pla continua com o seu discurso homófobo.

 

A mudança de tom (pelo menos aparente) sobre a realidade LGTB que o pontificado de Francisco está apresentando encontra no entanto mais resistências em Espanha. Esta mesma semana connecemos umas novas declarações do bispo de Alcalá de Henares, Juan Antonio Reig Pla, em que insiste pela enésima vez na sua linha de considerar a homossexualidade e a transexualidade como patologias e de prevenir contra os supostos interesses obscuros que estariam actuando por detrás do activismo LGTB e dos seus apoios institucionais.

 

Por ocasião da festa de Santo Estevão, a 26 de dezembro, Reig Pla escreveu uma carta pastoral na qual acusa Mariano Rajoy, de renunciar à reforma do aborto “por um prato de lentilhas” nas Nações Unidas (refere-se à recente

Esspanha.jpg

eleição de Espanha como membro não permanente do Conselho de Segurança). Nas suas palavras: “Para entender bem a decisão do Presidente do Governo não é suficiente recorrer a análises eleitoralistas. Com todo o respeito pela sua pessoa, há que dizer que uma decisão tão grave responde a outras exigências como nos mostra o documento ‘Prioridades de Espanha nas Nações Unidas. 69º Período de Sessões da Assembleia Plenária’“. Quais são essas exigências, segundo Reig Pla? Para ele, está claro: citando partes do mencionado documento assinala que as exigências que Nações Unidas teria apresentado a Espanha teriam sido “promover” o aborto e os interesses do “lobby LGTBIQ”.

 

Concretamente, ao Bispo Reig Pla incomoda-o a frase “Continuaremos promovendo o pleno gozo e exercício de direitos por parte de pessoas gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e intersexuais (LGBTI) e a eliminação de todas as formas de discriminação”. Permitimo-nos reproduzir extensamente as suas próprias palavras:

 

“(…) Também aqui, condenamos, com toda a contundência, qualquer tipo de violência contra as pessoas e toda a discriminação injusta; com toda a Igreja queremos continuar prestando ajuda a todos, com verdadeiras entranhas de misericórdia, sem jugar as pessoas (Cf. Papa Francisco, 28-7-2013). Mas que significa na realidade ‘pleno gozo e exercício de direitos por parte das pessoas gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e intersexuais (LGBTI) e a eliminação de todas as formas de discriminação’? A resposta é: promoção universal da chamada ‘ideologia de género’ e das teorias queer, assim como da sua particular interpretação do conceito de ‘poder LGBTIQ’; direitos sexuais dos menores, assim chamados, LGBTIQ, tal como são definidos pela IPPF (Federação Internacional de Planeamento Familiar) e pela WAS (Associação Mundial para a Saúde Sexual); direito a `explorar´ a identidade sexual desde os 0 anos; direito a receber informação sobre a `relações do mesmo sexo´ a partir dos 4 anos; direitos dos menores à sua própria ‘orientação de género’ (LGBTIQ); no caso dos menores de idade com ‘desejo de mudar de sexo’ (DCS), ‘direito’ a que se lhes administrem, quanto antes, hormonas do sexo contrário e, no seu caso, direito - mesmo sendo menores de idade- à cirurgia de reconstrução aparente de sexo; matrimónio entre pessoas do mesmo sexo; direito dos casais do mesmo sexo a adoptar crianças; ‘retirada – por via legislativa- da assim chamada transexualidade da lista de patologias’, com a promoção de novas leis chamadas de ‘não discriminação’ e de ‘reconhecimento de direitos às pessoas com vontade de mudar de sexo’; direito à ‘não discriminação e igualdade de tratamento’ que implica situar fora da lei a quem, como a Igreja, afirme que a particular inclinação da pessoa com atração sexual pelo mesmo sexo, ‘deve ser considerada como objetivamente desordenada’ (Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre a atenção pastoral às pessoas homossexuais, n. 3) ou que ‘os actos homossexuais são intrinsecamente desordenados’ (Catecismo da Igreja Católica, n. 2357); impedir, e penalizar legalmente, que profissionais da psiquiatria ou da psicologia possam ajudar pessoas com atração sexual pelo mesmo sexo (AMS) ou com vontade de mudar de sexo (DCS), que livremente o solicitem; subtrair aos pais de menores o poder paternal em tudo o que se refira à sexualidade dos seus filhos com AMS ou DCS; educação sexual obrigatória (teoria e prática) a menores, segundo os critérios LGBTIQ, mesmo contra a vontade expressa dos pais; diminuir a idade legal de consentimento para ter relações ‘sexuais’ entre pessoas do mesmo sexo (em Espanha, também aqui, a idade legal de consentimento está já nos 13 anos); impor, por lei, às empresas e instituições, a contratação de uma percentagem de trabalhadores chamados LGBTIQ; inversão do ónus da prova quando se produzem denúncias por pressupostas discriminações a pessoas chamadas LGBTIQ; promoção da sexualidade ‘intergeracional’ LGBTIQ; etc. (…)”

 

Merece além do mais destacar-se o facto de que na sua carta pastoral o bispo de Alcalá adere explicitamente a uma corrente segundo a qual haveria uma ação concertada a nível internacional com o objetivo de impor uma “Nova Ordem Mundial”. O Bispo Reig Pla insiste também em renomear os diferentes aspetos da realidade: fala das pessoas “chamadas” LGTBIQ, à homossexualidade chama-lhe “atração pelo mesmo sexo” e à transexualidade “desejo de mudar de sexo”, com as suas correspondentes abreviaturas (“AMS” y “DCS”). O objetivo é claro: opor-se mediante a linguagem a que a realidade LGTB faça parte essencial das pessoas, e devolvê-la ao campo da patologia.

 

Também chama a atenção à forma como o Bispo Reig Pla introduz as já célebres palavras do papa Francisco sobre a homossexualidade: “quem sou eu para julgar?”. E é que poucos bispos aparecem hoje em dia más afastados das mudanças formais e de cunho pastoral do novo papa que o de Alcalá.

 

Texto original: aqui.

 

Um estudo revela que os casais homossexuais têm menor risco de divórcio

Casal 12.jpg

A Universidade da Califórnia realizou um estudo cujos dados revelam que os casais do mesmo sexo são mais propensas a ter relações estáveis e duradouras que os casais heterossexuais. A investigação foi realizada pelo Instituto Williams, que se centrou em estudar as tendências nas ruturas entre casados em New Hampshire, Vermont, Califórnia, DC, Nova Jersey, Washington e Wisconsin. 


Os dados revelaram que 10,8% dos casais heterossexuais terminam o seu casamento nos primeiros 4 anos, face aos 5,4% de homossexuais. Isto deixa antever que entre os casais homossexuais existem menos problemas e infidelidades. Os investigadores também observaram que, inclusivamente nos estados onde se aprovou a igualdade no casamento desde há alguns anos, produziu-se um aumento dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, superando o número de uniões heterossexuais, cada vez menor. 

Segundo o próprio estudo: “O número de casamentos homossexuais  nos últimos três anos duplicou, derrubando a tendência descendente que havia anteriormente”.

 

Artigo (em espanhol): aqui.

Estudo: aqui.