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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Próximo Encontro

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PROGRAMA:

  • 15h30 - Acolhimento e Oração de Abertura.
  • 15h40 - Filme - Boy Erased: Uma Verdade Anulada.
    ► SINOPSE E DETALHES: Garrard (Lucas Hedges) é um jovem de apenas 19 anos que vive numa pequena cidade conservadora do Arkansas. O pai (Russell Crowe) é um pastor da igreja batista, enquanto que a mãe (Nicole Kidman) é a mulher tradicional, bela, recatada e dona de casa. Ao descobrirem que o filho é gay, os pais decidem interná-lo num programa de terapia que oferece a "cura" da homossexualidade.
  • 17h45 - Partilha e Reflexão sobre "Terapias de Conversão".
  • 18h30 - Oração Comunitária.
  • 19h30 - Jantar da Comunidade.

 

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«Sou católico e sou gay... não necessito de ser 'curado'»

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Johnny Hultzapple, o autor, é estudante no South High School em Denver (EUA).

 

É com um coração enraivecido e triste que hoje escrevo este post.

 

No passado sábado, a arquidiocese de Denver patrocinou um evento no Centro João Paulo II, conduzido pelo ativista anti-LGBT e proponente da terapia de conversão chamado Andrew Comiskey.

 

Havia uma faixa completamente falsa e insultuosa, na vedação do Centro João Paulo II. É importante sublinhar que o representante da arquidiocese afirmou que a arquidiocese não tinha pendurado a faixa embora patrocinassem o evento. A faixa contém uma citação do líder do evento, Andrew Comiskey, e nela podia ler-se «Não existe tal coisa como uma pessoa 'gay'... Isso é um mito popular.» «O Diabo deleita-se com a perversão homossexual.»

 

Enquanto jovem, homem gay, senti-me enfurecido quando li esta faixa e um artigo num jornal. Não somente a faixa é abertamente ofensiva, como está muito, muito, muito errada.

 

EU SOU uma pessoa gay. EU SOU um homossexual e não há absolutamente nada de pervertido em mim. No Génesis 1, 26, Deus diz «Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança.» Se nos basearmos na fé cristã, os seres humanos são feitos à semelhança de Deus. Acredito que isto inclui as pessoas LGBT. As pessoas LGBT são feitas à imagem e semelhança de Deus.

 

Durante 11 anos da minha vida frequentei a escola católica mesmo no fim da rua do centro JP II. Aliás, eu costumava correr à volta do centro JP II para praticar corta-mato. As minhas boas memórias da escola católicas encontram-se infelizmente manchadas com momentos de intolerância marcados pela escuridão e dor - momentos esses que me acompanharam para o resto da vida.

 

Esta intolerância é frequentemente promovida na religião católica, ainda que isso não seja feito por todas as pessoas. A parte irónica desta intolerância é que o Catolicismo é uma religião centrada no amor: o amor de Deus pelo seu filho, o amor de Jesus pelo seu povo e o amor do povo para com Jesus demonstrado pelo amor ao próximo.

 

Acontecimentos como [a conferência com Comiskey], a qual espalhou ódio e mentiras sobre a comunidade LGBT, não são o tipo de eventos que creio estarem verdadeiramente fundados no ensinamento católico. Em João 15, 12 Jesus exclama «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei.»

 

Tenho apenas 17 anos, mas consigo perceber que eventos como o de Andrew Comiskey não espalham o tipo de amor com o qual Jesus amou o seu povo. O amor de Jesus nunca foi julgador, nunca foi exclusivo e, definitivamente, nunca teve um conteúdo de ódio. O Deus que conheço ama todas as pessoas e todas as pessoas significa qualquer pessoa que viva e respire, independentemente da sua sexualidade, género, ou qualquer outra identidade.

 

Na conferência, Andrew Comiskey afirmou «O inimigo tem como objetivo semear sementes de engano em pessoas brilhantes, realmente coloridas e realmente frágeis e é precisamente isso que é toda a abordagem LGBT.»

 

Ainda que esteja de acordo com a comunidade LGBT e eu sejamos realmente brilhantes e coloridos, sei que não somos frágeis. Somos uma comunidade FORTE. Eu sou uma pessoa forte. A comunidade LGBT luta diariamente para ultrapassar a intolerância. Com cada dia que passa, estamos a tornar-nos muito mais fortes. Ultrapassá-la-emos, tal como o fizemos no passado.

 

Pessoas que estiveram presentes na conferência disseram às pessoas que as conferências e organização de Comiskey as levaram a 'converter-se' da homossexualidade à heterossexualidade. Como o artigo descrevia «os programas de terapia de conversão como os de Comiskey foram amplamente desacreditados e têm a oposição da American Medical Association, da American Psychological Association... e de muitas outras organizações médicas.» De facto. os programas de terapia de conversão acabaram de ser proibidos na cidade de Denver (EUA). Para além disso, com a aprovação de uma lei estatal, a terapia de conversão será, disso temos esperança, proibida em todo o Colorado (EUA) este ano.

 

Infelizmente, a arquidiocese de Denver continua a promover este tipo de eventos.

 

Sou católico e sou gay. Não estou 'enganado'; o diabo não se «deleita na minha sexualidade»; não preciso de ser 'convertido' para a heterossexualidade; não preciso de ser 'curado'. Estou longe de ser perfeito, mas isso nada tem a ver com a minha orientação sexual.

 

Deus fez-me gay e sei que Deus quer que use a minha voz para espalhar amor e aceitação não somente à comunidade LGBT, mas a TODAS as pessoas, independentemente da sua identidade. Darei o meu melhor para garantir de que este ódio não continuará na minha comunidade. Darei o meu melhor para garantir que outras crianças na escola católica não terão de sofrer a intolerância que eu sofri.

 

A minha grande família católica ama-me e aceita-me como sou; eles sabem que Deus me fez gay e ama-me de igual forma. Tenho sorte e estou grato por ter este sistema de apoio em meu redor, mas outros não têm tanta sorte.

 

Peço, acima de tudo, que deem amor a tod@s @s voss@s amig@s LGBT e familiares, particularmente aqueles que se encontram em comunidades cheias de ódio.

 

No fim, é o amor que nos unirá a todos, apesar das nossas diferenças.

 

Fonte: Colorado Times Recorder

França lança campanha nacional para combater os incidentes anti-LGBT nas escolas

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A campanha foi encabeçada pela organização SOS Homofobia e foi lançada no passado dia 28 de janeiro.

 

Em toda a França foi lançada uma campanha para combater os incidentes anti-LGBT nas escolas.

 

O ministério da educação nacional e juventude francês lançou a campanha Todos Iguais, Todos Aliados, ontem dia 28 de janeiro, que assegura que todas as escolas públicas afixem cartazes anti-bullying e forneçam aos professores guias sobre os estudantes LGBT.

 

A campanha - encabeçada pela SOS Homofobia - tem como objetivo reduzir o número de incidentes anti-LGBT nas escolas depois de um relatório registar um aumento de 38% nesse tipo de incidentes no ano passado.

 

 

 

De acordo com um relatório recente, a SOS Homofobia afirmou que estes incidentes causam uma diminuição da autoestima, isolamento e muitos estudantes abandonam os estudos devido ao abuso que sofrem.

 

O risco de tentativas de suicídio era igualmente quatro vezes mais elevado nos estudantes LGBT.

 

Numa nota à imprensa, escreveram: «SOS Homofobia espera que todas as instituições, públicas e privadas, possam abrir as suas portas a esta campanha para que ela possa alcançar o máximo de estudantes e completar o trabalho de prevenção e consciencialização fornecido pelos voluntários SOS.»

 

Para quando o mesmo em Portugal?

 

 

Fonte: Attitude.

O Cardeal Nichols preside a uma Missa de acolhimento a católic@s LGBT, pais e familiares

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O cardeal Vincent Nichols, arcebispo de Westminster, presidiu pela segunda vez à Missa de acolhimento a católic@s LGBT, pais e familiares, na Festividade do Batismo do Senhor, no passado dia 13 de janeiro, na igreja jesuíta de Farm Street (Londres, Reino Unido). A igreja na zona de Mayfair, acolhe o conselho pastoral LGBT+ Catholics Westminster e as suas atividades pastorais de ajuda, conforme mandato do Cardeal.

 

Na sua homilia, o cardeal Vincent Nichols referiu-se à identidade radical que todos os cristãos têm através do seu batismo e que transcende todas as demais identidades. A comunidade que é a igreja, formada pela unidade batismal, encontra-se fundada no amor e este é vivido através de compromissos profundos de amizade, incluindo o casamento e a vida familiar.

 

Neste sentido, o cardeal fez-se eco da sua Carta Pastoral recente à Diocese de Westminster: Estar «em casa», no seu sentido óbvio, é estar no círculo no qual se nasceu, juntando as gerações das quais fazemos parte. Porém, «em casa» significa igualmente celebrar todo o amor e amizade que nos apoia. Inclui voltar a abraçar as escolhas de vidas importantes que fizemos, os deveres de fidelidade e, também, as suas graças... um momento para agradecer a Deus pela família, pelas famílias às quais pertencemos, sejam eles laços de carne e sangue, laços de amizade, ou laços criados por compromissos livremente assumidos, incluindo as promessas de vida religiosa. A palavra «família» é, então, capaz de incluir muitos padrões e dimensões de vida diferentes e alguns trazem-lhes a experiência de tristeza e de fracasso.

 

Falando após a Missa, o cardeal elogiou os LGBT+ Catholics Westminster como um sinal importante de acolhimento e inclusão no seio da diocese de Westminster, não somente enquanto pessoas que são acolhidas, mas como comunidade identificável que está em casa no seio da Igreja.

 

Durante uma receção após a Missa, o cardeal Vincent confraternizou calorosamente com vários paroquianos e membros da congregação, incluindo alguns refugiados LGBT e pessoas que procuram asilo e que são apoiados pelo conselho pastoral LGBT+ Catholics Westminster.

 

Fonte: Independent Catholic News

As histórias gays não contadas de Auschwitz

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80% dos homossexuais enviados para os campos de concentração nazis morreram aí - alguns encontrando o amor entre o horror ou salvando as vidas de outros em primeiramente. Vale a pena recordar isto no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

 

Adolf Hitler planeou um Reich com a duração de 1000 anos. Durou ao todo 12 anos, mas nesse curto período cerca de 100000 homens gay foram detidos. Cerca de metade deles foram enviados para a prisão e, destes, cerca de 15000 foram deportados para campos de concentração. Em 1945, mais de 40 desses campos estavam em operação e os homossexuais foram enviados para vários deles.

 

Contudo, somente um número relativamente pequeno foi enviado para o campo de concentração mais famoso de todos: Auschwitz.

 

Dos 97 homens gay que se sabem terem sido enviados para Auschwitz, 96 eram alemães. Os estudiosos conseguiram desenterrar o destino de 64 deles: 51 morreram no campo. São 80%, um número mais elevado do que qualquer outra categoria de «indesejáveis» exceto para os deportados judeus.

 

É importante saber que Auschwitz era, na realidade, um conjunto de três campos de concentração. O campo principal, Auschwitz I, começou a funcionar em maio de 1940. Situado perto da remota cidade de Oswiecim, na Polónia, é aqui que podemos encontrar o portão com o infame sinal Arbeit Mach Frei (O Trabalho Liberta) por cima. Embora houvesse aqui, desde o início, uma câmara de gás improvisada, o campo era principalmente uma prisão criada num quartel militar antigo. Os prisioneiros eram forçados a trabalhar e enfrentavam a probabilidade de experiências bárbaras às mãos dos médicos das SS, bem como a esterilização e a castração. As execuções eram um lugar comum.

 

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A construção de um segundo campo começou em outubro de 1941. Foi Birkenau que se viria a tornar o maior centro de morte nazi e o maior cemitério no mundo. Um terceiro campo, conhecido por Monowitz abriu um ano mais tarde. As companhias alemãs, em particular IG Farben e a Buna, estabeleceram aqui fábricas, usando os presos como trabalho escravo.

 

Ao contrário dos judeus e dos ciganos, os homens gay não eram em geral, enviados diretamente para Birkenau. Assim, não eram assinalados para morte imediata. Contudo, sofriam geralmente um tratamento cruel nos campos de concentração, não somente das SS - ferviam-lhes os testículos em água e eram-lhes atribuídos os trabalhos mais perigosos e árduos ao abrigo do programa Extermínio Através do Trabalho, mas igualmente a partir de outros prisioneiros que os viam como os mais baixos dos baixos. Encontravam-se isolados e cada tentativa que faziam de contactar outros prisioneiros colocava-os sob suspeita de «iniciarem relações promíscuas».

 

Não é de admirar que a taxa de suicídios entre os homens gays fosse muito mais elevada do que para qualquer outra categoria de prisioneiros. Ao longo de todo o sistema do campo de concentração, essa taxa era 10 vezes mais elevada e não há qualquer razão que nos leve a acreditar que esta seria mais baixa em Auschwitz. E este número é provavelmente um número conservador, dado que os nazis nem sempre se preocupavam em registar essas mortes.

 

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Sabe-se que a 20 de janeiro de 1942, existiam 22 homens gay no campo principal e em agosto desse mesmo ano 28 somente restavam 28 deles em todo o complexo de Auschwitz.

 

Acontece que alguns homens gays eram também judeus e o seu destino era frequentemente decidido pelo de facto de chegarem ou não ao campo envergando a estrela amarela de David (para os judeus) ou o não menos conhecido triângulo rosa que os homossexuais eram obrigados a coser nas suas vestes.

 

Fredy Hirsch era um atleta e professor. Era judeu e gay. Nasceu em Aachen, na Alemanha, em 1916. Mudou-se para a Checoslováquia para escapar à perseguição nazi, vivendo com o seu namorado Jan Mautner, um estudante de medicina ligeiramente mais velho, entre 1936 e 1939.

 

Fredy organizou e geriu campos de jovens e procurou ajudar os jovens judeus que tinham a esperança de poder emigrar para a Palestina. Quando os nazis invadiram a Checoslováquia em 1939 e baniram os judeus dos cargos públicos, Hirsch fundou um centro de lazer onde os mais novos podiam ainda praticar exercício e 18 dos seus jovens conseguiram mesmo escapar para a Dinamarca neutral.

 

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Em finais de 1941, Fredy foi enviado para o campo de concentração de Theresienstadt, um lugar a que os alemães chamavam de «gueto modelo». Mautner acabaria por ser deportado também para aqui alguns meses mais tarde. Hirsch começou imediatamente a cuidar de um grupo de crianças, certificando-se que estas faziam exercício físico e, mais importante ainda, na sua condição esquálida, permaneciam limpos, realizando mesmo competições de higiene.

 

Todas as crianças eram obrigadas a trabalhar e Fredy tentou assegurar que estas tinham trabalhos «mais fáceis» como era o caso dos campos de vegetais. Claro que ele falava alemão e isso ajudou a construir relações razoáveis com os guardas embora ele fosse judeu e abertamente gay. Numa ocasião, isso ajudou-o a impedir que crianças fossem transportadas de Theresienstadt para os campos de extermínio.

 

Contudo, ele abusou da sua sorte e tendo tentado estabelecer contacto com um grupo de jovens recentemente chegados a Theresienstadt, acabou sendo enviado para Auschwitz em setembro de 1943, num transporte com 5000 outros prisioneiros - 300 dos quais com 15 anos e mesmo menos.

 

Fredy acabou num «campo de família» em Birkenau. Era normal as crianças não serem enviadas diretamente para a morte e Fredy acabou por se tornar no cuidador dessas crianças. Assegurava-se de que recebessem aulas, organizava atividades e conseguia obter comida melhor e instalações mais quentes para eles. Conseguiu mesmo convencer os guardas a fazer a contagem diária no interior em vez de ter os jovens horas de pé no exterior e ao frio. Porém, Fredy não era imune às dificuldades e, pelo menos, numa ocasião foi severamente agredido quando uma das crianças adormeceu durante a contagem.

 

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Fredy Hirsch foi supervisor do bloco das crianças no campo de família em Auschwitz II-Birkenau

 

Outro transporte de 700 crianças chegou a Birkenau em dezembro de 1943 - onde se encontrava Jan Mautner, embora este nunca voltasse a ver o Fredy novamente. Hirsch persuadiu as autoridades a disponibilizarem um segundo barracão para as crianças mais jovens, com idades entre os três e os oito anos, para que eles pudessem trabalhar numa representação da Branca de Neve para as SS.

 

Dentro do campo de família, a taxa de mortalidade, após os primeiros seis meses, era de cerca de 25% - nas barracas de Hirsch praticamente não havia mortes.

 

Rapidamente Fredy começou a fazer parte de um movimento de resistência no interior do campo e ficou a saber que um grande número de crianças iria ser gaseada. Embora não se saiba ao certo o que aconteceu a seguir, pensa-se que Hirsch se recusou a ser separado das crianças a seu cargo, apesar do seu estatuto significar que ele teria sido certamente poupado à morte certa. Alguns estudiosos pensam que ele se suicidou com uma overdose - ou que os médicos judeus lhe induziram uma overdose como forma de evitar que ele causasse um motim que poderia colocar em perigo a sua própria vida. O que é certo é que as crianças foram assassinadas na noite de 8 de março de 1944 e os seus corpos incinerados. O corpo do Fredy foi cremado no mesmo dia. Tinha 28 anos.

 

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Em 2008, uma placa comemorativa foi colocada no exterior da casa de infância de Hirsch em Aachen, Alemanha.

 

Um dos sobreviventes do campo de família em Theresienstadt disse: «Não havia ninguém com tamanho espírito de autossacrifício, [ou] devotado às crianças.» E embora ele tenha sido obliterado da História pelos comunistas na Checoslováquia e por alguns sobreviventes depois da guerra, devido à sua homossexualidade, em 2016 o presidente da câmara da sua terra natal em Aachen descreveu-o como «um dos filhos mais importantes da cidade, ainda que não o mais conhecido.»

 

E a música checa Zuzana  Růžičková, que trabalhou como professora assistente no barracão das crianças em Auschwitz, atribui a Hirsch o ter salvo a vida. Ele disse-lhe para mentir quanto à idade, dizendo que tinha 16 anos pois as crianças mais novas iam geralmente diretamente para as câmaras de gás.

 

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A aclamada música checa e sobrevivente de Auschwitz Zuzana Růžičková atribui a Fredy Hirsch o facto de ter escapado com vida.

 

Muitos anos mais tarde, ajudou a organizar um monumento em honra de Fredy. Na dedicação do monumento, ela afirmou: «Esperamos que quando o último de nós que o conheceu falecer, as futuras gerações possam colocar-se perante esta placa e dizer: 'Ele deve ter sido uma pessoa boa, lutadora e maravilhosa'.»

 

O companheiro de Fredy, Jan, sobreviveu a Auschwitz, bem como, pelo menos, um outro campo e foi enviado de volta para Theresienstadt. Tornou-se médico e encontrou um novo companheiro. Contudo, não escapou sem marcas: tinha contraído tuberculose nos campos de concentração e morreu em Praga, em 1951.

 

Kitty Fischer tinha 17 anos quando foi enviada para Auschwitz em 1944 porque era judia. À chegada, foi enviada para que lhe rapassem a cabeça. Aterrorizada e confusa, conheceu um pintor de retratos de Munique. Os guardas obrigavam-no a limpar as casas de banho 7 dias por semana, 10 horas por dia «como uma forma de dar um melhor uso ao pincel.»

 

Vendo o seu triângulo rosa, Kitty perguntou-lhe o seu significado. Quando ele lhe disse que era gay, ela não conseguiu perceber. Ele explicou-lhe que era homossexual. Kitty não fazia a menor ideia do que a palavra significava e perguntou-lhe se era alguma religião, o que fez com que o jovem, que tinha sido enviado para o campo de concentração com o companheiro em 19400, risse.

 

Algum tempo depois, o homem trouxe-lhe e à irmã duas batatas quentes cosidas com casca. Todos os dias ele contrabandeava comida para Kitty. «Ele contribuiu para a minha sobrevivência, isso é um facto,» disse ela.

 

O artista voltou a abordá-la um mês depois. Ia ser transferido para outro campo e avisou-a que ia haver uma seleção no dia seguinte, quando os nazis iriam enviar um grande grupo para as câmaras de gás. O homem gay disse-lhe que uma empresa andava à procura de tecelãs para trabalharem fora do campo. Diz-lhes que sabes tecer, disse ele. Mente.

 

«Eu era tão jovem,» acrescentou a Kitty. «Ele sabia o que me ia acontecer, eu não.» Ele fez o que ele lhe disse e sobreviveu, sendo libertada da fábrica em 1945. Tornou-se dona de uma cadeia de lojas na Austrália antes de se mudar para Kings Cross, nos arredores de Sydney, onde testemunhou o terrível número de mortes que o HIV/SIDA estava a provocar junto da comunidade gay dessa zona. Ela passou o resto da vida a dar apoio emocional e psicológico aos que sofriam com a doença. Morreu em 2001.

 

Nada mais se sabe do seu salvador.

 

Karl Gorath tinha 26 anos quando chegou a Auschwitz. Tinha sido denunciado por um ex-amante ciumento e preso pelos nazis sob o parágrafo 175 que proibia os atos homossexuais - incluindo beijos e abraços - e que permaneceu em vigor em certas zonas da Alemanha até 1969.

 

Foi enviado para o campo de concentração de Neuengamme, perto de Hamburgo. Ele tinha estudado para ser enfermeiro, pelo que ficou a trabalhar num hospital prisão num subcampo. Contudo, tendo-se recusado a reduzir as rações de comida aos presos polacos, foi punido sendo transferido para Auschwitz. Dado que o seu crime era agora visto como político, foi obrigado a usar um triângulo vermelho e foi-lhe tatuado o número 124630.

 

Ele trabalhou no pavilhão para doentes de Auschwitz I até nove dias antes do campo ser libertado, altura em que foi transferido, com um tempo gélido e num carro aberto, para Mauthausen, perto de Linz, naquilo que era a Áustria Alta. A viagem demorou 11 dias.

 

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Karl Gorath tinha 26 anos quando chegou a Auschwitz. A lei antigay sob a qual foi preso permaneceu em vigor até 1969.

 

Voltou a ser transferido à medida que as tropas Aliadas fechavam o cerco à Alemanha nazi e foi finalmente libertado pelos americanos em 6 de maio de 1945.

 

Nas suas memórias, afirma que dois jovens polacos, Tadeusz e Zbigniew, se tornaram seus amantes no campo. Incrivelmente, ele continua para afirmar: «Eu tinha o meu próprio quarto enquanto supervisor do bloco e foi aqui que passei os melhores momentos da minha vida, com Zbigniew.» Ele acrescenta que somente uma vez na vida tinha vivido um amor tão profundo com outro homem e que tinha sido «aqui, no campo de concentração, entre toda a miséria que nos cercava, nunca antes e nunca depois - nunca mais - que encontrei o amor da minha vida em Auschwitz.»

 

Tadeusz e Zbigniew morreram ambos em Auschwitz.

 

Seria de esperar que os problemas de Karl tivessem terminado após a sua libertação, mas não foi isso que aconteceu. Os sobreviventes do holocausto gay podiam voltar a ser presos por «ofensas repetidas» e eram mantidos em listas de «predadores sexuais». Sob o Governo Aliado Militar da Alemanha, alguns homossexuais foram obrigados a cumprir na totalidade as suas penas, independentemente do tempo passado em campos de concentração.

 

Karl voltou a ser preso em março de 1946, enviado para julgamento e sentenciado a cinco anos de prisão. Todos os apelos por perdão e clemência foram negados e somente foi libertado em abril de 1951. Tal como aconteceu com outros grupos vistos como indesejáveis pelos nazis os pedidos de compensação reclamados pelo seu sofrimento foram bem-sucedidos, mas os esforços de Karl saíram sempre frustrados pois ele tinha «registo criminal» e não tinha sido perseguido devido à sua raça ou crença.

 

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Karl continuou a enfrentar a discriminação por ser gay durante muito tempo após ter sobrevivido aos horrores de Auschwitz.

 

Em maio de1975, Karl, então com 62 anos, viu ser-lhe negada a reforma porque «o período entre 1/8/1939 e 8/5/1945 não podia ser reconhecido como tempo de substituição» do trabalho. Por outras palavras, estar em Auschwitz não foi suficientemente mau!

 

Os recursos contra esta decisão foram todos finalmente arquivados em fevereiro de 1980. Karl Gorath morreu em março de 2003 aos 90 anos de idade. O Parágrafo 175 somente foi removido da lei ordinária em 1994.

 

Ernst Ellson nasceu em 1904. Era judeu e foi preso em novembro de 1940 depois de um prostituto contar à polícia de que ele era um cliente. Ernst esteve preso durante quatro meses antes de ser considerado culpado de «promiscuidade pervertida.» Tinha estado sob vigilância desde 1935.

 

No dia em que foi libertado, a Gestapo estava à sua espera com um mandato de detenção. Afirmava: «Receia-se, se deixado em liberdade, que persistirá num tipo de comportamento que é prejudicial à saúde nacional.» O documento estava assinado por um dos arquitetos da Solução Final e chefe dos serviços de segurança, Reinhard Heydrich.

 

Ernst foi primeiramente enviado para Buchenwald, perto de Weimar, na Alemanha, onde cerca de 56000 pessoas iriam morrer; depois para Gross Rosen, que faz atualmente parte da Polónia, onde cerca de 40000 presos perderam a vida. Foi deportado para Auschwitz em 16 de outubro de 1942.

 

Tinha vivido durante 18 meses nos primeiros dois campos de concentração, mas sobreviveu somente cinco semanas nos horrores de Auschwitz.

 

Manfred Lewin era gay e judeu. Viveu em Berlim e foi ordenada a sua deportação em 1942 em conjunto com os pais.

 

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Manfred Lewin foi enviado para Auschwitz aos 20 anos de idade.

 

O seu namorado, Gad Beck de 19 anos, deitou mão a um uniforme da Juventude Hitleriana e enganou os guardas no centro de detenção para que estes libertassem Manfred, que, afirmou, era necessário para trabalho escravo. Saíram juntos pelos portões, mas Manfred decidiu que não podia deixar a família para trás e regressou. Foi enviado para Auschwitz onde veio a morrer aos 22 anos.

 

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O namorado de Manfred, Gad Beck, foi um dos últimos sobreviventes do Holocausto, tendo morrido em 2012.

 

Gad sobreviveu à guerra e numa entrevista em 2000, 12 anos antes da sua morte, recordou a perda do seu «grande, grande amor.»

 

Hermann Bartel era decorador. Era gay. Enviado para Auschwitz a 6 de dezembro de 1941, aí morreu em 2 de março de 1942, aos 41 anos. Erwin Schimitzek era um empregado de balcão gay. Foi enviado para Auschwitz em 22 de agosto de 1841. Aí morreu em janeiro do ano seguinte. Tinha 23 anos. O trabalhador agrícola Emil Drews chegou ao campo da morte no mesmo dia e morreu uns dias antes de Erwin. Tinha 58 anos.

 

O gerente de loja Max Gergia passou três meses em Auschwitz antes de morrer. Tinha 37 anos. Emil Sliwiok sofreu o mesmo destino, tinha 28 anos. O empregado de mesa August Pfeiffer foi deportado para Auschwitz, tendo aí chegado a 1 de novembro de 1941. Aos 46 anos, morreu em finais de dezembro. Walter Peters, um médico, morreu cinco dias após chegar ao campo. Tinha acabado de fazer 51. Willi Pohl tinha 35 anos quando morreu. Era empregado têxtil e gay. Rudolf von Mayer era juiz. Era gay. Chegou a Auschwitz a 30 de maio de 1941 e morreu três meses mais tarde, escassos dias antes de completar o seu 37.º aniversário. Willi Kacker tinha 36 anos quando morreu. O agricultor Oskar Birke tinha 48. Otto Hertzfeld, 35; o talhante Johann Majschek, 53; o jardineiro Franz Ruffert, 39; o assistente de escritório Richard Schiller, 41; o alfaiate Josef Klose, 47; o eletricista Hugo Prabitzer, 40.

 

Todos gays. Todos enviados para Auschwitz. Todos mortos.

 

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Erwin Schimitzek morreu em Auschwitz em 1942. Tinha 23 anos.

 

E houve mais - já para não referir o incontável número cujo destino exato permanece desconhecido quer nos campos de concentração quer depois sendo transferidos para outros lugares antes do final da guerra. Homens gays, simplesmente mortos porque amavam outro homem.

 

Se podemos tirar alguma lição de tudo isto, deste Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, talvez ela possa ser que os nazis não mataram apenas pessoas. Um dos homens gays que morreu podia ter inventado algo incrível; podiam ter sido grandes diplomatas ou líderes que evitassem outra guerra assassina; os mais jovens poderiam ter-se tornado cientistas ou médicos, que encontrassem a cura para o cancro, para a demência, para o ébola, as doenças cardíacas ou o HIV. Quem sabe?

 

Os nazis não mataram somente pessoas: eles mataram o futuro!

 

 

Fonte: Attitude

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto: Como o Triângulo Rosa se Transformou num Símbolo dos Direitos dos Gays

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Homens Gay usando o triângulo rosa num campo de concentração nazi.

 

 

Quando o mundo assinala o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto (neste domingo, 27 de janeiro), queremos recordar todas e todos aqueles que na comunidade LGBT foram perseguidos pelo regime nazi - e como o triângulo cor de rosa, utilizado para identificar os homens gay ou bissexuais nos campos de concentração, se tornou num símbolo a favor dos direitos dos gays.

 

Quando Adolfo Hitler e o seu Partido Nazi tomou o poder na Alemanha em junho de 1933, a ditadura avançou para a perseguição e assassínio de grupos minoritários, incluindo judeus, pessoas LGBT, o povo cigano e os prisioneiros políticos.

 

Com início em 1933, os nazis construíram uma rede de campos de concentração através da Alemanha, onde os grupos «indesejáveis» eram detidos, incluindo judeus e homens gay.

 

Esta perseguição continuou após o eclodir da Segunda Guerra Mundial em 1939 e, entre 1941 e 1945, o Partido Nazi assassinou sistematicamente seis milhões de judeus europeus - como parte de um plano conhecido como «A Solução Final para o Problema dos Judeus» - em campos de extermínio e fuzilamentos em massa. Este genocídio é conhecido como Holocausto, ou a Shoah em hebraico.

 

Ao todo, cerca de 17 milhões de pessoas, incluindo milhares de homens gays e bissexuais, foram sistematicamente mortos às mãos dos nazis.

 

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto é anualmente celebrado a 27 de janeiro - assinalando o aniversário da libertação de Auschwitz-Birkenau, o maior campo de morte nazi - e recorda os milhões de pessoas mortas pelos nazis e posteriormente os genocídios no Camboja, Ruanda, Bosnia e Darfur.

 

 

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto: a perseguição nazi de homens gays e a comunidade LGBT

 

Sob o domínio nazi, as perseguições aos homens homossexuais intensificou-se, embora o sexo gay entre homens fosse já ilegal desde 1871.

 

Estima-se que os nazis aprisionaram mais de 50.000 homens gay, incluindo uma estimativa de entre 5.000 e 15.000 homens que foram enviados para campos de concentração, de acordo com uma pesquisa do historiador Rüdiger Lautmann.

 

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O sistema de classificação utilizado para os uniformes dos detidos - incluindo o triângulo rosa para os homossexuais - no campo de concentração de Dachau, Alta Baviera, no sul da Alemanha.

 

Ainda que o sexo entre mulheres não fosse oficialmente ilegal na Alemanha nazi, as lésbicas foram igualmente perseguidas. Benno Gammerl, leitora em História Queer em Goldsmiths, Universidade de Londres refere que a perseguição às lésbicas é «mais difícil de rastrear» porque elas não estavam incluídas no código penal e não havia categorização específica para as lésbicas nos campos de concentração (embora algumas fossem obrigadas a utilizar um triângulo negro utilizado para mostrar prisioneiros «associais».

 

Do mesmo modo, as pessoas trans também foram perseguidas sob o domínio nazi, incluindo o facto de terem sido enviadas para os campos de concentração. De acordo com o Dia da Memória Transgénero, em 1938 o Instituto de Medicina Legal recomendou que o «fenómeno do travestismo» fosse «exterminado da vida pública.»

 

Mais uma vez, Gammerl reconhece que houve pedidos para uma maior investigação sobre a situação difícil das pessoas trans sob os nazis, afirmando: «Neste momento, simplesmente ainda não sabemos o suficiente.»

 

 

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto: O triângulo rosa nos campos de concentração nazis

 

Nos campos de concentração nazis, um triângulo rosa era usado para identificar alguns homens gays. Gammerl, que descreve o triângulo rosa como uma «invenção nazi», afirma que «não é perfeitamente clara» a razão pela qual os nazis usaram a cor rosa para esta finalidade.

 

Nos campos de concentração, os reclusos LGBT eram sujeitos a passar fome e a trabalho forçado, bem como a enfrentar discriminação quer dos guardas das SS quer dos outros reclusos.

 

Pierre Seel, um sobrevivente gay do campo de concentração Schirmeck-Vorbrück, perto de Estrasburgo, que faleceu em 2005, lembrava-se de um incidente traumatizante nas suas memórias. Seel escreveu que um grupo de guardas das SS despiram o seu namorado de 18 anos antes de libertarem uma matilha de pastores alemães que o atacaram até à morte.

 

«Não havia solidariedade para com os prisioneiros homossexuais. Eles pertenciam à casta mais baixa,» escreveu Steel no seu livro de 1995 «Eu, Pierre Seel, Homossexual Deportado: Uma Memória do Terror Nazi.»

 

«Outros prisioneiros, mesmo entre si, costumavam fazer-lhes mira.»

 

Os homens gays eram também submetidos a tortura - incluindo a sodomia forçado utilizando madeira - e experiências em seres humanos às mãos dos nazis. Há registos de homens gays a serem obrigados a dormir com escravas sexuais e lésbicas a serem obrigadas a realizar atos sexuais com homens, como uma forma de terapia de conversão.

 

«Não havia solidariedade para com os prisioneiros homossexuais. Eles pertenciam à casta mais baixa.»

— Pierre Seel, um sobrevivente gay de um campo de concentração nazi

 

Ainda assim, argumenta Gammerl que embora «haja uma evidência de que os homossexuais recebiam um tratamento pior,» os registos disponíveis tornam difícil concluir sem margem de dúvida que as pessoas gays eram tratadas, de forma consistente, pior do que os demais reclusos.

 

«É difícil tirar conclusões definitivas sobre o facto de os homossexuais estarem no «fundo» da hierarquia do campo,» afirma.

 

«Todos os reclusos viviam sob a ameaça permanente de serem agredidos ou violados ou ainda mortos pelos guardas e havia ainda a violência gerada entre reclusos, alguns deles sendo certamente homofóbicos.»

 

«Portanto, diria, todos os reclusos viviam vidas horríveis muito para além do que posso imaginar.»

 

Ele realça que, dado que os judeus eram a população predominante dos campos de concentração, «certamente que não podemos afirmar que os homossexuais eram tratados de forma pior do que de facto eram.»

 

«Todos os reclusos viviam sob a ameaça permanente de serem agredidos ou violados ou ainda mortos pelos guardas e havia ainda a violência gerada entre reclusos, alguns deles sendo certamente homofóbicos.»

— Benno Gammerl, leitor na cadeira de História Queer em Goldsmiths, Universidade de Londres

 

Acredita-se que milhares de pessoas LGBT foram assassinadas pelos nazis. Contudo, a documentação nazi muito pobre no que diz respeito às pessoas LGBT tem como resultado que os historiadores têm sido incapazes de calcular uma estimativa exata. Lautmann argumentou que a taxa de morte em relação aos homens gay pode ser tão elevada como 60 por cento daqueles detidos em campos de concentração.

 

Gammerl realça igualmente que alguns judeus e ciganos mortos pelos nazis podem igualmente ter sido identificados como uma minoria sexual ou de género.

 

«Quando falamos em números, é importante não nos esquecermos que parte das pessoas que foram perseguidas por serem judeus, comunistas, sinti e ciganos, ou como membros de outros grupos que os nazis enviaram para os campos de concentração, que um certo número dessas pessoas pode igualmente ter sido de pessoas LGBT,» acrescenta.

 

 

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto: os homens gays após a Segunda Guerra Mundial e como o triângulo rosa foi reclamado como um símbolo dos direitos dos gays

 

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a perseguição aos gays e bissexuais continuou. A atividade sexual entre homens permaneceu ilegal na Alemanha Oriental (ex-RDA) e Ocidental (ex-RFA) até 1968 e 1969, respetivamente.

 

Gammerl destaca que, enquanto as autoridades da Alemanha Oriental eram «mais clementes» em relação aos homens gays, depois da Segunda Guerra Mundial, a perseguição aos homens gays na Alemanha Ocidental era «bastante intensa» nas décadas seguintes com «amplas vagas» de detenções em cidades como Frankfurt.

 

«Homens e mulheres com desejos pelo mesmo sexo tinham de se certificar que viviam as suas vidas de uma forma pouco pública e, para os homens, havia o medo permanente de serem enviados para a cadeia,» explica.

 

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O Parque do Triângulo Rosa em São Francisco (EUA), onde o triângulo rosa foi usado para recordar as vítimas LGBT do Holocausto.

 

Existem também relatos de homens gays a voltarem a ser detidos usando provas obtidas pelos nazis. Durante décadas após a Segunda Guerra Mundial, o tratamento dado pelos nazis às pessoas LGBT passou despercebido em muitos países.

 

Foi preciso chegarmos a 2002 para que o governo alemão tenha pedido desculpa à comunidade gay e anulado as condenações de homens gays e bissexuais sob o regime nazi. Em 2005, o Parlamento Europeu fez passar uma resolução incluindo os homossexuais como parte dos que foram perseguidos durante o Holocausto.

 

De forma incisiva, à medida que o movimento dos direitos dos gays ganhava impulso na Alemanha ocidental, nos anos 70 do século passado, o triângulo rosa começou a ser utilizado como um símbolo para assinalar a história da violência contra os gays.

 

Como gesto de desafio, o triângulo rosa foi reclamado - e frequentemente invertido, com a ponta apontando para cima - como sinal de ativismo gay. Tornou-se conhecido à escala internacional durante os anos 80 do século passado, quando um coletivo de seis pessoas, denominado o Silêncio=Projeto de Morte, usou uma versão invertida do triângulo em posters que o grupo afixou em Nova Iorque para aumentar a consciencialização em relação à crise da SIDA.

 

A ponta do triângulo rosa a apontar para cima foi, mais tarde, utilizada pela AIDS Coalition to Unleash Power (ACT UP) nas suas campanhas durante a epidemia da SIDA. Foi igualmente utilizado em serviços fúnebres para lembrar as vítimas LGBT do Holocausto em São Francisco, Amesterdão e Sydney.

 

Fonte: PinkNews

Oito Seleções do Evangelho para pessoas LGBT e Respetivas Famílias

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Vamos dar uma olhadela ao Novo Testamento através destas maravilhosas passagens dos Evangelhos, as quais assumem um significado especial quando olhadas através de uma lente LGBT. Nelas encontraremos discussões sobre o amor, a justiça e o perdão para podermos refletir ao longo do ano. Portanto comemora a tua identidade - e aquela dos membros da tua família! - com um pouco das escrituras.

 

1. AS BEATITUDES (Mateus 5, 3-11)

3«Felizes os pobres em espírito,
porque deles é o Reino do Céu.
4Felizes os que choram,
porque serão consolados.
5Felizes os mansos,
porque possuirão a terra.
6Felizes os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
7Felizes os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
8Felizes os puros de coração,
porque verão a Deus.
9Felizes os pacificadores,
porque serão chamados filhos de Deus.
10Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça,
porque deles é o Reino do Céu.
11Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa.»

 

Seria difícil não começarmos com esta passagem clássica de bênçãos dadas por Jesus no seu Sermão da Montanha. A beleza lírica e sentido profundo de mistério nestes versículos transformam-nos numa fonte poderosa de conforto para as pessoas que sofrem. São excelentes versículos para memorizar e recitar em tempos de tribulação. A minha parte favorita? «Felizes os que sofrem perseguição.»

 

Bónus: Mateus 5, 14-16, os versículos mesmo depois das Beatitudes, são também do Sermão da Montanha e igualmente importantes:

 

«14Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; 15nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa. 16Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu.»

 

Para mim, estes versículos centram-se na forma em como devemos ser, aberta e orgulhosamente, nós mesmos, sem nos importarmos com mais nada - uma poderosa mensagem para qualquer pessoa LGBT.

 

 

2. ANSIEDADE (Mateus 6, 25-34)

 

25«Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou beber, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Porventura não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestido? 26Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas?

27Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?

28Porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam! 29Pois Eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles. 30Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao fogo, como não fará muito mais por vós, homens de pouca fé?

31Não vos preocupeis, dizendo: ‘Que comeremos, que beberemos, ou que vestiremos?’ 32Os pagãos, esses sim, afadigam-se com tais coisas; porém, o vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. 33Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. 34Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu problema.»

 

Vários estudos internacionais demonstram que as pessoas LGBT têm três vezes maior probabilidade de experienciarem problemas de saúde mental, tais como ansiedade ou depressão. Quando a ansiedade levanta a sua cabeça feia para mim, gosto de me voltar para os Salmos e para esta passagem conhecida de Mateus. Orar, ler as escrituras e memorizá-las podem ser auxiliares de meditação que te podem ajudar a encontrares paz. Esta passagem é um ótimo começo.

 

Bónus: Outra ótima passagem sobre a ansiedade encontra-se em Mateus 7, 23-27, a passagem na qual Jesus e os seus discípulos se encontram todos num barco e os discípulos começam a passar-se com uma grande tempestade. Jesus diz-lhes que tudo o que precisam é usar a fé para reprimir a sua ansiedade, para depois, numa metáfora muito bela, para dar ênfase a esta ideia e a tempestade subitamente acalma-se.

 

 

3. NÃO JULGAR O PRÓXIMO (Mateus 7, 1-5)

 

1«Não julgueis, para não serdes julgados; 2pois, conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos. 3Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista? 4Como ousas dizer ao teu irmão: ‘Deixa-me tirar o argueiro da tua vista’, tendo tu uma trave na tua? 5Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão.»

 

Esta passagem maravilhosa, mais tarde também repetida em Lucas, cai que nem uma luva quando se trata de assuntos LGBT. Estamos habituados a sermos julgados por quem não tem o direito de nos julgar. Porém, temos de permanecer vigilantes para que nós mesmos não façamos o mesmo. É novamente aquela coisa do «dar a outra face»! Não responder à fealdade com fealdade, mas com compaixão.

 

 

4. A REGRA DE OURO (Mateus 7, 12)

 

12«Portanto, o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas.»

 

Estás a ver aqui um padrão? Dar a outra face, não julgues aqueles que te julgam e trata os outros da forma como gostarias de ser tratado - não necessariamente da forma que te estão a tratar. Estas práticas podem ajudar-te a lidar com a homofobia do dia-a-dia, através da energia positiva que substituirá a má.

 

 

5. AMA O TEU PRÓXIMO (Marcos 12, 31)

 

31«O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes.»

 

Já ultrapassámos o amar os nossos inimigos, mas vale a pena notar que o Cristianismo é acerca de amar todas e todos - os teus amigos e amigas, os teus inimigos e inimigas e os estranhos e estranhas que nunca conheceste. Quando pensamos no amar, normalmente é um sentimento muito poderoso e profundo que somente vivemos em relação aos nossos amigos e amigas mais chegados e família. A mensagem radical desta passagem é a de que devemos amar todas as pessoas. Cada uma das pessoas.

 

Este tipo de amor necessita de um coração extremamente aberto, algo acerca de que Borg escreve extensamente. Por exemplo, afirma ele que «a abertura do coração é a finalidade da espiritualidade, quer da nossa prática individual quer da coletiva... Um coração aberto, compaixão e paixão pela justiça andam de mão dada. Um coração aberto sente o sofrimento e a dor do mundo e responde-lhe. Compaixão e paixão pela justiça são o impulso ético e imperativo que andam de mão dada com um coração aberto.» Consegues imaginar como seria o mundo se todos e todas amassem todos e todas - se o coração de todas as pessoas fosse aberto desta forma?

 

Repararás também que Borg realça o modo como o amor e a justiça andam de mão dada. De acordo com Borg, justiça é a «forma social do amor.» «Levar o Deus do amor e a justiça de forma séria,» escreve Borg, «significa levar a justiça a sério e apercebermo-nos de que a injustiça prolongada tem consequências.» Serei somente eu que sente arrepios ao pensar nisso?

 

 

 

6. VIDA VS. PÓS-VIDA (Marcos 12, 27)

 

27«Não é um Deus de mortos, mas de vivos. Andais muito enganados.»

 

Esta citação, atribuída a Jesus, é uma das minhas favoritas. Um dos grandes erros do Cristianismo é de que este é sobre fazer o bem para ganhar um lugar no Céu. De facto, Jesus foi muito mais do que um «profeta social» (nas palavras de Borg) centrado em fazer a vida quotidiana na terra melhor para as pessoas vivas. Enquanto seres humanos, todos e todas temos de fazer o nosso melhor para tornar o nosso mundo um lugar melhor, antes de o deixarmos.

 

 

7. INCLUSÃO RADICAL (João 6, 70-71)

 

70«Disse-lhes Jesus: «Não vos escolhi Eu a vós, os Doze? Contudo, um de vós é um diabo.» 71Referia-se a Judas, filho de Simão Iscariotes, pois esse é que viria a entregá-lo, sendo embora um dos Doze.»

 

Jesus não pregou somente uma mensagem sobre o amor aos nossos inimigos - ele também pôs em prática esse conceito. Ele deixou que Judas continuasse com ele, mesmo sabendo, segundo esta passagem, que ele acabaria por traí-lo e ser responsável pela própria morte de Jesus! E não era somente com os falsos amigos com quem Jesus se dava - também se dava com os cobradores de impostos e as prostitutas, entre outros. Borg escreve que a mensagem de Jesus «subverteu as fronteiras sociais rígidas do seu tempo. A sua atividade pública mais visível era a sua prática de refeições inclusivas, frequentemente alvo dos críticos de Jesus. Ele comeu com os marginalizados e os proscritos. Era o comer juntos como um ato simultaneamente religioso e político praticado em nome do Reino de Deus. A prática de refeição de Jesus afirmou que pão e inclusividade... são o Reino de Deus.»

 

 

8. GENTE QUE ODEIA IRÁ ODIAR (João 7, 6-7)

 

6«E Jesus disse-lhes: «Para mim ainda não chegou o momento oportuno; mas, para vós, qualquer oportunidade é boa. 7O mundo não pode odiar-vos; a mim, porém, odeia-me, porque sou testemunha de que as suas obras são más.»

 

Nos nossos dias muitas pessoas seguem os ensinamentos de Jesus, portanto é fácil esquecer o quão temido e odiado ele era no seu tempo devido às ideias progressistas que ele ensinava sobre o amor, a inclusão e a aceitação. Ele estava simplesmente muito à frente do seu tempo. Muitas pessoas LGBT já se sentiram assim - é reconfortante saber que estamos em tão boa companhia.

 

 

Fonte: Alyse Knorr 

As audenominadas "terapias de conversão" e a saúde mental das pessoas LGBT

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A autodenominada "terapia de conversão", algumas vezes designada como "terapia reparadora" ou "esforços para alterar a orientação sexual" (EAOS), constituem um leque de práticas perigosas e desacreditadas que têm como objetivo a mudança da orientação sexual ou a identidade ou expressão de género. Estas práticas prejudiciais baseiam-se na falsa alegação que ser-se uma pessoa LGBT é uma doença mental que deve ser curada ou um pecado do qual nos devemos abster. Na realidade, a Associação de Psiquiatria Americana determinou, em 1973, que a homossexualidade não é uma doença mental, mas antes uma variação normal da natureza humana. Infelizmente os jovens LGBT podem ser coagidos e submetidos a estas práticas prejudiciais, que resultam num leque de desfechos negativos, incluindo depressão, ansiedade, abuso de substâncias e suicídio.

 

A terapia da conversão resulta?

Não. A terapia da conversão não logrou provar que consegue mudar a orientação sexual de uma pessoa através de quaisquer estudos científicos. Na realidade, o Dr. Robert Spitzer, cuja pesquisa foi anteriormente utilizada para apoiar a terapia de conversão, retratou-se das suas alegações iniciais, afirmando que todos os dados referentes à terapia de conversão foram mal interpretados e que não existe qualquer evidência científica de que esta resulte. Um estudo publicado em 2002 constatou que 88% dos participantes na terapia de conversão não conseguiram alcançar uma mudança sustentada no seu comportamento sexual e somente 3% afirmaram ter-se tornado heterossexuais. Das 8 pessoas (num total de 202) que relataram uma mudança na sua orientação sexual, 7 trabalhavam como conselheiros de pessoas ex-gay ou eram responsáveis por algum desses grupos.

 

A terapia de conversão é tolerada por organizações médicas de renome?

Não. A terapia de conversão não é tolerada, nos Estados Unidos, pela American Psychological Association (Associação Americana de Psicologia), American Psychiatric Association (Associação Americana de Psiquiatria) e pela The American School Counselor Association (Associação Americana dos Conselheiros de Escola). Em Portugal, a Ordem dos Psicólogos Portugueses, em 11 de janeiro de 2019 (última tomada de posição pública), e o Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos, em dezembro de 2009, tomaram posição pública contra este tipo de terapias. Por seu turno, a American Academy of Pediatrics (Academia Americana de Pediatria), a American Medical Association (Associação Médica Americana) e a American Psychological Association (Associação Americana de Psicologia) «aconselha os pais, os tutores, os jovens e as suas famílias a evitarem os esforços de mudança de orientação sexual que retratam a homossexualidade como uma doença mental ou uma desordem no desenvolvimento...» A American Medical Association (Associação Médica Americana) «opõe-se ao uso da terapia de "reconversão ou reparativa" baseada no pressuposto de que a homossexualidade per si é uma desordem mental ou baseada na assunção à priori de que o doente deve mudar a sua orientação sexual.»

 

A terapia de conversão é prejudicial para os jovens LGBT?

Sim. A American Psychiatric Association (Associação Americana de Psiquiatria) deixou bem claro que «os riscos potenciais da terapia reparativa são enormes e incluem depressão e comportamento autodestrutivo, uma vez que o alinhamento do terapeuta com os preconceitos sociais em relação à homossexualidade pode reforçar o ódio de si mesmo já vivido pelo paciente.» A Pan American Health Organization (Organização Pan Americana de Saúde), uma delegação regional da Organização Mundial de Saúde, concluiu que a EAOS «tem falta de justificação médica e representa uma ameaça séria para a saúde e bem-estar das pessoas afetadas.» Para além disso, a terapia da conversão cria divisões entre os e as jovens e as suas famílias, dando origem à rejeição familiar da orientação sexual do ou da jovem.

 

Como é que os e as jovens vivem a terapia de conversão?

Os e as jovens vivem a terapia de conversão como uma forma de rejeição familiar. A American Academy of Child and Adolescent Psychiatry (Academia Americana de Psiquiatria para Crianças e Adolescentes) avisa que os esforços feitos por um terapeuta para alterar a orientação sexual de um menor «podem encorajar a rejeição familiar e minar a autoestima, ligação e preocupação, fatores protetores importantes contra a ideação e tentativas de suicídio.»

 

Como é que a aceitação ou a rejeição afeta os e as jovens LGBT? 

Os e as jovens que vivem a rejeição familiar baseada na sua orientação sexual enfrentam riscos de saúde particularmente sérios. Num estudo, os e as jovens adultos LGBT que relatam níveis altos de rejeição familiar durante a adolescência tinham níveis 8,4 vezes maior probabilidade de relatarem terem tentado o suicídio, 5,9 vezes maior probabilidade de relatarem altos índices de depressão e 3,4 vezes maior probabilidade do uso de drogas se comparados com pares de famílias que relataram não terem ou terem baixos índices de rejeição familiar. A aceitação familiar é um fator protetor importante que demonstrou ajudar a prevenir o comportamento suicida e questões de saúde mental. Num outro estudo, menos de metade dos participantes de famílias com elevado grau de aceitação relataram ter tido pensamentos suicidas nos últimos 6 meses se comparados com aqueles que relataram uma baixa aceitação. Na mesma linha, a prevalência de tentativas de suicídio entre os participantes que relataram altos índices de aceitação familiar era quase metade da taxa daqueles e daquelas que relataram aceitação familiar.

 

Como posso ajudar um ou uma jovem que experimentou a terapia de conversão?

Encoraja esse ou essa jovem a procurar ajuda se estiver em sofrimento ou a sentir-se deprimido ou deprimida. A aceitação familiar desse jovem ou dessa jovem é outra forma importante para reduzir o risco de suicídio ou de abuso de substâncias. Se o ou a jovem estiver a viver um momento de ansiedade ou outros sintomas de doença mental, a psicoterapia por um especialista licenciado em saúde mental deve ser encorajada.