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Associação RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBTQ (Portugal)

Somos católic@s LGBTQ que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

15 de Julho, 2019

Padre Ángel: «O Papa Francisco batiza os homossexuais e eu também, era só o que faltava que não o fizesse»

Rumos Novos - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

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O seu apostolado realiza-se em plena Chueca, o bairro gay mais famoso de Espanha. Fundou e preside os Mensageiros pela Paz. A sua igreja de San Antón, no centro de Madrid, está aberta 24 horas para dar abrigo aos mais desfavorecidos e implantou uma nova forma de entender a igreja. O padre Ángel é o bastião espanhol da solidariedade no mundo. Acaba de publicar o seu livro «Um mundo melhor é possível», um canto à liberdade no qual se pergunta: quem sou eu para fechar as portas da igreja ou perguntar a alguém quando entra, pela sua sexualidade?

 

PERGUNTA: Padre, o senhor acredita que se pode compatibilizar ser católico praticante com ser homossexual?

RESPOSTA: Sim, claro. Claro que sim. Ninguém pode julgar ninguém. Como é que alguém se atreve a não acreditar nisso. Somos todos filh@s de Deus. Os batizados e os não batizados. Eu de teologias sei pouco. Somente sei que Deus não pode desprezar ninguém e conheço muito gays e lésbicas que querem estar na graça de Deus. São pessoas solidárias e eu não sou ninguém para as separar de Deus.

 

P.: No seu livro «Um mundo melhor é possível» fala dos avanços quanto ao tema da homofobia e diz que a sociedade ganhou esta batalha...

R.: Passamos da crítica aos gays à admiração: é incrível o que estas pessoas sofreram... mas aí estão eles, fortes. Creio que a sociedade ganhou. Acho que essa frase de que ser homossexual é pecado já se começa a dizer menos e quem a pronuncia sabe que isso não é verdade. Volto a repetir. Graças a Deus, a sociedade vai avançando. Em muitas coisas. E quando há amor e carinho, tudo isso se desarma... já poucas pessoas se atrevem a criticar publicamente ou em privado estas opções sexuais das pessoas.

 

Foto: Manuel Fernández Valdivia

 

P.: Gostaria de ver chegado o dia em que possa casar pessoas do mesmo sexo pela igreja?

R.: A igreja tem as suas normas e não os posso casar, porque canonicamente não se pode. Contudo, que eu saiba, a igreja não proíbe benzer. Benzemos até lixo, casas ou uma bomba de combustível. Não poderei benzer duas pessoas que se querem? Pois, dou-lhes a minha bênção. Por isso digo-lhes, citando o próprio Papa: «O mundo tem falta de amor, que as pessoas se queiram bem, que as pessoas se acariciem, que as pessoas se amem... É o pilar da sociedade. Ama-@s, ama-@s muito. Ama-@s a tod@s.

 

P.: Contudo, por batizar filhos do coletivo gay têm-no criticado muito.

R.: Como é que não se poderiam batizar as pessoas? É o cúmulo dos cúmulos... quando chega alguém e que me diz que se quer batizar, tod@s são filh@s de Deus, não se podem fazer essas distinções. Quantas vezes essas situações não irritaram o Papa! Ele recebeu um transexual e um homossexual... Ele somente diz que nos amemos. A mim dói-me muito que, muitas vezes, devido à condição sexual se afaste alguém.

 

P.: É muito forte essa frase da igreja e de alguns bispos que dizem que os «homossexuais merecem o fogo tereno».

R.: Bom, a igreja tem exceções. São uns poucos os que desvirtuam a mensagem. Sobretudo, no nosso caso, o dos sacerdotes que nascemos para abençoar e não para amaldiçoar. A mim dói-me essa frase de que são condenados ao fogo eterno! Muitos vão ter de engolir essas palavras porque o Papa disse que não se pode condenar ninguém e que todos os pecados podem-se perdoar.

 

P.: Às vezes tem crises de fé?

R.: Claro que sim. Uma delas, por exemplo, é quando vejo muitas crianças as quais não se quiseram batizar por serem filh@s de mães solteiras ou de lésbicas. Ou quando alguém não te entende por beijares ou benzeres um homossexual. Aí sim tive momentos de crise. Porém a igreja do Papa Francisco está a mudar tudo: «Abri as portas das igrejas, abri os vossos corações, estai com tod@s». Disse-o no primeiro dia do seu pontificado, tod@s são filh@s de Deus. Às vezes, dá a sensação de que algumas pessoas, por terem outra sexualidade, parece que não são filhas de Deus e tod@s o somos.

 

P.: Uma pessoa acostuma-se a ser constantemente criticada por defender o coletivo LGBT?

R.: Sei que há pessoas no seio da igreja às quais não parece bem, mas esta é a igreja de Jesus de Nazaré e Jesus também foi criticado por rodear-se de pecadores. Não faço nada que não esteja na origem da minha fé.

 

Fonte: Vanitatis

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