Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Os Homossexuais Católicos também são Igreja

God-Lovers.jpg

Ser homossexual significa estar arredado da participação ativa na sua comunidade paroquial; significa estar segregado, marginalizado.

 

Será porém este o ensinamento de Cristo? Será que o mesmo Cristo redentor que abençoou os puros de espírito, que chamou a Si todos os cansados e os oprimidos, que chamou todos sem exceção à sua Igreja, pode apelar à segregação? Ao afastamento? à marginalização? Serão mais dignos do amor de Deus todos os demais fiéis que sendo homossexuais não o dizem? Que sendo casados cometem adultério? Não será aqui que reina o pecado? Haverá pecado numa relação de amor e entrega mútua entre duas pessoas que se amam? Se Deus é amor, porque não poderá estar no meio do casal estável de homossexuais?

 

Será que uma igreja que defende um Cristo que veio trazer a nova e eterna Aliança, pelo Novo Testamento, se pode refugiar, quando isso lhe é útil, em livros do Antigo Testamento?

 

Será lícito que uma igreja que defende a interpretação não literal do texto bíblico, se refugie nesse tipo de interpretação quando pretende condenar a homossexualidade?

 

Enfim, será a Igreja instituída por Cristo em Pedro, a primeira pedra, que está errada, ou será a igreja dos homens que peca?

 

Estamos certos que Deus não olhará para a homossexualidade como pecado. Como seria isso possível de acontecer num Deus que ama e ampara todas as criaturas sem exceção? Efetivamente, se a homossexualidade for entendida como a identidade psicossexual dentro das fronteiras de um desenvolvimento humano saudável e psicológico, tendo por significado um relacionamento estável amoroso, então sendo Deus amor, onde há amor verdadeiro Deus está presente e onde Deus está presente não pode existir pecado.

 

Deus criou as pessoas com atracões românticas e físicas por pessoas do mesmo sexo, assim como aquelas com atracões por pessoas do outro sexo. Todos estes sentimentos são naturais e são considerados bons e abençoados por Deus. Logo estes sentimentos e atracões não podem constituir pecado e ser motivo de exclusão dos homossexuais da participação ativa nas suas comunidades paroquiais.

 

Porém, se a homossexualidade tem por significado comportamentos eróticos com pessoas do mesmo sexo, expressões físicas de união e prazer, encontros ocasionais, infidelidade, manipulação, então o pecado existe, quer na homossexualidade quer na heterossexualidade.

 

Conforme já verificámos atrás a Igreja refugia-se na Bíblia para condenar a homossexualidade (entendida como uma relação amorosa estável e fiel entre duas pessoas que se amam e querem ser família), contudo (conforme também já o referimos) a linguagem bíblica não se refere à homossexualidade como a entendemos, mas a prostitutos masculinos que eram utilizados nos cultos pagãos. Certamente que em parte alguma da Bíblia se legisla sobre o tema de uma atracão profunda e de amor entre dois adultos do mesmo sexo, resultando num compromisso.

 

Por outro lado, sendo a homossexualidade tão natural e dada por Deus como o é a heterossexualidade, facilmente nos apercebemos que as invetivas bíblicas contra a homossexualidade foram condicionadas pelas atitudes e crenças acerca desta forma de sexualidade e correspondentes a uma determinada época histórico-cultural.

 

Deste modo, todas as manifestações de um amor fiel e responsável entre duas pessoas homossexuais não são algo tratado nas Sagradas Escrituras.

 

O casal homossexual vivendo em pleno e de forma madura a sua relação de amor mútuo, deve fazer parte integrante da sua comunidade paroquial. Nela participar ativamente, dando testemunho, paralelamente com os demais casais heterossexuais, pois o casal homossexual católico não deve, nem pode, continuar a ser arredado da sua Fé em Deus e em Cristo. Um Cristo que diariamente continua a morrer na cruz para redenção dos homens, de TODOS os homens.

 

Por tudo isto e como leigos empenhados nas suas diversas comunidades paroquiais os casais de homossexuais masculinos devem ser chamados à participação, pois...

 

NÓS TAMBÉM SOMOS IGREJA!

3 comentários

  • Caríssima jovem,

    Muito obrigada pela sua partilha aberta e sincera e pela sua confiança. A sua mensagem merece todo o respeito e a mesma honestidade da nossa parte em relação ao que nela refere.

    O facto de ter sentido desde muito cedo atração por pessoas do mesmo sexo, como refere, não é um problema nem um pecado. Fez e faz parte do seu percurso de vida.

    Alguém que deseja de forma tão convicta amar outra pessoa e comprometer-se com ela com a entrega e fidelidade que demonstra na sua mensagem, dificilmente se tornara depravado ou moralmente desqualificado só porque sente atração e amor por outra pessoa do mesmo sexo. A homossexualidade não define o carácter da pessoa e, contrariamente ao que refere na sua mensagem, as pessoas, de acordo com estudos científicos devidamente comprovados, já nascem com orientação sexual definida. Cada um/a nasce com uma orientação predisposta que se desenvolve na adolescência, não sendo já considerada uma perturbação (doença) desde 1995, e sim uma orientação.

    O padrão tradicional de amor e família heterossexual radicado na Bíblia é apontado como o padrão de Deus, por ser o primeiro modelo de amor e família que Ele, na Sagrada Escritura, instituiu para o ser humano ao pedir-lhe que crescesse e se multiplicasse. Contudo, Deus vai mais além: Ele ama e, porque é Amor, tudo criou por amor e não se enganou ao criar as pessoas com orientação homossexual nem as repudia de forma alguma por isso. Daí que aceite com misericórdia e compreensão o amor entre pessoas do mesmo sexo, o tal amor fiel e digno que refere e, que é sem dúvida a chave de uma sexualidade bem vivida, independentemente da orientação que a define.

    A dificuldade está na aceitação de que esse mesmo amor, que não faz parte do padrão convencional, seja igualmente puro, digno de respeito e atenção por parte de Deus e dos homens, quando ao longo de séculos de história humana a homossexualidade foi vista como uma doença e um desvio e o amor homossexual com algo de inexistente por não se enquadrar no padrão de Deus, no que os homens veicularam acerca de Deus e no próprio padrão das relações humanas interpessoais. É um tema delicado, sobre o qual a ciência e a psicologia já deram e dão um importante contributo no esclarecimento de alguns conceitos e a teologia do amor e da misericórdia terá, sem abandonar os ensinamentos da Igreja, de evoluir e de ir gradualmente ao encontro das pessoas sem julgamentos ou condenações precipitados, pois só Deus julgará o ser humano quanto ao amor e à forma como procurou seguir Jesus.

    Deus entende os sentimentos que temos e vivemos sem que tal tenha que ser necessariamente sinónimos de tentação e de pecado, pois a consciência e os valores de quem é bem formado saberão optar de forma correta e de acordo com o exemplo de Jesus que muitas vezes colocou a dignidade da pessoa humana acima dos padrões e leis do Seu tempo. Um exemplo hipotético: duas pessoas homossexuais vivem juntas há muitos anos. Uma delas, ainda jovem, está muito doente e totalmente dependente do/a companheiro/a que o/a trata com todo o carinho e está em casa quase todo o dia para cuidar da sua higiene, roupa, alimentação e assistência médica se for preciso.

    Viverão mesmo em pecado aos olhos de Deus? O seu amor é pecaminoso ou digno de respeito e admiração?

    O importante, cara jovem, é a forma equilibrada e honesta com que procura viver diante de Deus e relacionar.se com Ele, pois reflete-se na sua relação consigo mesma e com a pessoa ama ou vier a mar.

    As palavras e leis humanas são importantes para vivermos bem, mas a misericórdia de Deus que nos liberta do pecado e vai muito além do preconceito e do que os juízos humanos atingem. Nesse universo mais profundo do ser humano em que ele se encontra com Deus só o Seu Coração tem a resposta baseada na única Lei que Deus conhece e nos pede: o Amor!

    É esse mesmo amor a bússola que nos permite fazer escolhas na certeza de que Deus vela por nós, nos entende quando acertamos, nos perdoa quando erramos e nos ama e aceita exatamente como somos.

    TC
    (Rumos Novos - Assistência Religiosa Nacional
  • Sem imagem de perfil

    Manuella

    29.12.16

    Antes de tudo gostaria de agradecer a mensagem, porém contrariando essa linha de raciocínio acredito que há sim uma pré-disposição pela homosssexualidade, e ainda sim não há comprovações de que um indivíduo de fato nasce homossexual (livro "nascido gay", Camille Paglia e o próprio Jean Pierre Delaume-Myard, entre outros relatos). Então acredito que nesse caso isso implique no "ser" homossexual, e mesmo que fosse, eu penso algumas vezes: "Renuncie a si mesmo e venha até mim". Quanto ao seu exemplo entendo perfeitamente a situação e acredito que Deus tenha misericórdia para com essas pessoas e as ame como qualquer ser humano, Ele admira seu afeto e a dedicação que tem um para com o outro, mas condena aquela relação. Eu podia usar o mesmo exemplo com casais poligâmicos e estar errada já que Deus nos deixa a plena definição de casamento, e por isso que por mais eu me atente em outros fatores Ele nos deixou essa definição nas escrituras, por que questioná-la? É complicado, se um dia minha mãe e meu pai soubessem diriam que eu iria queimar no inferno, já vi até minha mãe falar que homem que sente tendências por outro homem está possuído pelo demônio. Enquanto eu estiver com Deus lutarei contra isso.
  • Comentar:

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.