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Associação RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBTQ (Portugal)

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20 de Julho, 2019

O coletivo LGTBI enfrenta a homofobia das autoridades polacas

Rumos Novos - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

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O coletivo LGBTI da Polónia nega-se a ceder perante o ataque de homofobia que assola este país, no qual uma trintena de localidades declararam-se como «território livre da ideologia LHBTI», ao mesmo tempo em que o partido no poder assinala esta ideologia como uma «ameaça» contra a pátria.

 

«A situação do coletivo LGBTI na Polónia é, sem margem para dúvida, dramática. Não contamos com igualdade de direitos; os casais de pessoas do mesmo sexo não podem aceder a um sistema de união de facto, já para não falar do casamento. Também o código penal não protege o coletivo de forma apropriada», explicou à agência de notícias espanhola Efe a ativista Cecylia Jakubczak.

 

Cecylia é a porta-voz da principal ONG polaca de defesa dos direitos LGBTI, Kampania Przeciw Homofobia (KPH, Campanha contra a Homofobia), uma organização que resguardo contra as políticas «incrivelmente homofóbicas» do governo da Polónia, nas mãos do partido nacionalista-conservador Lei e Justiça (PIS), desde 2015.

 

«É evidente o fosso cada vez maior entre os políticos do PIS e grande parte da sociedade, que aceita e entende as diferentes opções sexuais», acrescenta Cecylia, que dá como exemplo a última edição da Marcha do Orgulho Gay, em Varsóvia, no passado dia 9 de junho, onde se registou um número recorde de participantes de cerca de 100000 pessoas.

 

Para além disto, recorda esta ativista, cada vez são mais as localidades nas quais se organizam atos reivindicativos como este, ainda que sejam igualmente cada vez mais aquel@s que, do  outro lado da trincheira, se posicionam abertamente contra o movimento LGBTI e contra a «ameaça ideológica» que este representa.

 

Segundo uma sondagem do instituto IBSP realizada no passado mês de março, cerca de 31% dos polacos afirmam «aceitar sem reservas» as pessoas LGBTI, contra cerca de 38% que «não os aceitam», com um amplo número de cidadãos que declaram não ter uma opinião formada sobre este coletivo.

 

A cidade de Swidnik, no leste da Polónia, foi a primeira de uma trintena a declarar-se livre da ideologia LGBTI, um exemplo que foi seguido por outras dentro de uma tendência que considera que a «ideologia LGBTI vai contra a família e o Estado polaco».

 

A agência Efe tentou, sem sucesso, contactar com representantes desta localidade, governada pelo PIS, para que explicassem o conteúdo dessa declaração que, ainda que meramente simbólica, pressupõe uma autêntica proclamação contra os movimentos em prol dos direitos LGBTI.

 

É precisamente o líder nacional deste partido, Jaroslaw Kaczynski, quem aproveitou a campanha eleitoral das passadas eleições para lançar duros ataques contra os movimentos a favor dos direitos dos homossexuais, uma «ameaça» para a pátria polaca dentro duma «guerra ideológica», afirmou.

 

Neste cenário, em finais de junho a igreja católica polaca acusava a empresa de móveis sueca IKEA de «doutrinamento LGBTI», depois da empresa ter despedido um empregado por publicar um comentário homofóbico numa rede social interna da empresa.

 

Segundo o KPH a «exaltação» homofóbica que se vive na Polónia é uma consequência direta da proclamação contra a discriminação assinada e adotada, no passado mês de fevereiro, pelo presidente da Câmara Municipal de Varsóvia, o liberal Rafal Trzaskowski, com o objetivo de proteger os direitos das pessoas LGBTI.

 

O recrudescimento homofóbico fez com que coletivos com o KPH redobrem os seus esforços para enfrentar a demonização do coletivo LGBTI, através de ações «imaginativas face à intolerância dos políticos», como a que teve lugar no passado dim de semana em Varsóvia, onde uma quinzena de artistas tatuaram contra a homofobia.

 

«Esta iniciativa nasceu faz anos em Varsóvia e também teve lugar em Breslavia. É a nossa forma de educar e mostrar à sociedade que é possível colaborar e ajudar o coletivo LGBTI através de formas variadas», disse à Efe a organizadora de «Tatuagens contra a homofobia», Franczyska Sady.

 

«Ajudamos de uma maneira imaginativa, divertida, sem formalidades. A quem nos visitar fazem-se tatuagens, ao mesmo tempo em que tomam consciência dos problemas das pessoas LGBTI, a quem são dirigidos os fundos arrecadados, particularmente ao coletivo trans, o mais vulnerável», assinala Sady.

 

Muitas pessoas que acorrem a este tipo de ações em defesa do coletivo LGBTI são muito jovens, inclusivamente alguns são adolescentes, o que permite notar a mudança que as novas gerações estão experimentando na Polónia, um país onde o fosso de gerações é cada vez mais evidente em questões de direitos LGBTI.

 

Dagna, uma das tatuadoras que participou nesta jornada, acredita que a tatuagem «é uma boa forma de eliminar barreiras entre as pessoas» e assegura que a tatuagem preferida entre os seus clientes LGBTI é o unicórnio.

 

Fonte: Eldiario.es