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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBTQ (Portugal)

Somos católic@s LGBTQ que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Heteronormatividade: és heterossexual até que se demonstre o contrário

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Vemo-lo em artistas, figuras públicas, cantores, atrizes, etc.: sempre se lhes pergunta se têm noivo, no masculino. Nunca se vê nenhum jornalista supor outra coisa. E isso mesmo sucede muitas vezes connosco mesmas. A sociedade dá por certo que todas as pessoas são heterossexuais até que se demonstre o contrário. Quando conheces um novo grupo de pessoas, as perguntas por defeito serão sempre sobre um possível par do sexo oposto e, contam-se pelo dedos da mão, as vezes em que perguntarão por uma noiva, porque em muitos casos pensarão que pode ofender-te. Isto não é casual, nem caso isolado.

Segundo o psicólogo Dominic Davies, com o qual tive o prazer de formar-me em Londres, há várias formas através das quais a sociedade oprime homossexuais e bissexuais:

  1. Conspiração do silêncio: parece como se homossexuais e bissexuais não existissem, há escassez de centros sociais ou culturais onde possam encontrar-se.
  2. Negação popular: as pessoas da rua continuam a ignorar a existência de pessoas LGBT e a maioria dos países não reconhece a estas pessoas os mesmos direitos reconhecidos aos heterossexuais.
  3. Medo da visibilidade: muitos heterossexuais e inclusive alguns homossexuais (com homofobia internalizada) sentem-se desconfortáveis perante as relações entre pessoas do mesmo sexo. As pessoas heterossexuais falam sem problemas do que fazem com o seu par durante o fim de semana, mas se uma lésbica o faz é acusada de apregoar aos quatro ventos a sua intimidade ou de estar a fazer a apologia da homossexualidade. Às vezes há pessoas que aceitam as pessoas homossexuais desde que "sejam discretas" e isto é outra forma de homofobia subtil.
  4. Simbolismo negativo: a sociedade cria regras e normas de conduta das quais se exclui os grupos minoritários.
  5. Negação da cultura: eliminou-se qualquer referência positiva à homossexualidade, ocultando contributos de artistas, filósofos, cientistas, políticos, etc., homossexuais e bissexuais no decurso da história. Sobre este ponto, recomendo-lhes que leiam o livro Desconocidas & Fascinantes, uma recompilação de biografias de mulheres muito interessantes (poetizas, filósofas, cientistas, monjas, ...) que se sabe ou intui serem lésbicas.

 

Heterossexismo

O Heterossexismo - sistema ideológico que nega, menospreza e estigmatiza qualquer forma não heterossexual de conduta, identidade, relação ou comunidade - pode observar-se em todo o lado, mas sobretudo na área da educação. A homofobia começa nas salas de aula e, por isso, é fundamental incluir imagens positivas sobre a homossexualidade e a bissexualidade na educação para ajudar aquel@s que o são a aceitarem a sua sexualidade como algo natural e saudável, para educar os demais jovens sobre a diversidade sexual e para oferecer a quem tem dúvidas informação verdadeira e objetiva para evitar a rejeição, o medo e a opressão.

Para mim o heterossexismo acabará quando os heterossexuais se identifiquem como tal. Não sei se lhes aconteceu de encontrar alguém que não saiba pronunciar a palavra heterossexual, mas a mim já me aconteceu explicar o conceito e familiares já de certa idade me dizerem: ah, então eu sou hetero... quê? Há pessoas quem nem sequer sabem que são heterossexuais! Quando estas pessoas saírem do armário como heterossexuais então a heteronormatividade terá chegado ao seu fim... Contudo, até esse dia, és heterossexual até que não se demonstre o contrário. E precisamente por isso, não se trata de "levar bandeiras" ou de "expor a tua intimidade" como algumas pessoas pensam, mas sim de as corrigir!

Não se trata de uma questão de "sair do sistema" ou de "transgredir a norma social", mas antes que se trata de uma norma restritiva e limitada que discrimina e não reconhece toda a diversidade de afetos, atrações e sentimentos que temos.

 

Fonte: Paula Alcaide