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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos Homossexuais Portugueses

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Casamento entre pessoas do mesmo sexo: a caminho de uma civilização mais justa e solidária, legado para as gerações vindouras

 

COMUNICADO DE IMPRENSA: 08/2009 (17/12/2009)
 
 
 
As alterações hoje propostas pelo executivo ao articulado do Código Civil referente ao instituto do casamento é o assumir de um compromisso celebrado com o eleitorado português, aquando do último acto eleitoral, mas é igualmente o colocar em prática daquilo que é certo e justo. Independentemente da sua orientação sexual, nenhum homem ou mulher de boa vontade pode ser alheio a este conceito: o de justiça. Por isso, esta proposta de alteração ao Código Civil assinala a dinâmica viva da democracia do século XXI, ou seja, o direito do acesso à protecção legal do Estado por parte de todos os cidadãos, independentemente da tradição sociocultural religiosa, classes sociais, cor ou orientação sexual.
No RUMOS NOVOS – GHC, como católicos homossexuais, temos a responsabilidade de lutar pela correcção, rectidão e justiça, dando, deste modo, o nosso modesto contributo para trazer bondade e justiça a esta civilização conturbada, para assim podermos deixar um melhor legado às gerações vindouras. Defender o Amor e as relações afectivas estáveis entre pessoas do mesmo sexo é também a tradução prática desses pressupostos, porque Jesus Cristo pregou um Deus inclusivo e do Amor e não um Deus do medo e da exclusão, ao contrário do que defendem alguns sectores da própria Igreja a que pertencemos.
A alteração do articulado do Código Civil é a afirmação de que numa sociedade livre, democrática, justa e defensora dos direitos humanos, todos os cidadãos podem amar quem quiserem e podem exprimir esse amor na sociedade, na igreja e no mundo.
As posições calculistas de vários sectores políticos e religiosos, escudados nos mais variados argumentos, de recusa do acesso de todos os cidadãos ao direito ao casamento, revelam um profundo e preocupante preconceito: o de recusar a uma parte da sociedade portuguesa a igualdade, a justiça e a liberdade, reconhecidas aos demais cidadãos. Preconceito tanto mais profundo e incompreensível quando é realizado sob o beneplácito da Igreja.
O único objectivo que a recusa de aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo conseguiria é a continuação da discriminação.
As tentativas de manter, por via referendária, a continuação de um preconceito legalizado não podem mais ter lugar na sociedade portuguesa moderna sob pena da sua manutenção ser uma perigosa porta aberta para a instauração de outros.
À hierarquia da Igreja Católica, com a humildade do reconhecimento de que todos são filhos de Deus, apelamos para que participe de forma activa e empenhada no debate em curso, mas que evite atitudes discriminatórias, claras ou encapuzadas, para com as pessoas homossexuais, fiéis ou não, bem como a tentativa de um acolhimento na castidade, pois a sexualidade das pessoas homossexuais, vivida na presença de Deus é uma das melhores ofertas que Ele nos concedeu. Todo o ser humano completo, integral, não pode viver afastado desta realidade já que ela é parte intrínseca de si mesmo.
Por outro lado, é urgente, por parte da Igreja, uma nova visão sobre a sexualidade humana e sobre as relações afectivas estáveis entre pessoas do mesmo sexo, pois ambas são a demonstração de uma energia vital de todo o ser humano criado e amado por Deus.
A questão do casamento (e não do matrimónio) entre pessoas do mesmo sexo e a Igreja é, acima de tudo, uma questão de verdade e não tanto de moralidade ou de disciplina e a Bíblia, ao contrário do que muitos afirmam, nada diz acerca dos relacionamentos responsáveis, afectivos e fiéis entre pessoas do mesmo sexo, que desconhece em absoluto.
 
O casamento entre pessoas do mesmo sexo é assim um direito fundamental que todo o Estado laico deve assegurar aos seus cidadãos no cumprimento pleno das garantias de igualdade para todos. Esta realidade, antes de uma realidade religiosa, é uma questão de direitos humanos, sobre os quais qualquer Estado deve legislar e assegurar e por isso é de louvar esta iniciativa do governo.

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