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Associação RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBTQ (Portugal)

Somos católic@s LGBTQ que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

25 de Junho, 2019

Como é que a religião encaixa debaixo da bandeira arco-íris? A fé é importante.

Rumos Novos - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

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Participantes católicos na Marcha do Orgulho de Lambertville-New Hope em 18 de maio de 2019.

 

No filme «Rocketman» há uma cena de cortar a alma quando Elton John (protagonizado por Taron Egerton) liga à mãe a partir de uma cabine telefónica. Num discurso hesitante, ele diz à mãe: «Eu sou um ho-mo-ssex-u-al, queer, uma bicha.» As lágrimas caiem-lhe pela face.

 

Ela responde-lhe que é a sua mãe e que sempre o soube. Então, na sua maneira fria e distante, ela diz ao filho: «Nunca serás amado devidamente.»

 

Uma notícia aparecida no UK Daily Express revelou que os atores e a equipa de filmagem filmaram a cena rapidamente porque esta era emocionalmente difícil.

 

O reconhecimento por parte de Elton John da sua sexualidade corresponde praticamente ao motim de Stonewall há 50 anos, quando os homossexuais presentes num bar que sofreu uma rusga por parte da polícia de Nova Iorque ripostaram, despoletando um conjunto de motins nas ruas.

 

Este momento chave galvanizou a comunidade LGBT a se opor à opressão e ao preconceito rotineiros e deu origem ao movimento de Libertação Gay.

 

«Os Motins de Stonewall: Uma História Documental», por Marc Stein, oferece testemunhos em primeira mão antes, durante e depois de Stonewall do tratamento brutal de homossexuais e lésbicas. A polícia fazia rusgas a bares gay, batia nos clientes, prendia indiscriminadamente os clientes através de acusações falsas e depois publicitava as prisões, colocando frequentemente em perigo o emprego desses clientes.

 

No próximo domingo, 30 de junho, o Dia Mundial do Orgulho será celebrado em Nova Iorque pela primeira vez e milhões de pessoas pelo mundo poderão testemunhar a Parada do Orgulho Gay.

 

Cinquenta anos de orgulho significam muitas coisas para pessoas diferentes. Há muitas agendas e as denominações religiosas estão a reclamar o orgulho nos seus próprios termos.

 

Algumas igrejas, como a igreja episcopal, têm sido muito acolhedoras, mas com um custo. Encontram-se agora estilhaçadas em campos ideológicos.

 

Os metodistas unidos podem brevemente vir a separar-se devido a uma declaração de fevereiro de que os clérigos em relações do mesmo sexo e a bênção de uniões do mesmo sexo violam as políticas da igreja.

 

A igreja da comunidade metropolitana foi fundada por gay e para gays, mas os seus números são minúsculos.

 

A igreja católica defende a dignidade das pessoas LGBT enquanto condena a atividade genital homossexual. Sondagens revelam que a maioria dos católicos apoiam mudanças ao nível do ensinamento da igreja, mas as coisas ainda estão longe de um consenso nos assuntos éticos.

 

O Papa Francisco pareceu mudar o tom em 2013 quando foi questionado sobre este tema por um jornalista e respondeu: «Quem sou eu para julgar?» Numa entrevista ao Papa Francisco, o jornalista italiano Andrea Tornielli perguntou-lhe como é que ele podia agir como confessor de uma pessoa gay à luz das suas agora famosas palavras. Francisco respondeu pastoralmente.

 

No seu livro «O Nome de Deus é Misericórdia», referindo-se à sua, agora clássica, afirmação, Francisco afirmou: «Estava a parafrasear de cor o Catecismo da Igreja Católica onde afirma que estas pessoas devem ser tratadas com delicadeza e não devem ser marginalizadas». Faz, então, uma distinção importante: «As pessoas não devem ser somente definidas pelas suas tendências sexuais: não nos esqueçamos que Deus ama todas as suas criaturas e estamos destinados a receber o seu amor infinito».

 

Para mim, este é o coração do orgulho católico. Aceitar as pessoas LGBT como indivíduos com o espetro total de emoções e sentimentos.

 

O dogma não deve ser usado como um martelo e Francisco organizou mesmo a Cúria do Vaticano de modo a tornar a evangelização a sua prioridade. Ele acredita que a igreja, a exemplo de Jesus, tem de ir onde as pessoas estão. Neste momento, muitas pessoas católicas LGBT sentem-se privadas de direitos na igreja e não acolhidas. Francisco encoraja: Acompanhai-as.

 

Robert Ellsberg, um hagiógrafo contemporâneo, estabelece como a santidade está disponível para todas e todos, mesmo para as pessoas comuns. Não nos esqueçamos que Jesus ergueu pessoas que eram rejeitadas ou exiladas devido à visão religiosa e permitiu-lhes serem um todo. Isto é acompanhamento.

 

No ano passado, a minha paróquia, Nossa Senhora da Graça em Hoboken (EUA), atraiu pessoas de todo o estado para a nossa Missa do Orgulho inaugural. Depois, soube através de progenitores cujos filhos e filhas não frequentavam a igreja há décadas e que ficaram felizes em receber hospitalidade em vez de condenação. Iremos celebrar a segunda missa anual no próximo domingo.

 

Francisco deu à igreja global um estilo que pode ser imolado, particularmente quando o «Orgulho» assume relevância neste mês de junho.

 

O filme sobre Elton John mostrou como ele trabalhou os seus muitos demónios em terapia de grupo e finalmente vemos o seu corpo registar um avanço. Ele já não iria permitir que os pontos de vista dos seus progenitores ditassem quem ele era. Ele perdoá-los-ia.

 

James O'Neill, o comissário de polícia da cidade de Nova Iorque, pediu recentemente desculpa pela forma como a polícia agiu em Stonewall.

 

Alcançar a totalidade é uma demanda para toda uma vida. Com o apoio da igreja, as católicas e os católicos LGBT podem descobrir que a espiritualidade e a identidade sexual são complementares e de que isso é razão suficiente para um Orgulho Católico.

 

Fonte: NJ.com