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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Cardeais: temas LGBT fazem parte da discussão no Sínodo dos Jovens

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Com as sondagens de opinião a mostraem que os jovens aceitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo e outros direitos para as pessoas LGBT, havia questões sobre a forma como o sínodo dos bispos sobre os jovens, em curso, iria abordar o assunto. Na primeira parte do encontro de quase um mês, um arcebispo americano encheu as parangonas dos jornais ao sugerir de que não existe tal coisa como «católicos LGBT», lançando um debate sobre se o documento final produzido pelo encontro mundial deveria incluir a frase.

 

O assunto não tem sido um tópico principal dentro do adro do sínodo, mas numa conferência de imprensa em Roma, no sábado [NT: 20 de outubro], três arcebisppos responderam a questões dos jornalilstas dizendo que o tópico surgiu e que os delegados jovens instaram os responsáveis da igreja a serem mais acolhedores para com as pessoas LGBT, bem como com as suas famílias.

 

«Vamos ao encontro das pessoas onde elas estão, caminhamos com elas, avançamos», disse o Cardeal Blase.

 

«Temos de nos certificar de que não colocamos obstáculos face à graça de Deus. Vamos ao encontro das pessoas onde elas estão, caminhamos com elas, avançamos», disse o Cardeal Blase Cupich em resposta a uma questão. «Algumas vezes nessa caminhada as pessoas perdem-se ou dão um passo atrás, mas ainda estamos com elas de modo a manter essa caminada em andamento.»

 

O Papa Francisco escolheu o Cardeal Cupich, que está à frente da Arquidiocese de Chicago, para estar presente no encontro, que começa a concluir o seu trabalho na preparação de um documento final para submeter ao papa na próxima semana.

 

Outro delegado ao sínodo, o Cardeal John Ribat da Papua Nova Guiné, afirmou que os jovens presentes no sínodo falaram sobre os temas LGBT «livremente», exortando os responsáveis da igreja a dirigir-se às pessoas LGBT no seu modo preferido. Afirmou que os delegados leigos «estão realmente a ajudar-nos a compreender, a verdadeiramente vermos onde elas se encontram e o modo como essas pessoas [querem] ser ouvidas, reconhecidas e aceites.»

 

O arcebispo australiano Peter Comensoli sugeriu que @s católic@s LGBT não deveriam ter um tratamento especial.

 

«Muito simplesmente, não somos tod@s pecador@s? E não procuramos tod@s ser encontrados por Deus? E sendo encontrad@s por Deus, como é que então podemos encontrar as nossas vida n'Ele?», perguntou.

 

Mais tarde, respondendo a outra questão, o arcebispo acrescentou que é importante para os responsáveis da igreja responderem através de um modo cristão aos membros da comunidade LGBT.

 

«Quando os meus amigos ou amigas que podem ser homossexuais ou lésbicas ou em luta com o seu género, quando falo com el@s, falo-lhes com a amizade de Cristo, como é meu dever e, como amigo, pergunto-lhes: como é que devemos progredir juntos em direção ao pé da cruz?» afirmou.

 

Alguns bispos católicos defenderam dentro do sínodo que a igreja não devia utilizar a expressão LGBT, um acrónimo preferido por muitas pessoas gays, lésbicas e transgéneros, porque esta denota uma ideologia política. Sugeriram o uso de expressões como «pessoas com atração pelo mesmo sexo», em sua substituição.

 

No início do mês, o arcebispo Charles Chaput de Filadélfia afirmou durante a sua apresentação que «não existe tal coisa como um 'católico LGBT' ou um 'católico transgénero' ou um 'católico heterossexual', como se os nossos apetites sexuais definissem quem somos; como se estas designações descrevessem comunidades discretas de integridade diversa mas igual dentro da verdadeira comunidade eclesial, o corpo de Jesus Cristo.»

 

Relatórios tornados públicos no sánado mostram que os membros dos grupos de trabalho de língua inglesa estão a lutar com a forma como devem ser tratados os assuntos LGBT. Um grupo escreveu «ninguém, devido ao seu género, estilo de vida, ou orientação sexual, deveria alguma vez ser levado a sentir-se não amado», mas acrescentou «e é por isso o amor autêntico não exclui de forma alguma o chamamento à conversão, a uma mudança de vida». Outro grupo opos-se à criação de um documento novo sobre o ministério com pessoas LGBT.

 

De acordo com a revista Crux, um dos grupos de língua alemão relatou «Queremos uma discussão séria com os jovens na igreja sobre temas de sexualidade e uniões de facto», enquanto o grupo de língua espanhola pediu à igreja para acompanhar todas as pessoas «incluindo aquelas com orientações sexuais diversas, de modo a que estas pessoas possam crescer na fé e no seu relacionamento com Deus.»

 

O tópico da sexualidade foi igualmente levantado no início da semana.

 

O arcebispo Matteo Zuppi, responsável pela Arquidiocese de Bolonha, afirmou numa conferência de imprensa a 18 de outubro que o cuidado pastoral das pessoas LGBT é um «assunto importante», mas avisou sobre transformá-lo «num problema ideológico».

 

Já Silvia Retamales, uma delegada leiga do Chile ao sínodo, afirmou numa conferência de imprensa do passado dia 15 de outubro que as pessoas gay se «deveriam sentir como filh@s de Deus, não como problemas» na igreja.

 

«A igreja tem de ser mais inclusiva», afirmou.

 

Artigo original: Michael J. O’Loughlin

Tradução do inglês: José Leote (Rumos Novos)