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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

A Olimpíada mais gay da história e a postura cristã

O que vamos fazer com essa informação eu não sei, mas aí está uma realidade com a qual precisamos aprender a conviver

 

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O número de atletas assumidamente LGBT – 43 no total (NT: na sua esmagadora maioria homossexuais de ambos os sexos) – é o maior da história. Um deles, a brasileira Rafaela Silva, atleta do Judo,  foi a primeira brasileira a ganhar uma medalha de ouro para o Brasil nos jogos. Pela primeira vez na história duas atletas estão casadas: as britânicas Kate Richardson-Walsh e Helen Richardson-Walsh.

 

Na noite da cerimónia de abertura, cinco dos ciclistas que puxavam as delegações dos países eram transexuais, incluindo a modelo Lea T, que encabeçava a comitiva dos atletas brasileiros.

 

Estamos falando de proporcionalidade, ou seja, a população gay mundial também aumenta exponencialmente. O que é que isto significa? Significa que cada um de nós, no dia a dia passamos a conviver com homossexuais e transgéneros. São nossos vizinhos, pessoas que nos prestam serviços, como cabeleireiros, médicos, advogados, etc. Longe das trincheiras formadas pelos líderes das nossas igrejas temos um campo de batalha diante da nossa realidade, algo que se aproxima da nossa família, que afeta o nosso convívio social...

 

A ideologia LGBT tenta impor as suas questões de forma agressiva, ao mesmo tempo que se fazem de vítimas de uma sociedade cruel.

 

É claro que existe homofobia, assim como existe racismo e perseguição religiosa. A questão é como cada um lida com sua busca por direitos na sociedade. O erro está em forçar isso a todo custo, impor que os outros, mais do que aceitem, concordem com sua causa. Coisa que os ativistas LGBT parecem querer (NT: a esmagadora maioria. Não é o caso da Rumos Novos).

 

Por isso a questão das Olimpíada ganha ainda mais importância. A visibilidade dos atletas assumidos acaba por tornar-se uma bandeira dos grupos LGBT, que vão querer contabilizar o facto como um legado. A imagem emblemática de uma atleta sendo pedida em casamento por uma voluntária dos jogos ganhou destaque nos media mundiais...

 

O caso de Rafaela Silva, citado no início deste post, trás-nos uma reflexão acerca de como vamos lidar com esta realidade. A jovem Rafaela Silva, há quatro anos perdeu uma luta em Londres e foi hostilizada na internet por brasileiros, vítima de ataques raciais, motivo que levou a atleta a fazer um desabafo após a vitória no Brasil: “… a macaca que deveria estar numa jaula em Londres, agora é campeã olímpica em casa“. A mãe de Rafaela, dona Zenilda, é evangélica e disse à imprensa que na véspera da luta que deu à filha a medalha de ouro, teve uma visão. “Deus tinha-me mostrado essa vitória. Só não tinha mostrado o ouro. Mas eu vi o pódio”, relatou.

 

A atleta olímpica torna-se um ícone para o desporto, herói nacional, mas também conduz um projeto de inclusão social, através do desporto, para jovens atletas na sua comunidade. Isso aproxima-nos muito de Rafaela, um de nossos filhos poderia ser aluno da ONG de Rafaela e vir a ser um campeão olímpico no futuro, ou deixaríamos de dar uma oportunidade a esta criança pelo facto de Rafaela ser gay? Ou vamos aconselhar dona Zenilda a se afastar da filha por causa da sua sexualidade?

 

Vejam bem que não estou fazendo apologia alguma, mas trazendo a questão para longe dos debates teológicos e perto da vida do cristão comum, que sai às ruas, leva os filhos à escola, onde muitos cristãos de baixos rendimentos dependem de ONGs e projetos sociais para viabilizar um futuro promissor para os seus filhos.

 

Acredito que seja hora dos púlpitos perceberem como vão orientar as pessoas para o convívio com essa população. Se vão optar por um caminho de ódio, ou pela tolerância. Se vão optar por combater o inimigo no campo de batalha ou içar a bandeira da paz. Não é uma realidade da qual podemos nos afastar, ficar dentro da redoma religiosa, pois afeta todo o ambiente em que vivemos.

 

Devemos aprender a separar a questão da ideologia do género, a militância LGBT, das pessoas que nos acercam, que fazem parte do nosso convívio, aprendermos a tratar a todos com amor cristão e compaixão pelas suas almas. Se existe uma campo de batalha, seja ele travado pelos ativistas de ambos os lados, na política, na defesa da fé, no campo das ideias e dos ideais. Existem pessoas comprometidas e capacitadas para levar esta causa adiante, seja no meio politico, seja entre as lideranças cristãs.

 

A nós, cristãos comuns, resta o respeito e o amor ao próximo.

 

Amarás o teu próximo como a ti mesmo, procedeis bem; mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis um pecado e a lei condena-vos como transgressores. (Tiago 2, 8-9).

 

Já que purificastes as vossas almas pela obediência à verdade que leva a um sincero amor fraterno, amai-vos intensamente uns aos outros do fundo do coração, como quem nasceu de novo, não de uma semente corruptível, mas de um germe incorruptível, a saber, por meio da palavra de Deus, viva e perene. De facto, todo o mortal é como a erva e toda a sua glória como a flor da erva. Seca-se a erva e cai a flor, mas a palavra do Senhor permanece para sempre. (1 Pedro 1, 22-25).

 

Texto original de: ADENILTON TURQUETE

Texto original: aqui.

Revisão e adaptação para Português (Portugal): JOSÉ LEOTE