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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Quem Somos?

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A Rumos Novos propõe a cada pessoa católica LGBT avançar humana e espiritualmente, num clima de respeito e confiança, a partir da situação em que se encontra e qualquer que seja o seu estado (pais, celibatários, casais homossexuais, casais casados dos quais um dos membros é homossexual, pessoas homossexuais divorciadas ou separadas, pessoas que sesejam viver em castidade, padres e consagrados...).

 

A Rumos Novos é:

  • Um espaço de acolhimento e escuta personalizados, respeitoso e benevolente;
  •  Um espaço de reflexão e de oração com a Igreja;
  •  Um espaço de encontros mensais de partilha;
  •  Um espaço de retiros espirituais anuais.

«Somos o corpo de Cristo, cada um/a de nós é um membro desse corpo.

Cada um/a recebe a graça do Espírito para o bem de todo o corpo.»

 

Um pouco da nossa história

.: 2008 :.

  • 1 de maio - Encontram-se em Évora os elementos que iriam estar na génese do Rumos Novos: José Leote, Ricardo, Nuno e o Eduardo. Aqui partilham vivências e definem as linhas orientadoras para a comunidade;
  • 10 de junho - O Rumos Novos torna público o seu manifesto «À Igreja Católica Portuguesa e aos Grupos e Associações LGBT»;
  • 27 e 28 de setembro - Numa organização da Rumos Novos, homossexuais cristãos de Portugal e Espanha reúnem-se em Évora, no I Encontro Ibérico de Grupos Homossexuais Cristãos;
  • 16 de novembro - É aberta a participação do Rumos Novos no YouTube, através da criação oficial do nosso canal vídeo, que pretende levar a nossa mensagem até aos confins da Terra. Veja o canal oficial da comunidade;
  • 8 de novembro - Entra em funcionamento o Blog da comunidade, procurando chamar à participação todos os irmãos, de modo a que estes sejam mais interventivos em termos da associação.

 

.: 2009 :.

  • 30 de maio - Com a presença de 16 elementos provenientes de vários pontos do país, reunimo-nos, em Fátima, em Conselho Nacional, que definiu as linhas orientadoras da comunidade até ao final de 2009 e delineou perspetivas para 2010;
  • 16 de dezembro - Conferência "Orientação Sexual e Ética". Orador convidado Pe. Dr. Nilo Ribeiro.

 

.: 2010 :.

  • 17 de maio - Assinalando a celebração do Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, são acesas, no cais das colunas, no Terreiro do Paço, em Lisboa, várias velas em memória de todos os irmãos vítimas de homofobia;
  • 29 de julho - Conferência "A Igreja e os Homossexuais". Orador convidado: Pe. Luís Corrêa Lima.

 

.: 2011 :.

  • 11 a 13 de março - Quatro elementos da comunidade, entre os quais o coordenador nacional (orador convidado), participaram no III ENCUENTRO ESTATAL DE ASUNTOS RELIGIOSOS, da FELGTB (FEDERACIÓN ESTATAL DE LESBIANAS, GAYS, TRANSEXUALES Y BISEXUALES), que se realizou em Chipiona, Cádis (Espanha).

 

.: 2013 :.

  • 04 de maio – Realiza-se o Conselho Nacional, em Lisboa, com a presença de 18 elementos, que aprova linhas orientadoras importantes para o quadriénio 2013-2017.

 

.: 2014 :.

  • 21 de março – Coorganização da conferencia “Cristianismo e Homossexualidade”;
  • 6 a 8 de outubro - Organização do 1.º Congresso Mundial de Associações Homossexuais Católicas.

 

.: 2015 :.

  • 27 de janeiro - Conferência «Homoafetividade e Igreja Católica: Do Confessionário ao Banco da Igreja». Oradores convidados Pe. Prof. Dr. Nilo Ribeiro e Prof. Rafael Basso.

 

.: 2016 :.

  • 29 de setembro - Coordenador nacional é um dos oradores da conferência «Diversidade Sexual, Religião e Violência», na Fundação Caloustre Gulbenkian.

 

As nossas atividades

A Rumos Novos propõe:

  • encontros mensais, em vários locais do país;
  • grupos de partilha online na nossa página do facebook;
  • jornadas específicas (conferências, palestras, fins de semana para casais, pais, homens e mulheres homossexuais, jovens, separados ou divorciados, padres, religiosos, ...);
  • atividades lúdicas;
  • retiros espirituais;
  • peregrinações;
  • uma missa mensal.

 

Carta aberta de um católico homossexual a um sacerdote católico homossexual

Um católico escreve a Krzysztof Charamsa, o sacerdote da Cúria Romana que apresentou aos meios de comunicação mundiais o seu companheiro homossexual.

 

Querido Krzysztof Charamsa,

 

Irmão,

 

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Escrevo-te a partir de Lourdes, onde rezo por ti à nossa Mãe de Misericórdia. Devo dizer que a tua declaração pública de homossexualidade marcou-me deveras. Tal como tu, eu sou um homem católico que experiência atração homossexual e, por isso, gostaria de responder à tua declaração pública.

 

É verdade que “muitos católicos homossexuais sofrem” perante o imobilismo da Igreja a seu respeito. No Catecismo da Igreja Católica, as linhas que falam sobre a homossexualidade não constituem, em si mesmas, um programa pastoral. Nessa atmosfera, é normal que, por vezes, experimentemos “exclusão e estigmatização”.

 

Entendo, em parte, a “homofobia” de alguns dos nossos irmãos católicos, porque nada sabem sobre a homossexualidade e, muito menos, como comportar-se perante uma pessoa que se diz abertamente “gay”. Há vezes em que me sinto como um marciano. Devemos reconhecer, contudo, que as coisas estão a mudar. No Relatio Synodalis §76, os padres sinodais declaram: “Reserve-se uma atenção particular ao acompanhamento das famílias onde vivem pessoas homossexuais”. Percebemos que a Igreja entendeu que necessita implicar-se nesta pastoral…

 

Todos devemos denunciar publicamente a violência contra os homossexuais. Não existe nenhuma forma de violência que possa ser justificada. E se, entre nós, na Igreja, surge alguma forma de violência, comecemos pedindo perdão ao nosso Pai misericordioso. Não é abandonando a Igreja que podemos curar essas feridas. É amando-a! Não devemos criar um cisma: uma “Igreja pro-gay” e uma “Igreja anti-gay”. É necessário que avancemos todos juntos, escutando-nos mutuamente, sem nos julgarmos, se o nosso objetivo comum é Cristo.

 

Podemos permanecer juntos?

 

A Igreja não deve somente proclamar a verdade: deve proclamá-la com misericórdia. Este Jubileu, que abre estas portas, é um sinal para todos. A Igreja é nossa mãe, cuida de nós, mostra-nos o Caminho: Cristo. Há vezes, em que também eu tenho vontade de romper o cordão umbilical que me liga a esta mãe: “Mamã, deixa-me em paz!”. Porém, então, olho Jesus nosso Deus que escutou a sua mãe, mesmo aos 33 anos. “Não têm vinho…”.

 

A Igreja é igualmente a família de todos…

 

Tu respondeste ao chamamento de Cristo ao aceitar o sacerdócio ministerial. Compreendo que algumas das nossas escolhas, às vezes, parecem pesadas e difíceis de manter. Contudo peçamos, ao menos, auxílio para vivermos melhor os nossos compromissos… Entristece-me que não tenhas encontrado esse apoio e peço perdão, pela Igreja, se não o encontraste. Agora que, para ti e para Eduardo, começa um novo caminho, peço ao Senhor que te guie na nova fase da tua vida.

 

Fraternalmente,

por Maria a Jesus,

Clément Borioli