Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Associação RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBTQ (Portugal)

Somos católic@s LGBTQ que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Ghosting: a maneira mais cruel de acabar com uma relação

gabriel-E-b_VNmtGJY-unsplash.jpg

Muitas mudanças aconteceram nesta nova era digital, sobretudo ao nível relacional. O mundo das redes sociais, dos novos métodos de comunicação online, mudou para sempre a nossa maneira de nos relacionarmos. Agora, todos os vínculos que estabelecemos com @s outr@s têm uma alta componente cibernética. São mais complexos, diferentes, porque o que antes supunha conversas cara a cara, pessoalmente ou através de uma chamada telefónica, agora tem variantes múltiplas: utilizamos mensagens de texto, atualizações de estado, emoticons, memes e gifs para expressar as nossas emoções. Não somente isso, mas também a nossa linguagem se transformou, tendo-se tornado mais pobre, limitada a uns quantos caracteres que algumas vezes não são capazes de plasmar significados complexos ou completos daquilo que desejamos expressar.

 

A TECNOLOGIA COMO FORMA DE NOS RELACIONARMOS

Portanto, estas redes já não são somente um meio de comunicação, mas transformou-se em toda uma forma de vida. Um modo de deixar-se ver, expressar quem somos, os nossos desejos, hábitos, gostos e costumes.

Nesta época, na qual muitas relações de casal começam através de aplicações de contactos ou de trocas rápidas de mensagens, também surgiram fenómenos próprios. O mais significativo e doloroso de tudo isto é aquilo que os anglosaxões denominaram de "ghosting", palavra que poderíamos traduzir como "converter-se num fantasma" (ou mais coloquialmente: fazer-se de parvo).

Talvez nalgum momento tenhas sido vítima do ghosting e nem sequer o soubeste ou não foste capaz de lhe dar um nome. Conheces alguém, trocas números de telefone, tens umas quantas frases que parecem bonitas e pode mesmo ser que comeces uma relação. Contudo, de repente, sem que o possas prever, essa pessoa que tanto prometida, desaparece, fica calada. Faz-se silêncio.

Esta maneira de acabar uma relação, ou uma potencial relação, da noite para o dia, cortando todo o tipo de comunicação, está a converter-se numa prática tão comum quanto dolorosa e cada vez mais pessoas têm que lhe fazer face, sem encontrar respostas ou motivos devido aos quais tudo acabou de repente.

As pessoas que praticam o ghosting ou são vítimas deste silêncio inesperado não param de pensar nas consequências psicológicas que implica.

Por um lado, a vítima deste silêncio pode ver a sua autoestima muito danificada e fazer frente ao período de luto de romper uma relação sem ter todas as respostas sobre os motivos desta rutura. Por outro lado, a pessoa que faz ghosting poderia ter remorsos ou sentimentos de culpa, sobretudo se estivermos em presença de uma relação já consolidada.

 

POR QUE APARECE O GHOSTING?

O ghosting mais não é do que aproveitar a tecnologia para evitar a todo o custo o confronto ou uma situação incómoda. A pessoa que o faz torna-se egoísta e evasiva, tem medo do conflito e prefere ocultar-se atrás de um écran. É como se os écrans fossem uma barreira protetora, conseguindo que seja mais simples acabar uma relação sem ter que passar pelo contacto interpessoal.

As novas tecnologias acostumaram-nos a "nos desfazermos" das pessoas de uma maneira fácil e rápida: basta ficar em silêncio, não responder e ignorar a pessoa e os seus sentimentos. O ghosting consegue que desapareça toa a empatia para com @ parceiro@, que se procure a satisfação imediata e se perca a capacidade de lidar com momentos difíceis nas nossas relações.

Há muit@s praticantes do ghosting que nem sequer estão conscientes do dano que provocam com esta atitude de afastamento passivo. esquecem-se de que na maioria dos casos o ghosting somente consegue alargar o processo de luto perante uma rutura. Se a pessoa que amas evita comunicar-se contigo e continua com a sua vida como se nada se tivesse passado, isto faz com que o luto seja mais complicado.

Não obstante, ainda que doa, a vítima do ghosting deve assumir que é muito provável que essa relação nunca terá o encerramento desejado. Tod@s procuramos um encerramento quando uma história termina, mas há pessoas que por vergonha, desespero, cobardia ou preguiça, não estão disposto a no-lo dar.

 

QUE PODEMOS FAZER PARA NOS PROTEGER DO GHOSTING?

O melhor que podes fazer é evitar contactar essa pessoa para lhe pedir explicações. Mesmo que as mereças ou acredites que é injusto, é preferível assumir que a história acabou e evitar ouvir desculpas ("talvez tenha perdido o telemóvel", "talvez esteja ocupada"). Evitar ligar ou procurar qualquer contacto com essa pessoa porque, fazê-lo, somente terá como resultado que a tua autoestima se vá ressentindo ainda mais.

Faz um esforço de considerar essa relação como "terminada". É extremamente doloroso ter que abandonar uma relação sem qualquer explicação, mas quanto menos contactos tiveres com essa pessoa ou com a situação, mais rapidamente superarás o abandono e a falta de comunicação. Evita cair em comportamentos obsessivos de procurar respostas na tua própria cabeça, porque não és capaz de as encontrar na pessoa que as deveria dar-tas. As dúvidas, as tentativas de racionalizar o irracional somente conseguirás sentir-te pior.

Finalmente, dá valor a ti mesm@. Dá-te um período de luto, de choro e de exteriorização de toda essa dor e incompreensão que sentes. Contudo, não permitas que esta fase se eternize. Usa-a para canalizar e limpar as tuas emoções negativas para depois converteres este período de dor numa aprendizagem. O abandono provoca feridas e ainda por cima se acontece sem qualquer explicação. Porém, tens as ferramentas no teu interior para te sobrepores a ele.

Já para não falar que não existe nenhuma lei escrita de que alguém nos deve explicações quando acaba connosco. Claro que há o sentido da ética, o carinho e o respeito, mas nem todas as pessoas dão importância a estas qualidade e devemos respeitar se @ outr@ decide seguir em frente e não te dizer porquê. É precisamente esta falta de qualidade que deverias ter presente para esqueceres alguém que não esteve à altura dos teus princípios.

 

Fonte: Paula Alcaide