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RUMOS NOVOS - Católicos Homossexuais

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

O Vaticano dá tratamento de "consorte" ao companheiro do Presidente do Luxemburgo

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O Presidente do Luxemburgo, juntamente como seu companheiro, foram recebidos pelo Arcebispo Gaenswein, prefeito da Casa Pontifícia, antes de iniciarem a reunião de líderes europeus.

 

Por altura do 60.º aniversário do Tratado de Roma (celebrado no passado dia 25 de março), o Papa Francisco realizou, no Vaticano, um encontro com os vinte e sete líderes europeus. Entre os convidados encontrava-se o primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel, que esteve presente acompanhado pelo seu companheiro, Gauthier Destenay.

 

O protocolo da Cidade do Vaticano deu o mesmo tratamento ao casal formado por Bettel e Destenay, que ao casamento de Orbán, formado pelo presidente húngaro e esposa.

 

«Foi um enorme prazer e uma grande honra para mim e para Gauthier sermos recebidos pelo chefe da igreja Católica. XB» https://t.co/v4lF5AppIM 

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Vários Bispos com maior abertura para com a realidade das pessoas homossexuais entre os novos cardeais da Igreja

O Papa Francisco nomeou 17 novos cardeais, dos quais 13 são cardeais eleitores, isto é, com direito a voto num conclave. Nomeações que, de acordo com as primeiras interpretações, supõem um reforço da denominada "ala moderada" da Igreja.

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Sem qualquer pretensão de exaustividade, fazemos hoje uma breve passagem daqueles com direito a voto no conclave que fizeram declarações, na nossa opinião, de maior relevância. 

 

Josef De Kesel, arcebispo de Malinas-Bruxelas (Bélgica)

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Quando Josef De Kesel foi nomeado arcebispo de Malinas-Bruxelas e primaz da Bélgica, em novembro do ano passado, destacou a necessidade de respeitar as pessoas homossexuais: "Há que respeitar aqueles que são homossexuais. A Igreja tem as suas razões para não reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que eu pessoalmente aceito. O respeito por todos é um valor importante do Evangelho e também da cultura moderna".

 

Neste contexto, não é demais recordar que juntamente com De Kesel, o Bispo de Antuérpia, Johan Bonny, é provavelmente o elemento da hierarquia mais importante do país que se manifestou já por duas vezes a favor do reconhecimento dos casais de pessoas do mesmo sexo.

 

Blase J. Cupich, arcebispo de Chicago (Estados Unidos)

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Outro novo cardeal é Blase J. Cupich, arcebispo de Chicago. Por ocasião do último Sínodo da Família, Cupich afirmou em conferência de imprensa que devia escutar-se as pessoas homossexuais: "De facto, contei com as suas vozes como parte das minhas consultas. Porém, é minha convicção que poderíamos beneficiar das vozes reais das pessoas que se sentem marginalizadas em vez de as recebermos filtradas através das vozes de outros representantes ou dos bispos. Se vamos verdadeiramente acompanhar estas pessoas, temos primeiro de nos envolvermos com eles. Em Chicago, reúno-me regularmente com pessoas que se sentem marginalizadas, quer sejam seniores, divorciados e recasados, homossexuais de ambos os sexos, quer sejam pessoas individuais, quer sejam casais".

 

Na mesma linha, por ocasião do atentado de Orlando, Cupicu destacou numa carta: "A vós hoje aqui e a todas as pessoas homossexuais de ambos os sexos, parfticularmente afetadas pelos espantosos crimes cometidos em Orlando, motivados pelo ódio, quem sabe perpetrados devido à instabilidade mental, e certamente estimulados por uma cultura de violência, ficai sabendo isto: a arquidiocese de Chicago está convosco".

 

 

Maurice Piat (arcebispo de Port Louis, Maurícia)

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Outro novo cardeal é Maurice Piat, proveniente da República da Maurícia. Ainda que tenha expressado opiniões contrárias às pessoas homossexuais, Piat não deixa de sublinhar: "Pessoalmente, creio que as pessoas homossexuais vivem em grande sofrimento. Não podem formar uma família com filhos nascidos de si mesmos. Creio que não é fácil para um homem ou para uma mulher assumir esta situação e posso compreender que defendam o casamento para todos. Porém, a verdade que há a dizer aos homossexuais é acompanhá-los no seu sofrimento; acompanhá-los onde estão, mesmo ali onde nos encontramos com eles".

 

 

Somam-se aos arcebispos de Viena e Berlim

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Estes novos cardeais, de qualquer modo, reforçam o grupo dos "moderados" no conclave. Os cardeais De Kesel e Cupich, engrossam um grupo onde já se encontram Christoph Schönborn, de Viena, e Rainer Maria Woelki, de Berlim. O primeiro apoiou uma pessoa homossexual com companheiro para o conselho paroquial. Por seu turno, Woelki afirmou que os casais de pessoas do mesmo sexo deveriam ser considerados iguais aos formados por pessoas heterossexuais: "quando as pessoas aceitam uma responsabilidade mútua, quando vivem numa relação homossexual perene, isso deve ser considerado de forma similar a uma relação de casal heterossexual".

 

Ainda que constituam um grupo pequeno, estes cardeais abertos à realidade das pessoas homossexuais possuem já um peso específico significativo, particularmente devido às dioceses importante que representam (Malinas-Bruxelas, Chicago, Viena, Berlim).

 

 

Tradução e adaptação: José Leote (Rumos Novos)

Artigo original: Hans

Papa Francisco: os cristãos devem pedir desculpa às pessoas homossexuais por as terem marginalizado!

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A Igreja Católica e outras comunidades cristãs devem pedir desculpa às pessoas homossexuais e a muitos outros grupos de pessoas que deixaram ficar mal, ou ofenderam, ao longo da História. Afirmou o Papa Francisco a bordo do avião papal.

 

Na conferência de imprensa deste domingo, no voo de regresso a Roma, depois da viagem de dois dias à Arménia, o Pontífice afirmou taxativamente: “A Igreja deve dizer que se arrepende por não se ter comportado bem muitas vezes, muitas vezes.”

 

“Acredito que a Igreja não tem somente de dizer que se arrepende… em relação a esta pessoa que é homossexual e que ofendeu”, disse o Papa, “mas deve igualmente dizer que se arrepende em relação aos pobres, também às mulheres abusadas, às crianças forçadas a trabalhar.”

 

“Quando digo a igreja: os cristãos.” Clarificou o Papa. “A Igreja está saudável. Nós somos os pecadores.”

 

O Papa respondia a uma questão sobre as palavras proferidas pelo cardeal alemão Reinhard Marx, feitas na semana passada, de que a Igreja Católica devia pedir desculpa à comunidade homossexual por a ter marginalizado.

 

“Repito aquilo que já disse na primeira viagem,” afirmou hoje Francisco, referindo-se à conferência de imprensa que deu no regresso do voo do Rio de Janeiro, em 2013. “Repito também o que o Catecismo da Igreja Católica afirma: que [as pessoas homossexuais] não devem ser alvo de discriminação e que têm de ser respeitadas e pastoralmente acompanhadas.”

 

“A questão é uma pessoa que tem essa condição [e] que tem boa vontade porque procura Deus.” Disse o Pontífice.

 

“Quem somos nós para os julgar?” Perguntou, reformulando, agora no plural, a sua já famosa frase de 2013. “É nosso dever acompanhar bem o que o Catecismo afirma. O Catecismo é claro.”

 

“A cultura mudou – graças a Deus!” exclamou o Papa. “Como cristãos temos de dizer, muitas vezes, que lamentamos e não somente sobre este assunto.”

 

“Esta é a vida da Igreja”, afirmou o Pontífice. “Todos somos santos, porque todos temos o Espírito Santo dentro de nós. Mas também todos somos pecadores.”

 

Tradução: José Leote

Artigo original. aqui.

Mensagem do Papa para a Quaresma de 2015

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 Amados irmãos e irmãs,


Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco!

Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar. Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.

Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação. 
 
1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.
Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.
A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).

A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.

2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades
Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)? Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções.

Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham connosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).

Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.

Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.

Esta missão é o paciente testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.

Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!

3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis
Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?

Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.

Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum.

E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.

Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!
 
Francisco

Papa contra igualdade no casamento?

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Muitos me manifestaram o seu desagrado, perplexidade ou indignação com as palavras do Papa em Manila.

Não é minha intenção defender o Papa. Estes dias todos somos acérrimos defensores da liberdade de expressão... Nem creio que tão pouco ninguém duvidará da minha defesa do casamento igualitário, nem da causa LGTBI.

Creio que há uma premissa principal: unir ideologia colonizadora com casamento igualitário, é no meu entender precipitado: melhor, relativismo, cultura do efémero, e não abertura à vida referem-se à mudança, que se está dando na Ásia, da cultura familiar do Ocidente com as políticas anti-natalidade, o divórcio express, os anticoncecionais, etc. Mas creio que em nenhum momento há de ser um discurso tão eufórico para uns e tão desalentador para outros.

Aí vão as minhas reflexões para quem tenha tempo e vontade de dialogar, porque para Sócrates o diálogo é o único caminho de chegar à verdade...

Aí vai...

Não vou a entrar no que o Papa realmente pensa e não diz e diz e não pensa. Mas sim, quero comentar o que diz e o que não diz.

Creio que é a única, ou talvez das pouquíssimas vezes, que num discurso oficial sobre a família, não se fala de que a única, a de verdade, é a formada por um homem e uma mulher. Compreende-se, mas já não se insiste. É uma ausência, que num discurso de um Papa defendendo a “família tradicional”, é tudo menos curiosa. Estarão começando a entender que há outras famílias?

Mas não me quero deter nas ausências, que as há, mas nos novos acentos, que não necessariamente negam outros, mas recalcam estes, que até agora pareciam ficar na sombra, e quem sabe são a substância do matrimónio “cristão”.

Família, Igreja doméstica onde se reza, se vive a fraternidade e a entrega: “Onde primeiro aprendemos a rezar é na família. Ali conseguimos conhecer Deus, crescer como homens e mulheres de fé, ver-nos como membros da grande família de Deus, a Igreja. Na família aprendemos a amar, a perdoar, a ser generosos e abertos, não fechados e egoístas. Aprendemos a ir mais além das nossas próprias necessidades, para encontrar os outros e partilhar as nossas vidas com eles. Por isso é tão importante rezar em família. Por isso as famílias são tão importantes no plano de Deus sobre a Igreja. Crescer com Jesus e Maria”. O substancial do discurso familiar é se na comunidade familiar se dá o amor cristão em todas as suas vertentes. Por muito canónico que seja um casamento, e por muitos filhos que tenham, e muito fieis que sexualmente sejam, se não se dá em plenitude o amor cristão, pode-se falar de família cristã? A esta abordagem respondo dizendo que se a família cristã é isso, a família LGTB também, portanto onde o amor cristão se viva em plenitude poderemos acrescentar o adjetivo cristão independentemente da orientação sexual dos que formem essa comunidade de vida.

Quero parar agora, ainda que brevemente, no parágrafo que mais encheu de euforia os conservadores: “A família vê-se também ameaçada pela crescente tentativa, por parte de alguns, de redefinir a própria instituição do casamento, guiados pelo relativismo, pela cultura do efémero, pela falta de abertura à vida. O nosso mundo necessita boas e fortes famílias para superar estes perigos. Filipinas necessita de famílias santas e unidas para proteger a beleza e a verdade da família no plano de Deus e para que sejam um apoio e exemplo para outras famílias. Toda a ameaça para a família é uma ameaça para a própria sociedade”. No casamento igualitário não se dá uma redefinição do casamento, mas há uma semelhança tão grande que por analogia se toma emprestado o nome de casamento, mas em nenhum momento se redefine, antes se amplia o significado, se assimilam.

Sim, são problemas essa tendência relativista ao considerar o casamento um simples contrato, o efémero do compromisso e o egoísmo. E também são problemas e muito reais, ainda que até agora muito pouco denunciados pelo magistério: “A situação económica provocou a separação das famílias por causa da migração e a procura de emprego, e os problemas financeiros caiem sobre muitos lares. Se, por um lado, demasiadas pessoas vivem em pobreza extrema, outras, pelo contrário, estão presas pelo materialismo e por um estilo de vida que destrói a vida familiar e as mais elementares exigências da moral cristã”. Aqui também todos nos podemos ver retratados, tanto a família “tradicional” como as famílias LGTB.

Já para terminar, referir-se ao casamento igualitário nas Filipinas onde há apenas um ano se aprovaram os anticoncecionais, e onde não existe o divórcio legal parece improvável. Parece mais referir-se às últimas tentativas de legalizar o divórcio e a redução do número de filhos.

Se a alguém ajuda, tranquiliza ou consola continuar pensando no Papa Francisco como Papa bom, ainda que o ressentimento de alguns e a necessidade de outros de o fazer mau, quer apressar-se a proclamar a sua homofobia. Creio que neste caso, não há matéria para chegar a tanto.

 

Tradução (do espanhol): Aníbal Liberal Neves

Autor: Gonzalo Rodriguez Lorenzo

Texto original: aqui.

A Alegria do Acolhimento da Evangelii Gaudium

O anúncio do amor salvador de Deus precede a obrigação moral e religiosa. Este anúncio deve curar todo tipo de ferida e fazer arder o coração, como o dos discípulos de Emaús ao encontrarem o Cristo ressuscitado. A Igreja deve ser sempre a c...asa aberta do Pai, onde há lugar para todos os que enfrentam fadigas nas suas vidas, e não uma alfândega pastoral. O confessionário não deve ser uma sala de tortura, mas um lugar de misericórdia, no qual o Senhor nos estimula a fazer o melhor que pudermos. A Eucaristia não é prémio dos perfeitos, mas alimento aos que necessitam e remédio generoso.
 

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Papa Francisco: É a Igreja de Toda a Gente

Papa Francisco

No âmago do Cristianismo encontra-se um convite para o banquete do Senhor. Esta foi a mensagem do Papa Francisco na Missa desta manhã (5 de novembro) na Casa de Santa Marta. O papa disse que a Igreja “não é somente para pessoas boas”, pois o convite para ser parte dela diz respeito a toda a gente. Acrescentou que devemos “participar integralmente” no banquete do Senhor e com toda a gente. Não podemos tirar e escolher. Os cristãos, disse o Papa, não se podem contentar em constar simplesmente da lista de convidados: não participar integralmente é o mesmo que lá não estar.

 

As leituras do dia, disse o Papa, são a identidade do cristão e destacou que “antes de mais, a essência cristã é um convite: somente nos tornamos cristãos se formos convidados.” É um “convite grátis” à participação que Deus nos faz. Não podemos pagar para entrar no banquete, avisou ainda: “ou se é convidado ou não podemos entrar,” Se “na nossa consciência”, disse, “não tivermos esta certeza de sermos convidados” então “não compreendemos o que é ser cristão”: “Um cristão é alguém que é convidado. Convidado para quê? Para uma loja? Para ir dar um passeio? O Senhor pretende dizer-nos algo mais: És convidado a juntar-te ao banquete, à alegria de seres salvo, à alegria de seres perdoado, à alegria de partilhar a vida com Cristo. Isto é uma alegria! És convocado para uma festa! Um banquete é uma reunião de pessoas que caminham, riem, celebram, estão felizes juntas. Nunca vi ninguém fazer uma festa sozinho. Isso seria muito aborrecido, não é verdade? Abrir a garrafa de vinho… Isso não é uma festa, é outra coisa qualquer. Temos de festejar com outros, com a família, com os amigos, com aqueles que foram convidados, tal como eu fui convidado. Ser cristão significa pertencer, pertencer a este corpo, às pessoas que foram convidadas para o banquete: isto é a pertença cristã.”

 

Voltando-se para a carta aos romanos, o Papa afirmou então que este banquete é um “banquete de unidade”, tendo sublinhado o facto de todos terem sido convidados, “os bons e os maus”. E os primeiros a serem convidados são os marginalizados: “A Igreja não é somente a Igreja para as pessoas boas. Será que queremos descrever quem pertence à Igreja, a este banquete? Os pecadores. Todos nós pecadores estamos convidados. Neste momento há uma comunidade que tem diversos dons: um tem o dom da profecia, outro o do ministério… Todos temos qualidades e forças. Porém, cada um de nós traz para o banquete um dom comum. Cada um de nós é chamado a participar integralmente no banquete. A existência cristã não pode ser compreendida sem esta participação. “Eu vou ao banquete, mas não passo da antecâmara porque somente quero estar com as três ou quatro pessoas com as quais estou mais familiarizado…”. Não podemos fazer isto na Igreja! Ou se participa integralmente ou ficamos no exterior. Não podemos selecionar e escolher: a Igreja é para todas as pessoas, a começar por aquelas que já referi: as mais marginalizadas. É a Igreja de toda a gente!”

 

Falando acerca da parábola na qual Jesus disse que alguns dos que foram convidados começaram a encontrar desculpas, o Papa Francisco disse: “Eles não aceitam o convite! Dizem ‘sim’, porém as suas ações dizem ‘não’.” Estas pessoas, disse o Papa, “são cristãos que se contentam em estar na lista de convidados: cristãos escolhidos.” Porém, avisou, isto não é suficiente, porque se não participamos não somos cristãos. “Estávamos na lista,” disse, mas isto não é suficiente para a salvação! Isto é a Igreja: entrar na igreja é uma graça; entrar na Igreja é um convite.” E este direito, acrescentou, não pode ser comprado. “Entrar na Igreja”, disse, “é tornar-se parte duma comunidade, a comunidade da Igreja. Entrar na Igreja é participar em todas as virtudes, as qualidades que o Senhor nos deu no nosso serviço de uns pelos outros.” O Papa Francisco continuou, “Entrar na Igreja significa ser responsável por aquelas coisas que o Senhor nos pede.” Finalmente, acrescentou, “entrar na Igreja é entrar neste povo de Deus, na sua caminhada em direção à eternidade.” Ninguém, avisou, é o protagonista da Igreja: mas temos UM,” que fez todas as coisas. Deus “é o protagonista!” Nós somos os seus seguidores… e “aquele que não O segue é aquele que se exclui a si próprio” e não vai ao banquete.

 

O Senhor é muito generoso. O Senhor abre todas as portas. O Senhor compreende igualmente aqueles que Lhe dizem, “Não, Senhor, eu não quero ir contigo.” Ele compreende e espera-os, porque é misericordioso. Porém, o Senhor não gosta daqueles que dizem ‘sim’ e fazem o contrário; que pretende agradecer-Lhe por todas as coisas boas; que têm bons modos, mas que seguem o seu próprio caminho e não o caminho do Senhor: aqueles que sempre apresentam desculpas, aqueles que não conhecem a alegria, que não experimentam a alegria da pertença. Peçamos ao Senhor esta graça da compreensão: o quão maravilhoso é ser-se convidado para o banquete, o quão maravilhoso é tomar parte nele e partilhar as nossas qualidades, o quão maravilhoso é estar-se com Ele e o quão errado é oscilar entre o ‘sim’ e o ‘não’, para dizer ‘sim’, mas contentar-se em ser simplesmente um cristão de fachada.

 

 

Artigo original: NEWS.VA

Tradução: José Leote (Rumos Novos)

Papa Francisco retoma a reflexão sobre a homossexualidade

Papa diz que mudanças na Igreja precisam de tempo e «discernimento».


Francisco deu entrevista a revistas jesuítas e retoma reflexão sobre o papel das mulheres ou a homossexualidade.


Como homossexuais católicos, acompanhamos o Papa na sua reflexão e fraternalmente o secundamos quando afirma: «aquilo de que a Igreja mais precisa hoje é a capacidade de curar as feridas». 

Pode ler aqui e na íntegra a entrevista concedida pelo Papa às revistas Jesuítas.

Um chamamento para este 7 de setembro: Dia Mundial de Oração e Jejum

Guerra na Síria

Que no dia de hoje, dia de oração e de jejum, como nos pediu o Papa Francisco, saibamos unir as nossas orações e as nossas mãos em favor da paz na Síria. Fica aqui o nosso reforço nesta convocação para todos os cristãos, homossexuais e heterossexuais, darem o seu apoio a este chamamento interdenominacional histórico para a oração e o jejum, incluindo entre os temas das orações o povo da Síria. Que os cristãos orem pedindo a Deus, em nome de Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, para que a paz prevaleça nesse país.

 

Temos de nos interessar, chorar e orar pelas crianças que caem mortas lá no Médio Oriente, após um ataque com armas químicas na Síria, como se fossem crianças que tombam perto de nós.

 

Como homossexuais católicos, temos de chorar e orar pelos irmãos e irmãs homossexuais desse martirizado país, onde a homossexualidade é ilegal e os homossexuais são punidos com três anos de prisão e denominados de “shaz” (anormais), muitos deles perseguidos, torturados e mortos.

 

Porém, nestes tempos conturbados e de perseguição, como cristãos, lembramo-nos também que Damasco é lugar de renovação, de esperança e renascimento.

 

Estava a caminho e já próximo de Damasco, quando se viu subitamente envolvido por uma intensa luz vinda do Céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: «Saulo, Saulo, porque me persegues?» Ele perguntou: «Quem és Tu, Senhor?» Respondeu: «Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Ergue-te, entra na cidade e dir-te-ão o que tens a fazer.»

 

Por isso, peçamos ao Senhor, pela intercessão de S. Paulo, este grande homem de Deus, o dom da PAZ na Síria e no mundo inteiro.

 

A PAZ para todos!

 


  

José Leote

(Coordenador Nacional Rumos Novos - Homossexuais Católicos)

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