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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos Homossexuais Portugueses

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

O Coração do Cristianismo (João 6, 24-35)

Pão vivo

«As pessoas necessitam de Jesus e procuram-No. Há algo nele que os atrai, mas não sabem exactamente a razão pela qual o procuram nem para quê. De acordo com o evangelista, muitos fazem-no porque na véspera lhes distribuiu pão para saciar a sua fome.

Jesus começa a conversar com eles. Há coisas que convém esclarecer desde o princípio. O pão material é muito importante. Ele mesmo os ensinou a pdir a Deus «o pão de cada dia» para todos. Contudo o ser humano necessita de algo mais. Jesus quer oferecer-lhes um alimento que pode saciar a sua fome de vida para sempre.

As pessoas deduzem que Jesus lhes abre um horizonte novo, mas não sabem o que fazer, nem por onde começar. O evangelista resume as suas interrogações com estas palavras: «e que obras temos que fazer para trabalhar naquilo que Deus quer?». Há neles um desejo sincero de acertar. Querem trabalhar naquilo que Deus quer, mas, acostumados a pensar em tudo a partir da Lei, perguntam a Jesus que obras, práticas e observâncias novas têm de ter em consideração.

A resposta de Jesus toca o coração do cristianismo: «a obra (no singular!) que Deus quer é esta: que acreditais naquele que Ele enviou”. Deus quer somente que acreditem em Jesus Cristo pois é ele a grande oferta que Deus enviou ao mundo. Esta é a nova exigência. Nisto haverão de trabalhar. Tudo o resto é secundário.

Passados vinte séculos de cristianismo, não necessitaremos redescobrir que toda a força e a originalidade da Igreja está em acreditar em Jesus Cristo e em segui-lo? Não necessitaremos passar da atitude de adeptos de uma religião de «crenças» e «práticas» para uma vivência como discípulos de Jesus?

A fé cristã não consiste primeiramente no cumprimento correcto de um código de práticas e observâncias novas, superiores àquelas do antigo testamento. Não. A identidade cristã está no aprender a viver de acordo com um estilo de vida que nasce da relação viva e de confiança em Jesus, o Cristo. Fazemo-nos cristãos na medida em que aprendemos a pensar, sentir, amar, trabalhar, sofrer e viver como Jesus

Ser cristão exige hoje uma experiência de Jesus e uma identificação com o seu projecto, o que não era necessário há uns anos para se ser um bom praticante. Como forma de subsistir no seio de uma sociedade laica, as comunidades cristãs necessitam cuidar, mais do que nunca, da adesão e do contacto vital com Jesus, o Cristo».

(Texto original: José Antonio Pagola; Tradução: Rumos Novos - GHC)

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