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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos Homossexuais Portugueses

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Queres segui-Lo até à cruz?

 

Referência bíblica:

Evangelho: Lc 22,14-23,56


A Paixão segundo São Lucas tem as suas particularidades:

 

  1. É uma paixão a ser meditada ao longo das nossas experiências humanas nas quais Cristo se junta a nós, como ocorreu com os discípulos
     de Emaús, nos quais ardia o coração, ao ser proclamada, interpretada e atualizada a Palavra. Eles reconheceram-no ao partir o pão (Lc 24, 30-31). Ao longo deste caminho doloroso que leva à cruz, encontramo-nos com Jesus mediante os personagens que Lucas nos apresenta:

     

    • Estamos entre os apóstolos que discutem entre si acerca de quem de entre eles é o maior (Lc 22, 24).

       

    • Somos Pedro, cujo amor ao Senhor o faz dizer: "Senhor, estou pronto a ir contigo até para a prisão e para a morte" (Lc 22, 33) mas que, na primeira ocasião, renegará o seu mestre: " Eu te digo, Pedro: o galo não cantará hoje sem que, por três vezes, tenhas negado conhecer-me." (Lc 22, 34).

       

    • Somos Judas, à frente de uma multidão de pessoas, querendo traí-lo (Lc 22,47).

       

    • Somos Simão Cirineu, discípulo de todos os tempos, que caminha após Jesus, levando também ele a sua cruz (Lc 23, 26).

       

    • Somos as mulheres de Jerusalém que o lamentam (Lc 23, 27).

       

    • Somos um dos malfeitores crucificados com ele: "Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino." (Lc 23, 42) e a quem Jesus responde: "Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.

       

      " (Lc 23, 43).

       

  2. A narração da Paixão segundo Lucas está repleta de delicadeza e de ternura do evangelista para com o Senhor Jesus. Lucas não narra certos detalhes mais cruéis: não relata a flagelação (estamos longe do filme de Mel Gibson). Judas não abraça Jesus, mas aproxima-se apenas para fazê-lo. Ao longo de todo o caminho da cruz, o Jesus de Lucas dá provas da sua paciência e perseverança. O mais difícil da sua Paixão acontece no Getsémani, quando, numa profunda angústia e agonia interior, ele é confrontado com angústias extremas: "Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. " (Lc 22, 44). Reconfortado por um anjo, como o profeta Elias (1 Rs 19, 5ss), Jesus já é o vencedor do que o aguarda.

Lucas suaviza também as situações e os acontecimentos: no jardim de Getsémani, diz que Jesus encontra os discípulos dormindo de tristeza (Lc 24, 25). Acolhe Judas com delicadeza: "Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem? " (Lc 22, 48). Converte o coração de Pedro com o seu olhar de amor e de ternura (Lc 22, 61). Fala às filhas de Jerusalém que lamentavam a sua sorte (Lc 23, 28-31). Perdoa os seus carrascos: “Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem. " (Lc 23, 34). Faz entrar no paraíso o ladrão crucificado com ele: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.” (Lc, 23, 43).

 

O Jesus de Lucas é tão cheio de bondade e de misericórdia que converte os seus algozes e os que o condenam. Pilatos, por três vezes, o inocenta (Lc 23, 4. 14, 22), as mulheres (Lc 23, 27), o povo (Lc 23, 48) o ladrão (Lc 23, 42) e o centurião (Lc 23, 47) declaram-no justo. Na cruz, as suas palavras não são um grito de sofrimento, mas uma oração da tarde: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito." (Lc 23, 46). Deste modo, Lucas convida-nos a entrar com Jesus na sua Paixão, a reconhecer as nossas fraquezas e, com Pedro, as nossas fragilidades, a sentirmos sobre nós o olhar do Senhor, a levarmos, seguindo-o como Simão Cirineu, a sua cruz e a nos abandonarmos com ele nos braços do Pai.

 

Para terminar, no início do relato de sua Paixão, a Ceia (Lc 22, 14-38) é, por um lado, a refeição do adeus de Jesus e, por outro, a inauguração da nova Aliança. E, no final do relato, após a morte de Jesus, Lucas diz-nos que as mulheres, acompanhando José de Arimateia, preparam com afeto o sepultamento. Mas com todos os seus perfumes, elas querem conservá-lo morto. Entretanto, precisa, o evangelista: "Era o dia da Preparação e já começava o sábado." (Lc 23, 54). Portanto, as luzes do sábado já brilhavam. Mais: estas luzes já anunciavam as luzes da Páscoa. Mas as mulheres não sabiam disso.

 

 

Autor: Pe. Raymond Gravel

Tradução: José Leote

Texto original: aqui.

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