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Associação RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBTQ (Portugal)

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13 de Dezembro, 2019

Bispos alemães comprometem-se a 'reavaliar' a doutrina católica sobre homossexualidade e moralidade sexual

Rumos Novos - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

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A conferência episcopal alemã comprometeu-se a "reavaliar" o ensinamento universal da igreja sobre a homossexualidade, a moral sexual em geral, bem como os sacramentos da ordenação e do matrimónio. O compromisso surgiu no início de um "Processo Sinodal" controverso de dois anos realizado pela hierarquia alemã.

Depois de ter realizado consultas em Berlim na semana passada, o presidente da Comissão para o Matrimónio e Família da conferência episcopal alemã declarou que os bispos acordaram que a homossexualidade é uma "forma normal" da identidade sexual humana.

"A preferência sexual do ser humano surge na puberdade e assume uma orientação hétero ou homossexual," afirmou o arcebispo de Berlim Heiner Koch numa declaração tornada pública pela conferência episcopal.

"Ambas pertencem às formais normais da predisposição sexual, que não podem ou devem ser mudadas com o auxílio de uma socialização específica".

Koch prosseguiu e referiu que à luz dos "desenvolvimentos" tornados possíveis pela Amoris Laetitia, a exortação apostólica do Papa Francisco sobre o matrimónio e a família, a igreja tem o dever de ter em consideração as últimas descobertas científicas e teológicas sobre a sexualidade humana.

Quatro bispos diocesanos reuniram-se para consultas formais sobre o tópico "A Sexualidade do Homem - Como é que esta deve ser discutida científica e teologicamente e julgada eclesiasticamente?", na capital alemã no passado dia 5 de dezembro.

O arcebispo Koch, conjuntamente com os bispos diocesanos Franz-Josef Bode de Osnabrück, Wolfgang Ipolt de Görlitz, Peter Kohlgraf de Mainz, bem como vários bispos auxiliares da Comissão da Fé e da Família da conferência episcopal consultaram diversos especialistas médicos convidados, teólogos e juristas canónicos durante o evento.

Pedindo uma "discussão sólida apoiada pelas ciências humanas e pela teologia" Koch e Bode afirmaram que a Amoris Laetitia já fornece "desenvolvimentos" notáveis quer na doutrina da igreja quer na prática, acrescentando que um relacionamento sexual para casais divorciados e recasados depois da Amoris Laetitia "já não é sempre classificado como pecado grave," e que a "exclusão total da receção da Eucaristia" por parte de tais casais já não podia ser justificada.

Koch disse que o "Processo Sinodal" deveria partir de uma posição "imparcial" sobre o ensinamento da igreja e sem pontos de vista fixos, mas antes partir de uma abertura que tenha em consideração as "informações científicas mais recentes".

Todos os participantes, de acordo com Koch, concordaram que a "sexualidade huamana engloba uma dimensão de luxuria, procriação e de relacionamentos." E uma vez que a orientação sexual deve ser considerada imutável, "qualquer forma de discriminação das pessoas com uma orientação homossexual" deve ser rejeitada, tal como foi "explicitamente sublinhado pelo Papa Francisco" na Amoris Laetitia.

De acordo com um comunidade à imprensa emitido pelos bispos, houve igualmente discussão em torno de se a proibição dos atos homossexuais pelo magistério da igreja ainda estava "atualizada" - e se a contraceção artificial ainda deveria ser condenada pela igreja tanto "para casais casados como para não casados".

Os resultados da "consulta de peritos" em Berlim serão apresentados ao "Processo Sinodal" através do fórum sinodal sobre "A Vida nas Relações Bem Sucedidas - Viver o Amor na Sexualidade e no Casal", que iniciará os seus trabalhos em fevereiro de 2020.

Coincidindo com a abertura do Processo Sinodal, várias dioceses e associações nacionais católicas financiadas pelo imposto sobre a igreja alemã, ou Kirchensteuer, tornaram públicas exigências de mudanças no ensinamento e na prática da igreja em temas similares.

Exigências de "reforma" vão desde a bênção para uniões homossexuais até à ordenação de mulheres e, pelo menos no caso de um grupo local, a aprovação do aborto quando "uma mulher ou um casal o decidam realizar."

Numa entrevista publicada pelo portal oficial financiado pelos bispos alemães, Agnes Wuckelt, presidente da Associação de Mulheres Católicas Alemãs (KFD), exigiu que as mulheres sejam ordenadas no sacerdócio, sublinhando que uma "ordenação sacramental das mulheres como diaconisas" seria um primeiro passo certo nessa direção.

 

Fonte: Catholic News Agency

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