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RUMOS NOVOS - Católicos Homossexuais

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Teólogos americanos propõem uma nova moralidade sexual

Miguel Ângelo

"Extraindo perceções da tradição católica, da Escritura, das disciplinas seculares do conhecimento moral e da experiência humana, há seis dimensões fundamentais da antropologia católica renovada no livro «A pessoa sexual», ("The sexual person", no original inglês), explicam os autores e teólogos Todd Salzman e Michael Lawler, professores do departamento de Teologia de Universidade Creighton, nos Estados Unidos.

 

Os teólogos descrevem as seis dimensões fundamentais da antropologia expostas no livro.

 

"A primeira e mais fundamental dimensão é a mudança de ênfase na própria tradição católica que passou da pessoa sexual considerada primordialmente como pessoa procriadora para a pessoa sexual considerada primordialmente como pessoa relacional.

 

A segunda dimensão, que extrai perceções das ciências biológicas e sociais, é uma mudança na perceção da orientação heterossexual como normativa e a orientação homossexual ou bissexual como “objetivamente desordenada” – como ensina o magistério –, que passou para a conceção da orientação sexual – heterossexual, homossexual ou bissexual – como dimensão intrínseca da pessoa sexual e, portanto, “objetivamente ordenada” para a pessoa heterossexual, homossexual ou bissexual, respetivamente.

 

A terceira dimensão é uma compreensão holística e integrada da pessoa sexual considerada em termos relacionais, físicos, emocionais, psicológicos e espirituais.

 

A quarta dimensão postula um desejo fundamental das pessoas de estarem em relacionamento, incluindo o relacionamento sexual, com outra pessoa. Esse desejo se realiza num complexo de relacionamentos que o magistério designa como complementaridade. Complementaridade quer dizer que certas realidades formam uma unidade e produzem um todo que nenhuma delas produz sozinha.

Na descrição do magistério, a complementaridade sexual aponta para o matrimônio heterossexual como o relacionamento sexual estável exclusivo entre um homem e uma mulher.


A quinta dimensão expande a descrição da complementaridade sexual por parte do magistério indo além do casamento heterossexual entre homem e mulher e postulando um desejo fundamental de complementaridade holística na pessoa sexual ao integrar a orientação sexual como uma dimensão intrínseca da antropologia sexual. A complementaridade holística inclui a orientação sexual, a complementaridade pessoal e biológica e a integração e manifestação de todas as três na pessoa sexual.

 

A sexta dimensão postula que “atos sexuais verdadeiramente humanos” realizam as pessoas sexuais. Um ato sexual verdadeiramente humano é um ato em concordância com a orientação sexual de uma pessoa que facilita uma valorização, integração e partilha mais profunda do si-mesmo (self) corporificado da pessoa com outro si-mesmo corporificado tanto em amor como em justiça (amor justo)".

 

Segundo os teólogos, "a conclusão normativa que se segue dessas seis dimensões antropológicas da pessoa sexual é a seguinte: alguns atos homossexuais e heterossexuais, aqueles que cumprem as exigências de complementaridade holística e amor justo, são verdadeiramente humanos e morais; e alguns atos homossexuais e heterossexuais, aqueles que não cumprem as exigências de complementaridade holística e amor justo, não são verdadeiramente humanos e são imorais".

 

Poder ler o artigo íntegral aqui.

Este artigo foi coligido a partir da versão online

existente no blog dos irmãos da Diversidade Católica, no Brasil.

BENTO XVI E O PRESERVATIVO

 

Contra as expectativas, Bento XVI está a surpreender pela positiva. Passou por uma "conversão", e não só está a tomar medidas duras contra o clero pedófilo como vem agora falar francamente sobre o preservativo, para dizer que não é a solução para a sida, mas aceitando, pela primeira vez, o seu uso em certos casos. Fá-lo num livro, Luz do Mundo. O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos, constituído por um conjunto de diálogos com o jornalista e escritor alemão Peter Seewald, que será publicado em todo o mundo e em várias línguas no dia 23, terça-feira.

 

As conversas entre Bento XVI e Peter Seewald versaram sobre temas tão diversos como os abusos do clero, o progresso, a tolerância e a intolerância, o celibato dos padres, a burqa, o cristianismo e a modernidade, a droga, o optimismo, o Papa Pio XII, a ordenação das mulheres, a Humanae Vitae, a sexualidade, o Além.

 

É a problemática da sexualidade que mais está a chamar a atenção da opinião pública mundial. De facto, pela primeira vez na história da Igreja, um Papa admite o uso do preservativo "em certos casos", especialmente quando se trata de "reduzir o risco de infecção" pela sida.

 

Esta aceitação aparece no capítulo 11 da obra, no contexto das palavras polémicas pronunciadas sobre esta questão, no voo a caminho dos Camarões e de Angola. Disse então o Papa que "o problema da sida não pode resolver-se com a distribuição de preservativos"; "a sida é uma tragédia que não pode resolver-se só com dinheiro, com a distribuição de preservativos, que inclusivamente agrava os problemas".

 

 

Agora, confrontado pelo jornalista, responde que "é óbvio que não vê o preservativo como uma solução real e moral", mas, "em alguns casos, nos quais a intenção é reduzir o risco de infecção, pode ser um primeiro passo no caminho para outra sexualidade mais humana".

 

Bento XVI sublinha que centrar-se no preservativo "quer dizer banalizar a sexualidade, e esta banalização representa precisamente o motivo perigoso por que tantas pessoas já não vêem na sexualidade a expressão do seu amor, mas apenas uma espécie de droga que administram a si próprias. Por isso, também a luta contra a banalização da sexualidade é parte do grande esforço para que seja valorizada de modo positivo e possa exercer o seu efeito benéfico no ser humano na sua totalidade". O Papa insiste na vigência da estratégia ABC (Abstinence, Be faithfull, Condom: abstinência, fidelidade, preservativo). Portanto, para ele, o preservativo "não é o modo verdadeiro e próprio para vencer a infecção da sida. É realmente necessária a humanização da sexualidade". Mas admite que pode haver casos particulares nos quais se justifica a sua aceitação: por exemplo, quando um/a prostituto/a o usa ou exige o seu uso. Neste caso, diz, a sua utilização "pode ser o primeiro passo para uma moralização, um primeiro acto de responsabilidade para desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que se não pode fazer tudo o que se quer".

 

Penso que não faltará quem, com razões, se pergunte se é tarefa do Papa pronunciar-se sobre esta questão. Onde está o respeito pela autonomia das pessoas? Seja como for, de facto, atendendo ao contexto, não se pode deixar de saudar este pronunciamento histórico, que só peca por tardio.

 

 

 

 

Pe. Anselmo Borges, in Diário de Notícias

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