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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Contra a homofobia

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Hoje é o dia internacional contra a homofobia. É uma pena que tenha que haver um dia assim, ainda que, de momento, seja necessário. É triste que em muitos países do nosso mundo as pessoas sejam perseguidas pela sua orientação sexual, algumas vezes castigadas pela lei e noutras, pela calada - de forma mais súbtil, mas igualmente demolidora - pela ignorância, pelo engano, pela marginalização e pela incompreensão.

 

Escutei, frequentemente, boa gente que, contudo, não tem decoro na hora de fazer comentários que vão desde o condescendente até ao insulto às pessoas homossexuais. Pessoas que quando ouvem a palavra gay, acrescentam-lhe logo a de Lobby, como se a homossexualidade fosse acima de tudo uma militância, uma ideologia ou um grupo de interesse; em vez da condição de muitos milhões de pessoas em todo o mundo, em todas as sociedades, em todas as épocas e em todas as situações sociais.

 

Como igreja também temos que avançar na forja de uma sociedade e uma comunidade livres de discriminação e preconceito. Já se percorreu caminho. Algumas coisas mudaram e, cada vez mais, são as vozes que falam com respeito, com ternura e com ousadia, face a discursos que parecem pertencentes a outra sociedade e outro tempo. Porém, há que avançar mais. Temos que contribuir para o reconhecimento da dignidade radical de todas as pessoas, na sociedade em geral, e na igreja, em particular. Há muitas pessoas homossexuais, lésbicas e transexuais que acreditam em Deus e que se sentem parte da Igreja, mas que, algumas vezes, se sentem, como me dizia um bom amigo: «obrigados a participar na partida a partir do banco», porque se lhes diz que isso é o que há.

 

Não é o que há. Não pode ser. Se verdadeiramente acreditamos no Deus que um nos criou únicos e diferentes. Se verdadeiramente acreditamos na dignidade radical de todas as pessoas. E se não caímos na moralização do que não é moral, mas antes uma condição humana, na sua complexidade e na sua diversidade.

 

José María Rodriguez Olaizola, sj