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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Os Homossexuais Católicos também são Igreja

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Ser homossexual significa estar arredado da participação ativa na sua comunidade paroquial; significa estar segregado, marginalizado.

 

Será porém este o ensinamento de Cristo? Será que o mesmo Cristo redentor que abençoou os puros de espírito, que chamou a Si todos os cansados e os oprimidos, que chamou todos sem exceção à sua Igreja, pode apelar à segregação? Ao afastamento? à marginalização? Serão mais dignos do amor de Deus todos os demais fiéis que sendo homossexuais não o dizem? Que sendo casados cometem adultério? Não será aqui que reina o pecado? Haverá pecado numa relação de amor e entrega mútua entre duas pessoas que se amam? Se Deus é amor, porque não poderá estar no meio do casal estável de homossexuais?

 

Será que uma igreja que defende um Cristo que veio trazer a nova e eterna Aliança, pelo Novo Testamento, se pode refugiar, quando isso lhe é útil, em livros do Antigo Testamento?

 

Será lícito que uma igreja que defende a interpretação não literal do texto bíblico, se refugie nesse tipo de interpretação quando pretende condenar a homossexualidade?

 

Enfim, será a Igreja instituída por Cristo em Pedro, a primeira pedra, que está errada, ou será a igreja dos homens que peca?

 

Estamos certos que Deus não olhará para a homossexualidade como pecado. Como seria isso possível de acontecer num Deus que ama e ampara todas as criaturas sem exceção? Efetivamente, se a homossexualidade for entendida como a identidade psicossexual dentro das fronteiras de um desenvolvimento humano saudável e psicológico, tendo por significado um relacionamento estável amoroso, então sendo Deus amor, onde há amor verdadeiro Deus está presente e onde Deus está presente não pode existir pecado.

 

Deus criou as pessoas com atracões românticas e físicas por pessoas do mesmo sexo, assim como aquelas com atracões por pessoas do outro sexo. Todos estes sentimentos são naturais e são considerados bons e abençoados por Deus. Logo estes sentimentos e atracões não podem constituir pecado e ser motivo de exclusão dos homossexuais da participação ativa nas suas comunidades paroquiais.

 

Porém, se a homossexualidade tem por significado comportamentos eróticos com pessoas do mesmo sexo, expressões físicas de união e prazer, encontros ocasionais, infidelidade, manipulação, então o pecado existe, quer na homossexualidade quer na heterossexualidade.

 

Conforme já verificámos atrás a Igreja refugia-se na Bíblia para condenar a homossexualidade (entendida como uma relação amorosa estável e fiel entre duas pessoas que se amam e querem ser família), contudo (conforme também já o referimos) a linguagem bíblica não se refere à homossexualidade como a entendemos, mas a prostitutos masculinos que eram utilizados nos cultos pagãos. Certamente que em parte alguma da Bíblia se legisla sobre o tema de uma atracão profunda e de amor entre dois adultos do mesmo sexo, resultando num compromisso.

 

Por outro lado, sendo a homossexualidade tão natural e dada por Deus como o é a heterossexualidade, facilmente nos apercebemos que as invetivas bíblicas contra a homossexualidade foram condicionadas pelas atitudes e crenças acerca desta forma de sexualidade e correspondentes a uma determinada época histórico-cultural.

 

Deste modo, todas as manifestações de um amor fiel e responsável entre duas pessoas homossexuais não são algo tratado nas Sagradas Escrituras.

 

O casal homossexual vivendo em pleno e de forma madura a sua relação de amor mútuo, deve fazer parte integrante da sua comunidade paroquial. Nela participar ativamente, dando testemunho, paralelamente com os demais casais heterossexuais, pois o casal homossexual católico não deve, nem pode, continuar a ser arredado da sua Fé em Deus e em Cristo. Um Cristo que diariamente continua a morrer na cruz para redenção dos homens, de TODOS os homens.

 

Por tudo isto e como leigos empenhados nas suas diversas comunidades paroquiais os casais de homossexuais masculinos devem ser chamados à participação, pois...

 

NÓS TAMBÉM SOMOS IGREJA!

2 comentários

  • Caríssima jovem,

    Muito obrigada pela sua partilha aberta e sincera e pela sua confiança. A sua mensagem merece todo o respeito e a mesma honestidade da nossa parte em relação ao que nela refere.

    O facto de ter sentido desde muito cedo atração por pessoas do mesmo sexo, como refere, não é um problema nem um pecado. Fez e faz parte do seu percurso de vida.

    Alguém que deseja de forma tão convicta amar outra pessoa e comprometer-se com ela com a entrega e fidelidade que demonstra na sua mensagem, dificilmente se tornara depravado ou moralmente desqualificado só porque sente atração e amor por outra pessoa do mesmo sexo. A homossexualidade não define o carácter da pessoa e, contrariamente ao que refere na sua mensagem, as pessoas, de acordo com estudos científicos devidamente comprovados, já nascem com orientação sexual definida. Cada um/a nasce com uma orientação predisposta que se desenvolve na adolescência, não sendo já considerada uma perturbação (doença) desde 1995, e sim uma orientação.

    O padrão tradicional de amor e família heterossexual radicado na Bíblia é apontado como o padrão de Deus, por ser o primeiro modelo de amor e família que Ele, na Sagrada Escritura, instituiu para o ser humano ao pedir-lhe que crescesse e se multiplicasse. Contudo, Deus vai mais além: Ele ama e, porque é Amor, tudo criou por amor e não se enganou ao criar as pessoas com orientação homossexual nem as repudia de forma alguma por isso. Daí que aceite com misericórdia e compreensão o amor entre pessoas do mesmo sexo, o tal amor fiel e digno que refere e, que é sem dúvida a chave de uma sexualidade bem vivida, independentemente da orientação que a define.

    A dificuldade está na aceitação de que esse mesmo amor, que não faz parte do padrão convencional, seja igualmente puro, digno de respeito e atenção por parte de Deus e dos homens, quando ao longo de séculos de história humana a homossexualidade foi vista como uma doença e um desvio e o amor homossexual com algo de inexistente por não se enquadrar no padrão de Deus, no que os homens veicularam acerca de Deus e no próprio padrão das relações humanas interpessoais. É um tema delicado, sobre o qual a ciência e a psicologia já deram e dão um importante contributo no esclarecimento de alguns conceitos e a teologia do amor e da misericórdia terá, sem abandonar os ensinamentos da Igreja, de evoluir e de ir gradualmente ao encontro das pessoas sem julgamentos ou condenações precipitados, pois só Deus julgará o ser humano quanto ao amor e à forma como procurou seguir Jesus.

    Deus entende os sentimentos que temos e vivemos sem que tal tenha que ser necessariamente sinónimos de tentação e de pecado, pois a consciência e os valores de quem é bem formado saberão optar de forma correta e de acordo com o exemplo de Jesus que muitas vezes colocou a dignidade da pessoa humana acima dos padrões e leis do Seu tempo. Um exemplo hipotético: duas pessoas homossexuais vivem juntas há muitos anos. Uma delas, ainda jovem, está muito doente e totalmente dependente do/a companheiro/a que o/a trata com todo o carinho e está em casa quase todo o dia para cuidar da sua higiene, roupa, alimentação e assistência médica se for preciso.

    Viverão mesmo em pecado aos olhos de Deus? O seu amor é pecaminoso ou digno de respeito e admiração?

    O importante, cara jovem, é a forma equilibrada e honesta com que procura viver diante de Deus e relacionar.se com Ele, pois reflete-se na sua relação consigo mesma e com a pessoa ama ou vier a mar.

    As palavras e leis humanas são importantes para vivermos bem, mas a misericórdia de Deus que nos liberta do pecado e vai muito além do preconceito e do que os juízos humanos atingem. Nesse universo mais profundo do ser humano em que ele se encontra com Deus só o Seu Coração tem a resposta baseada na única Lei que Deus conhece e nos pede: o Amor!

    É esse mesmo amor a bússola que nos permite fazer escolhas na certeza de que Deus vela por nós, nos entende quando acertamos, nos perdoa quando erramos e nos ama e aceita exatamente como somos.

    TC
    (Rumos Novos - Assistência Religiosa Nacional
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