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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

"Não esperemos pelos teólogos", diz o Papa Francisco sobre a partilha da Eucaristia

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O Papa Francisco, à esquerda, reza com o Patriarca Ortodoxo Romeno Daniel na Catedral Nacional de Bucareste, na Roménia, a 31 de maio de 2019. (AP/Andrew Medichini)

 

No avião que o trouxe de regresso a Roma depois da sua viagem à Roménia, o Papa Francisco fez uma afirmação extraordinária sobre o papel da teologia nas relações ecuménicas na sua conferência de imprensa a 2 de junho.

 

No passado, os responsáveis pela igreja realçavam a necessidade de um acordo teológico antes que a unidade cristã ou a partilha da Eucaristia fosse possível.

 

Como resultado, a igreja católica encontra-se envolvida em diálogos teológicos intermináveis e complexos com outras igrejas cristãs. Estes diálogos têm registado um enorme progresso em relação a assuntos levantados pela Reforma, mas surgiram temas novos (ordenação de mulheres, casamento entre pessoas do mesmo sexo, aborto) que dividem as igrejas.

 

Isto torna muito difícil chegar a um acordo final.

 

Porém, Francisco disse aos jornalistas que se encontravam a bordo do avião papal, «O ecumenismo não se faz chegando ao final das discussões, faz-se caminhando juntos.» O caminho é mais importante do que o destino.

 

Em resultado disso, Francisco sublinhou a necessidade de um ecumenismo do derramamento de sangue e no trabalho conjunto ao serviço dos pobres, dos doentes e dos marginalizados. Isto encaixa na perfeição com a sua famosa afirmação de que «os factos são mais importantes do que as ideias.» A forma como vivemos a nossa fé é mais importante do que a forma como a explicamos.

 

Contudo, durante a conferência de imprensa ele foi mais longe. Como explicou no avião «já existe unidade cristã». «Não esperemos pelos teólogos para chegar a um acordo sobre a Eucaristia.»

 

Estará o Papa a assinalar a sua vontade de avançar para a partilha da Eucaristia sem uma concordância teológica total?

 

Isto seria consistente com tudo o resto que ele tem afirmado. Se é o caminho, não o destino, que é importante, então qual o motivo para não partilharmos a comida durante a viagem? Por que razão esperar até chegarmos?

 

Tal visão veria a Eucaristia como um sacramento unificador em vez de uma celebração da unidade.

 

Ironicamente, durante a sua visita, as divisões entre os teólogos tornaram impossível que o Papa rezasse o Pai Nosso com o Patriarca Ortodoxo Romeno, Daniel, uma vez que a ala direita ortodoxa objetou à oração em conjunto. Como resultado, o Papa rezou-a primeiro em latim, seguido do Patriarca dizendo-a em romeno.

 

Porém, o Papa revelou que tanto quando conseguiu ver, a maioria das pessoas presentes no serviço na catedral ortodoxa rezou ambas as vezes.

 

«As pessoas foram além de nós responsáveis», explicou Francisco.

 

Do mesmo modo, na igreja católica, as pessoas mostram o caminho e os teólogos seguem atrás e não ao contrário.

 

Os banqueiros começaram a cobrar juros pelos empréstimos, antes de os teólogos conseguirem distinguir juro de usura. Os cientistas sabiam que a Terra girava em torno do Sol, antes dos estudiosos da Bíblia aplicarem o criticismo literário ao Génesis. Os católicos americanos abraçaram a liberdade religiosa antes da igreja se por a par do Vaticano II.

 

Hoje, católicos encorajam os seus cônjuges protestantes a se lhes juntarem na comunhão. Católicos e católicas divorciados estão a regressar à comunhão. Casais de pessoas do mesmo sexo aproximam-se dos ministros da comunhão conjuntamente. Casais católicos praticam a contraceção.

 

Os leigos seguiram em frente. Não estão à espera dos teólogos ou da hierarquia para os liderar. Estão à espera que eles os consigam alcançar.

 

Fonte: National Catholic Reporter