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Associação RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBTQ (Portugal)

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23 de Junho, 2019

Psicanalistas americanos pedem desculpa por terem rotulado a homossexualidade como doença

Rumos Novos - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

© REUTERS/Mike Segar

A Associação Americana de Psicanálise (APsaA) pediu desculpa na passada sexta-feira por ter anteriormente tratado a homossexualidade como uma doença mental, tendo afirmado que os seus erros no passado contribuíram para a discriminação e trauma das pessoas LGBT.

 

É a primeira organização de saúde mental ou médica dos EUA a emitir tal tipo de desculpa. Ainda que os psiquiatras tenham desclassificado a homossexualidade como desordem em 1973, foram precisos mais vinte anos para que os psicanalistas fizessem o mesmo. A APsaA afirma que desconhece se qualquer outro grupo profissional da área tenha alguma vez pedido desculpa. «Já não é sem tempo para reconhecer e pedir desculpa pelo nosso papel na discriminação e trauma causados pelos nossos profissionais e dizer 'Lamentamos', afirmou numa declaração o Dr. Lee Jaffe, presidente da APsaA. O grupo usa este acrónimo como forma de o distinguir da Associação Americana de Psiquiatria (APA).

 

Jaffe anunciou o pedido de desculpa na passada sexta-feira na sessão de abertura do 109.º encontro anual do grupo, em San Diego (EUA), recebendo uma ovação de pé das cerca de 200 pessoas presentes, afirmaram testemunhas. Jaffe afirmou que o seu grupo desde há muito tempo que promove os direitos das pessoas LGBT, mas faltava-lhe colocar a sua contrição em palavras.

 

«É difícil admitir que estivemos tão errados,» afirmou Jaffe.

 

Um analista sediado em Los Angeles afirmou que a assistência interpretou o momento como significativo.

 

«Como alguém que vem de uma longa linha de analistas que têm lutado em prol das pessoas LGBT, este pareceu ser um momento decisivo,» disse o Dr. Justin Shubert.

 

 

O MOTIM DE STONEWALL

 

A mudança no pensamento da comunidade médica acerca da homossexualidade e da desculpa da passada sexta-feira ambos têm a sua origem num acontecimento muito importante da história LGBTQ ocorrido há 50 anos: o motim de Stonewall.

 

Clientes de um bar gay da cidade de Nova Iorque chamado Stonewall Inn responderam a uma perseguição policial ocorrida nas primeiras horas do dia 28 de junho de1969, despoletando o começo do movimento moderno em prol dos direitos das pessoas LGBTQ.

 

Recentemente a polícia de Nova Iorque pediu desculpa pela incursão e pelas leis discriminatórias da época, que levaram a que a APsaA apresentasse também o seu pedido de desculpa, disse o Dr. Jack Drescher, um membro da APsaA e principal autoridade na história do tratamento psiquiátrico e psicológico das pessoas LGBTQ.

 

A cidade de Nova Iorque espera qualquer coisa como 4 milhões de pessoas para a celebração do 50.º aniversário de Stonewall e desfiles do Pride serão realizados um pouco por todo o mundo a 30 de junho.

 

Ativistas LGBTQ irromperam pelo encontro anual da Associação Americana de Psiquiatria, em 1970, em São Francisco. Os protestos deram uma tal reviravolta na conferência, afirmou Drescher, que em dezembro de 1973 a direção da APA removeu a homossexualidade do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM).

 

Porém, a APsaA somente alterou a sua posição em 1991 quando, sob ameaça de um processo antidiscriminação, permitiu a formação de psicanalistas gays e lésbicas, afirmou Drescher.

 

A APsaA acabou por se tornar num dos primeiros apoiantes do casamento entre pessoas do mesmo sexo e opositora das «terapias de conversão» destinadas a mudar a orientação sexual de uma pessoa.

 

Em 2012, o psicanalista Dr. Robert Spitzer, de moto próprio, pediu desculpa pela autoria de um estudo influente realizado havia 11 anos que afirmava que a terapia de reconversão «curava» a homossexualidade.

 

Hoje, a APsaA e outras organizações profissionais encaram o ser-se gay como uma variante normal da sexualidade humana, mas até agora têm ainda que exprimir o quão erradas estavam antes, afirmou Drescher.

 

«Essas organizações fizeram o trabalho de pedir desculpa, mas não disseram as palavras,» afirmou Drescher. «Se o comissário da polícia da cidade de Nova Iorque o pode fazer, por que razão não poderíamos nós fazer algo de semelhante?»

 

Fonte: U. S. News