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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos Homossexuais Portugueses

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

NOTA DE IMPRENSA 06/2009 DE 02/08/2009: Em favor de uma política de sangue verdadeiramente responsável

Perante as recentes e desajustadas declarações do Presidente do Instituto Português do Sangue, Dr. Gabriel Olim, bem como de outros comentários que têm vindo a público, Rumos Novos – Grupo Homossexual Católico não pode deixar de assumir publicamente a sua posição na defesa do superior interesse da pessoa homossexual, enquanto filho de Deus e elemento integrante de um sociedade que se pretende inclusiva e onde todos os seus elementos são iguais em direitos e deveres.

 

Assim e antes de mais, lamentamos profundamente a falta de cuidado nas expressões utilizadas pelo Dr. Gabriel Olim, que podem, nalguns casos, ser interpretadas por discriminatórias e cínicas, bem como a incorrecção nalgumas das suas afirmações.
 
Convirá aqui recordar que, a resolução 2004/33/CE, da Comissão Europeia, estabelece uma contra-indicação permanente para «as pessoas cujo comportamento sexual as expõe a um risco elevado de contrair doenças infecciosas transmissíveis através do sangue», o que levou a Comissária para a Saúde da UE, Androulla Vassiliou, a afirmar que «não existe qualquer regra especial para os homossexuais. Isso é um mito. A única preocupação deve ser sempre a qualidade do sangue». Daqui resulta que se pretende uma inibição à dádiva de sangue para pessoas, homens ou mulheres, que tenham um comportamento sexual promíscuo, independentemente de que a sua orientação sexual seja homo ou heterossexual. Ora tal facto não resulta absolutamente claro das palavras, feitas de avanços e recuos, do Dr. Gabriel Olim, cuja preocupação obsessiva se centra nos «homens que têm relações sexuais com outros homens», sendo que se deveria ter centrado nos homens que têm comportamentos sexuais promíscuos.
 
De referir ainda que, ao contrário do afirmado pelo Dr. Gabriel Olim, nem todos os técnicos estão de acordo com a «bondade técnica» desta exclusão. A prová-lo o próprio caso português, onde o Prof. Henrique de Barros, epidemiologista, discorda desta interpretação. Mas mais: em França, onde existe uma posição semelhante, esta foi frontalmente condenada pelo Comité Nacional de Ética e pela Alta Autoridade de Luta Contra as Discriminações e, ao contrário do que foi afirmado na entrevista, não estamos perante posições «politicamente correctas», pois nenhuma posição, política ou não, teria a leviandade de colocar em risco a saúde pública.
 
Como homossexuais católicos defendemos que todo o doador tem uma responsabilidade pessoal que está acima da sua orientação sexual, pois, tal como um heterossexual, um homossexual somente se converte num doador de risco quando tem comportamentos promíscuos, protegidos ou não.
 
Antes de se ter pronunciado, tão desastradamente, sobre estas questões deveria o Dr. Gabriel Olim ter tido a preocupação de se reunir com as diversas organizações, tal como fez o seu colega espanhol, que trabalham na defesa dos direitos civis dos homossexuais, como forma de encontrar um melhor enquadramento para as restrições, qual o âmbito e razões da sua aplicação, bem como, e não menos importante, as exclusões a essas restrições, pois também entre os homossexuais existem muitas diferenças, sensibilidades e diversidades, tal como no resto da grande família humana.
 

Será útil de que em substituição de «cada médico tem a sua técnica», conforme afirmou o Dr. Gabriel Olim, o que nos induz a pensar num subjectivismo assustador na recolha de dádivas de sangue, se faça um questionário de auto-exclusão e de responsabilidade a entregar ao potencial doador, como acontece em Espanha, e que uma das razões de exclusão seja: relações homossexuais, bissexuais e heterossexuais de risco (múltiplos parceiros ou prostitutas(os)). Deste modo, estaremos a promover efectivamente uma sociedade mais justa e inclusiva; uma política de sangue justa, responsável e efectivamente não discriminatória. Mas, mais importante, estaremos a transmitir aos homossexuais que não têm comportamentos de risco (e que provavelmente serão muitos mais do que visualiza o Dr. Gabriel Olim), que a sua dádiva é válida e assim temos a possibilidade única de transmitir a todos que a exclusão não tem por base a orientação sexual.

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