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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

O Bispo John Stowe presente num encontro de católicos LGBT nos Estados Unidos

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No encontro Stowe afirmou sentir-se pequenino perante aqueles e aquelas que continuaram «uma vida de fé numa igreja que nem sempre os/as acolheu ou valorizou» ou ao seu esforço. Enquanto pastor, é preciso escutar as suas vozes e levar a sério a sua experiência, afirmou, tendo acrescentado que quer a presença quer a persistência dos católicos LGBT o inspiraram.

 

Eles têm mostrado «uma expressão valiosa de misericórdia» ao interpelarem a igreja «a ser mais inclusiva e mais próxima de Cristo, apesar de se lhes darem muitas razões para irem embora», afirmou.

 

O Bispo John Stowe tem esperança e reza «por uma cultura do encontro» que permita assegurar «que possamos tornar-nos copletamente comprometidos com aqueles e aquelas que pretendem viver uma vida católica e que amam a igreja católica... Por que razão quereríamos voltar-lhes as costas?», perguntou.

 

Stowe recuou ao encontro de S. Francisco com o pedinte há 800 anos. No início, o leproso com as suas chagas abertas repeliu-o, mas depois S. Francisco foi capaz de beijar o leproso. «Ele foi transformado por este encontro», disse o bispo.

 

«O nosso modo habitual de pensar é aquele de que justiça e misericórdia são incompatíveis.» disse Stowe. Porém, o Papa Francisco pediu aos católicos para encontrarem novos caminhos para trabalharem em conjunto, para abrirem novas possibilidades e tentarem não fazer juízos uns dos outros, acrescentou. «Todos nós ainda necessitamos de misericórdia. Trata-se da necessidade de conversão de atitudes tanto para a igreja institucional como para os seus membros», disse Stowe.

 

Sobre os funcionários da igreja e outros leigos comprometidos que tem sido afastados devido à sua orientação sexual, Stowe afirmou: «Temos de preservar a nossa tradição e a nossa integridade enquanto igreja. Arriscamo-nos a entrar em contradição sempre que pretendemos que os funcionários da igreja [e outros leigos comprometidos] vivam de acordo com os ensinamentos da igreja e quando nós, enquanto instituição, não vivemos de acordo com o nosso ensinamento, que sempre se opôs a qualquer tipo de discriminação.»

 

Stowe pensa que a igreja pode encontrar um caminho que permita «defender a nossa liberdade religiosa sem violar os direitos humanos de ninguém.» «Temos de ser consistentes, mesmo que isso algumas vezes possa ser difícil.»

 

O desafio é «articular os princípios do Evangelho de forma consistente e implementá-los com compaixão», disse. Algo que a doutrina social da igreja sempre defendeu foi a dignidade de cada ser humano. «Pregamos que o desabrochar do ser humano é um objetivo primordial,» afirmou, «mais importante do que a proteção das nossas instituições.»

 

Stowe afirmou ainda que nas suas muitas visitas a encontros de Crisma, os adolescentes da sua diocese perguntam: «Por que motivo os católicos e as católicas homossexuais não podem ser eles mesmos? Bispo Stowe,por que razão eles não podem amar quem querem?»

 

Ele disse que admira a forma como cada jovem sabe que a igeja acredita no valor intrínseco de cada pessoa. Porém, também sabem que as pessoas LGBT nem sempre são bem acolhidas ou tratadas com justiça na igreja, disse.

 

Ele tenta familiarizá-los com a doutrina da igreja sobre a dignidade de cada ser humano, citando palavras do documento do Concílio do Vaticano II, Gaudium et Spes (a Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Moderno) e outros exemplos. Ele refere como a discriminação conduz à desumanização, frequentemente exteriorizada em bullying, abuso, alguma vezes violência e mesmo morte.

 

«Temos de escutar os nossos jovens e prestar atenção a coisas como estas,» insistiu o bispo.

 

Refletindo sobre Mateus 12, 1-14, o bispo disse aos presentes que nesta leitura da moralidade cristã, ele encontra o valor infinito da pessoa humana para ser «a pedra angular e a fundação que permita determinar a moralidade de um determinado ato ou questão. A moalidade cristã está mais preocupada com o bem-estar da pessoa do que com regras, normas ou ordens. Jesus parece ensinar isto em inúmeras ocasiões», afirmou Stowe.