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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos Homossexuais Portugueses

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Mensagem Quaresmal da Assistência Religiosa Nacional do Rumos Novos

Caríssimos irmãos e irmãs:

 

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O tempo quaresmal, no qual o Outro e a Palavra são Dom, segundo o Papa Francisco, convida-nos a ler e meditar a Parábola do Filho Pródigo (Luc.15;11-32).

 

É uma bela história na qual Jesus nos mostra o tamanho da misericórdia divina diante dos nossos pecados e fraquezas, mostra um Pai muito rico, riquíssimo em perdão, para àqueles/as que o buscam.

 

Olhemos mais de perto os personagens: o filho mais jovem, o Pai e o filho mais velho.

 

O filho mais jovem (o pródigo)

O filho mais novo foi ter com o pai e pediu sua parte da herança. A decisão do filho é a de não se importar mais com a vida do seu pai. Mas o pai, mesmo triste e magoado, deu-lhe a parte da herança que lhe cabia e, sem o impedir, ou questionar, deu-lhe a liberdade de escolha. O jovem deixou a família, partiu e gastou tudo, com orgias e desejos materiais, porém o dinheiro acabou e com ele os amigos do momento.

 

Imaginemos quando ele foi dar comida aos porcos – comida que desejava – mas ninguém lhe dava… tendo chegado ao fundo do poço, abandonado e sem vida reconheceu a escolha errada e com humildade (mesmo que forçada) deixou-se levar até o limite da sobrevivência e pensou em ser simplesmente servo da família (queria ao menos ser como um dos empregados).

 

O pai rico em misericórdia

A parábola retrata o infinito amor compassivo de Deus, que transforma morte em vida. O Pai nunca baixa os braços, nem retira a sua bênção ou deixa de amar o seu filho. Deixou-o livre para escolher o caminho a seguir. Tudo o que o filho mais jovem fez foi perdoado, pois nunca deixou de ser um filho amado, apesar das suas muitas faltas. Enquanto o arrependido caminha receoso e lentamente, o perdão corre ao seu encontro. É o desejo do Pai, ver todos/as regressar a sua casa. O Pai não o julgou; nem perguntou por onde andou ou o que fez, apenas perdoou. Dá-lhe sandálias e o anel símbolos da dignidade reconquistada e do regresso à família. 

 

 

O filho mais jovem

O filho mais velho, o que ficou em casa cumprindo com as obrigações domésticas também precisa de conversão. Ele também, no seu íntimo, se afastou do Pai. Às vezes não queremos partilhar da alegria dos outros, temos o coração ressentido e sem interesse em perdoar. Não percebemos que “tudo que é do Pai é também nosso” e que os que ficaram na casa do Pai são da mesma família dos que retornaram, possuindo o mesmo património.

 

O Pai também deseja o regresso desse filho a quem disse: “estás sempre comigo”. O filho mais velho, mesmo sempre ao lado do Pai, ainda não aprendeu a perdoar como Ele; nem percebeu que “na casa do Pai há muitas moradas”. O seu dilema é aceitar ou rejeitar que o amor do Pai está acima de comparações.

 

Todos/as nós temos uma história de “filho pródigo para contar”... em vários momentos das nossas vidas nos afastámos do Pai. Neste tempo da Quaresma somos convidados a regressar à Casa do Pai e buscar o seu amor e perdão

 

Imaginemos a figura do pai observando o portão da casa, aguardando ansiosamente o regresso do/a filho/a, que corre ao seu encontro e que tem pressa…

 

O Pai que corre na direção de ambos os filhos chama-nos para voltarmos para casa onde todos/as são filhos/as amados/as incondicionalmente. É um Pai que espera o regresso dos/as filhos/as e que Lhe digam que O amam oferecendo um amor sem limites que abrange todo o sentimento de perdão da humanidade e está à disposição dos/as que se voltam para Jesus, “o Caminho, Verdade e Vida".

 

Boa caminhada quaresmal a todos e todas.

Muito convosco, a vossa

TC

Viver a Quaresma 2017

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Amanhã, dia 1 de março, começamos a Quaresma, um caminho em direção à Páscoa, que temos de percorrer ao longo de quarenta dias.


Por isso é hora de nos colocarmos a caminho, de sair das nossas comodidades, do nosso imobilismo para ir ao encontro de Cristo ressuscitado e termos de ter esta experiência do deserto, um deserto que é o lugar da dificuldade, mas também o lugar da proximidade com Deus. Estejamos disponíveis para efetuar esta experiência de deserto que, como aconteceu com Israel, nos levará à Terra Prometida, antecipada na Páscoa.


A Palavra de Deus, ao longo da Quaresma, é a conversão e esta mais não é do que a mudança do coração, a mudança profunda e radical da pessoa. Porém, uma mudança verdadeira não se limita a gestos externos que podem ser muito apelativos, mas que bem lá no fundo nada significam. «Rasgai os corações, não as vestes». Conversão é abrirmo-nos a Deus de tal forma que possa arrancar de nós o coração de pedra e dar-nos um coração de carne.


Amanhã, quarta-feira de cinzas, receber a cinza é recordarmo-nos que também nós, católicos e católicas homossexuais, como todos os demais irmãos e irmãs, somos pó da terra. Porém, um pó amassado pelas mãos de Deus. Um pó que recebe o sopro de Deus para sermos seres vivos, imagens vivas de Deus. Escutemos as palavras «Converte-te e crê no Evangelho» e apliquemo-las na nossa vida para, desta forma, recuperarmos a semelhança divina.


Comecemos, então, a nossa caminhada em direção à Páscoa; em direção ao encontro com Cristo ressuscitado. Que a nossa atitude de conversão e fé ajude os nossos irmãos e irmãs a encontrarem-se também com o Senhor.

Dia de São Valentim

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Namorados de boa parte do mundo trocam presentes neste dia 14 de fevereiro, em comemoração do Dia de São Valentim, um suposto mártir cujo aniversário a Igreja Católica deixou de celebrar a partir de 1969 por duvidar de sua identidade e até da sua existência.

 

Nas mais antigas listas de mártires, confecionadas nos primeiros séculos da era cristã, existem pelo menos três santos com nome de Valentim: dois bispos sepultados em diferentes locais da Via Flamínia, em Roma, e um terceiro que teria sido torturado e morto em África, todos eles lembrados em 14 de fevereiro.

 

 

ORIGEM CONTROVERSA

 

Os autores da Enciclopédia Católica afirmam que os dados que chegaram até aos nossos dias sobre esses três supostos mártires "carecem de valor histórico" por serem escassos, insuficientemente fundamentados e de data muito posterior à época em que se supõe que tenham vivido.

 

Ao longo dos séculos, esses três Valentins foram-se unificando na memória popular, dando lugar assim a um personagem, uma história e uma tradição que não pararam de se enriquecer ao longo dos séculos – até se tornar uma lenda sobre alguém que, de facto, nunca existiu.

 

 

FESTA

 

A festa de São Valentim é muito mais antiga do que o próprio cristianismo. A comemoração tem a sua origem nas festas Lupercais do Império Romano, rituais pagãos em homenagem a Fauno Luperco (referente a "lupus", lobo, ou Pã para os gregos). Essa entidade "protegia" os pastores e os rebanhos. As festas eram celebradas no dia 15 de fevereiro de cada ano, cinco semanas antes do início da primavera.

 

Por volta do fim do século V d.C., o Papa Gelásio I acolheu as lendas sobre São Valentim e instituiu a sua celebração em 14 de fevereiro, com a finalidade de apropriar para a Igreja a tradição das festas Lupercais, entretanto extintas.

 

No decreto papal explicava-se que São Valentim era um daqueles "cujos nomes são venerados pelos homens, mas cujos atos só Deus conhece", admitindo assim a absoluta carência de dados verossímeis sobre o assunto.

 

 

LENDAS

 

Entre as muitas lendas que surgiram ao longo dos séculos, destaca-se uma, segundo a qual Valentim teria sido um bispo cristão detido e torturado até a morte em 270 d. C. por ordem do imperador romano Cláudio II. Segundo essa história, transmitida oralmente e sobre a qual não há nenhum testemunho, o imperador Cláudio II, durante o seu governo, proibiu a realização de casamentos no reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que os jovens, que não tivessem família, ou esposa, iam alistar-se com maior facilidade. No entanto, um bispo romano, de nome Valentim, continuou a celebrar, em segredo, casamentos, mesmo com a proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega, Artérias, filha do carcereiro, a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram se apaixonando e, milagrosamente, a jovem recuperou a visão. O bispo terá mesmo chegado a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “do seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada. Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro de 270, dando origem à tradição das cartas que em muitos países os namorados trocam no dia 14 de fevereiro.

 

No entanto, vários poetas medievais europeus enalteceram o florescimento do amor nesta data, lembrando que é quando os pássaros começam a formar casais no hemisfério norte. Isso alimentou as versões segundo as quais se tratava de um santo vinculado ao amor romântico. Outros dizem que o santo foi condenado à morte por celebrar casamentos em segrego sob o rito ainda clandestino dos católicos.