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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Igreja e Homofobia

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Ontem publiquei um twitt. Uma frase só: «Basta de homofobia na Igreja». Imediatamente encontrei-me perante um monte de respostas. Algumas positivas. Outras, muitas, negativas. Entre as negativas, algumas respeitosas para comigo, mas que discutiam a minha afirmação. «Na Igreja não há homofobia» - diziam uns. Outros questionavam como é que um sacerdote podia afirmar algo assim a respeito da Santa Mãe Igreja. Por acaso sou um herege, um bombista, um apóstata encoberto? (sim, tudo isto pude ler). De imediato, também alguém perguntava: será que, por acaso, falo por mim? Também havia insultos, ainda que sobre isto, como sempre faço perante as faltas de respeito pessoais, prefiro silenciar e bloquear. Alguns instigavam-me a reler o catecismo. Outros diziam que a Igreja é quem cuida dos doentes de SIDA - obrigado pela aclaração, eu mesmo estive vários anos numa casa da Caritas, fazendo várias noites por semana e acompanhando pessoas com HIV, nos anos 90, quando a Igreja era a única instituição que preocupava com as pessoas doentes. (Certamente que a SIDA não é património das pessoas homossexuais).

 

Sei tudo isto. E amo a Igreja, da qual me sinto parte. E alegram-se os passos que se vão dando, uma maior sensibilidade e afirmações como as do último Sínodo dos Jovens, que no documento final insiste que «Deus ama cada pessoa e o mesmo faz a Igreja, renovando o seu compromisso contra a discriminação e a violência devido a razões sexuais». Contudo, na Igreja há homofobia. Isto não é o mesmo que dizer que na Igreja somente há homofobia. Porque, efetivamente, na Igreja também há acolhimento e respeito. Há pessoas, instituições e grupos que acolhem. Porém, infelizmente, há pessoas que rejeitam e discriminam. Numa instituição plural como esta, há pessoas que manifestam em relação às pessoas homossexuais atitudes hostis e de insulto, às vezes sem sequer se darem conta disso.

 

Alguém me perguntava: «Poderias definir homofobia?» Para a definir basta somente ler algumas das respostas que recebi. Há quem tenha aproveitado para estabelecer paralelismos, comparando a homossexualidade com o assassínio ou com o roubo. Também há quem tenha regressado ao argumento do passado que homossexualidade é sinónimo de doença. E, claro, estão todos os que imediatamente ligaram homossexual com pedófilo. E, mesmo assim, contestam se há homofobia no seio da Igreja? Sim, infelizmente, há muitos cristãos que não respeitam as pessoas homossexuais. Os mesmo que exigem o celibato para a vida para as pessoas de orientação homossexual, afirmam, sem corarem, que os homossexuais não podem ser tidos em consideração para o sacerdócio porque não são capazes de uma vida celibatária. A sério? Não existe uma certa contradição entre ambas as exigências?

 

Honestamente, sei que as polémicas podem ser ocasião para os insultos. Mas podem também ser ocasião para a reflexão calma a partir do respeito. Para continuarmos a procurar, em Jesus e na Sua Palavra, o que mais pode ajudar-nos a compreender o mundo no qual vivemos e tratarmo-nos a partir do amor radical e incondicional que está no coração do evangelho. Nele somos. E ainda que às vezes possamos ter a tentação de calar e não nos metermos em sarilhos, seguimos um Mestre que não teve medo de levantar a voz.

 

Fonte: Facebook
Autor: José María Rodríguez Olaizola, SJ
Tradução (do espanhol): José Leote (Rumos Novos)