Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

RUMOS NOVOS - Católicos Homossexuais

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Mensagem Quaresmal da Assistência Religiosa Nacional do Rumos Novos

Caríssimos irmãos e irmãs:

 

FP.jpg

O tempo quaresmal, no qual o Outro e a Palavra são Dom, segundo o Papa Francisco, convida-nos a ler e meditar a Parábola do Filho Pródigo (Luc.15;11-32).

 

É uma bela história na qual Jesus nos mostra o tamanho da misericórdia divina diante dos nossos pecados e fraquezas, mostra um Pai muito rico, riquíssimo em perdão, para àqueles/as que o buscam.

 

Olhemos mais de perto os personagens: o filho mais jovem, o Pai e o filho mais velho.

 

O filho mais jovem (o pródigo)

O filho mais novo foi ter com o pai e pediu sua parte da herança. A decisão do filho é a de não se importar mais com a vida do seu pai. Mas o pai, mesmo triste e magoado, deu-lhe a parte da herança que lhe cabia e, sem o impedir, ou questionar, deu-lhe a liberdade de escolha. O jovem deixou a família, partiu e gastou tudo, com orgias e desejos materiais, porém o dinheiro acabou e com ele os amigos do momento.

 

Imaginemos quando ele foi dar comida aos porcos – comida que desejava – mas ninguém lhe dava… tendo chegado ao fundo do poço, abandonado e sem vida reconheceu a escolha errada e com humildade (mesmo que forçada) deixou-se levar até o limite da sobrevivência e pensou em ser simplesmente servo da família (queria ao menos ser como um dos empregados).

 

O pai rico em misericórdia

A parábola retrata o infinito amor compassivo de Deus, que transforma morte em vida. O Pai nunca baixa os braços, nem retira a sua bênção ou deixa de amar o seu filho. Deixou-o livre para escolher o caminho a seguir. Tudo o que o filho mais jovem fez foi perdoado, pois nunca deixou de ser um filho amado, apesar das suas muitas faltas. Enquanto o arrependido caminha receoso e lentamente, o perdão corre ao seu encontro. É o desejo do Pai, ver todos/as regressar a sua casa. O Pai não o julgou; nem perguntou por onde andou ou o que fez, apenas perdoou. Dá-lhe sandálias e o anel símbolos da dignidade reconquistada e do regresso à família. 

 

 

O filho mais jovem

O filho mais velho, o que ficou em casa cumprindo com as obrigações domésticas também precisa de conversão. Ele também, no seu íntimo, se afastou do Pai. Às vezes não queremos partilhar da alegria dos outros, temos o coração ressentido e sem interesse em perdoar. Não percebemos que “tudo que é do Pai é também nosso” e que os que ficaram na casa do Pai são da mesma família dos que retornaram, possuindo o mesmo património.

 

O Pai também deseja o regresso desse filho a quem disse: “estás sempre comigo”. O filho mais velho, mesmo sempre ao lado do Pai, ainda não aprendeu a perdoar como Ele; nem percebeu que “na casa do Pai há muitas moradas”. O seu dilema é aceitar ou rejeitar que o amor do Pai está acima de comparações.

 

Todos/as nós temos uma história de “filho pródigo para contar”... em vários momentos das nossas vidas nos afastámos do Pai. Neste tempo da Quaresma somos convidados a regressar à Casa do Pai e buscar o seu amor e perdão

 

Imaginemos a figura do pai observando o portão da casa, aguardando ansiosamente o regresso do/a filho/a, que corre ao seu encontro e que tem pressa…

 

O Pai que corre na direção de ambos os filhos chama-nos para voltarmos para casa onde todos/as são filhos/as amados/as incondicionalmente. É um Pai que espera o regresso dos/as filhos/as e que Lhe digam que O amam oferecendo um amor sem limites que abrange todo o sentimento de perdão da humanidade e está à disposição dos/as que se voltam para Jesus, “o Caminho, Verdade e Vida".

 

Boa caminhada quaresmal a todos e todas.

Muito convosco, a vossa

TC

Viver a Quaresma 2017

LevantaTeAnda.jpg

Amanhã, dia 1 de março, começamos a Quaresma, um caminho em direção à Páscoa, que temos de percorrer ao longo de quarenta dias.


Por isso é hora de nos colocarmos a caminho, de sair das nossas comodidades, do nosso imobilismo para ir ao encontro de Cristo ressuscitado e termos de ter esta experiência do deserto, um deserto que é o lugar da dificuldade, mas também o lugar da proximidade com Deus. Estejamos disponíveis para efetuar esta experiência de deserto que, como aconteceu com Israel, nos levará à Terra Prometida, antecipada na Páscoa.


A Palavra de Deus, ao longo da Quaresma, é a conversão e esta mais não é do que a mudança do coração, a mudança profunda e radical da pessoa. Porém, uma mudança verdadeira não se limita a gestos externos que podem ser muito apelativos, mas que bem lá no fundo nada significam. «Rasgai os corações, não as vestes». Conversão é abrirmo-nos a Deus de tal forma que possa arrancar de nós o coração de pedra e dar-nos um coração de carne.


Amanhã, quarta-feira de cinzas, receber a cinza é recordarmo-nos que também nós, católicos e católicas homossexuais, como todos os demais irmãos e irmãs, somos pó da terra. Porém, um pó amassado pelas mãos de Deus. Um pó que recebe o sopro de Deus para sermos seres vivos, imagens vivas de Deus. Escutemos as palavras «Converte-te e crê no Evangelho» e apliquemo-las na nossa vida para, desta forma, recuperarmos a semelhança divina.


Comecemos, então, a nossa caminhada em direção à Páscoa; em direção ao encontro com Cristo ressuscitado. Que a nossa atitude de conversão e fé ajude os nossos irmãos e irmãs a encontrarem-se também com o Senhor.

Feliz Páscoa

Árvore em flor

Em João 1, 12 podemos ler: «Mas, a quantos o receberam, aos que nele creem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.»

 

Caríssimos,

 

Como acreditamos que Jesus Cristo morreu para nos salvar do pecado e que ele é o caminho certo para a salvação, então também nós fomos nomeados como filhos de Deus. Portanto, proclamemos a Sua palavra ao mundo e MOSTREMOS AMOR E RESPEITO UNS PELOS OUTROS.

 

Sobretudo, NÃO NOS ESQUEÇAMOS: Ele Ressuscitou! Cristo Ressuscitou! ELE ESTÁ VIVO! AVANCEMOS COM ELE EM DIREÇÃO À VITÓRIA!

 

As traições de ontem e a crucifixão já se foram. O Cristo ressuscitado tem todo o Poder e Autoridade. Acreditai nele. ACREDITAI EM QUEM SOIS, dizendo com ousadia PORQUE ELE ESTÁ VIVO!

 

PÁSCOA FELIZ A TODA A NOSSA FAMÍLIA DO RUMOS NOVOS.

 

Deus os abençoe.

Ao pés da Cruz...

Hoje relembramos a importância da cruz. A ida à cruz é um momento muito emocionante de intimidade com o PAI...

 

Aqui fica um dos cânticos que sugerimos para que, em silêncio, falemos com DEUS.... Oiçamos, no silêncio, o seu amor gratuito por nós...

 

 

Nada te turbe,
Nada te espante,
Quem a Deus tem
Nada lhe falta.

 

Nada te turbe,
Nada te espante,
Quem a Deus tem
Nada lhe falta:
Só Deus basta

 

Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Nada te turbe,
Nada te espante,
Quem a Deus tem
Nada lhe falta.

 

Só em Cristo a confiança,
Só nele o meu apego,
Nos seus cansaços o meu alento
Em imitá-lo a folgança

Aqui jaz a minha força,
aqui a minha segurança,
a prova da minha verdade,
a mostra da minha força.

 

Já não durmais, não durmais,
Pois não há paz na Terra.

 

Não haja nenhum cobarde,
aventuremo-nos na vida.
Não há que temer, não durmais,
aventuremo-nos na vida.

 

Nada te turbe,
Nada te espante,
Só Deus basta.

 

Feliz Páscoa

Páscoa

Amigos e Irmãos em Jesus Cristo,

 

Em João 3, 16-17 podemos ler: «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele».

 

A finalidade da vinda de Jesus a este mundo foi SALVAR TODAS AS PESSOAS. Ele nunca discriminou. Veio pelos POBRES, RICOS, HETERO e HOMOSSEXUAIS. Veio para todas as pessoas que nele crêem para que todos possamos ser SALVOS e ver o Reino de Deus.

 

Portanto nós católicos temos de mostrar AMOR UNS PELOS OUTROS e nunca ÓDIO ou DISCRIMINAÇÃO UNS PELOS OUTROS.

 

Em Lucas 19, 20 lemos: «pois, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido». Portanto, como católicos a nossa prioridade deve ser seguir a vida exemplar do nosso salvador, rezando pelas almas perdidas e ajudar todas as pessoas a terem um conhecimento profundo das palavras do Senhor em vez de DISCRIMINARMOS COM BASE NA SEXUALIDADE.

 

O senhor que servimos é o DEUS DO AMOR, PELO QUE DEVEMOS MOSTRAR AMOR E RESPEITO POR TODAS AS PESSOAS. ABENÇOADOS E BOA PÁSCOA PARA TODOS.

Perante o crucificado

Cruz e coroa de espinhos

Detido pelas forças de segurança do Templo, Jesus não tem já dúvida alguma: o Pai não escutou os Seus desejos de continuar a viver; os Seus discípulos fogem procurando a sua própria segurança. Está só. Os Seus projetos desvanecem-se. Espera-O a execução.

O silêncio de Jesus durante as Suas últimas horas é impressionante. No entanto, os evangelistas recolheram algumas palavras Suas na cruz. São muito breves, mas as primeiras gerações cristãs ajudavam-nos a recordar com amor e agradecimento Jesus crucificado.

 

Lucas recolheu aquelas que ele diz enquanto está sendo crucificado. Entre estremecimentos e gritos de dor, consegue pronunciar algumas palavras que descobrem o que há no Seu coração: “Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem”. Assim é Jesus. Pediu aos Seus “amai os vossos inimigos” e “rogai pelos que vos persewguem”. Agora é Ele mesmo quem morre perdoando. Converte a Sua crucificação em perdão.

Esta petição ao Pai pelos que o estão a crucificar é, antes tudo, um gesto sublime de compaixão e de confiança no perdão insondável de Deus. Esta é a grande herança de Jesus para com a humanidade: Não desconfieis nunca de Deus. A Sua misericórdia não tem fim.


Marcos recolhe um grito dramático do crucificado: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”. Estas palavras pronunciadas no meio da solidão e do abandono mais total são de uma sinceridade dolorosa. Jesus sente que o Seu Pai querido o está a abandonar. Por quê? Jesus queixa-se do Seu silêncio. Onde está? Por que se cala?

 

Este grito de Jesus, identificado com todas as vítimas da história, pedindo a Deus alguma explicação a tanta injustiça, abandono e sofrimento, ficam nos lábios do crucificado reclamando uma resposta de Deus mais para lá da morte: Deus nosso, por que nos abandonas? Não vais responder nunca aos gritos e queixumes dos inocentes?

 

Lucas recolhe uma última palavra de Jesus. Apesar da Sua angústia mortal, Jesus mantém até o fim a Sua confiança no Pai. As Suas palavras são agora quase um sussurro: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Nada nem ninguém pode separar-se Dele. O Pai animou o Seu espírito toda a Sua vida. Terminada a Sua missão, Jesus deixa tudo nas Suas mãos. O Pai romperá o Seu silêncio e o ressuscitará.

 

Nesta semana santa vamos celebrar nas nossas comunidades cristãs a Paixão e a Morte do Senhor. Também poderemos meditar em silêncio perante Jesus crucificado, aprofundando as palavras que Ele mesmo pronunciou durante a Sua agonia.

 

Autor: José Antonio Pagola

Tradução: José Leote

Texto original: aqui.

Queres segui-Lo até à cruz?

 

Referência bíblica:

Evangelho: Lc 22,14-23,56


A Paixão segundo São Lucas tem as suas particularidades:

 

  1. É uma paixão a ser meditada ao longo das nossas experiências humanas nas quais Cristo se junta a nós, como ocorreu com os discípulos
     de Emaús, nos quais ardia o coração, ao ser proclamada, interpretada e atualizada a Palavra. Eles reconheceram-no ao partir o pão (Lc 24, 30-31). Ao longo deste caminho doloroso que leva à cruz, encontramo-nos com Jesus mediante os personagens que Lucas nos apresenta:

     

    • Estamos entre os apóstolos que discutem entre si acerca de quem de entre eles é o maior (Lc 22, 24).

       

    • Somos Pedro, cujo amor ao Senhor o faz dizer: "Senhor, estou pronto a ir contigo até para a prisão e para a morte" (Lc 22, 33) mas que, na primeira ocasião, renegará o seu mestre: " Eu te digo, Pedro: o galo não cantará hoje sem que, por três vezes, tenhas negado conhecer-me." (Lc 22, 34).

       

    • Somos Judas, à frente de uma multidão de pessoas, querendo traí-lo (Lc 22,47).

       

    • Somos Simão Cirineu, discípulo de todos os tempos, que caminha após Jesus, levando também ele a sua cruz (Lc 23, 26).

       

    • Somos as mulheres de Jerusalém que o lamentam (Lc 23, 27).

       

    • Somos um dos malfeitores crucificados com ele: "Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino." (Lc 23, 42) e a quem Jesus responde: "Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.

       

      " (Lc 23, 43).

       

  2. A narração da Paixão segundo Lucas está repleta de delicadeza e de ternura do evangelista para com o Senhor Jesus. Lucas não narra certos detalhes mais cruéis: não relata a flagelação (estamos longe do filme de Mel Gibson). Judas não abraça Jesus, mas aproxima-se apenas para fazê-lo. Ao longo de todo o caminho da cruz, o Jesus de Lucas dá provas da sua paciência e perseverança. O mais difícil da sua Paixão acontece no Getsémani, quando, numa profunda angústia e agonia interior, ele é confrontado com angústias extremas: "Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. " (Lc 22, 44). Reconfortado por um anjo, como o profeta Elias (1 Rs 19, 5ss), Jesus já é o vencedor do que o aguarda.

Lucas suaviza também as situações e os acontecimentos: no jardim de Getsémani, diz que Jesus encontra os discípulos dormindo de tristeza (Lc 24, 25). Acolhe Judas com delicadeza: "Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem? " (Lc 22, 48). Converte o coração de Pedro com o seu olhar de amor e de ternura (Lc 22, 61). Fala às filhas de Jerusalém que lamentavam a sua sorte (Lc 23, 28-31). Perdoa os seus carrascos: “Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem. " (Lc 23, 34). Faz entrar no paraíso o ladrão crucificado com ele: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.” (Lc, 23, 43).

 

O Jesus de Lucas é tão cheio de bondade e de misericórdia que converte os seus algozes e os que o condenam. Pilatos, por três vezes, o inocenta (Lc 23, 4. 14, 22), as mulheres (Lc 23, 27), o povo (Lc 23, 48) o ladrão (Lc 23, 42) e o centurião (Lc 23, 47) declaram-no justo. Na cruz, as suas palavras não são um grito de sofrimento, mas uma oração da tarde: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito." (Lc 23, 46). Deste modo, Lucas convida-nos a entrar com Jesus na sua Paixão, a reconhecer as nossas fraquezas e, com Pedro, as nossas fragilidades, a sentirmos sobre nós o olhar do Senhor, a levarmos, seguindo-o como Simão Cirineu, a sua cruz e a nos abandonarmos com ele nos braços do Pai.

 

Para terminar, no início do relato de sua Paixão, a Ceia (Lc 22, 14-38) é, por um lado, a refeição do adeus de Jesus e, por outro, a inauguração da nova Aliança. E, no final do relato, após a morte de Jesus, Lucas diz-nos que as mulheres, acompanhando José de Arimateia, preparam com afeto o sepultamento. Mas com todos os seus perfumes, elas querem conservá-lo morto. Entretanto, precisa, o evangelista: "Era o dia da Preparação e já começava o sábado." (Lc 23, 54). Portanto, as luzes do sábado já brilhavam. Mais: estas luzes já anunciavam as luzes da Páscoa. Mas as mulheres não sabiam disso.

 

 

Autor: Pe. Raymond Gravel

Tradução: José Leote

Texto original: aqui.

Rumos Novos - MHC: Mensagem para a Páscoa 2011

JC-cruz

Na madrugada do Sábado, no alvorecer do primeiro dia da semana, Maria a Madalena, juntamente com outras mulheres, dirige-se compassivamente para o sepulcro, ao lugar do fracasso e do absurdo, da destruição de tantas alegrias…

 

Com ela caminhamos todos nós, tantas vezes cansados do caminho, com pouca vontade de ouvirmos novidades. É assim que nos deixam os encontros e desencontros da vida: o amor sepultado, as esperanças mortas, os sonhos desfeitos!

 

Como homossexuais católicos, tudo em nós são pecaminosas fantasias do desejo, ouviremos. Apesar disso, talvez, como em Maria e suas acompanhantes, ainda restem dentro de nós, nos limites da nossa alma, qual cinzas por apagar, gestos de compaixão e memórias de outros dias…

 

Dias em que tivemos esperança.

 

Dias em que sentimos a Palavra de Vida que nos chegava ao mais fundo do nosso coração.

 

Dias em que dissemos sim à necessidade de transformar a Terra.

 

Agora, muitas vezes, essa mesma terra, como a noite, fechou-se, engolindo a vida, o amor, a esperança num mundo melhor.

Contudo, a noite já perdeu a sua força. A obscuridade é resgatada pelas primeiras luzes da mais Nova Aurora. Onde antes estava a morte, surge agora a nova Criação e o Anjo anuncia-nos a todos nós, fiéis homossexuais católicos: NÃO TEMAIS, ressuscitou o crucificado e está perante nós todos, sem excepção.

 

O dia do Senhor começou, já não podemos estar chorosos, junto a nenhum sepulcro: as nossas invejas, o nosso pequeno mundo, o nosso egoísmo, o nosso medo de «sermos descobertos». A luz dissolve, para sempre, os fantasmas.

 

O próprio Deus nos confirma que o impossível é possível, que podemos todos, sem excepção, sonhar e ter esperança…

 

Também nós, na nossa comunidade do RUMOS NOVOS – Movimento Homossexual Católico, tal como Maria e as suas acompanhantes, somos convidados a nos enchermos de alegria. A alegria da mais Bela Páscoa e a corrermos a anunciá-la a todos.

 

É o próprio Jesus que sai ao nosso encontro e se faz presente no mais fundo da nossa existência, no amigo, na nossa comunidade, na natureza.

É o mesmo Senhor quem hoje nos diz a todos: NÃO TENHAIS MEDO, comunicai a quem vive na morte que me encontrará se for à Galileia.

 

Ficaremos também nós parados nas nossas dúvidas e nos nossos medos, ou iremos à Galileia?

 

Todos, sem excepção, somos convidados a ir à Galileia, para vivermos a alegre experiência de nos encontrarmos com Cristo vivo e vermos a Sua glória. A glória da Ressurreição, fruto da profunda relação de amor entre Jesus e Seu Pai, que assim se converteu em vida nova, em plenitude de existência.

 

Como homossexuais católicos a ressurreição não é somente uma promessa, é igualmente uma tarefa, de acordo com o que Jesus nos disse: «Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios» (Mat 10, 7-8). A tarefa é tanto mais urgente porquanto vivemos numa sociedade doente, onde o ter assume papel de relevo e esmaga o ser; uma sociedade obcecada pela elevada qualidade de vida, mas que aceita de forma indiferente a mortalidade infantil no Terceiro Mundo e o genocídio das minorias étnicas; uma sociedade defensora dos direitos humanos, mas que aceita que os homossexuais sejam tratados como cidadãos de segunda.

 

Frente a esta cultura do egoísmo, da indiferença, do medo e da ganância, os homossexuais católicos são igualmente chamados a continuar a missão reparadora e ressuscitadora de Jesus. A fé na ressurreição projecta-se, de forma activa, na luta quotidiana, que todos devemos travar activamente, em prol da paz, da justiça e dos direitos humanos.

 

A todos desejamos uma

 

Feliz Páscoa de Ressurreição

de Nosso Senhor Jesus Cristo!

DOMINGO DE RAMOS: Como Tu Queres!

 

 

Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice.

No entanto, não seja como Eu quero,

mas como Tu queres.

 (Mt 26, 39)

 

 

É nos quadros de Rembrandt e Turner e dos paisagistas holandeses que melhor vejo os tons destes dias da Semana Santa. Os vários matizes do escuro, das tempestades e das trevas que carregam de densidade as pinturas albergam também uma luz que brilha em algum lugar. Uma luz, por mais pequena que seja, a impedir o aparente triunfo das trevas. Assim são os relatos da paixão de Jesus, e mesmo a luminosa e festiva entrada em Jerusalém não afasta do coração dos discípulos as nuvens negras do sofrimento predito pelo Mestre. É o claro-escuro dessa noite maior da agonia de Jesus que é, tantas vezes, também a nossa!

 

Imaginar que o Pai queria a morte sofredora do Filho só é possível alimentando uma imagem muito distorcida de Deus. É o amor até ao fim, o amor totalmente entregue como só Deus pode fazer, na fidelidade a si mesmo, que vemos na paixão de Jesus. A fidelidade que se faz luminosa nas palavras do “Diário” de Etty Hillesum, a jovem judia morta no campo de concentração de Auschwitz a 30 de Novembro de 1943: “Ser fiel a tudo o que uma pessoa iniciou num momento espontâneo, demasiado espontâneo, por vezes. / Ser fiel a cada sentimento, cada pensamento que começou a germinar. / Fiel no sentido mais lato da palavra. / Fiel a si mesmo, a Deus, fiel aos seus próprios melhores momentos. / E onde uma pessoa está, ser totalmente, cem por cento ser. / O meu “fazer” consistirá em “ser”. Assim, o grito humano do “passe de Mim este cálice” está unido em Jesus ao “como Tu queres”. As duas palavras num único sim, o escuro com o ponto de luz que impulsiona para a vida oferecida de Jesus: “Ninguém Me tira a vida; Eu dou-a livremente” (Jo 10, 18).

 

Há muito de paixão nesta crise que atravessamos. Uma crise que, mais do que económica, é também de confiança: em instituições e em pessoas concretas, nas políticas seguidas e nos valores que as fundamentaram, nas palavras e na justiça. Desejam-se medidas salvadoras, pedem-se sacrifícios, mas estarão elas ao serviço de uma transformação mais profunda da sociedade? A verdadeira mudança é “por dentro” que se faz; é no “ser” e não no “parecer”; é com todos e não prolonga privilégios; passa pela morte para poder ressuscitar. E quando a confiança é ferida são precisos gestos corajosos para a restaurar!

 

Acredito que Deus tem um “querer” para mim e para todos. Que não significa nenhum “plano especial de crescimento” mas o “plano de salvação” já realizado na Páscoa de Cristo. Realizado e a ser feito real pelo encontro do meu “querer” com o d’Ele. Que é “amar até ao fim”. Em tudo o que é profundamente humano. No coração da crise e do seu “escuro-claro”. Na política, na economia e na justiça. No trabalho e nos centros de decisão. Mas eu e vocês, que acreditamos e dizemos viver com Jesus, queremos mesmo o que o Pai quer? Quando isso implica paixão e morte?

Cardeal Patriarca reconhece que Igreja Católica respondeu mal à teoria de Darwin

Num artigo publicado neste Domingo de Páscoa, no jornal Público (e que pode ser lido em ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx), dá-se destaque às palavras do Sr. Cardeal Patriarca, proferidas na sua homilia da Vigílila Pascal.

 

À alegria do Senhor ressuscitado que hoje celebramos, junta-se a alegria da Sua contínua intervenção junto de todos os homens, pois Ele está connosco até ao fim dos Tempos.

 

Na sua caminhada diária, mesmo na crítica, sempre procuramos a construção de pontes com a hierarquia católica, que conduzam a uma integral aceitação dos homossexuais católicos, nas suas diversas comunidades de fé.

 

Ora as afirmações do Sr. Cardeal Patriarca, deixam antever uma ligeira «abertura na porta». Quando diz que a Bíblia, e citamos, «É um texto simbólico, num género literário hoje conhecido e estudado; é uma revelação do sentido profundo da criação e da vida e não a narração do modo como as coisas aconteceram, perspectiva própria da ciência» (o sublinhado é nosso), está o Sr. Cardeal Patriarca a corroborar aquilo que sempre temos dito, quando muitos dos que persistem em se escudar na Bíblia para nos apontar o dedo e recusar-nos na comunidade de fiéis: a Bíblia não é uma narração do modo como as coisas aconteceram. É um texto simbólico.

 

Ao reconhecer que a narração do modo como as coisas acontecem é própria da ciência, lança o Sr. Cardeal Patriarca uma nova luz sobre a necessidade de mudança de algumas posições por parte da hierarquia, pois se à ciência cabe dizer como as coisas efectivamente se passam e se a ciência afirma que a homossexualidade não é uma doença, nem nenhum comportamento «intrínsecamente desordenado», logo é chegado o momento dessa mesma hierarquia iniciar uma caminhada de alteração de posição e de aceitação integral dos homossexuais católicos, pois, como afirmou também, «O Deus da Bíblia é um Deus amor, a intervir na história, a fazer Aliança, a estar sempre silenciosamente presente em todo o longo acontecer da vida»

 

Estamos certos que estas atitudes clarividentes serão o grão que, tendo caído à terra, mesmo em solo adverso, frutificará.

 

Ao celebrarmos a ressurreição de Cristo, damos graças por Ele contiuar no meio de nós e operar continuamente milagres no coração dos homens.

 

 

 

Mais sobre nós

imagem de perfil