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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos Homossexuais Portugueses

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Neste 17 de maio, OREMOS JUNTOS por um mundo sem homofobia

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Continuemos a ser obreiros/as da cultura do encontro!



Caros amigos e amigas, irmãos e irmãs em Jesus Cristo,

 

Circunstâncias várias, entre elas o atraso na preparação de uma celebração condigna, levam-nos (como infelizmente já aconteceu em 2016) a alterar a forma como iremos assinalar o próximo dia 17 de maio, Dia Internacional Por Um Mundo Sem Homofobia.

 

Iremos lembrar os irmãos e irmãs vítimas da violência, da exclusão e do preconceito. É justo fazê-lo, porque nenhum ser humano deve ser humilhado. Nenhum ser humano deve sentir-se diferente ou inferior aos outros.

 

O próprio Papa Francisco, respondendo aos jornalistas no regresso da Jornada Mundial da Juventude no Brasil, disse: “Se uma pessoa é gay e busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?”.

 

São palavras muito bonitas e profundas, que no Rumos Novos podemos confirmar pela experiência de partilha e oração que temos presente nos nossos vários momentos em conjunto. São testemunhos ‘muito humanos’ e com grande sensibilidade, de tantos e tantas que procuram verdadeiramente Deus.

 

Por isso, o Santo Padre convidou-nos a não julgar. Quem somos nós para subir num pedestal e apontar o dedo? Quem somos nós para condenar e atirar pedras? Quem somos nós para sentir desprezo? Quem somos nós para excluir e rejeitar?

 

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No entanto, também neste importante dia, todos e todas nós, católicos e católicas homossexuais, não nos podemos esquecer dos irmãos e irmãs que têm outra visão sobre algumas questões da nossa vivência. Com eles e elas sejamos igualmente tolerantes e saibamos escutar, como gostamos que nos escutem a nós. Não criemos um “complexo de homofobia”, mas uma “cultura do entendimento”, pois para muitos desses irmãos e irmãs é possível, de facto, respeitar plenamente os católicos e as católicas homossexuais, como qualquer outra pessoa no mundo, sem, no entanto, compartilhar algumas das nossas aspirações. É já um caminho…

 

Na noite de 17 de maio, vamos unir-nos espiritualmente na oração, com todo o nosso coração, aos nossos irmãos e irmãs homossexuais que ainda vivem no armário; que são perseguidos, ultrajados e abusados; que são presos e torturados em função da sua orientação sexual; que são mortos em função dessa mesma orientação. A todos e todas vamos apertá-los num grande abraço espiritual e dizer-lhes que somos todos filhos de Deus.

 

De igual modo, busquemos, com todos e todas os irmãos e irmãs, sem exceção, as coisas que nos unem e rezemos juntos ao Senhor, em nome desses valores que estão escritos no coração de cada ser humano.

 

Por isso, apelamos a todos e todas que pelas 22h00, do próximo dia 17 de maio, onde quer que nos encontremos, que acendamos uma vela e oremos, pedindo ao Senhor por todos aqueles e aquelas que diariamente sentem na pele o que é ser diferente.
 
 
Para quem quiser, partilhamos aqui um esquema para orarmos, em conjunto, espiritualmente neste dia, ainda que afastados uns dos outros.
 
 
Gostaríamos de vos pedir que partilhassem connosco as velas e os espaços de oração que criarem neste dia 17 de maio.

 
Poderão fazê-lo diretamente na nossa página no facebook, ou enviando-as por e-mail.

 

NOTA À IMPRENSA: Em Fátima, Francisco irá rezar por todos «SEM EXCLUIR NINGUÉM»

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É com o coração cheio de júbilo que as católicas e os católicos homossexuais portugueses acolhem o Papa Francisco. Júbilo também revestido de esperança de que esta visita de Sua Santidade possa ser um momento único de um Papa que se encontra com o seu povo «sem excluir ninguém» como tão bem sublinhou na sua mensagem antes de iniciar esta visita, e que continue a apostar numa conversão dos corações.

 

Mais uma vez, queremos saudar a abertura de Francisco à realidade das católicas e dos católicos homossexuais demonstrada em vários momentos do seu pontificado, numa transformação de corações que permita uma igreja mais inclusiva e mais próxima de Cristo, que não existe para ser servida, antes para servir, mas que tantas razões tem, infelizmente, dado para as e os católicos homossexuais se irem embora.

 

Rumos Novos – Católicas e Católicos Homossexuais continuará a prosseguir um trabalho que conduza a uma melhor compreensão não somente das pessoas de orientação homossexual, mas igualmente das suas relações afetivas, na esperança de uma construção de pontes firmes, numa cultura do encontro, com os irmãos da hierarquia e na certeza de que só a paz e o entendimento possibilita essa construção, para que se pare de carregar «às costas dos fiéis pesos que não podem levar» e nos possamos tornar completamente comprometidos connosco, católicos e católicas homossexuais que pretendemos viver uma vida católica e que amamos a igreja católica.

 

Com o Papa queremos, pois, construir pontes contra a intolerância e uma igreja que fale com as pessoas católicas homossexuais e que não se limite a falar para elas. Uma igreja que seja espaço de acolhimento, paz, misericórdia e tolerância para que possamos ter uma outra igreja: uma igreja que saiba ir às periferias e escutá-las e mais próxima de Cristo, numa clara conversão de atitudes tanto para a igreja institucional como para nós todos seus membros.

O Bispo John Stowe presente num encontro de católicos LGBT nos Estados Unidos

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No encontro Stowe afirmou sentir-se pequenino perante aqueles e aquelas que continuaram «uma vida de fé numa igreja que nem sempre os/as acolheu ou valorizou» ou ao seu esforço. Enquanto pastor, é preciso escutar as suas vozes e levar a sério a sua experiência, afirmou, tendo acrescentado que quer a presença quer a persistência dos católicos LGBT o inspiraram.

 

Eles têm mostrado «uma expressão valiosa de misericórdia» ao interpelarem a igreja «a ser mais inclusiva e mais próxima de Cristo, apesar de se lhes darem muitas razões para irem embora», afirmou.

 

O Bispo John Stowe tem esperança e reza «por uma cultura do encontro» que permita assegurar «que possamos tornar-nos copletamente comprometidos com aqueles e aquelas que pretendem viver uma vida católica e que amam a igreja católica... Por que razão quereríamos voltar-lhes as costas?», perguntou.

 

Stowe recuou ao encontro de S. Francisco com o pedinte há 800 anos. No início, o leproso com as suas chagas abertas repeliu-o, mas depois S. Francisco foi capaz de beijar o leproso. «Ele foi transformado por este encontro», disse o bispo.

 

«O nosso modo habitual de pensar é aquele de que justiça e misericórdia são incompatíveis.» disse Stowe. Porém, o Papa Francisco pediu aos católicos para encontrarem novos caminhos para trabalharem em conjunto, para abrirem novas possibilidades e tentarem não fazer juízos uns dos outros, acrescentou. «Todos nós ainda necessitamos de misericórdia. Trata-se da necessidade de conversão de atitudes tanto para a igreja institucional como para os seus membros», disse Stowe.

 

Sobre os funcionários da igreja e outros leigos comprometidos que tem sido afastados devido à sua orientação sexual, Stowe afirmou: «Temos de preservar a nossa tradição e a nossa integridade enquanto igreja. Arriscamo-nos a entrar em contradição sempre que pretendemos que os funcionários da igreja [e outros leigos comprometidos] vivam de acordo com os ensinamentos da igreja e quando nós, enquanto instituição, não vivemos de acordo com o nosso ensinamento, que sempre se opôs a qualquer tipo de discriminação.»

 

Stowe pensa que a igreja pode encontrar um caminho que permita «defender a nossa liberdade religiosa sem violar os direitos humanos de ninguém.» «Temos de ser consistentes, mesmo que isso algumas vezes possa ser difícil.»

 

O desafio é «articular os princípios do Evangelho de forma consistente e implementá-los com compaixão», disse. Algo que a doutrina social da igreja sempre defendeu foi a dignidade de cada ser humano. «Pregamos que o desabrochar do ser humano é um objetivo primordial,» afirmou, «mais importante do que a proteção das nossas instituições.»

 

Stowe afirmou ainda que nas suas muitas visitas a encontros de Crisma, os adolescentes da sua diocese perguntam: «Por que motivo os católicos e as católicas homossexuais não podem ser eles mesmos? Bispo Stowe,por que razão eles não podem amar quem querem?»

 

Ele disse que admira a forma como cada jovem sabe que a igeja acredita no valor intrínseco de cada pessoa. Porém, também sabem que as pessoas LGBT nem sempre são bem acolhidas ou tratadas com justiça na igreja, disse.

 

Ele tenta familiarizá-los com a doutrina da igreja sobre a dignidade de cada ser humano, citando palavras do documento do Concílio do Vaticano II, Gaudium et Spes (a Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Moderno) e outros exemplos. Ele refere como a discriminação conduz à desumanização, frequentemente exteriorizada em bullying, abuso, alguma vezes violência e mesmo morte.

 

«Temos de escutar os nossos jovens e prestar atenção a coisas como estas,» insistiu o bispo.

 

Refletindo sobre Mateus 12, 1-14, o bispo disse aos presentes que nesta leitura da moralidade cristã, ele encontra o valor infinito da pessoa humana para ser «a pedra angular e a fundação que permita determinar a moralidade de um determinado ato ou questão. A moalidade cristã está mais preocupada com o bem-estar da pessoa do que com regras, normas ou ordens. Jesus parece ensinar isto em inúmeras ocasiões», afirmou Stowe.