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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos Homossexuais Portugueses

Ainda que sejamos provenientes de variadíssimos ambientes sociais, geográficos e culturais, partilhamos um elo comum: amamos a Deus e seguimos o Seu Filho Jesus Cristo. Devido a este elo único somos "um só em Cristo".

Vários Bispos com maior abertura para com a realidade das pessoas homossexuais entre os novos cardeais da Igreja

O Papa Francisco nomeou 17 novos cardeais, dos quais 13 são cardeais eleitores, isto é, com direito a voto num conclave. Nomeações que, de acordo com as primeiras interpretações, supõem um reforço da denominada "ala moderada" da Igreja.

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Sem qualquer pretensão de exaustividade, fazemos hoje uma breve passagem daqueles com direito a voto no conclave que fizeram declarações, na nossa opinião, de maior relevância. 

 

Josef De Kesel, arcebispo de Malinas-Bruxelas (Bélgica)

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Quando Josef De Kesel foi nomeado arcebispo de Malinas-Bruxelas e primaz da Bélgica, em novembro do ano passado, destacou a necessidade de respeitar as pessoas homossexuais: "Há que respeitar aqueles que são homossexuais. A Igreja tem as suas razões para não reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que eu pessoalmente aceito. O respeito por todos é um valor importante do Evangelho e também da cultura moderna".

 

Neste contexto, não é demais recordar que juntamente com De Kesel, o Bispo de Antuérpia, Johan Bonny, é provavelmente o elemento da hierarquia mais importante do país que se manifestou já por duas vezes a favor do reconhecimento dos casais de pessoas do mesmo sexo.

 

Blase J. Cupich, arcebispo de Chicago (Estados Unidos)

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Outro novo cardeal é Blase J. Cupich, arcebispo de Chicago. Por ocasião do último Sínodo da Família, Cupich afirmou em conferência de imprensa que devia escutar-se as pessoas homossexuais: "De facto, contei com as suas vozes como parte das minhas consultas. Porém, é minha convicção que poderíamos beneficiar das vozes reais das pessoas que se sentem marginalizadas em vez de as recebermos filtradas através das vozes de outros representantes ou dos bispos. Se vamos verdadeiramente acompanhar estas pessoas, temos primeiro de nos envolvermos com eles. Em Chicago, reúno-me regularmente com pessoas que se sentem marginalizadas, quer sejam seniores, divorciados e recasados, homossexuais de ambos os sexos, quer sejam pessoas individuais, quer sejam casais".

 

Na mesma linha, por ocasião do atentado de Orlando, Cupicu destacou numa carta: "A vós hoje aqui e a todas as pessoas homossexuais de ambos os sexos, parfticularmente afetadas pelos espantosos crimes cometidos em Orlando, motivados pelo ódio, quem sabe perpetrados devido à instabilidade mental, e certamente estimulados por uma cultura de violência, ficai sabendo isto: a arquidiocese de Chicago está convosco".

 

 

Maurice Piat (arcebispo de Port Louis, Maurícia)

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Outro novo cardeal é Maurice Piat, proveniente da República da Maurícia. Ainda que tenha expressado opiniões contrárias às pessoas homossexuais, Piat não deixa de sublinhar: "Pessoalmente, creio que as pessoas homossexuais vivem em grande sofrimento. Não podem formar uma família com filhos nascidos de si mesmos. Creio que não é fácil para um homem ou para uma mulher assumir esta situação e posso compreender que defendam o casamento para todos. Porém, a verdade que há a dizer aos homossexuais é acompanhá-los no seu sofrimento; acompanhá-los onde estão, mesmo ali onde nos encontramos com eles".

 

 

Somam-se aos arcebispos de Viena e Berlim

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Estes novos cardeais, de qualquer modo, reforçam o grupo dos "moderados" no conclave. Os cardeais De Kesel e Cupich, engrossam um grupo onde já se encontram Christoph Schönborn, de Viena, e Rainer Maria Woelki, de Berlim. O primeiro apoiou uma pessoa homossexual com companheiro para o conselho paroquial. Por seu turno, Woelki afirmou que os casais de pessoas do mesmo sexo deveriam ser considerados iguais aos formados por pessoas heterossexuais: "quando as pessoas aceitam uma responsabilidade mútua, quando vivem numa relação homossexual perene, isso deve ser considerado de forma similar a uma relação de casal heterossexual".

 

Ainda que constituam um grupo pequeno, estes cardeais abertos à realidade das pessoas homossexuais possuem já um peso específico significativo, particularmente devido às dioceses importante que representam (Malinas-Bruxelas, Chicago, Viena, Berlim).

 

 

Tradução e adaptação: José Leote (Rumos Novos)

Artigo original: Hans

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