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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

O caminho a seguir para os católicos homossexuais

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O ministério com católicos homossexuais (o transgenderismo necessitaria de um artigo em separado) ocorre em dois contextos principais.

 

Primeiro, grupos formados por pelos próprios gays ou seus familiares, onde toda a gente sabe que é bem-vinda, qualquer que seja a sua situação, e onde os assuntos podem ser abertamente discutidos. Tais grupos, mais tarde e com frequência, procuram o apoio dos seus bispos e padres.

 

Em segundo lugar, os bispos e padres podem eles próprios formar grupos e mesmo obter o reconhecimento do Vaticano, desde que estes sejam claros na sua adesão aos ensinamentos da Igreja. O “Courage” é um grupo deste tipo, fundado pelo Fr. John Harvey, nos Estados Unidos, com o apoio dos bispos locais e já presente em vários países. Os seus membros descrevem-se não como gays, mas como “experimentando atração pelo mesmo sexo” e tendo por objetivo uma vida de total abstinência sexual, mas não tendo como objetivo alterar a sua orientação sexual.

 

O cuidado pastoral com as pessoas homossexuais é essencialmente o mesmo como com os demais ministérios: procurar comunicar o amor incondicional de Cristo e da Sua Igreja e acompanhar as pessoas na sua viagem em direção à santidade. Porém, do ponto de vista prático, este ministério encontra sentimentos fortes de dor e raiva que podem colocar entraves.

 

As pessoas LGBT sentem-se frequentemente magoadas pela Igreja, quer pela forma como os seus ensinamentos são apresentados, quer através de experiências concretas de rejeição, ou ambas. Aqueles provenientes de culturas não ocidentais encontram-se, algumas vezes, em perigo de vida, enquanto outro católicos parecem sentir-se ameaçados pela própria existência de pessoas gay e reagem de forma agressiva em relação às tentativas de os acolher dentro da Igreja.

 

Há igualmente um amplo leque de atitudes, experiências e comportamentos entre os próprios católicos gays. Alguns anseiam por um relacionamento permanente, enquanto outros admitem que os relacionamentos não são importantes para eles e que querem simplesmente sexo. Com a disponibilidade de websites e aplicações gays, bem como lugares bem conhecidos de cruising, a maioria dos gays na nossa sociedade pode facilmente ter sexo sempre que queira.

 

Algumas vezes encontramos homens que tiveram muito sexo casual, mas acabaram por se aperceber que isso não os tornou mais felizes. Podem, então, procurar ajuda para levarem uma vida casta. O “Courage” fornece-lhes um grupo de apoio, estruturado num programa de doze passos, no qual a partilha pessoal permite a exploração do relacionamento entre os desejos sexuais e outros aspetos da vida e, desta forma, ajuda a mitigar o elemento compulsivo que pode facilmente afetar o comportamento sexual. Outros procuram um relacionamento estável, mas podem passar por vários parceiros sexuais, nessa busca, algumas vezes permanecendo bons amigos, depois do relacionamento sexual ter terminado.

 

Porém, uma coisa é comum praticamente em todos os católicos LGBT dos nossos dias: eles não aceitam os ensinamentos da Igreja de mão beijada, mas têm de aprender com a experiência. Mesmo aqueles que têm uma atitude tradicional, provavelmente chegaram até ela através de muitas experiências.

 

Sendo assim, o ministério com católicos gays precisa de dois recursos fundamentais: uma teologia moral que possa fazer face ao escrutínio crítico da experiência de vida; e um discernimento espiritual bem fundamentado. Estes podem auxiliar os católicos LGBT a olharem, de forma honesta, para o seu comportamento, ver para onde ele os leva e descobrir alternativas onde forem necessárias.

 

A teologia moral que achei ser a mais útil neste ministério é aquela do dominicano belga Servais Pinckaers, que mostra que desde os tempos bíblicos até S. Tomás de Aquino, a moral católica era essencialmente baseada na procura da verdadeira felicidade, na Terra e no Céu, e no cultivo de virtudes àquela conducentes: uma felicidade mais profunda do que o mero prazer e acima de tudo consistindo na comunhão com Deus e com o Seu povo santo.

 

Uma teologia baseada na observação de regras foi uma distorção posterior e levou nos anos 60 do século passado a um igualmente inútil liberalismo.

 

Na perspetiva de Pinckaers, a teologia moral não define somente aquilo que nos é permitido fazer, ou no mínimo o que devemos fazer, mas dá as mãos com a espiritualidade, promovendo a procura da felicidade através do amor a Deus e ao próximo até ao nosso limite. O discernimento espiritual inaciano do espírito é o parceiro espiritual óbvio de tal teologia.

 

Desta forma, a dádiva mais importante que o ministério pode oferecer às pessoas LGBT, depois de um amor e acolhimento incondicionais, é o encorajamento a uma vida espiritual profunda de amizade com Cristo, baseada nas práticas tradicionais da Missa, Confissão, Adoração, Lectio Divina e no Rosário. Sem isto, o discernimento perde-se em estados mentais subjetivos; com isto começamos a ver que caminho conduz até ao céu e que caminho conduz até ao inferno e a casarmos a experiência pessoal com a sabedoria da Igreja.

 

 

Artigo original: The way ahead for gay Catholics

Tradução: José Leote (Rumos Novos)

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