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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Sobre o cuidado da casa comum - a nova encíclica

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Aqui está o texto da Encíclica Laudato Si (Louvado Sejas), que acaba de ser apresentada aos jornalistas no Vaticano.

Fica o início de um apelo do Papa a todas aspessoas de boa vontade (nº 14 e início do 15):

"Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós. O movimento ecológico mundial já percorreu um longo e rico caminho, tendo gerado numerosas agregações de cidadãos que ajudaram na consciencialização. Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados não só pela recusa dos poderosos, mas também pelo desinteresse dos outros. As atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas. Precisamos de nova solidariedade universal. Como disseram os bispos da África do Sul, «são necessários os talentos e o envolvimento de todos para reparar o dano causado pelos humanos sobre a criação de Deus».[22]Todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades.
Espero que esta carta encíclica, que se insere no magistério social da Igreja, nos ajude a reconhecer a grandeza, a urgência e a beleza do desafio que temos pela frente."

Para descarregar o ficheiro pdf: AQUI 

HOMOSSEXUALIDADE E DEFICIÊNCIA: DUPLA EXCLUSÃO?

Homossexuais portadores de deficiência

A aceitação da homossexualidade converteu-se num dilema, mas e o que acontece quando a pessoa padece de algum tipo de incapacidade? Alguns estudos afirmam que as pessoas da comunidade LGBT portadoras de deficiência, sofrem uma dupla discriminação e isto leva à invisibilidade que sofrem na sociedade. Em muitos casos, são discriminadas no interior dos próprios coletivos LGBT. Não deixa de ser curioso que um coletivo que sistematicamente foi rejeitado, por sua vez discrime também.

 

Talvez, a chave possa ser encontrada entre os homossexuais que consagram ao corpo uma grande parte dos seus esforços. Esta realidade faz com que, em coletivos homossexuais, as pessoas portadoras de deficiência sejam discriminadas.

 

O sexo dos anjos

No aspeto sexual, as pessoas portadoras de deficiência investem o seu tempo reclamando aquilo que perderam: a possibilidade de voltarem a ser atraentes. Para eles, ser deficiente implica ser excluido.

Toni afirma a este propósito: “desconhecer implica que não se dê a oportunidade e a cadeira de rodas assusta os rapazes”. Porém, longe de ser um fenómeno exclusivo do coletivo LGBT, homossexualidade e deficiência são aspetos que parte da sociedade não consegue compreender, ou não julga que existam em simultâneo. Há inclusive títulos do tipo que as pessoas com deficiência são assexuados.

No universo complexo das pessoas com deficiência – que muitas vezes a sociedade não reconhece nem aceita – onde os preconceitos e tabus atentam contra o seu desenvolvimento livre e pleno, abre-se outro plano de debate: a orientação, refente ao desejo, ou às práticas eróticas, em relação a pessoas do mesmo sexo.

A sexualidade das pessoas com deficiência é o assunto mais desconhecido, por isso considera-se as pessoas portadoras de deficiência física ou intelectual, como pessoas não sexuais. O sexo está muito associado à juventude e à atração física, pelo que quando alguém não a tem, este é visto frequentemente como “impróprio”.

 

Uma nova forma de entender a sexualidade

Quando se discute sobre sexo e deficiência, normalmente referimo-nos à capacidade, às técnicas e à fertilidade, deixando para trás o conceito dos sentimentos sexuais e, como tal, esquecemo-nos da parte afetiva, do afeto, das emoções e do tocar.

No desenvolvimento sexual das pessoas portadoras de deficiência assume particular relevância o seu enquadramento, para além de que vivemos numa sociedade onde o sexo está sempre presente. Portanto, é um erro ignorar e acreditar que as pessoas portadoras de deficiência não possuem essas capacidades, ou que são diferentes dos demais nesta aspeto. Desta forma, temos de considerar a sexualidade como mais um elemento dentro da nossa atenção a estas pessoas.

Por isso, torna-se necessário consciencializar a sociedade em temas de homossexualidade e deficiência, para além de ser urgente introduzir estes temas em alguns grupos e associações para que orientem e prestem mais informação, sobretudo é imperioso formar alianças.

 

Tradução: José Leote

Autor: Nayelli Juaréz