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Associação RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBTQ (Portugal)

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21 de Janeiro, 2019

As audenominadas "terapias de conversão" e a saúde mental das pessoas LGBT

Rumos Novos - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

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A autodenominada "terapia de conversão", algumas vezes designada como "terapia reparadora" ou "esforços para alterar a orientação sexual" (EAOS), constituem um leque de práticas perigosas e desacreditadas que têm como objetivo a mudança da orientação sexual ou a identidade ou expressão de género. Estas práticas prejudiciais baseiam-se na falsa alegação que ser-se uma pessoa LGBT é uma doença mental que deve ser curada ou um pecado do qual nos devemos abster. Na realidade, a Associação de Psiquiatria Americana determinou, em 1973, que a homossexualidade não é uma doença mental, mas antes uma variação normal da natureza humana. Infelizmente os jovens LGBT podem ser coagidos e submetidos a estas práticas prejudiciais, que resultam num leque de desfechos negativos, incluindo depressão, ansiedade, abuso de substâncias e suicídio.

 

A terapia da conversão resulta?

Não. A terapia da conversão não logrou provar que consegue mudar a orientação sexual de uma pessoa através de quaisquer estudos científicos. Na realidade, o Dr. Robert Spitzer, cuja pesquisa foi anteriormente utilizada para apoiar a terapia de conversão, retratou-se das suas alegações iniciais, afirmando que todos os dados referentes à terapia de conversão foram mal interpretados e que não existe qualquer evidência científica de que esta resulte. Um estudo publicado em 2002 constatou que 88% dos participantes na terapia de conversão não conseguiram alcançar uma mudança sustentada no seu comportamento sexual e somente 3% afirmaram ter-se tornado heterossexuais. Das 8 pessoas (num total de 202) que relataram uma mudança na sua orientação sexual, 7 trabalhavam como conselheiros de pessoas ex-gay ou eram responsáveis por algum desses grupos.

 

A terapia de conversão é tolerada por organizações médicas de renome?

Não. A terapia de conversão não é tolerada, nos Estados Unidos, pela American Psychological Association (Associação Americana de Psicologia), American Psychiatric Association (Associação Americana de Psiquiatria) e pela The American School Counselor Association (Associação Americana dos Conselheiros de Escola). Em Portugal, a Ordem dos Psicólogos Portugueses, em 11 de janeiro de 2019 (última tomada de posição pública), e o Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos, em dezembro de 2009, tomaram posição pública contra este tipo de terapias. Por seu turno, a American Academy of Pediatrics (Academia Americana de Pediatria), a American Medical Association (Associação Médica Americana) e a American Psychological Association (Associação Americana de Psicologia) «aconselha os pais, os tutores, os jovens e as suas famílias a evitarem os esforços de mudança de orientação sexual que retratam a homossexualidade como uma doença mental ou uma desordem no desenvolvimento...» A American Medical Association (Associação Médica Americana) «opõe-se ao uso da terapia de "reconversão ou reparativa" baseada no pressuposto de que a homossexualidade per si é uma desordem mental ou baseada na assunção à priori de que o doente deve mudar a sua orientação sexual.»

 

A terapia de conversão é prejudicial para os jovens LGBT?

Sim. A American Psychiatric Association (Associação Americana de Psiquiatria) deixou bem claro que «os riscos potenciais da terapia reparativa são enormes e incluem depressão e comportamento autodestrutivo, uma vez que o alinhamento do terapeuta com os preconceitos sociais em relação à homossexualidade pode reforçar o ódio de si mesmo já vivido pelo paciente.» A Pan American Health Organization (Organização Pan Americana de Saúde), uma delegação regional da Organização Mundial de Saúde, concluiu que a EAOS «tem falta de justificação médica e representa uma ameaça séria para a saúde e bem-estar das pessoas afetadas.» Para além disso, a terapia da conversão cria divisões entre os e as jovens e as suas famílias, dando origem à rejeição familiar da orientação sexual do ou da jovem.

 

Como é que os e as jovens vivem a terapia de conversão?

Os e as jovens vivem a terapia de conversão como uma forma de rejeição familiar. A American Academy of Child and Adolescent Psychiatry (Academia Americana de Psiquiatria para Crianças e Adolescentes) avisa que os esforços feitos por um terapeuta para alterar a orientação sexual de um menor «podem encorajar a rejeição familiar e minar a autoestima, ligação e preocupação, fatores protetores importantes contra a ideação e tentativas de suicídio.»

 

Como é que a aceitação ou a rejeição afeta os e as jovens LGBT? 

Os e as jovens que vivem a rejeição familiar baseada na sua orientação sexual enfrentam riscos de saúde particularmente sérios. Num estudo, os e as jovens adultos LGBT que relatam níveis altos de rejeição familiar durante a adolescência tinham níveis 8,4 vezes maior probabilidade de relatarem terem tentado o suicídio, 5,9 vezes maior probabilidade de relatarem altos índices de depressão e 3,4 vezes maior probabilidade do uso de drogas se comparados com pares de famílias que relataram não terem ou terem baixos índices de rejeição familiar. A aceitação familiar é um fator protetor importante que demonstrou ajudar a prevenir o comportamento suicida e questões de saúde mental. Num outro estudo, menos de metade dos participantes de famílias com elevado grau de aceitação relataram ter tido pensamentos suicidas nos últimos 6 meses se comparados com aqueles que relataram uma baixa aceitação. Na mesma linha, a prevalência de tentativas de suicídio entre os participantes que relataram altos índices de aceitação familiar era quase metade da taxa daqueles e daquelas que relataram aceitação familiar.

 

Como posso ajudar um ou uma jovem que experimentou a terapia de conversão?

Encoraja esse ou essa jovem a procurar ajuda se estiver em sofrimento ou a sentir-se deprimido ou deprimida. A aceitação familiar desse jovem ou dessa jovem é outra forma importante para reduzir o risco de suicídio ou de abuso de substâncias. Se o ou a jovem estiver a viver um momento de ansiedade ou outros sintomas de doença mental, a psicoterapia por um especialista licenciado em saúde mental deve ser encorajada.

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