Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

10 Passagens bíblicas que ensinam uma perspetiva cristã sobre a homossexualidade

shutterstock_140876329_1.png

 

1) Génesis 1, 26: «Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança.»

Na história bíblica da criação, Deus deixa bem claro que, de toda a criação, os seres humanos são criados à imagem de Deus. O facto de, nesta passagem, Deus ser referido no plural pode mesmo sugerir a ideia de Deus conter uma diversidade de identidades dentro do eu divino misterioso e infinito. A garantia de que todos os seres humanos são criados à imagem de Deus lembra-nos, desde o início, que cada pessoa é uma criação sagrada e que a imagem de Deus é mais ampla do que a nossa própria experiência e compreensão. Uma pessoa pode parecer - ou amar - de forma diferente e, mesmo assim, simplesmente pelo facto de ser um ser humano, refletir a imagem de Deus.

 

2) «O que foi purificado por Deus não o consideres tu impuro.»

No Atos 10, Pedro tem um sonho no qual Deus lhe ordena que consuma comida que é considerada «impura» de acordo com a lei judaica. Quando Pedro protesta, Deus recorda-lhe que a declaração do que é puro está acima - e pode mesmo contradizer - qualquer mandamento da lei. Este sonho serve como instrutivo crucial para Pedro mais à frente nesta passagem, quando ele encontra os gentios, que a lei judaica normalmente rejeitaria. Esta passagem recorda-nos que a comunidade prometida e amada por Deus não é definida pela nossas próprias regras e limitações, ou mesmo pelo nosso entendimento da lei divina.

 

3) Atos 8, 26-40: «Que me impede de ser batizado?»

Esta passagem conta-nos o encontro de Filipe com um eunuco etíope e é, provavelmente, a história bíblica mais citada por aquel@s que procuram afirmar a identidade queer no seio da fé cristã. Os eunucos, nos tempos bíblicos, eram mantidos à distância e ostracizados devido à sua impossibilidade de aderirem às normas sexuais. Um conhecimento cultural comum da época ter-se-ia apercebido que o seu estatuto como eunucos lhes barrava a inclusão na comunidade divina. Mesmo assim, este eunuco procura seguir o caminho de Jesus, mesmo quando continua a viver a sua alteridade sexual. Ele é acolhido e jubilosamente batizado na comunidade de Cristo. A pergunta do eunuco a Filipe - «Que me impede de ser batizado?» - sublinha que, aos olhos de Deus, o seu estatuto sexual não é uma barreira à inclusão.

 

4) Isaías 56, 4-5: Eis, com efeito, o que diz o Se­nhor: «Aos eunucos que guardaram os meus sábados, que escolheram o que me é agra­dável e se afeiçoaram à minha aliança, 5dar-lhes-ei, no meu templo e dentro das minhas muralhas, um monumento e um nome mais valioso que os filhos e as fi­lhas; dar-lhes-ei um nome eterno que não perecerá.»

Este texto de Isaías estabelece que o amor de Deus por aquel@s considerados «sexualmente outros» - voltados a destacar gerações mais tarde no encontro de Filipe com o eunuco etíope - antecede, de facto, a mensagem radical de Jesus de inclusão e amor. Deus promete o reconhecimento e a inclusão eternos para tod@s @s que honram a Deus, independentemente de terem sido considerados como estando nas margens.

 

5) Isaías 43, 1: «Nada temas, porque Eu te res­gatei, e te chamei pelo teu nome; tu és meu.»

Esta mensagem do profeta Isaías sublinha o amor e a proteção firmes de Deus pelo seu povo. Este versículo, em particular, lembra os crentes que somos amados e aclamados por Deus que nos redime e que sempre estará connosco - não por nossa própria iniciativa ou merecimento, mas devido à devoção de Deus por nós. Para muit@s que são queer e/ou transgénero, esta passagem pode servir como lembrete de que também nós somos chamad@s pelo nome e não precisamos ter medo.

 

6) Gálatas 3, 28: «Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem e mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus.»

Esta bem conhecida passagem dos Gálatas é usada em muitos contextos para ressoar o chamamento dos cristãos à unidade face à divisão e à indiferença. De facto, a maior parte dos Gálatas é uma instrução aos primeiros cristãos para acolherem os gentios seguidores de Cristo, mesmo que estes não partilhem de história, tradições ou leis judaicas dos primeiros crentes. Paulo deixa claro, nestes versículos e noutras partes, que a promessa de Cristo é abundante e está disponível a todas as pessoas e que as divisões e preconceitos que historicamente nos têm mantido em grupos separados de pessoas ou dado poder a alguns, não têm lugar na comunidade de Cristo. Particularmente a frase «não há homem e mulher» coloca um desafio ao entendimento binário dos papéis de género.

 

7) Mateus 22, 37-40: «Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.»

Mateus trata do grande número de leis e ensinamentos proféticos judaicos - incluindo aqueles que muitos consideram condenar a homossexualidade - deixando bem claro que o mandamento abrangente para uma vida de fé é o amor: amor a Deus e amor ao próximo. Este mandamento para amar sustenta qualquer e todos os outros mandamentos. Por isso, a procura da fé somente pelo cumprimento da lei e que não se alicerce primeiro no amor falha na compreensão do verdadeiro alcance da lei e do verdadeiro chamamento da fé.

 

8) Salmo 139: «Tu modelaste as entranhas do meu ser e formaste-me no seio de minha mãe. Dou-te graças por tão espantosas maravilhas; admiráveis são as tuas obras.»

Este salmo maravilhoso e famoso celebra o conhecimento íntimo e intencional que Deus tem sobre cada pessoa. Sugere que cada parte crucial da nossa identidade foi conhecida de Deus, trabalhada por Deus antes de termos nascido - e que, enquanto seres feitos com tão grande amor, somos criados bons. Este salmo sugere igualmente que não há lado nenhum onde possamos ir que nos afaste do amor e presença firmes de Deus.

 

9) Mateus15, 21-28: ««É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos.»

Esta história no Evangelho de Mateus detalha o encontro de Jesus com uma mulher cananeia. A sua nacionalidade faz dela uma das que está nas margens e, tendo isto por base, mesmo Jesus acaba por a rejeitar quando ela vem em procura de ajuda para a filha. Porém, a mulher cananeia desafia Jesus perante a sua recusa e Jesus acaba por louvar a fé daquela mulher e cura a sua filha. Esta história demonstra que o amor de Deus é tão expansivo que pode surpreender e testar o próprio Jesus Cristo. Encoraja-nos enquanto cristãos a estarmos atentos aos nossos próprios preconceitos e a compreendermos que o amor de Deus não é tão restritivo quanto o nosso.

 

10) 1 João 4, 7-8: «Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus.»

Esta passagem da 1.ª Carta de João realça a centralidade do amor. Sugere que o amor vem sempre de Deus e é um reflexo dele. Assim, qualquer amor genuíno, não importa que forma assuma, vem de Deus e glorifica-o.

 

Qualquer pessoa que procure seguir Deus deve igualmente procurar amar o próximo. É nosso dever acreditar que qualquer pessoa que ame também nasceu de Deus.

 

Fonte: Sojo