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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos Homossexuais Portugueses

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

O Consumismo Fetichista LGBT

O Rumos Novos tem claramente um compromisso com as Escrituras e seus princípios. Como homossexuais católicos, não podemos iludir essa realidade. Não podemos deixar de denunciar tudo o que denigre o padrão para o qual fomos chamados: a santidade em todo o modo de viver (1 Pedro 1.15). A comunidade LGBT (como toda a sociedade) faz-se representar em vários setores, inclusive no âmbito religioso, como é o caso das igrejas inclusivas. Entretanto, a sociedade ainda não conseguiu estabelecer a diferença entre aqueles que seguem o padrão de Cristo e aqueles que seguem o padrão da dita cultura gay secular. Entenda-se como cultura gay secular aquela que padroniza os corpos, transformando-os em meros objetos de consumo fetichista. Esta nada tem a ver com as conquistas daqueles que militam pelos direitos humanos da comunidade LGBT.


Certamente vivemos numa cultura banalizada sexualmente pelo consumismo fetichista,  quer pelos media, quer pelos eventos promovidos com esse intuito, algo generalizado, que atinge não apenas a comunidade LGBT, mas a comunidade heterossexual também. Ao formatar os corpos (homens musculados e viris, ou seja, heteronormativos), essa cultura não contribui para a promoção da igualdade, antes revela que há, no meio LGBT secular padrões que revelam um grau maior ou menor de prestígio e aceitação.


Este post tem a finalidade de refletir um pouco sobre a postura adotada pela cultura gay secular que promove festas, feiras, paradas e afins. Frequentemente, os cristãos convencionais lançam mão do relato de Romanos 1 para condenar o que eles chamam de estilo de vida gay. Tal recurso bíblico não é de todo inválido. Da mesma forma que hoje temos uma cultura focada no culto do corpo e do prazer sexual, as coisas não eram diferentes nos tempos de Paulo, que presenciou um mundo dominado pelo hedonismo (o prazer é o bem supremo da vida humana).


Nós, homossexuais católicos, temos a missão de desconstruir, ao menos em parte, o senso comum que ainda reina a nosso respeito, não nos comportando de acordo com essa cultura, mas refletindo os princípios cristãos, em que o nosso corpo é um bem sagrado, templo do Espírito Santo. Tal  visibilidade é importante! Jesus disse: «Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há de salgar? Não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu.» (Mateus 5,13-16).


Por que é que a cultura gay deve ser tão fetichista? Por que quase tudo o que envolve essa cultura tem um forte apelo sexual? Será essa a melhor forma de revelarmos a nossa essência, a nossa identidade?! Da mesma maneira que a igreja convencional (fundamentalista ou não) combate a banalização do sexo heterossexual, nós, homossexuais católicos, devemos, da mesma forma, combater a banalização do sexo e do corpo  que assola o mundo LGBT. Enquanto a sociedade (política, escola, igreja, família) olhar para os homossexuais como seres ávidos por corpos esculturais e sexo, a conquista dos nossos direitos será questionada. Estamos em desvantagem em relação à população heterossexual, sem dúvida. Somos vítimas históricas da heteronormatividade, que produz a homofobia. Entretanto, essa desvantagem deveria ser compensada por uma postura diferenciada, em que o sexo fosse encarado como um bem íntimo a ser desfrutado nas relações estáveis, não como uma atração pública, uma mercadoria a ser adquirida em pretensas feiras culturais. Não é preciso ser católico para refletir essa postura.


O hedonismo não morreu, mas permanece em evidência com uma nova roupagem. O culto do corpo, à liberdade e ao prazer sexual está em alta. O sexo banalizou-se. Deixou de ser património familiar para tornar-se um bem público. Embalada por uma cultura sexualmente decadente e degradante, a promiscuidade avança produzindo escravos da sua própria concupiscência (Tiago 1, 14). É tempo de fazer a diferença e testemunhar que não somos guiados pela cultura decadente deste século, mas pelo Espírito de Deus. Caso contrário, nada nos livrará que nos apontem o dedo com base no Romanos 1. «Os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e desejos. Se vivemos no Espírito, sigamos também o Espírito». (Gálatas 5, 24-25).


A exemplo do hedonismo, que reinou nos tempos do apóstolo Paulo, não resta dúvida de que eventos desse tipo fazem sucesso em grande parte do meio LGBT! Entretanto, como homossexuais católicos, fiquemos com o que nos diz a Bíblia sobre isso: «Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que o homem cometa é exterior ao seu corpo, mas quem se entrega à impureza, peca contra o próprio corpo. Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo? [...] Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo.» (1 Coríntios 6,18-20).



Autor: Alexandre Feitosa

Fonte: Teologia Inclusiva

Adaptação: José Leote (Rumos Novos)




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