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RUMOS NOVOS - Católicas e Católicos LGBT (Portugal)

Somos católic@s LGBT que sentiram a necessidade de juntos fazerem comunhão, partilhando o trabalho e as reflexões das Sagradas Escrituras, caminhando em comunidade à descoberta de Deus revelado a tod@s por Jesus Cristo.

Responsáveis religiosos, incluindo James Martin, SJ, testemunham sobre o aumento global dos crimes de ódio

Foto CNS/Jim Young, Reuters

 

Um grupo de responsáveis religiosos americanos, incluindo James Martin, SJ, testemunhou na passada terça-feira perante um grupo de legisladores que fazem parte da Comissão de Helsínquia sobre o modo como as pessoas de fé pode ajudar a combater os crimes de ódio, cujos relatos têm aumentado nos últimos anos.

 

«Combater de forma eficaz os crimes de ódio requer um esforço abrangente que junte instituições governamentais, sistemas de justiça criminal, agentes da sociedade civil e organizações internacionais,» pode ler-se numa nota de imprensa emitida pela comissão. A Comissão de Helsínqua, fundada em 1976 e oficial denominada como Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) promove «os direitos humanos, a democracia e a cooperação económica, ambiental e militar» entre os seus 57 países membros, entre os quais se encontra Portugal. «Os agentes religiosos e as instituições interconfessionais desempenham um papel importante na promoção de sociedades seguras e inclusivas e na redução da violência, hostilidade e discriminação,» pode ainda ler-se na nota de imprensa.

 

O Pe. James Martin disse que a melhor forma das pessoas de fé combaterem os crimes de ódio é olhar para os casos de preconceito e discriminação nos seus locais de oração.

 Nos últimos anos, o número de crimes de ódio reportados às forças de segurança, nos Estados Unidos, tem aumentado. De acordo com um relatório de 2018 da autoria do FBI, o número de crimes motivados por raça, étnia, religião e orientação sexual reportados por esquadras de polícia locais aumentou, em 2017, 17%, por comparação com 2016. (Críticos do relatório realçam que o facto da estatística do FBI ter por base relatórios voluntários feitos pelas esquadras de polícia locais pode significar que o número real de crimes de ódio possa ser muito superior do que os dados oficiais sugerem). Em abril, o Comité Judiciário da Câmara dos Estados Unidos realizou uma audição sobre crimes de ódio e sobre o papel que os meios de comunicação social desempenham na promoção do nacionalismo branco. Embora o presidente Donald Trump tenha condenado alguns crimes de ódio de maior impacto, os críticos sustentam que ele manifestou o seu apoio aos nacionalistas brancos, como quando afirmou que existiam «excelentes pessoas em ambos os lados» referindo-se a um confronto de 2017 entre nacionalistas brancos e contramanifestantes, em Charlottesville.

 

Num vídeo pré-gravado, o Pe. James Martin, afirmou que a melhor forma das pessoas de fé combaterem os crimes de ódio é olhar para os casos de preconceito e discriminação nos seus locais de oração. Adiantou três ideias sobre como lidar com questões de fanatismo nas comunidades de fé.

 

«Primeiro, olhar de forma clara sobre a forma como as suas organizações falam dos, e realizam o seu ministério com, grupos marginalziados. Segundo, chegando a esses grupos, especificamente para fazer com que eles se sintam acolhidos naquilo que são, afinal de contas, as suas igrejas também. Finalmente, aproveitando todas as oportunidades para estarem publicamente ao lado dessas pessoas, defende-las, lutar por elas, mesmo correndo o risco de perder alguns paroquianos», afirmou.

 

Os ataques motivados pelo ódio religioso têm causado alarme entre alguns líderes mundiais, nos últimos meses.

 

 

O Pe. James Martin apontou para o que afirmou serem exemplos de preconceito na Igreja Católica, incluindo uma declaração da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, nas horas que se seguiram ao tiroteio de 12 de junho de 2016, num bar de Orlando frequentado pela comunidade LGBT que deixou 49 pessoas mortas. A declaração, realçou o Pe. James Martin, não incluiu uma menção específica do grupo alvo no ataque e somente um punhado de bispos americanos produziu as suas próprias declarações após o tiroteio.

 

«Como exercício de pensamento, imaginemos se 49 pessoas de um grupo étnico particular fossem massacradas e o nome desse grupo étnico fosse omitido das declarações públicas. Para além disso, no rescaldo da declaração dos bispos norte-americanos, somente um punhado de bispos católicos, a título individual, acabou por manifestar a sua simpatia. A maioria não disse absolutamente nada. Mesmo na morte a comunidade LGBT permaneceu invísivel para a maior parte da igreja,» disse ele.

 

Rabbi Hazzan Jeffrey Myers da Sinagoga da Árvore da Vida, em Pittsburgh, estava igualmente escalado para testemunhar. Em outubro passado, um atirador matou 11 pessoas reunidas na sinagoga, um dos muitos ataques recentes que tiveram por alvo judeus, um pouco por todo o mundo. Um estudo tornado público no início deste ano relatou que os crimes de ódio anti-semitas no mundo estão a aumentar, particularmente na Europa. Pesquisadores na Universidade de Tel Aviv documentou quase 400 casos de agressão, em 2018, tendo por alvo judeus, com mais de 25% dos ataques violentos a ocorrerem nos Estados Unidos. Os crimes tendo por alvo judeus norte-americanos continuaram durante 2019. Em abril, um homem de 19 anos matou uma pessoa e feriu três outras, incluindo um rabi, num ataque numa sinagoga em Poway.

 

Para além dos ataques nas sinagogas, outros ataques motivados por ódio religioso causaram alarme entre alguns líderes mundiais, nos últimos meses. Um tiroteio em duas mesquitas na Nova Zelândia que provocou mais de 50 mortos causou igualmente um clamor internacional e denúncias de violência religiosa, no início deste ano, e no domingo de Páscoa, mais de 200 pessoas foram mortas em atentados bombistas que tiveram como alvo igrejas cristãs no Sri Lanka.

 

Outra das pessoas agendada para testemunhar foi Radia Bakkouch, responsável da organização Coexister sediada em Paris, que promove o diálogo interreligioso entre os jovens; Alina Bricman, presidente da União Europeia dos Estudantes Judeus; Ursa Ghazi, diretora de política e programas da America Indivisible, um grupo que luta contra a intolerância contra os Muçulmanos e o Rev. Aaron Jenkins, uma vice-presidente do The Expectations Project, um grupo que procura ligar lugares de oração a escolas públicas que precisem de auxílio.

 

Fonte: America The Jesuit Review