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RUMOS NOVOS - Católicos Homossexuais

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

CONCLUSÕES DO 1.º CONGRESSO MUNDIAL DAS ASSOCIAÇÕES HOMOSSEXUAIS CATÓLICAS

1.º Congresso Mundial das Associações Homossexuais Católicas

Quarenta representantes institucionais das associações homossexuais católicas de Portugal, Espanha, Estados Unidos, México, Perú, Costa Rica, Brasil e Argentina estiveram reunidos em Portimão, Portugal, entre 6 e 8 de outubro. Agradecemos a Deus pelo sucesso do Congresso que teve igualmente a cobertura dos meios de comunicação social de todo o mundo, incluindo as principais estações de televisão e de rádio (BBC, FRI, Rádio Suécia); de todas as estações de televisão e de rádio nacionais e locais, incluindo a “Rádio Renascença” (a rádio nacional católica portuguesa) e todos os jornais portugueses; as mais importantes agências de notícias noticiosas (LUSA, para Portugal e países de língua portuguesa; FRANCE PRESSE, também televisão, França e países de língua francesa; EFE, Espanha e países de língua espanhola). O Congresso foi ainda notícia em países como a Nigéria, em África, e tudo isto representa mais de 55.000 entradas no Google, em português, inglês, francês e espanhol.
 
Agradecemos igualmente a Deus pelas pessoas maravilhosas que estiveram presentes. Por todo o trabalho e a alegria, mas sobretudo pelo forte compromisso para sermos construtores de pontes, não somente com a Igreja, que amamos, mas igualmente entre nós, que temos realidades religiosas tão diferentes.
 
 
 
CONCLUSÕES
 
  1. Criação da Organização Mundial das Associações Homossexuais Católicas(WOHCA), constituída pelos países supra e eleição da comissão instaladora da WOHCA, formada por membros de Portugal, Espanha, Brasil e ficando a aguardar-se a resposta dos Estados Unidos. Foi igualmente aprovada a Constituição Mundial e mandatada a Comissão Instaladora, no uso dos poderes atribuídos pela Constituição Mundial, para apresentar até outubro de 2015 todas as alterações ao documento agora aprovado.
  2. Realização da Conferência Mundial de 2015 em Espanha, em outubro desse ano e provisoriamente prevista para Sevilha, Espanha.
  3. Delineação das grandes linhas da petição a enviar ao Secretário-geral do Sínodo, cardeal Lorenzo Baldisseri, cuja redação final foi entregue a um elemento do grupo Ichthys de Sevilha e a outro da Rumos Novos, Portugal e que será enviado ao Sínodo na sexta-feira à tarde. A petição será constituída por uma carta de apresentação ; introdução ; realidades vividas no casamento entre as pessoas do mesmo sexo ; género e (homos)sexualidade ; a necessidade para a Igreja escutar o Sensus Fidelium e, finalmente, uma parte com as recomendações formuladas pelos homossexuais católicos. [O texto final da petição pode ser lido aqui]
No final do Primeiro Congresso Mundial das Associações Homossexuais Católicas, que preparou o presente documento, ao dar por concluídas as sessões, depois de orar pedindo a Deus que iluminasse as nossas mentes, os participantes acordaram ainda em deixar as seguintes reflexões:

Cremos que Deus Pai é o Criador de Todo o Universo. Portanto tudo o que existe é obra da sua Vontade e, em consequência:
  • Pode existir algo que não tenha sido concebido por Ele?
  • Se toda a natureza é Obra Sua, como pode existir algo de antinatural?
  • Não nos levaria a supor a questão anterior a existência de outro criador diferente de Deus Pai?
  • O antinatural é um conceito absolutamente impossível. Tudo o que existe, quer gostemos ou não, encontra-se no interior da natureza e é parte dela.
  • Quando se fala de algo como antinatural não estaremos a confundir as leis morais com as leis naturais?
  • Neste pressuposto, não estaremos a cometer o tremendo erro de hipostasiar a Natureza na moral?
  • Quando se julga a homossexualidade como algo de antinatural, não estaremos a utilizar um conceito impossível para julgar a criação de Deus?
  • Não estaremos a projetar os nossos medos e preconceitos ao julgar o que Deus criou?
  • Contudo, pode o homem julgar o que Deus faz?
  • Por acaso não é pecado de infinita soberba que a criatura julgue a Obra do Criador?
  • Não é verdade que no Pai Nosso rezamos «Faça-se a Tua Vontade assim na Terra como no Céu»?
  • Se confiamos nesta oração ensinada pelo próprio Jesus Cristo, como não podemos aceitar a Vontade do Pai em nós mesmos e no próximo?
  • Porque se a pessoa homossexual não aceita em si mesmo a sua sexualidade, não está incumprindo a obrigação de todo o cristão de aceitar a Vontade do Pai?
  • Contudo, se a pessoa heterossexual não aceita a homossexualidade do próximo, não está igualmente incumprindo essa Vontade do Criador?
Porque não queremos projetar os nossos preconceitos e medos como se fossem divinos, não deveríamos admitir que sobre a nossa limitada capacidade de conhecer a Natureza se encontram factos reais e que é um facto real a existência durante toda a história de pessoas homossexuais? E quem é, senão Deus Pai, o Criador de todos os factos reais?
 
Esperamos que este Congresso tenha sido o grão que foi lançado ao solo para dar bons frutos. Eis porque, agora, apelamos a todos os irmãos e irmãs homossexuais católicos de todo o mundo, que ainda não são membros da WOHCA, para que se juntem a todos e todas nós e ajudem a construir esta organização que é igualmente a sua, a fim de que possamos todos ser um para que o mundo creia, tal como o Senhor nos pediu.

Homossexuais querem mudar Igreja e comungar sem reservas

São praticantes e reúnem-se num hotel porque nenhuma paróquia lhes abriu as portas. E só um padre lhes disse sim.

 

O trabalho de casa era ler um texto do Envagelho de São Lucas, capítulo 4, versículos de 14 a 30. Relata o início da vida pública de Jesus, onde fala da sua vida e missão e, diz o texto bíblico, apesar da Boa Nova, nem todos acolhem Jesus do mesmo modo. "O que é que este texto tem que ver connosco, com a nossa vida, homossexuais como somos? Acrescento que, por algumas declarações que ouvimos de irmãos nossos na hierarquia da Igreja, poder-se-á pensar que o Senhor não está sobre nós!"

 

A pergunta é de José Leote, coordenador nacional do Rumos Novos, grupo homossexual católico, e que lança o desafio para o debate do encontro mensal de sábado, no Ibis Saldanha, em Lisboa. Nenhuma paróquia lhes abriu as portas e, no final da sessão, colocam um donativo num envelope para suportar as despesas. Funcionam à semelhança de outros grupos católicos, em que existe uma primeira parte de discussão bíblica, uma segunda de oração e uma terceira de convívio. Têm um padre a presidir, um assistente de que não revelam o nome e que encontraram depois de percorrerem uma lista extensa. Desta vez, o padre está ausente, bem como as duas mulheres do grupo.

 

Estão nove homens na sala, entre os quais três casais, sendo que não ultrapassam os 15 nos dias de maior participação. Isto apesar dos muitos contactos através da Internet, o que os leva a concluir que serão 300 no País. São católicos praticantes, confessam-se, comungam e são padrinhos, tudo o que a hierarquia da Igreja lhes proíbe. Dizem que o fazem conscientemente.

 

A sala tem as mesas dispostas em quadrado, que fecha com um altar. Iniciam a sessão com o lema: "Hoje, cumpriu-se a escritura."

Partem do texto bíblico, mas a discussão logo deriva para os temas quentes da actualidade: os casos de pedofilia na Igreja; a forma como a hierarquia "escondeu o assunto" e as recentes declarações de Tarcisio Bertone, vinculando a homossexualidade à pedofilia", e que, mais tarde, o Vaticano veio dizer que se referia aos padres. "Pior a emenda que o soneto!", ouve-se na sala. E outra voz acrescenta: "Cada vez são mais conservadores. E os mais novos são piores..."

 

O DN reformula a pergunta inicial já no final do encontro. "Sentem que o Senhor está sobre vós?" "Claro!", é a resposta. "O que retiramos é o papel que a palavra de Deus representa na vida de cada um de nós e na forma como vivemos o dia-a-dia", explica António Filipe. "Participamos da eucaristia, somos baptizados e professamos a fé católica", justifica José Leote, 39 anos, professor .

 

Já José Ribeiro, 59 anos, professor de Matemática, com três filhos de um casamento, diz não se sentir "especialmente ligado à Igreja", estando mais interessado na discussão teológica do que na prática, embora vá à missa. "É uma questão de tradição familiar e de percurso de vida."

 

O que têm de comum, bem como a todos os elementos e simpatizantes do Rumos Novos, é a certeza de que não faria sentido mudar de religião. "Acreditamos nos valores católicos, na família, num casal estável, fiel. E acreditamos que é possível mudar a Igreja por dentro", justifica José Leote. Mas não acreditam que a mudança surja com Bento XVI. É sem entusiasmo que vêem a visita ao País.

 

 

(Por: Céu Neves, In: Diário de Notícias)

 

Sou gay, católico e acredito que Jesus estaria do meu lado.

José Ribeiro recebeu-nos no seu gabinete na Universidade em Évora, deixou--se fotografar e conversou abertamente. José L. marcou encontro na Praça do Giraldo, mas acabamos a conversar num jardim sem ninguém. Preferiu não revelar o nome completo nem ser fotografado. Sempre que se ouviam passos, olhava para o lado. José Ribeiro e José L. são ambos professores e membros da Associação Rumos Novos, que congrega homossexuais católicos. Concordam com a aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. E não vêem incompatibilidade entre a sua orientação sexual e a Igreja Católica - melhor, e os ensinamentos de Cristo.

José Ribeiro

59 anos, professor Universitário

"Sou cristão e homossexual. Tornei-me cristão quando já tinha a minha identidade sexual mais que aceite. Não tive problema nenhum quanto a isso. Tive a sorte de ter uma educação absolutamente solta. Nunca passei pelas agruras de muitos amigos, que tiveram uma educação tradicional católica. Fiz tatuagens com os peixinhos cristãos há seis anos, quando me tornei cristão. Vim para o cristianismo porque procurava um sentido para a vida. Ser homossexual e católico faz muita confusão às pessoas. As pessoas têm uma concepção da Igreja como de um partido, com um comité central que estabelece uma doutrina. Mas não é isso. A Igreja é um conjunto de pessoas ligadas a Jesus. O que o conselho de administração reflecte são apenas as convicções desse conselho. Os católicos socorrem-se dos escritos de Paulo, que estão muito ligados à sociedade em que ele viveu. À luz da época em que viveu, a homossexualidade era uma prática desviante, mas hoje já sabemos que não é assim. A actividade principal da Igreja parece ser determinar as condições em que é lícito que duas pessoas dêem uma queca. No site do Vaticano, 80% dos documentos da Congregação para a Doutrina da Fé ocupam-se disso. Em Jesus não encontra nada assim. No fundo, a Igreja olha os seres humanos como um engenheiro zootécnico olha, em termos de reprodução, o gado - vacas parideiras e bois de cobrição. Ora os homossexuais não podem ter filhos, logo não fazem parte dos planos de Deus. Assim, a única maneira de sermos agradáveis a Deus é não exercermos a nossa sexualidade. Não conheço nenhum homossexual católico que não seja praticante. E olhe que conheço muitos. Não faz sentido essa distinção. Mas como Igreja arranjou uma tabela de pecados, uma espécie de "jogo da salvação", tipo Monopólio, e as pessoas sentem-se culpadas. Tu fazes uma boa acção e andas não sei quantas casinhas, fazes uma má acção e andas para trás. Depois há absolvições... O católico tem tendência a fazer as suas relações com Deus na base no jogo da salvação. Depois as pessoas dão uma queca porque não resistem e vão-se confessar. Depois volta a acontecer. É jogo muito destrutivo psicologicamente. Quem tem culpa é facilmente controlável. Fui para a Rumos Novos para ajudar estas pessoas. Vamos à missa juntos, fazemos encontros onde lemos a Bíblia e apoiamos quem mais precisa."

José L.

40 anos, professor do secundário

"Vou à missa todos os domingos, mas nunca disse que era homossexual na minha paróquia. Estou naquela situação de 'todos sabem e todos calam'. Nunca me senti discriminado. Sempre fui católico e sou baptizado. Mas quando tive uma relação mais estável, que durou dez anos, estava afastado da Igreja. Não sei bem porquê... Depois senti necessidade de voltar. Estou noutra relação e agora não me imagino a não ir à Igreja. A comunhão em fé é uma parte importante da nossa personalidade. Confesso-me, mas só nas épocas litúrgicas. Sou mais favorável a falar directamente com Deus. Em Maio de 2008 arrancámos formalmente com a Associação Rumos Novos porque acreditamos na Igreja criada por todos os fiéis e na palavra que Cristo nos deixou: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei." Ele não disse "se fores amarelo podes vir a mim, se fores verde também, mas se fores encarnado não podes". Somos católicos, estamos relacionados com a Igreja Católica e uma parte importante dos padres não segue as noções da hierarquia nesta área. Temos irmãos no grupo que são catequistas, os párocos sabem que eles são homossexuais e eles continuam a ser catequistas. Muitas pessoas não se sentem à vontade, porque estão a ir contra o que lhes diz a fé, a mentir e esconder. Há jovens de 16 e 17 anos a viver verdadeiros dramas porque na Igreja dizem que são pecadores, que vão para o Inferno e andam a autoflagelar-se para se redimir. A hierarquia da Igreja diz que acolhe os homossexuais, mas devia completar a frase. Acolhe-os, mas exige-lhes uma vida de castidade e exige-lhes que "juntem o seu sofrimento às chagas do Cristo sofredor na cruz" - uma imagem um bocado tétrica. A nossa filosofia não é, em muitos pontos, diferente da da Igreja Católica. Defendemos casais homossexuais estáveis, duradouros, castos (no sentido da fidelidade). É o mesmo princípio, só o tornamos mais abrangente. Dizemos que, se estas duas pessoas vivem um amor puro, se se amam, se são fiéis, onde está o pecado?"

 

(in «I» online)

Apresentação da Comunidade

«Rumos Novos» é constituído por um grupo de homossexuais católicos que encoraja a animação da fé com homossexuais e suas famílias e que, acompanhado por um número cada vez maior de homossexuais católicos de todas as idades, está a lançar um novo olhar à Igreja Católica, reclamando a sua pertença ao Corpo de Cristo e à Sua Igreja, descobrindo e  trabalhando empenhadamente para um novo espírito de abertura ao nível dessa mesma Igreja.

 

A todos vós homossexuais católicos, RUMOS NOVOS deixa também uma palavra de alento, para que sejais uma luz na escuridão do mundo e quando a Igreja vive na escuridão do mundo, vós sois uma luz na escuridão da Igreja - um pouco de sal na sopa da Igreja.

 

Às pessoas homossexuais católicas ou cristãs que se aproximam deste nosso blog, podemos dar-lhes um testemunho de fé, no meio de uma realidade social e eclesial que nem sempre é compreensiva para com a nossa experiência. Acreditamos que o conhecimento e a abertura de mentes e corações, nos ajude a estabelecer um diálogo construtivo e a sermos testemunhos do Evangelho da felicidade, no meio de tantos que são vítimas da marginalização, na nossa sociedade.

 

Aos elementos dos grupos e associações de homossexuais, oferecemos uma visão integradora da mensagem cristã, na sua realidade LGTB. Esperamos poder ser um instrumento útil, que ajude a limar desencontros e suspeições entre a mensagem libertadora do Evangelho e a nossa própria vivência

 

A todos oferecemos um lugar de encontro: os nossos encontros mensais; um website; um fórum de discussão; investigação; diálogo; anúncio e também de denúncia. No nosso website encontrarão documentos, reflexões, vivências, actividades, notícias, que nos dão a todos um lugar de encontro e de tolerância.

 

Por detrás do nosso website e deste nosso blog encontram-se pessoas concretas; com uma história de amor e também de sofrimento; de esperança e desapontamento; de militância homossexual católica e cristã. São rostos concretos, histórias importantes. Corações generosos e vontade intrépida para construir um mundo melhor, onde seja autêntico o respeito pela dignidade das pessoas, independentemente da sua realidade pessoal.

 

Que Deus Pai, Filho e Espírito Santo, nos abençoe, nos dê a energia para todos, membros da Igreja de Cristo, realizarmos o trabalho que nos foi por Ele pedido, pois todos somos convidados a participar dessa Igreja já que Jesus nunca excluiu ninguém!

 

 

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