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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Há centenas, milhares de sacerdotes homossexuais que levam vidas santas

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Há homofobia na Igreja? Mais ou menos do que nas demais instituições?

Lamentavelmente, há muita. A maior parte provém do medo: o medo em relação às pessoas que são diferentes; o medo em escutar algo novo e, frequentemente, o medo da própria sexualidade complicada. Provavelmente há mais homofobia na Igreja católica do que em outras instituições porque alguns católicos sentem, erradamente, que a sua religião a justifica. Contudo o ódio nunca é justificado pelo cristianismo. Efetivamente, Jesus amava sobretudo os mais marginalizados. Contudo, esse ódio vai diminuindo à medida em que cada vez mais pessoas são abertas em relação à sua sexualidade. E à medida que cada vez mais pessoas se abrem ou saem do armário, as pessoas começam a reconhece-los como seus irmãos e irmãs, tias e tios, sobrinhas e sobrinhos e amigos e colegas de trabalho. O encontro diminui o medo.

 

 

É justo que o Vaticano proíba a entrada nos seminários a jovens com tendências homossexuais?

O Vaticano afirma que homens com «tendências homossexuais profundamente enraizadas» não devem ser admitidos nos seminários. Porém, os bispos têm interpretado isto de três formas: Primeiro, nenhum homem gay deveria entrar. Segundo, nenhum homem para o qual a sua sexualidade seja a parte mais importante da sua personalidade deveria entrar. Terceiro, nenhum homem gay que não consiga viver celibatariamente deveria entrar. Tudo o que posso dizer é que conheço muitos sacerdotes gay que levam vidas santas na igreja.

 

 

Os padres e bispos gay (ao que parece muitos) são capazes de manter os seus votos de celibato?

Sim, por que razão não deveriam de o ser? Ser gay não significa que se tem de ser sexualmente ativo. Temos de ser claros: é simplesmente falso afirmar que os padres gays não podem viver o celibato. A melhor prova disto é o facto de que há centenas, se não mesmo milhares, de padres gays celibatários e membros castos de ordens religiosas que levam vidas dedicadas de serviço a Deus e à igreja.

 

 

O que pensa da afirmação de que a homossexualidade é a principal causa do abuso sexual de crianças na Igreja?

É preciso afirmar que a maioria dos casos se refere a homens predando rapazes e jovens. Contudo, isto não significa que todos os sacerdotes gays, ou mesmo a maioria dos sacerdotes gays, sejam abusadores. É um falso argumento. Somente porque alguns são isso não significa que todos ou a maior parte o sejam. Para além disso, a maior parte dos casos de abuso ocorre no seio familiar e ninguém afirma que todos os homens heterossexuais ou que todos os pais ou que todos os homens casados são abusadores. Novamente, é um estereotipo perigoso que precisa ser desmontado.

 

Autoria: C. Doody
Tradução (do inglês) e adaptaçao: José Leote (Rumos Novos)