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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Comunicado de Imprensa da Rumos Novos a Propósito do IX Encontro Mundial das Famílias

 

27 de agosto de 2018

 

 

RUMOS NOVOS regozija-se com «porta aberta» no EMF

 

Presença da temática LGBT no EMF representa momento histórico na vida da Igreja

 

Terminado que está o IX Encontro Mundial das Famílias (EMF), subordinado ao tema «O Evangelho da Família, Alegria para o Mundo», que decorreu em Dublin, na Irlanda, entre 21 e 26 de agosto, a Rumos Novos – Católicas e Católicos LGBT (Portugal) faz um balanço muito positivo do momento histórico aí vivido, particularmente, no que concerne às pessoas LGBT, suas famílias e amigos.

 

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 Intervenção do Pe. James Martin, SJ, sobre «Mostrar Acolhimento e Respeito nas Nossas Paróquias para com as Pessoas LGBT e suas Famílias», no IX Encontro Mundial das Família, em Dublin (Irlanda)

 

A última vez que o Encontro Mundial das Famílias teve lugar foi em Filadélfia, em 2015, onde a temática LGBT esteve completamente ausente do programa oficial.

 

Neste IX EMF, num momento charneira para a história da Igreja Católica (desde logo devido ao extenso rol de abusos sexuais por parte do clero), houve vários avanços e recuos, concretamente com a ausência de famílias LGBT no material promocional do encontro o que foi, desde logo, uma fonte de séria preocupação junto da Rumos Novos, pois sempre foi nossa esperança de que este fosse um momento que jamais deveria mostrar qualquer forma de intolerância para com as famílias LGBT, ou utilizado como palco para comentários que, de alguma forma, excluíssem, isolassem ou magoassem estas famílias.

 

Por isso, é com júbilo que verificámos verdadeiros momentos de acolhimento para todos e todas. Desde logo, pela presença do Pe. James Martin, SJ que exortou ao acolhimento e respeito pel@s católic@s LGBT e cujo convite representa uma clara mensagem à comunidade católica LGBT que exprime um sinal inconfundível de acolhimento por parte da igreja.

 

Numa comunicação intitulada «Mostrar Acolhimento e Respeito nas Nossas Paróquias para com as Pessoas LGBT e suas Famílias» e numa sala apinhada muito para além do seu limite de 1000 lugares sentados, o Pe. James Martin descreveu os muitos abusos e opressões que as pessoas católicas LGBT viveram na Igreja e foi igualmente veemente quando descreveu a sua fé profunda e os dons espirituais que estas pessoas trazem à igreja, tendo, sobretudo, referido: «Têm sido, muitas vezes, tratados como leprosos, por parte da Igreja. Nunca se deve subestimar a dor que as pessoas LGBT têm vivido – não somente às mãos da Igreja, mas igualmente por parte da sociedade, no seu geral…» e «A maioria das pessoas LGBT tem sido profundamente ferida pela igreja. Têm sido gozados, insultados, excluídos, condenados ou apontados, em privado e a partir do púlpito… Desde os seus primeiros dias como católic@s, que @s fazem sentir como se fossem algum tipo de erro. Temem a rejeição, o julgamento e a condenação por parte da igreja. De facto, estas são as únicas coisas esperam da igreja. Frequentemente, isto leva-os a que se afastem da igreja.»

 

Acabaria a sua preleção pedindo à igreja que se mantenha fiel a Jesus e acolha as pessoas LGBT.

 

Porém, a presença do assunto d@s católic@s LGBT não se ficou pela intervenção do Pe. James, mas antes esteve presente em mais três outros momentos.

 

Na missa de encerramento do Encontro Mundial das Famílias entre as famílias escolhidas para a procissão do ofertório estava uma família envolvida no «All Are Welcome» (Tod@s são bem-vind@s), organismo irmão da Rumos Novos.

 

Na Missa de encerramento do Congresso Pastoral do EMF, o Diácono Ray Dever de Tampa, na Florida, que é pai de uma filha transgénero e de uma outra bissexual, serviu como pregador do Evangelho e assistente do presidente da celebração, o Cardial Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, instituído pelo Papa Francisco.

 

Finalmente, no voo de regresso a Roma, proveniente do EMF, o Papa Francisco, respondendo a uma pergunta do jornalista Javier Romero, do Rome Reports, aconselha um pai ou uma mãe com um filho ou filha homossexual a «rezar! Não condenar. Dialogar. Compreender. Dar espaço ao filho e à filha. Dar espaço para que se exprimam.», pois «aquele filho ou aquela filha tem direito a uma família e a família nunca o deve deixar afastar-se dela. Isto é um desafio sério, mas é isso que faz a paternidade e a maternidade.»

 

Portanto, a Rumos Novos – Católicas e Católicos LGBT (Portugal) reafirma que este IX EMF foi uma ocasião histórica para confrontar a desigualdade, a discriminação e o ódio e um momento único de iniciar a construção de pontes, a comunicação entre católicas e católicos LGBT e a igreja institucional e vice-versa, mas foi igualmente uma justa homenagem a tantas e tantos que nas paróquias e dioceses, bispos, sacerdotes e leigos, se dedicam afincadamente e, tantas vezes, num mar de incompreensões e críticas, à pastoral com as pessoas LGBT.

 

Neste IX EMF foi aberta uma porta em direção à igreja institucional, na Rumos Novos acreditamos ser chegado o momento desta igreja atravessar essa porta para dar início à construção de pontes de entendimento e diálogos com @s católic@s LGBT.

 

Este EMF interpela-nos a todas e todos, igreja institucional e católic@s LGBT, a sermos como Jesus: procurar as pessoas, encontrá-las e tratá-las com respeito, compaixão e delicadeza. Saiba a igreja institucional estar à altura do desafio que hoje o povo de Deus lhe pede!