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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Matthew Shepard, cujo assassinato em 1998 se transformou num símbolo para o movimento em prol dos direitos das pessoas homossexuais, será enterrado na Catedral Nacional de Washington

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A família não enterrou os seus restos mortais depois de Shepard ter sido sovado e deixado para morrer perto de Laramie, Wyoming (EUA), por receio de que a campa fosse profanada.

 

Quando Matthew Shepard morreu numa noite fria há 20 anos, depois de ter sido agredido com a coronha de uma pistola e amarrado a uma vedação de madeira, os pais mandaram cremar o corpo do jovem de 21 anos e guardaram as cinzas por temerem atrair as atenções para o local do último descanso de uma pessoa que foi vítima de um dos piores crimes de ódio dos Estados Unidos.

 

Porém, agora com o aniversário do assassinato do seu filho, os Shepards decidiram enterrar os seus restos mortais no interior da cripta na Catedral Nacional de Washington, onde os ativistas pela igualdade dos homossexuais afirmam que pode ser um símbolo proeminente e mesmo um destino de peregrinação em prol do movimento. Embora a causa da igualdade LGBT tenha tido avanços históricos desde que Shepard foi morto, ela ainda aparece muito diferenciada em muitas partes do mundo.

 

O assassinato de Shepard em 1998, um estudante da Universidade do Wyoming, às mãos de dois jovens, numa área remota a leste de Laramie, foi de tal modo horrenda que o seu nome está presente na lei federal contra crimes de ódio dirigidos às pessoas LGBT. Foi igualmente tema de livros, filmes e da peça de teatro "The Laramie Project", que é uma das peças de teatro mais representadas nos Estados Unidos.

 

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Selvaticamente agredido e deixado para morrer, Shepard foi encontrado quase 18 horas depois por um ciclista que pensou tratar-se de um espantalho. Matthew morreu uns dias depois, a 12 de outubro de 1998, aos 21 anos.

 

A 26 de outubro, as suas cinzas serão depositadas num nicho no columbário da cripta, uma área privada no piso inferior da massiva catedral gótica, que é a sede da igreja episcopal e um local eleito para os eventos espirituais nacionais. Shepard, que fo membro ativo na igreja episcopal, será uma das mais de 200 pessoas enterradas na catedral no último século. Outras incluem o Presidente Woodrow Wilson; Helen Keller e a sua professora Anne Sullivan e o Alimirante da Marinha George Dewey, afirmou o porta-voz Kevin Eckstrom. Embora os visitantes não tenham acesso à cripta, os responsáveis da catedral estão a considerar a possibilidade de instalar uma placa que possa ser vista e tocada, semelhante àquela existente em Braille instalada para Keller.

 

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A cerimónia do dia 26 de outubro será aberta ao público e será presidida pela bispa episcopal de Washington, Mariann Edgar Budde e pelo bispo Gene Robinson, cuja ordenação em 2003 como o primeiro bispo assumidamente gay na igreja episcopal deu origem a um cisma dramático na denominação que ainda não está resolvido.

 

Robinson é amigo de Judy e Dennis Shepard, pais de Matthew.

 

"Se sei alguma coisa sobre Deus é que Deus pode extrair algo de bom a partir de algo terrível. E os movimentos necessitam de símbolos. [O movimento para a igualdade gay tem] o triângulo, que recorda aquele que foi usado para nos marcar durante o Holocausto; a bandeira arco-íris e temos também Matt Shepard, que se tornou num símbolo da forma como somos alvo de violência," afirmou Robinson na passada quarta-feira à noite. "Este pode ser um lugar maravilhoso para as cinzas de Matt repousarem e onde as pessoas podem ir e fazer uma espécie de peregrinação. Todos nós seres humanos necessitamos de lugares especiais para irmos e lembrar-mo-nos de coisas importantes e penso que este pode tornar-se um destino para as pessoas LGBTQ que experimentaram a violência nas suas vidas, que contínua a ser um problema, apesar de todos os ganhos que conseguimos."

 

Em vez de se desvanecer, o simbolismo da morte de Matthew Shepard intensificou-se com o passar do tempo e aqueles que trabalham na fundação com o seu nome afirmam que o seu recente recrudescimento - e o de outros grupos de defesa que realizam um trabalho semelhante - reflete um retrocesso ou um marcar passo no alcance de uma igualdade completa para as pessoas LGBT.

 

A morte de Matthew Shepard é uma tragédia duradoura que afeta todas as pessoas e deveria servir como um apelo permanente para rejeitarmos a intolerância em relação às pessoas LGBTQ e, em vez dela, abraçarmos cada um dos nossos vizinhos por aquilo que são.

 

Tradução e Adaptação: José Leote (Rumos Novos)