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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Casamento para todos, um progresso humano

O prestigiado jornal católico francês «Témoignage Chrétien» (Testemunho Cristão) deu, no passado dia 14 de dezembro, um importante contributo às relações estáveis entre pessoas do mesmo sexo, ao ter publicamente afirmado a sua posição face à Lei francesa sobre o casamento para todos e por ocasião das manifestações, em França, do último dia 16 e daquelas do próximo dia 13 de janeiro de 2013. É esse importante testemunho que aqui vos deixamos, também pela sua validade para os homossexuais católicos, em geral, e por demonstrar que, aos poucos, algo começa a mudar em muitos setores da Igreja:

 

O casamento é um contrato celebrado entre duas pessoas mais livres hoje e dando o seu consentimento como nunca o foram antes. É um contrato que pode legalmente ser quebrado ou renovado. Fundaram-se famílias fora do casamento e 40% das crianças [em França] nascem fora do casamento.

 

Recusar este contrato aos homossexuais seria acrescentar uma enésima discriminação àquelas de que foram objeto demasiadas vezes. É por isso que consideramos justo que ele seja aberto àquelas e àqueles que querem dar um enquadramento legal reforçado à sua união. Pertencerá às confissões religiosas refletir sobre o sentido do matrimónio religioso, mas seria um grave erro político lançar um contra o outro. Recordemos, finalmente, que os mesmos que hoje exaltam as virtudes da união civil, rejeitaram ontem a PACS, frequentemente com os mesmos argumentos, são os primeiros responsáveis pela radicalização que a sua falta de visão das liberdades individuais gerou. Esperemos que a lição sirva de exemplo.

  • Não acreditamos que o casamento para todos irá dissolver a sociedade. O divórcio não fez desaparecer o casamento. Um grande número de divorciados voltam a casar-se. Se o casamento para todos é um modo de integração suplementar na sociedade, então não há lugar a qualquer hesitação.
  • Consideramos que o projeto de lei atual constitui um avanço real. Distinguimos a conjugalidade, a parentalidade e a filiação. O direito de toda a criança em conhecer as suas origens e a sua filiação é um direito essencial, exceto por impossibilidade ou caso de força maior de natureza patológica.

Finalmente, pedimos a todos que abram os olhos para uma realidade que é a solidão, muitas vezes terrível, de milhões de pessoas, em situações de privação material, afetiva e psicológica. Mais do que se interrogar de forma abstrata sobre as pretensas desordens antropológicas de uma abertura ao casamento a uma parte forçosamente reduzida da população, não faríamos melhor em colocar todos os nossos esforços sobre a desordem antropológica, desta vez bem real, duma sociedade onde as formas de consumo, de produção e de partilha são tão pouco respeitadoras da pessoa humana e da sua dignidade?

 

A humanidade cresce quando os cidadãos recusam sacralizar os laços de sangue e dão prioridade aos laços de fraternidade que os unem. Deste modo, aquilo que os liga, mesmo no seio das famílias, procede da adoção. O Cristo na cruz dizia a João: «João, eis a tua mãe» e à sua mãe: «Mulher, eis o teu filho». Não é a parentalidade biológica, não são os laços de sangue que fazem de nós todos irmãos e irmãs. O nosso ADN único e comum, é um amor fraternal que afasta sempre para mais longe as fronteiras dos nossos preconceitos e dos nossos medos.

 

Tradução: José Leote (Rumos Novos)

Artigo Original: Aqui.