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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos Homossexuais Portugueses

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Resposta de um homossexual católico à homilia do Papa Francisco: «Toda a gente» inclui os seres humanos homossexuais?

Na homilia da sua Missa inaugural, o Papa Francisco afirmou:


Entretanto a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração.


Estas são palavras maravilhosas e comovem o coração. Para muitos de nós que somos católicos e homossexuais, ou que somos católicos e que temos pessoas homossexuais nas nossas vidas que amamos, aquilo que resta ser visto é se o novo Papa reconhecerá igualmente todas estas palavras aplicadas especificamente aos seres humanos homossexuais.


«Ser um protetor significa proteger os seres humanos homossexuais, que se encontram suscetíveis à violência, discriminação e exclusão em muitas sociedades em todo o mundo», seria uma frase que muitos de nós anseiam ouvir o Papa dizer.


A homilia do Papa Francisco realça ainda que S. José, cujo dia festivo se comemora hoje, é frequentemente tido como o protetor de Maria e de Jesus e, portanto, o protetor da igreja. José assumiu esse papel nos evangelhos, destaca o Papa Francisco, «Numa constante atenção a Deus, aberto aos seus sinais, disponível mais ao projeto d’Ele que ao seu.»


Fiquei impressionado com a ênfase na leitura de José dos sinais da presença de Deus no mundo à sua volta. Isto reflete a forte insistência do Vaticano II de que devemos estar atentos aos «sinais dos tempos» e ao Espírito Santo que nos fala não somente através da hierarquia católica e da igreja em si, mas também através dos movimentos seculares e no mundo à nossa volta.


O movimento inelutável em muitas culturas em todo o mundo no sentido do reconhecimento da igualdade no casamento para os cidadãos homossexuais é, para muitos de nós, um sinal importante do nosso tempo. Na semana passada nos E. U. A., um senador republican apoiou a igualdade no casamento porque soube que o seu próprio filho é homossexual e não quer que ele viva como um cidadão estigmatizado e de segunda categoria. A antiga secretária de estado norte-americana, Hilary Clinton, que afirmou em Dezembro de 2011 que «os direitos dos homossexuais são direitos humanos e os direitos humanos são direitos dos homossexuais», anunciou o seu apoio à igualdade no casamento. Mesmo os opositores empedernidos da igualdade no casamento estão já a admitir a derrota nesta temática, pois indicam que já não pretendem estar «em guerra… em assuntos de justiça, em assuntos de igualdade» e as eleições demonstram que os americanos estão rapidamente a mudar e a acolher como nunca antes a igualdade no casamento.


Para muitos católicos, a recusa contínua dos responsáveis da nossa igreja em apoiarem os direitos iguais (e a humanidade integral) das pessoas homossexuais é cada vez mais escandalosa e é uma recusa em ler os sinais dos tempos e a ouvir a voz do Espírito Santo no mundo atual que nos rodeia. Muitos de nós continuarão a escutar atentamente as palavras nobres e encorajadoras do nosso novo Papa sobre a proteção dos mais desfavorecidos entre nós e questionamo-nos quando virá o tempo em que essas palavras incluirão um reconhecimento específico de que os mais desfavorecidos entre nós incluem os seres humanos homossexuais, que são merecedores de uma total inclusão na igreja e na sociedade e reconhecimento enquanto seres humanos cuja humanidade é igual à humanidade de todos os restantes seres humanos.

 

 

Texto original: aqui.

Tradução: José Leote

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