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RUMOS NOVOS - Católicos Homossexuais

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Neste 17 de maio, OREMOS JUNTOS por um mundo sem homofobia

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Continuemos a ser obreiros/as da cultura do encontro!



Caros amigos e amigas, irmãos e irmãs em Jesus Cristo,

 

Circunstâncias várias, entre elas o atraso na preparação de uma celebração condigna, levam-nos (como infelizmente já aconteceu em 2016) a alterar a forma como iremos assinalar o próximo dia 17 de maio, Dia Internacional Por Um Mundo Sem Homofobia.

 

Iremos lembrar os irmãos e irmãs vítimas da violência, da exclusão e do preconceito. É justo fazê-lo, porque nenhum ser humano deve ser humilhado. Nenhum ser humano deve sentir-se diferente ou inferior aos outros.

 

O próprio Papa Francisco, respondendo aos jornalistas no regresso da Jornada Mundial da Juventude no Brasil, disse: “Se uma pessoa é gay e busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?”.

 

São palavras muito bonitas e profundas, que no Rumos Novos podemos confirmar pela experiência de partilha e oração que temos presente nos nossos vários momentos em conjunto. São testemunhos ‘muito humanos’ e com grande sensibilidade, de tantos e tantas que procuram verdadeiramente Deus.

 

Por isso, o Santo Padre convidou-nos a não julgar. Quem somos nós para subir num pedestal e apontar o dedo? Quem somos nós para condenar e atirar pedras? Quem somos nós para sentir desprezo? Quem somos nós para excluir e rejeitar?

 

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No entanto, também neste importante dia, todos e todas nós, católicos e católicas homossexuais, não nos podemos esquecer dos irmãos e irmãs que têm outra visão sobre algumas questões da nossa vivência. Com eles e elas sejamos igualmente tolerantes e saibamos escutar, como gostamos que nos escutem a nós. Não criemos um “complexo de homofobia”, mas uma “cultura do entendimento”, pois para muitos desses irmãos e irmãs é possível, de facto, respeitar plenamente os católicos e as católicas homossexuais, como qualquer outra pessoa no mundo, sem, no entanto, compartilhar algumas das nossas aspirações. É já um caminho…

 

Na noite de 17 de maio, vamos unir-nos espiritualmente na oração, com todo o nosso coração, aos nossos irmãos e irmãs homossexuais que ainda vivem no armário; que são perseguidos, ultrajados e abusados; que são presos e torturados em função da sua orientação sexual; que são mortos em função dessa mesma orientação. A todos e todas vamos apertá-los num grande abraço espiritual e dizer-lhes que somos todos filhos de Deus.

 

De igual modo, busquemos, com todos e todas os irmãos e irmãs, sem exceção, as coisas que nos unem e rezemos juntos ao Senhor, em nome desses valores que estão escritos no coração de cada ser humano.

 

Por isso, apelamos a todos e todas que pelas 22h00, do próximo dia 17 de maio, onde quer que nos encontremos, que acendamos uma vela e oremos, pedindo ao Senhor por todos aqueles e aquelas que diariamente sentem na pele o que é ser diferente.
 
 
Para quem quiser, partilhamos aqui um esquema para orarmos, em conjunto, espiritualmente neste dia, ainda que afastados uns dos outros.
 
 
Gostaríamos de vos pedir que partilhassem connosco as velas e os espaços de oração que criarem neste dia 17 de maio.

 
Poderão fazê-lo diretamente na nossa página no facebook, ou enviando-as por e-mail.

 

Algumas Considerações Sobre a Entrevista Dada Pela Dra. Maria José Vilaça à Edição Portuguesa da Revista “Família Cristã”, do Mês de Novembro

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São sobejamente conhecidas as posições da Dra. Maria José Vilaça em assuntos como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, adoção e coadoção por casais do mesmo sexo e sobre a homossexualidade em si mesma.

 

Variadíssimas têm sido as vezes em que temos discordado publicamente das posições assumidas, outras há em que concordamos com os argumentos apresentados.

 

Deixando de lado a questão da denominada «ideologia do género», centremo-nos nas palavras proferidas. Da imprensa retemos: “Ter um filho homossexual é como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom”. Na entrevista dada à «Família Cristã» encontramos: «”Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer.” É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom.»

 

Antes de prosseguirmos nesta reflexão, importa outrossim sublinhar dois conceitos, esses sim, presentes da resposta da dra. Maria José Vilaça: contra a lei natural e o sofrimento em função da orientação sexual. Ambos os argumentos são sobejamente conhecidos, mas gostaríamos de nos ater ao segundo (seria demorado abordar o primeiro argumento – nem é esse o objeto destas nossas considerações – fundamentado em S. Tomás de Aquino, cujo pensamento ainda detém uma enorme influência no seio da Igreja Católica e, em particular as suas ideias referentes à ética sexual que ainda moldam os ensinamentos da Igreja) e sublinhar que o que faz sofrer um católico homossexual não é tanto a sua condição de pessoa homossexual, mas mais a estigmatização que, infelizmente, alguns setores dentro da nossa igreja a submetem, esquecendo eles mesmos o acolhimento com delicadeza, compaixão e respeito, proposto pelo próprio Catecismo. Acreditamos que eliminada esta estigmatização e efetuada uma caminhada para o autêntico e fraterno acolhimento, em misericórdia, destes, como de todos e todas, os restantes fiéis, esse sofrimento terminará. Esse sofrimento, é igualmente provocado pela estigmatização que algumas famílias católicas infligem aos próprios filhos e filhas, esquecendo-se da sua condição de pais e do ser amor incondicional para com os filhos. Famílias que colocam acima desse amor, determinações e conceitos de uma Igreja anterior ao Vaticano II e que não sabia ler os sinais dos tempos.

 

Depois dizer que para percebermos algumas posições de alguns católicos e, por maioria de razão, da própria igreja católica institucional será sempre útil perceber a sua substância, origem e fundamentação teológica, pois somente assim poderemos caminhar na construção de pontes justas de diálogo, partilha e compreensão mútua.

 

Finalmente as palavras da dra. Vilaça que tanta celeuma levantaram ao longo deste fim de semana: eventualmente comparar a homossexualidade à toxicodependência e que fizeram logo alguns a se colocarem em bicos de pés para a chamar de «homofóbica». Não concordando com parte do conteúdo e achando infeliz o exemplo encontrado, notamos o apelo ao acolhimento e amor dos pais por qualquer filho ou filha que seja homossexual, ainda que não concordando estes com essa mesma orientação sexual. Parece-nos ser este o caminho a seguir: amar e acolher genuinamente.

 

Por outro lado, percebemos que o exemplo encontrado, ainda que muito infeliz, mais não pretendeu do que sublinhar aquela necessidade de amor e acolhimento, mesmo na discordância com o facto: a homossexualidade, por um lado, e a toxicodependência, por outro.

 

Perante isto, alguns se apressaram em gritar «homofóbica». Aliás, assistimos a um fenómeno curioso e preocupante, que, infelizmente, se tem vindo a acentuar nos últimos tempos, de que quem expressa uma opinião contrária à nossa é necessariamente homofóbico. Por outras palavras, queremos rotular de homofóbica toda a pessoa que discorda de nós, que tem uma opinião diversa sobre a homossexualidade, mesmo que não incite ao ódio contra quem quer que seja. Ou seja, pretendemos coartar a liberdade de expressão aos outros, que aos quatro ventos reclamamos para nós. Muitos de entre nós chamam os sacerdotes de pedófilos, fazendo uma generalização infundada e abusiva; chamam os fiéis disto e daquilo; a igreja daqueloutro e aqueloutro ainda. Todos e todas se arrogam o direito de o fazer e dizer as maiores barbaridades em nome da liberdade individual e de expressão, mas quando alguém discorda de nós: aqui d’el rei, que é «homofóbico/a».

 

Cremos ser importante saber escutar (não somente ouvir!) de ambas as partes. É importante percebermos os sentimentos das pessoas e respondermos a eles. É importante saber garantir direitos sociais, não destes contra aqueles e daqueles contra outros, mas porque todos fazemos caminho na construção de pontes que cimentam a nossa realidade de pertencentes a esta grande família humana, diversa, mas una.

 

Creio que é chegado o tempo de nos indignarmos menos, ou de nos tentarmos indignar. É chegado o momento de percebermos porque é que as coisas acontecem! Talvez, assim, ainda consigamos ir a tempo de salvar os direitos sociais assegurados, cuja perenidade, convém recordar, sempre estará associado à democracia.

 

José Leote

(Coordenador Nacional - RUMOS NOVOS)

Cristianismo sem homofobia

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Todas as religiões devem lutar explícita e ativamente contra a homofobia, perseguições e agressões contra as pessoas homossexuais. É uma questão de vida ou morte. Não é uma questão de doutrina mas de justiça e solidariedade. Grupos extremistas fazem tudo para que a Igreja católica se radicalize e não querem que mostre o menor gesto de amizade para com os cristãos homossexuais.

São as religiões as principais fontes de homofobia no mundo? Tanto crentes como não crentes e tanto homossexuais como heterossexuais coincidiriam que sim. Nos 70 países onde a homossexualidade ainda é perseguida penalmente e os 8 que a castigam com pena de morte, há uma religião que dá o principal suporte moral e doutrinal a tal repressão. Não temos mais que recordar horrorizados as execuções de pessoas homossexuais lançadas de torres e terraços pelos fundamentalistas do ISIS. Mas o problema não é só muçulmano: em países de tradição cristã, os delitos de ódio contra homossexuais são cometidos principalmente por fundamentalistas cristãos e a principal fonte de homofobia procede de núcleos cristãos. As religiões e fóruns ecuménicos teriam que atuar decidida e explicitamente contra os delitos de ódio contra pessoas homossexuais em todo o planeta. Um olhar ao passado e o presente não pode senão provocar uma palavra pública de perdão do cristianismo às pessoas homossexuais pela sua repressão sistemática. O posicionamento das religiões é crucial para travar uma homofobia que continua sendo insuportável.

Desde o início do século XXI, cada 2 dias uma pessoa homossexual é assassinada violentamente no mundo pela sua condição sexual. Em países como México chega-se a assassinar 200 pessoas homossexuais por ano. Dados de 365gay.com assinalam que no Reino Unido 17% dos adolescentes homossexuais sofreram ameaças de morte. Na Alemanha 66% dos jovens homossexuais menores de 27 anos foi agredido por membros da sua própria família e 27% foram vítimas de provocação dos seus professores. Essa intensa violência contra os homossexuais é crime. Não deve ser só objeto de condenação mas que qualquer pessoa de boa vontade deve pôr a sua pessoa, palavra e ações contra ela.

Os efeitos da violência e discriminação contra as pessoas homossexuais produzem também um efeito de uma auto-violência de extensa repercussão: na Escócia metade dos jovens homossexuais (15-26 anos) recordam ter tido uma tentativa de suicídio. Na Irlanda foi um terço. Na França 27% dos homossexuais menores de 20 anos tentaram suicidar-se e na Alemanha a percentagem é de 18% para os homossexuais menores de 27 anos.

É a violência contra as pessoas homossexuais um fenómeno em retrocesso? Por um lado, a tolerância cresce em todo o mundo em termos absolutos, mas por outro lado há núcleos confessionais que estão intensificando a oposição contra o movimento LGBT, a legitimação das suas relações e da sua presença explícita na Igreja. Algumas iniciativas cristãs instam expressamente o ódio contra os homossexuais. Um caso extremo é a igreja batista de Kansas, onde a sua plataforma “God Hates Fags” é conhecida em todo o país.

82% dos norte-americanos evangelistas y pentecostais consideram que a homossexualidade en si mesma é pecado enquanto que também o pensa 29% de outras religiões e confissões cristãs como os católicos (o dado é  LifeWay Research, una companhia cristã de investigação radicada no Tennessee). A oposição do fundamentalismo cristão à homossexualidade está criando um efeito devastador na religiosidade das pessoas homossexuais. Segundo a agência Pew Research (abril 2013) entre as pessoas LGBT há mais do dobro daqueles que não têm nenhuma filiação religiosa. São 20% no conjunto de norte-americanos e 48% entre os norte-americanos LGBT. Isto é, em sentido inverso, entre os norte-americanos LGBT há 52% de pessoas pertencentes a uma confissão religiosa. Mas o extremismo anti-gay está aumentando a desfiliação religiosa e a Esperança vê cortados os seus caminhos.

O discernimento das relações entre o cristianismo e a homossexualidade é complexo mas a homofobia só cria confusão, ódio, divisão, multiplica os estereótipos, destrói todo o respeito e impede a reflexão e o próprio discernimento cristão. Os grupos homófobos criticam duramente quando a Igreja católica é prudente, hospitaleira e inclusiva para com as pessoas homossexuais e as suas reações tratam de provocar medo na Igreja, destruir as pontes de encontro, diálogo e colaboração, e obrigar a Igreja a posicionar-se radicalmente contra a homossexualidade. Os extremistas católicos querem obrigar a que a Igreja se radicalize em reação contra a Pastoral do Coração do papado.

Um caso prático tivemo-lo em Sevilha, onde em 2014 e 2015, a Comunidade de Vida Cristã (CVX) liderou juntamente com o grupo de cristãos LGBT Ichthys uma “vigília de oração por um mundo sem homofobia”. Em 2014 a CVX juntou-se à convocatória para acolher e proteger a Ichthys dos extremistas que tinham ameaçado com um ataque violento se celebrassem a sua vigília de oração. Em 2015 a convocatória já se realizou conjuntamente entre Ichthys e os laicos inacianos unidos globalmente na CVX. Houve uma minoritária mas convulsa reação de católicos que insultaram os que se reuniam a rezar contra a homofobia violenta. Publicamente foram insultados como degenerados, aberrantes, demoníacos, tonto-católicos, blasfemos, repugnantes, atribuiu-se-lhes uma “pastoral sodomo-gomorrita”, chamou-se covardes aos bispos e atacou-se o Papa Francisco dizendo que ao responder ao seu “quem sou eu para os jugar” instalou a confusão no papado. A CVX situou a pastoral com pessoas homossexuais como prioridade mundial e no Chile criou ferramentas pastorais expressamente assumidas pela Conferência Episcopal Chilena.

A Igreja católica experimentou como algumas estratégias cautelosas criaram uma maior divisão em toda a população e dentro do mundo católico romperam pontes de reflexão, polarizando e tornando impossível o diálogo, gerando extremismos em ambos os lados e destruindo a possibilidade de discernimento e deliberação públicas. Agora há um poderoso lobby católico que quer aplicar a mesma estratégia polarizadora à questão LGBT. O fracasso será tanto ou mais grave que o que conseguiram em matérias como o aborto e outros assuntos bio familiares. Há outra via possível, mais evangélica e menos ideológica, mais pastoral e menos tática. Coincidir em pontos comuns como a luta sem ambiguidades contra a homofobia é uma oportunidade para criar os encontros onde se possa discernir e atuar em colaboração. A Igreja deveria associar-se às vigílias de oração contra a homofobia. O próprio Cristo poria o seu corpo no meio das pedras para defender as vítimas homossexuais. Como Ele, porá a Igreja todo o seu corpo no meio contra a homofobia?

 

Autor: Fernando Vidal

Tradução do espanhol: Aníbal Liberal Neves

Artigo original: Entre Paréntesis

NOTA DE IMPRENSA: 17 DE MAIO - Dia Internacional por um Mundo Sem Homofobia

Por Um Mundo Sem Homofobia

Num ano em que a coadoção foi marcante para a vida das famílias de pessoas do mesmo sexo, muitas delas constituídas por homens e mulheres homossexuais católicos e quando a questão ainda, infelizmente, não se encontra resolvida, pareceu-nos de extrema importância ser esse o tema central da campanha para o Dia Internacional Contra a Homofobia de 2014.

 

Deste modo, a associação Rumos Novos - Homossexuais Católicos traz a público a campanha de 2014 para combater a homofobia. Através desta campanha, pretendemos desmistificar a parentalidade de pessoas do mesmo sexo de modo a reduzir o preconceito em relação às crianças que crescem em famílias com pais do mesmo sexo.

 

A publicação da componente visual da campanha marca o início da campanha de 2014 para o Dia Internacional Contra a Homofobia, que culminará a 17 de maio. Com «Eu Amo as Minhas Duas Mães/ Eu Amo os Meus Dois Pais» como tema, a componente visual da campanha retrata crianças que sorriem e estão orgulhosas das suas famílias. Estas crianças são iguais a quaisquer outras, exceto pelo modo como a sociedade algumas vezes encara a homossexualidade e, por associação, a sua família e elas próprias.

 

Para promover a abertura de espírito, é essencial que certos mitos sejam desconstruídos. Pelo que, para este ano, escolhemos discuti-los, particularmente, aqueles relacionados com as capacidades de parentalidade, o desenvolvimento da criança e os modelos parentais.

 

Em simultâneo, a associação Rumos Novos – Homossexuais Católicos juntou-se à iniciativa do Progetto Gionata – Portale su fede y omosessualità (Itália) e em conjunto com vinte e seis comunidades cristãs e católicas de outras associações congéneres de Itália, Reino Unido, Malta, Holanda e Espanha realizará uma vigília de oração (Lisboa e Porto) tendo por base o convite da Carta de S. Paulo aos Romanos «acolhei-vos uns aos outros, na medida em que também Cristo vos acolheu, para glória de Deus.» (Rm 15, 7) e onde se lançará um «grito» contra a violência da homofobia, porque «quando a vida se converte em oração e a oração fala da vida somente pode acontecer algo de maravilhoso, mais forte que qualquer tipo de discriminação».

SOCHI 2014

Neste dia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Sochi, na Rússia, juntamos a nossa voz à do secretário-geral da ONU: «Muitos atletas profissionais, hetero e homossexuais, estão a fazer ouvir a sua voz contra o preconceito. Temos todos de fazer ouvir as nossas vozes contra os ataques a pessoas homossexuais... Temos todos de nos opor às detenções, prisão e restrições discriminatórias que essas pessoas enfrentam.»

 

Sochi 2014

FMI lança vídeo contra a homofobia

FMI

O Fundo Monetário Internacional, com a participação da presidente Christine Lagarde (ex-ministra da economia do conservador François Fillon, em França), lançou um vídeo do tipo "As Coisas Melhoram" (It Gets Better), como forma de luta contra a homofobia.

 

No vídeo, Christine Lagarde conta-nos (em inglês, mas que já estamos a traduzir e legendar), que tem um primo de 60 anos que é homossexual.

 

O seu primo passou a vida a esconder-se, tentando dissimular. É originário de uma família católica muito conservadora com uma mãe dominante.

 

Lagarde conta que o primo nunca confessou a sua homossexualidade à mãe até aos seus últimos momentos. Quando lho contou, ela já com 50 anos, a mãe respondeu-lhe que sempre o havia sabido e que sempre o havia amado.

 

No vídeo, Lagarde afirma que "sei de que forma uma pessoa se pode sentir nessas circunstâncias e estou muito orgulhosa de esta na cúpula de uma organização onde as pessoas podem assumir o que são. Temos de estar orgulhosos das nossas diferenças.

 

O vídeo pode ser visto (na versão original) aqui e brevemente estará disponível no nosso canal vídeo no YouTube.

Dia Internacional de Luta contra a Homofobia

No próximo dia 17 de maio, comemora-se mais um Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia.

 

No Rumos Novos, não podíamos deixar de nos associar a este importante momento em que relembramos todos os irmãos vítimas de homofobia, um pouco por todo o mundo.

 

Deste modo, gostaríamos que neste dia, às 23h30, pudéssemos:

  • ORARIndividualmente, em casal ou família, encontremos um momento para orar em intenção de todos os irmãos e irmãs que, em todo o mundo, são vítimas de atitudes homofóbicas. Em especial, pelos irmãos e irmãs vítimas de morte devido a essa perseguição.
  • ILUMINARAcender uma vela, à janela, em memória de todos os irmãos que já partiram deste mundo, vítimas do ódio e perseguição fomentados também por atitudes pretensamente religiosas.
  • PARTILHAR: Publicar no nosso espaço no facebook, pequenas intenções para serem consideradas nas orações individuais de cada um de nós.

Os que quiserem poderão igualmente tirar fotos das suas velas acesas e publicá-las na nossa página do facebook.


Todos os irmãos e irmãs que queiram participar na partilha e/ou no envio de fotos e que não tenham acesso ao facebook, poderão enviar as suas participações através de e-mail que depois as faremos publicar no facebook.



O Eixo da Discriminação

Os grupos detratores do casamento homossexual alimentam o ódio homofóbico no mundo durante a aprovação de leis igualitárias

 

 

A Assembleia Nacional francesa votou a lei Taubira, que consagra o fim da discriminação contra os homossexuais no casamento. A França culmina assim um mês extraordinário no qual também o Uruguai e a Nova Zelândia ratificaram a igualdade no casamento. O Reino Unido encontra-se em pleno processo (a Escócia iniciou o seu próprio) e outros quatro Estados europeus (Alemanha, Andorra, Finlândia e Irlanda) estão dispostos a abrir o debate. Os parlamentos da Colômbia e do Nepal devem aprovar uma lei de acordo com o critério dos respetivos Tribunais Constitucionais. Nos Estados Unidos e em Taiwan os tribunais devem pronunciar-se sobre a proibição de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, num contexto de uma opinião pública claramente favorável (58% dos norte-americanos e 75% dos taiwaneses, segundo as sondagens). Antes deste mês de abril, a igualdade no casamento existia já em 12 países e em duas dezenas de estados dos Estados Unidos, Brasil e México. Nesta primavera extraordinária assistimos a uma aceleração em direção à igualdade.

 

Não faltam motivos de regozijo para os partidários dos direitos para todos. Contudo, convém não perder de vista a reação originada pelo avanço. Em França viveu-se nas últimas semanas uma banalização do discurso homofóbico, tendo inclusive ocorrido ataques violentos em Bordéus, Lille e Paris. Os opositores da igualdade no casamento usaram um vasto reportório de formas de protesto. Para o seu esforço online apoiaram-se na tecnologia proporcionada pela Opus Fidelis, um grupo cristão que trabalha para a Organização Nacional do Casamento, dos Estados Unidos. Esta organização encontra-se empenhada na criação de uma Organização Internacional para o Casamento (leia-se, contra o casamento homossexual), uma autêntica Internacional da Discriminação, que se está a preparar para influenciar os debates em países como a Irlanda.

 

Em África expande-se uma cruzada que denuncia a homossexualidade como uma importação ocidental. No entanto, o que está a ser importado é a homofobia radical dos fundamentalistas cristãos norte-americanos que veem em África melhores oportunidades que as existentes no seu próprio país. O caso mais conhecido é o do Uganda, na sequência da denúncia do pregador evangelista norte-americano Scott Lively pela sua contribuição para uma histeria anti-homossexual, que inclui propostas parlamentares para aplicar a pena de morte aos homossexuais e a publicação num jornal de nomes, fotografias e endereços de pessoas supostamente homossexuais, com a legenda «Pendurem-nos!». Logo após essa publicação, David Kato, ativista abertamente homossexual, foi assassinado. Grupos norte-americanos de inspiração evangélica, mórmon e católica financiam a atividade política contra os direitos dos homossexuais, como o vinham fazendo contra os direitos sexuais e reprodutivos em toda a África. Os presidentes do Zimbabué, Zâmbia e Uganda deram-lhes as boas vindas, aproveitando para acusar as suas respetivas oposições de promoverem a homossexualidade.

 

Estes mesmos pregadores norte-americanos esforçam-se também por influenciar os debates legislativos em países como a Letónia ou a Moldávia. No centro e no leste da Europa, o desencanto com o projeto europeu propiciou um ressurgimento nacional-populista que põe em causa os avanços na luta contra a discriminação obtidos durante o processo de pré-adesão, graças à pressão de Bruxelas. Víctor Orbán primeiro-ministro húngaro e paladino da causa nacional-conservadora, promoveu a constitucionalização da discriminação no casamento na Hungria e vangloria-se da sua defesa de uma Europa baseada em valores cristãos, com o apoio da direita mais conservadora do continente.

 

As primeiras tentativas para acabar com a discriminação no casamento, já lá vão duas décadas, resultaram numa mobilização contrária por parte do integrismo religioso nos EUA. Com os sucessos da última década em prol da igualdade na Europa, EUA, África do Sul e América Latina, a ofensiva discriminatória globalizou-se. O constante ataque contra os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, liderado pelas hierarquias eclesiásticas, em particular o Vaticano, assinala o caminho a este virtual Eixo da Discriminação. Na tentativa de parar os avanços históricos da igualdade, os detratores dos direitos das pessoas homossexuais alimentam um ódio homofóbico que destrói vidas e famílias, condenando milhões de pessoas a uma existência baseada no medo e no sofrimento. Contudo pouco importa este sofrimento humano aos que, em nome do seu dogma, tanto se esforçam por privar a milhões o direito de decidir a sua própria sexualidade e maternidade. Convém não ignorar a sua capacidade para envenenar o debate e a convivência entre cidadãos, como fizeram em França. Porém, a melhor resposta à sua agressão é manter firme o rumo em direção à plena igualdade de direitos.

 

 

Fonte: El País

Tradução e adaptação: José Leote

Uma Porta Entreaberta...

No passado mês de setembro, o Conselho Família e Sociedade da Conferência Episcopal Francesa fez publicar um documento intitulado «Estender o casamento às pessoas do mesmo sexo? Abramos o debate!», que passou despercebido a muita gente, mas que, pela importância que lhe está subjacente, merece a nossa análise e que aqui partilhamos nas suas partes mais importantes.

 

Depois de implicitamente afirmar a posição já sobejamente conhecida da hierarquia católica ao reconhecer que a «abertura do casamento civil (em França, como noutros países, não existe a palavra casamento – para o casamento civil – e matrimónio – para o casamento religioso, como acontece em Portugal) a pessoas do mesmo sexo e a consequente possibilidade destes recorrerem à adoção, é um problema grave, reconhece que a Igreja participará neste debate «que se quer respeitador das pessoas» no sentido de servir o bem comum. Aqui reside a primeira «novidade» do documento um debate «respeitador das pessoas» quando todos sabemos que, normalmente, a hierarquia católica, a começar nas suas mais altas instâncias, tem por hábito falar para os homossexuais e não com eles, em escuta e partilha.

 

Reconhece depois o documento que «a homossexualidade sempre existiu, mas até há relativamente pouco tempo, nunca houve a reivindicação por parte das pessoas homossexuais em dar um quadro jurídico a uma relação destinada a se inscrever no tempo, nem a se verem investidos numa autoridade parental. Pertence ao poder político escutar esta exigência e de lhe proporcionar a resposta mais adequada

 

Para que o debate em torno desta questão se possa realizar de forma salutar, reconhecem os bispos franceses que, por um lado, não se podem qualificar como homofóbicas as reticências e as interrogações colocadas a esta importante reforma do direito e, por outro lado, as pessoas homossexuais não podem, a priori, ser desqualificadas, pois o respeito por «todos os atores do debate implica uma escuta mútua, uma apetência para compreender os argumentos expostos e a procura de uma linguagem comum». Reconhecem ainda que «não se trata de impor um ponto de vista religioso, mas de dar a sua contribuição para este debate.»

 

Uma parte igualmente importante e a reter deste documento é o capítulo denominado «Recusar a homofobia». Demos, novamente, a palavra aos bispos franceses: «Durante muito tempo, as pessoas homossexuais foram condenadas e rejeitadas. Foram objeto de toda a espécie de discriminações e provocações. Atualmente isso não é mais tolerado, o direito proíbe toda a discriminação e todo o incitamento ao ódio, nomeadamente em função da orientação sexual, e devemos saudar essa evolução» e acrescentam «é preciso admitir claramente que a homofobia não desapareceu completamente da nossa sociedade. Para as pessoas homossexuais a descoberta e a aceitação da sua homossexualidade são muitas vezes um processo complexo. Nem sempre é fácil assumir a sua homossexualidade no meio profissional ou familiar. Os preconceitos são difíceis de morrer e as mentalidades mudam lentamente, incluindo nas nossas comunidades e famílias católicas… Pois o que fundamenta, para os cristãos, a nossa identidade e a igualdade das pessoas, é o facto que somos todos filhos e filhas de Deus.»

 

Seguidamente os bispos pretendem compreender a exigência das pessoas homossexuais, começando por afirmar que «as práticas homossexuais evoluíram e a aspiração a viver numa relação afetiva estável encontra-se mais hoje do que há 20 anos atrás» e constatando que «a diversidade das práticas homossexuais não deve impedir de levarmos a sério as aspirações daquelas e daqueles que desejam comprometer-se numa relação estável. O respeito e o reconhecimento de qualquer pessoa assumem agora uma importância primordial na nossa sociedade.»

 

Depois de reconhecerem a existência de diferenças específicas entre o casamento heterossexual e o homossexual, reconhecem que «podemos estimar o desejo de um compromisso na fidelidade de um afeto, de um compromisso sincero, da preocupação com o outro e de uma solidariedade que vai além da redução da relação homossexual como um simples compromisso erótico.»

 

Concluem os bispos franceses, depois de várias ilações «clássicas» sobre casamento, procriação e paternidade, que a igreja «reconhece, para além do aspeto sexual por si só, o valor da solidariedade, do cuidado e da preocupação com o outro que podem surgir numa relação [homossexual] afetiva estável. A Igreja quer-se acolhedora para com as pessoas homossexuais e continuará a sua contribuição na luta contra toda a forma de homofobia e de discriminação», sendo que «uma evolução no direito da família é sempre possível».

 

O tom apaziguador e sobretudo conciliador deste documento é certamente mais uma porta entreaberta, como outros sinais que aqui e acolá vão surgindo, no caminho certo do acolhimento verdadeiro e autêntico das pessoas homossexuais no seio da Igreja Católica. Precisamos todos (hierarquia católica, sacerdotes e fiéis, onde se incluem os homossexuais católicos), cada vez mais de buscar a orientação do Espírito Santo, para respondermos aos imperativos e exigências do Evangelho e da sociedade em que vivemos, de modo a que a Igreja, seja uma autêntica comunidade de fé, onde se proclama Jesus Cristo como Senhor e Salvador, evitando os perigos de modificar a Sua mensagem e de não mudar de métodos.

 

Saibamos todos, a exemplo de Cristo, dar testemunho através do amor, do serviço e do diálogo.

 

José Leote

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