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Associação RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBTQ (Portugal)

Somos católic@s LGBTQ que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

19 de Janeiro, 2020

Malmequer, bem me quer... Quer-te?

Rumos Novos - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

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Há uma crença popular de que para conservar uma relação de casal há que, de vez em quando, criar uma certa distância para não perder o interesse. É o clássico "malmequer, não me quer" que nos ensinaram desde pequen@s, quando desfolhávamos malmequeres com a esperança de que a última pétala nos desse a resposta desejada.

Uma pessoa conhecida contava-me outro dia que a mulher com a qual sai desde há vários meses há vezes em que parece estar e outras em que desaparece. Desaparece durante uns dias, como se a relação que mantêm passasse de um estado quente a um frio em questão de horas. Os motivos? A minha amiga desconhece-os. Por mais que se pergunte sobre o seu comportamento, não encontra nenhum sinal que indique quando esta alteração vai ocorrer. A sua sensação é sempre a mesma: "Quando me aproximo dela, parece que se afasta. Se estou distante, é ela que se aproxima de mim".

A minha amiga sofre muitíssimo em função desta dinâmica de toca e foge. E não é a única que o faz. Frequentemente chegam-me à consulta pessoas que estão nos primeiros meses de conhecer alguém que, em teoria, lhes corresponde, mas cujo comportamento errático provoca muito desconcerto, frustração e dor.

 

OS TEUS OBJETIVOS NAS RELAÇÕES

Gostamos de alcançar os nossos objetivos. Também no amor e nas relações afetivas em geral. É suficiente que nos coloquem um desafio para que muit@s fiquemos pres@s nessa dinâmica de conquista permanente, de dúvida e incertezas. Quer-te ou não te quer? Por que se afasta quando tu te aproximas? Por que que procura quando tu te cansas e te distancias?

Estas atitudes incoerentes provocam em pessoas seguras uma profunda desilusão e, às vezes, perca de interesse. Quando falamos com pessoas inseguras, que na melhor das hipóteses já vêm danificadas de relações anteriores, a erosão é ainda maior: sente-se medo do abandono e uma desconfiança crónica.

A que se deve este comportamento? Às vezes é devido a que se trata da primeira vez que têm interesse romântico por outra pessoa do mesmo sexo, o que origina um grande pânico e negação que se apodera, por momentos, dessa pessoa e ativam nela um mecanismo de defesa. "Se te mando embora, se te afasto, afasto o problema". Algumas vezes são pessoas com um apego inseguro, que desconfiam das pessoas que se aproximam excessivamente porque lhes mete medo que as vejam tal e qual são. Noutras ocasiões é a ideia de não querer ter um@ parceir@, pois afasta-se o compromisso que isso supõe, mesmo quando há sentimentos fortes envolvidos.

 

A RODA DO "NEM CONTIGO NEM SEM TI"

Neste sentido, se és a pessoa que está presa nesta roda aditiva de nem contigo nem sem ti, recomendo-te que além de ficares obcecada com aquilo que não podes conseguir, revejas se esta pessoa cumpre com as condições que verdadeiramente desejas num@ parceir@. Se chegares à conclusão de que não há possibilidade de estabelecer uma relação, será positivo valorar de que modo essa pessoa pode estar presente na tua vida, desde a amizade até algo pontual como realizar atividades conjuntas.

É a tua vida, é o teu tempo, são as tuas escolhas. Não fiques à espera. Permanecer pres@ nesta situação de estaca zero somente provocará que provoques erosão na tua autoestima e que cada vez cedas mais espaço sem te fazeres valer. Não permitas que ninguém, nem tu mesma, te provoque essas feridas. Quer-te ou não te quer? Essa não é a pergunta. A pergunta é: Quer-te bem?

 

Fonte: Paula Alcaide