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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Bastonário acha "normal" que Revista da Ordem publique texto contra homossexuais

O bastonário da Ordem dos Médicos considera “normal” a publicação na Revista da Ordem de um artigo de opinião que trata os homossexuais como "anormais" e "defeituosos", considerando tratar-se de um direito que não pode ser censurado em democracia.

 

 

Em declarações à agência Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, recusou-se a dar uma opinião pessoal sobre o artigo, no qual os homossexuais são classificados como “doentes”, “defeituosos”, “anormais”, “portadores de taras”, com “condutas repugnantes”, “higiene degradante” e que requerem “correcção".

 

"A minha opinião é irrelevante para esta situação”, disse o bastonário, lembrando que a Revista da Ordem "é plural e livre" e que "os artigos de opinião são da responsabilidade dos seus autores".

O artigo assinado pelo diretor do Instituto Português de Oncologia insinua que a homossexualidade acarreta doenças e desvios e que, portanto, estas pessoas não têm sequer direito à dignidade nos seus afetos.

 

No texto pode ainda ler-se que existem alguns comportamentos estereotipados – “gestos, fala, indumentária, gostos e manifestações subtis” - pelos quais, segundo o autor, é possível identificar os homossexuais.

 

“Não há censura na Revista da Ordem dos Médicos, nem ninguém na Revista usa as suas opiniões pessoais para censurar a opinião dos outros. Isso não seria estar a viver em democracia”, defendeu o bastonário, que considera que tudo foi feito de "forma transparente, democrática e normal".

 

No entanto, o Código Penal prevê no artigo 240 a punição de crimes de “discriminação racial, religiosa ou sexual”. De acordo com o Código Penal, "quem, em reunião pública, por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social ou sistema informático destinado à divulgação (…) difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo ou orientação sexual (…) é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos”.

 

No entanto, para o bastonário, a publicação oficial da Ordem “vai continuar a ser uma Revista democrática, transparente, plural e aberta às opiniões dos autores dos artigos de opinião". Caso contrário, defende, "se nós usássemos a nossa opinião pessoal para decidir quais os artigos que eram ou não publicados estávamos a regressar a um esquema de censura que nos recorda um passado não muito distante que não é desejável nem recomendável”.

 

“A fronteira entre aquilo que é opinião e aquilo que é ofensivo é muito ténue e tem um grande grau de subjetividade. Levaria quando aplicado à letra que muito pouca coisa fosse publicada, porque poderia haver sempre alguém ofendido. Aquilo que a democracia nos proporciona é que preciosamente quando alguém se sente ofendido tem o direito de exercer o contraditório e manifestar os seus sentimentos”, concluiu o responsável.