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Associação RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBTQ (Portugal)

Somos católic@s LGBTQ que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

28 de Janeiro, 2019

As histórias gays não contadas de Auschwitz

Rumos Novos - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

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80% dos homossexuais enviados para os campos de concentração nazis morreram aí - alguns encontrando o amor entre o horror ou salvando as vidas de outros em primeiramente. Vale a pena recordar isto no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

 

Adolf Hitler planeou um Reich com a duração de 1000 anos. Durou ao todo 12 anos, mas nesse curto período cerca de 100000 homens gay foram detidos. Cerca de metade deles foram enviados para a prisão e, destes, cerca de 15000 foram deportados para campos de concentração. Em 1945, mais de 40 desses campos estavam em operação e os homossexuais foram enviados para vários deles.

 

Contudo, somente um número relativamente pequeno foi enviado para o campo de concentração mais famoso de todos: Auschwitz.

 

Dos 97 homens gay que se sabem terem sido enviados para Auschwitz, 96 eram alemães. Os estudiosos conseguiram desenterrar o destino de 64 deles: 51 morreram no campo. São 80%, um número mais elevado do que qualquer outra categoria de «indesejáveis» exceto para os deportados judeus.

 

É importante saber que Auschwitz era, na realidade, um conjunto de três campos de concentração. O campo principal, Auschwitz I, começou a funcionar em maio de 1940. Situado perto da remota cidade de Oswiecim, na Polónia, é aqui que podemos encontrar o portão com o infame sinal Arbeit Mach Frei (O Trabalho Liberta) por cima. Embora houvesse aqui, desde o início, uma câmara de gás improvisada, o campo era principalmente uma prisão criada num quartel militar antigo. Os prisioneiros eram forçados a trabalhar e enfrentavam a probabilidade de experiências bárbaras às mãos dos médicos das SS, bem como a esterilização e a castração. As execuções eram um lugar comum.

 

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A construção de um segundo campo começou em outubro de 1941. Foi Birkenau que se viria a tornar o maior centro de morte nazi e o maior cemitério no mundo. Um terceiro campo, conhecido por Monowitz abriu um ano mais tarde. As companhias alemãs, em particular IG Farben e a Buna, estabeleceram aqui fábricas, usando os presos como trabalho escravo.

 

Ao contrário dos judeus e dos ciganos, os homens gay não eram em geral, enviados diretamente para Birkenau. Assim, não eram assinalados para morte imediata. Contudo, sofriam geralmente um tratamento cruel nos campos de concentração, não somente das SS - ferviam-lhes os testículos em água e eram-lhes atribuídos os trabalhos mais perigosos e árduos ao abrigo do programa Extermínio Através do Trabalho, mas igualmente a partir de outros prisioneiros que os viam como os mais baixos dos baixos. Encontravam-se isolados e cada tentativa que faziam de contactar outros prisioneiros colocava-os sob suspeita de «iniciarem relações promíscuas».

 

Não é de admirar que a taxa de suicídios entre os homens gays fosse muito mais elevada do que para qualquer outra categoria de prisioneiros. Ao longo de todo o sistema do campo de concentração, essa taxa era 10 vezes mais elevada e não há qualquer razão que nos leve a acreditar que esta seria mais baixa em Auschwitz. E este número é provavelmente um número conservador, dado que os nazis nem sempre se preocupavam em registar essas mortes.

 

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Sabe-se que a 20 de janeiro de 1942, existiam 22 homens gay no campo principal e em agosto desse mesmo ano 28 somente restavam 28 deles em todo o complexo de Auschwitz.

 

Acontece que alguns homens gays eram também judeus e o seu destino era frequentemente decidido pelo de facto de chegarem ou não ao campo envergando a estrela amarela de David (para os judeus) ou o não menos conhecido triângulo rosa que os homossexuais eram obrigados a coser nas suas vestes.

 

Fredy Hirsch era um atleta e professor. Era judeu e gay. Nasceu em Aachen, na Alemanha, em 1916. Mudou-se para a Checoslováquia para escapar à perseguição nazi, vivendo com o seu namorado Jan Mautner, um estudante de medicina ligeiramente mais velho, entre 1936 e 1939.

 

Fredy organizou e geriu campos de jovens e procurou ajudar os jovens judeus que tinham a esperança de poder emigrar para a Palestina. Quando os nazis invadiram a Checoslováquia em 1939 e baniram os judeus dos cargos públicos, Hirsch fundou um centro de lazer onde os mais novos podiam ainda praticar exercício e 18 dos seus jovens conseguiram mesmo escapar para a Dinamarca neutral.

 

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Em finais de 1941, Fredy foi enviado para o campo de concentração de Theresienstadt, um lugar a que os alemães chamavam de «gueto modelo». Mautner acabaria por ser deportado também para aqui alguns meses mais tarde. Hirsch começou imediatamente a cuidar de um grupo de crianças, certificando-se que estas faziam exercício físico e, mais importante ainda, na sua condição esquálida, permaneciam limpos, realizando mesmo competições de higiene.

 

Todas as crianças eram obrigadas a trabalhar e Fredy tentou assegurar que estas tinham trabalhos «mais fáceis» como era o caso dos campos de vegetais. Claro que ele falava alemão e isso ajudou a construir relações razoáveis com os guardas embora ele fosse judeu e abertamente gay. Numa ocasião, isso ajudou-o a impedir que crianças fossem transportadas de Theresienstadt para os campos de extermínio.

 

Contudo, ele abusou da sua sorte e tendo tentado estabelecer contacto com um grupo de jovens recentemente chegados a Theresienstadt, acabou sendo enviado para Auschwitz em setembro de 1943, num transporte com 5000 outros prisioneiros - 300 dos quais com 15 anos e mesmo menos.

 

Fredy acabou num «campo de família» em Birkenau. Era normal as crianças não serem enviadas diretamente para a morte e Fredy acabou por se tornar no cuidador dessas crianças. Assegurava-se de que recebessem aulas, organizava atividades e conseguia obter comida melhor e instalações mais quentes para eles. Conseguiu mesmo convencer os guardas a fazer a contagem diária no interior em vez de ter os jovens horas de pé no exterior e ao frio. Porém, Fredy não era imune às dificuldades e, pelo menos, numa ocasião foi severamente agredido quando uma das crianças adormeceu durante a contagem.

 

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Fredy Hirsch foi supervisor do bloco das crianças no campo de família em Auschwitz II-Birkenau

 

Outro transporte de 700 crianças chegou a Birkenau em dezembro de 1943 - onde se encontrava Jan Mautner, embora este nunca voltasse a ver o Fredy novamente. Hirsch persuadiu as autoridades a disponibilizarem um segundo barracão para as crianças mais jovens, com idades entre os três e os oito anos, para que eles pudessem trabalhar numa representação da Branca de Neve para as SS.

 

Dentro do campo de família, a taxa de mortalidade, após os primeiros seis meses, era de cerca de 25% - nas barracas de Hirsch praticamente não havia mortes.

 

Rapidamente Fredy começou a fazer parte de um movimento de resistência no interior do campo e ficou a saber que um grande número de crianças iria ser gaseada. Embora não se saiba ao certo o que aconteceu a seguir, pensa-se que Hirsch se recusou a ser separado das crianças a seu cargo, apesar do seu estatuto significar que ele teria sido certamente poupado à morte certa. Alguns estudiosos pensam que ele se suicidou com uma overdose - ou que os médicos judeus lhe induziram uma overdose como forma de evitar que ele causasse um motim que poderia colocar em perigo a sua própria vida. O que é certo é que as crianças foram assassinadas na noite de 8 de março de 1944 e os seus corpos incinerados. O corpo do Fredy foi cremado no mesmo dia. Tinha 28 anos.

 

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Em 2008, uma placa comemorativa foi colocada no exterior da casa de infância de Hirsch em Aachen, Alemanha.

 

Um dos sobreviventes do campo de família em Theresienstadt disse: «Não havia ninguém com tamanho espírito de autossacrifício, [ou] devotado às crianças.» E embora ele tenha sido obliterado da História pelos comunistas na Checoslováquia e por alguns sobreviventes depois da guerra, devido à sua homossexualidade, em 2016 o presidente da câmara da sua terra natal em Aachen descreveu-o como «um dos filhos mais importantes da cidade, ainda que não o mais conhecido.»

 

E a música checa Zuzana  Růžičková, que trabalhou como professora assistente no barracão das crianças em Auschwitz, atribui a Hirsch o ter salvo a vida. Ele disse-lhe para mentir quanto à idade, dizendo que tinha 16 anos pois as crianças mais novas iam geralmente diretamente para as câmaras de gás.

 

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A aclamada música checa e sobrevivente de Auschwitz Zuzana Růžičková atribui a Fredy Hirsch o facto de ter escapado com vida.

 

Muitos anos mais tarde, ajudou a organizar um monumento em honra de Fredy. Na dedicação do monumento, ela afirmou: «Esperamos que quando o último de nós que o conheceu falecer, as futuras gerações possam colocar-se perante esta placa e dizer: 'Ele deve ter sido uma pessoa boa, lutadora e maravilhosa'.»

 

O companheiro de Fredy, Jan, sobreviveu a Auschwitz, bem como, pelo menos, um outro campo e foi enviado de volta para Theresienstadt. Tornou-se médico e encontrou um novo companheiro. Contudo, não escapou sem marcas: tinha contraído tuberculose nos campos de concentração e morreu em Praga, em 1951.

 

Kitty Fischer tinha 17 anos quando foi enviada para Auschwitz em 1944 porque era judia. À chegada, foi enviada para que lhe rapassem a cabeça. Aterrorizada e confusa, conheceu um pintor de retratos de Munique. Os guardas obrigavam-no a limpar as casas de banho 7 dias por semana, 10 horas por dia «como uma forma de dar um melhor uso ao pincel.»

 

Vendo o seu triângulo rosa, Kitty perguntou-lhe o seu significado. Quando ele lhe disse que era gay, ela não conseguiu perceber. Ele explicou-lhe que era homossexual. Kitty não fazia a menor ideia do que a palavra significava e perguntou-lhe se era alguma religião, o que fez com que o jovem, que tinha sido enviado para o campo de concentração com o companheiro em 19400, risse.

 

Algum tempo depois, o homem trouxe-lhe e à irmã duas batatas quentes cosidas com casca. Todos os dias ele contrabandeava comida para Kitty. «Ele contribuiu para a minha sobrevivência, isso é um facto,» disse ela.

 

O artista voltou a abordá-la um mês depois. Ia ser transferido para outro campo e avisou-a que ia haver uma seleção no dia seguinte, quando os nazis iriam enviar um grande grupo para as câmaras de gás. O homem gay disse-lhe que uma empresa andava à procura de tecelãs para trabalharem fora do campo. Diz-lhes que sabes tecer, disse ele. Mente.

 

«Eu era tão jovem,» acrescentou a Kitty. «Ele sabia o que me ia acontecer, eu não.» Ele fez o que ele lhe disse e sobreviveu, sendo libertada da fábrica em 1945. Tornou-se dona de uma cadeia de lojas na Austrália antes de se mudar para Kings Cross, nos arredores de Sydney, onde testemunhou o terrível número de mortes que o HIV/SIDA estava a provocar junto da comunidade gay dessa zona. Ela passou o resto da vida a dar apoio emocional e psicológico aos que sofriam com a doença. Morreu em 2001.

 

Nada mais se sabe do seu salvador.

 

Karl Gorath tinha 26 anos quando chegou a Auschwitz. Tinha sido denunciado por um ex-amante ciumento e preso pelos nazis sob o parágrafo 175 que proibia os atos homossexuais - incluindo beijos e abraços - e que permaneceu em vigor em certas zonas da Alemanha até 1969.

 

Foi enviado para o campo de concentração de Neuengamme, perto de Hamburgo. Ele tinha estudado para ser enfermeiro, pelo que ficou a trabalhar num hospital prisão num subcampo. Contudo, tendo-se recusado a reduzir as rações de comida aos presos polacos, foi punido sendo transferido para Auschwitz. Dado que o seu crime era agora visto como político, foi obrigado a usar um triângulo vermelho e foi-lhe tatuado o número 124630.

 

Ele trabalhou no pavilhão para doentes de Auschwitz I até nove dias antes do campo ser libertado, altura em que foi transferido, com um tempo gélido e num carro aberto, para Mauthausen, perto de Linz, naquilo que era a Áustria Alta. A viagem demorou 11 dias.

 

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Karl Gorath tinha 26 anos quando chegou a Auschwitz. A lei antigay sob a qual foi preso permaneceu em vigor até 1969.

 

Voltou a ser transferido à medida que as tropas Aliadas fechavam o cerco à Alemanha nazi e foi finalmente libertado pelos americanos em 6 de maio de 1945.

 

Nas suas memórias, afirma que dois jovens polacos, Tadeusz e Zbigniew, se tornaram seus amantes no campo. Incrivelmente, ele continua para afirmar: «Eu tinha o meu próprio quarto enquanto supervisor do bloco e foi aqui que passei os melhores momentos da minha vida, com Zbigniew.» Ele acrescenta que somente uma vez na vida tinha vivido um amor tão profundo com outro homem e que tinha sido «aqui, no campo de concentração, entre toda a miséria que nos cercava, nunca antes e nunca depois - nunca mais - que encontrei o amor da minha vida em Auschwitz.»

 

Tadeusz e Zbigniew morreram ambos em Auschwitz.

 

Seria de esperar que os problemas de Karl tivessem terminado após a sua libertação, mas não foi isso que aconteceu. Os sobreviventes do holocausto gay podiam voltar a ser presos por «ofensas repetidas» e eram mantidos em listas de «predadores sexuais». Sob o Governo Aliado Militar da Alemanha, alguns homossexuais foram obrigados a cumprir na totalidade as suas penas, independentemente do tempo passado em campos de concentração.

 

Karl voltou a ser preso em março de 1946, enviado para julgamento e sentenciado a cinco anos de prisão. Todos os apelos por perdão e clemência foram negados e somente foi libertado em abril de 1951. Tal como aconteceu com outros grupos vistos como indesejáveis pelos nazis os pedidos de compensação reclamados pelo seu sofrimento foram bem-sucedidos, mas os esforços de Karl saíram sempre frustrados pois ele tinha «registo criminal» e não tinha sido perseguido devido à sua raça ou crença.

 

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Karl continuou a enfrentar a discriminação por ser gay durante muito tempo após ter sobrevivido aos horrores de Auschwitz.

 

Em maio de1975, Karl, então com 62 anos, viu ser-lhe negada a reforma porque «o período entre 1/8/1939 e 8/5/1945 não podia ser reconhecido como tempo de substituição» do trabalho. Por outras palavras, estar em Auschwitz não foi suficientemente mau!

 

Os recursos contra esta decisão foram todos finalmente arquivados em fevereiro de 1980. Karl Gorath morreu em março de 2003 aos 90 anos de idade. O Parágrafo 175 somente foi removido da lei ordinária em 1994.

 

Ernst Ellson nasceu em 1904. Era judeu e foi preso em novembro de 1940 depois de um prostituto contar à polícia de que ele era um cliente. Ernst esteve preso durante quatro meses antes de ser considerado culpado de «promiscuidade pervertida.» Tinha estado sob vigilância desde 1935.

 

No dia em que foi libertado, a Gestapo estava à sua espera com um mandato de detenção. Afirmava: «Receia-se, se deixado em liberdade, que persistirá num tipo de comportamento que é prejudicial à saúde nacional.» O documento estava assinado por um dos arquitetos da Solução Final e chefe dos serviços de segurança, Reinhard Heydrich.

 

Ernst foi primeiramente enviado para Buchenwald, perto de Weimar, na Alemanha, onde cerca de 56000 pessoas iriam morrer; depois para Gross Rosen, que faz atualmente parte da Polónia, onde cerca de 40000 presos perderam a vida. Foi deportado para Auschwitz em 16 de outubro de 1942.

 

Tinha vivido durante 18 meses nos primeiros dois campos de concentração, mas sobreviveu somente cinco semanas nos horrores de Auschwitz.

 

Manfred Lewin era gay e judeu. Viveu em Berlim e foi ordenada a sua deportação em 1942 em conjunto com os pais.

 

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Manfred Lewin foi enviado para Auschwitz aos 20 anos de idade.

 

O seu namorado, Gad Beck de 19 anos, deitou mão a um uniforme da Juventude Hitleriana e enganou os guardas no centro de detenção para que estes libertassem Manfred, que, afirmou, era necessário para trabalho escravo. Saíram juntos pelos portões, mas Manfred decidiu que não podia deixar a família para trás e regressou. Foi enviado para Auschwitz onde veio a morrer aos 22 anos.

 

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O namorado de Manfred, Gad Beck, foi um dos últimos sobreviventes do Holocausto, tendo morrido em 2012.

 

Gad sobreviveu à guerra e numa entrevista em 2000, 12 anos antes da sua morte, recordou a perda do seu «grande, grande amor.»

 

Hermann Bartel era decorador. Era gay. Enviado para Auschwitz a 6 de dezembro de 1941, aí morreu em 2 de março de 1942, aos 41 anos. Erwin Schimitzek era um empregado de balcão gay. Foi enviado para Auschwitz em 22 de agosto de 1841. Aí morreu em janeiro do ano seguinte. Tinha 23 anos. O trabalhador agrícola Emil Drews chegou ao campo da morte no mesmo dia e morreu uns dias antes de Erwin. Tinha 58 anos.

 

O gerente de loja Max Gergia passou três meses em Auschwitz antes de morrer. Tinha 37 anos. Emil Sliwiok sofreu o mesmo destino, tinha 28 anos. O empregado de mesa August Pfeiffer foi deportado para Auschwitz, tendo aí chegado a 1 de novembro de 1941. Aos 46 anos, morreu em finais de dezembro. Walter Peters, um médico, morreu cinco dias após chegar ao campo. Tinha acabado de fazer 51. Willi Pohl tinha 35 anos quando morreu. Era empregado têxtil e gay. Rudolf von Mayer era juiz. Era gay. Chegou a Auschwitz a 30 de maio de 1941 e morreu três meses mais tarde, escassos dias antes de completar o seu 37.º aniversário. Willi Kacker tinha 36 anos quando morreu. O agricultor Oskar Birke tinha 48. Otto Hertzfeld, 35; o talhante Johann Majschek, 53; o jardineiro Franz Ruffert, 39; o assistente de escritório Richard Schiller, 41; o alfaiate Josef Klose, 47; o eletricista Hugo Prabitzer, 40.

 

Todos gays. Todos enviados para Auschwitz. Todos mortos.

 

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Erwin Schimitzek morreu em Auschwitz em 1942. Tinha 23 anos.

 

E houve mais - já para não referir o incontável número cujo destino exato permanece desconhecido quer nos campos de concentração quer depois sendo transferidos para outros lugares antes do final da guerra. Homens gays, simplesmente mortos porque amavam outro homem.

 

Se podemos tirar alguma lição de tudo isto, deste Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, talvez ela possa ser que os nazis não mataram apenas pessoas. Um dos homens gays que morreu podia ter inventado algo incrível; podiam ter sido grandes diplomatas ou líderes que evitassem outra guerra assassina; os mais jovens poderiam ter-se tornado cientistas ou médicos, que encontrassem a cura para o cancro, para a demência, para o ébola, as doenças cardíacas ou o HIV. Quem sabe?

 

Os nazis não mataram somente pessoas: eles mataram o futuro!

 

 

Fonte: Attitude