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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

A Santidade é para todos, incluindo as pessoas LGBT – Parte 1

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No ano passado, o papa Francisco escreveu uma bela carta sobre a santidade. O título é «Alegrai-vos e Exultai», e vem das palavras de Jesus no Sermão da Montanha a respeito dos perseguidos ou humilhados por causa d’Ele. O Senhor pede tudo e oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. Quer que sejamos santos e não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa. A carta não fala explicitamente das pessoas LGBT, mas pode-se refletir sobre o que a sua mensagem significa para estas pessoas.

 

O papa afirma que Deus, ao pedir tudo, também dá tudo; e não quer entrar na nossa vida para nos mutilar ou enfraquecer, mas para nos levar à perfeição. Por isso é preciso pedir ao Espírito Santo para nos libertar e para expulsar o medo, sem negar ao Senhor a entrada em alguns aspetos da nossa vida (Alegrai-vos e Exultai, n.175). De facto, uma vez que Deus é o nosso criador, ama-nos e quer o nosso bem, não devemos ver n’Ele um rival do ser humano ou alguém que quer castrar-nos. Sobre isto, convém recordar o que disse uma vez o papa Bento XVI: «o cristianismo não é um conjunto de proibições, mas uma opção positiva». E acrescentou que é muito importante evidenciar isto novamente, porque esta consciência hoje quase desapareceu completamente. É muito bom que um papa tenha reconhecido isto, pois há no cristianismo uma história multissecular de insistência na proibição, no pecado, na culpa, na ameaça de condenação e no medo. Historiadores falam de uma «pastoral do medo», que com veemência culpabiliza as pessoas e as ameaça de condenação eterna para obter a sua conversão. Isto não se restringe ao passado. As proibições ligadas à mensagem cristã frequentemente repercutem-se mais do que o seu conteúdo positivo. É fundamental buscar na mensagem cristã a sua componente positiva, para que esta seja sempre boa nova, Evangelho. Deus não quer entrar na nossa vida para nos mutilar.

 

Fonte: Revista Caminhando (Pág. 13).